Mais atitude e menos explicação.
Inadmissível e inaceitável, sob todos os aspectos,
a tentativa dos representantes do governo Tarso de transformar as denúncias
resultantes da Operação Kilowatt em algo corriqueiro, sem gravidade. Como
assim? Desvio de dinheiro público para fins ilegais não é mais crime? Claro que
é! Então que me desculpe o chefe da Casa Civil, Carlos Pestana, os secretários
estaduais de Obras, Luiz Carlos Busato, e de Educação, José Clóvis de Azevedo,
mas estão tentando explicar o inexplicável. Justificar o injustificável. Se não
entenderam vou ser mais claro: Estão “tapando o sol com a peneira”. “Enxugando
gelo”. E o pior, indo contra a vontade popular, que não suporta mais a
corrupção no serviço público. Senão vejamos.
Diz o secretário Pestana que se comprovada à fraude,
a culpa será das pessoas envolvidas e não das instituições que elas
representam, no caso o governo do Estado e os partidos que fizeram a indicação
dos seus nomes. Não mesmo! De quem é a responsabilidade pela indicação e
aprovação dos nomes daqueles que fraudaram o erário público? De quem é a
responsabilidade pela fiscalização da contratação e execução de uma obra
executada com dinheiro público? Do Estado, respondo eu. Então não dá para
aceitar uma declaração política para um assunto de polícia.
Da mesma de forma, de nada adiantam as explicações
do secretário Busato, de que os serviços contratados e pagos (que sabemos agora
foram parcialmente executados) foram ampliados para atendimento de outras áreas.
Ora, isso é ilegal. O objeto da licitação e do contrato é claro no que se
refere à meta a ser atingida. Agregar indevidamente outras obras a este
contrato é irregular. E ilegal.
Por último, chega atrasado o anúncio da secretaria
estadual da Educação de que será implantado um serviço de acompanhamento da
execução de obras em escolas estaduais. Como assim cara pálida? Então não havia
fiscalização? Bem, nesse caso, não dá para se surpreender pela ocorrência de
fraudes.
O que está faltando por parte das autoridades
estaduais nesse momento, além de um claro mea culpa, é uma manifestação de
indignação pelo ocorrido. Um grito de basta à corrupção. Como o PT fazia quando
estava na oposição. E, claro, a punição
dos envolvidos e, se possível, o ressarcimento dos recursos desviados. Sem
isso, qualquer providência será apenas paliativa. Não vão convencer a
população. É por isso que estranho o silêncio do governador. Cabe a ele dar o
tão necessário grito. Antes que seja tarde.
Tarso, por que te calas?

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