Corrupção se combate
com cidadania.
Nunca se roubou tanto no Brasil.
É o que mais se tem ouvido ultimamente. Mas será verdade? Não tem como
comprovar isto. Afinal, desde a sua descoberta o país sempre se viu envolvido
em denúncias de corrupção. E mais. Desviar dinheiro público nunca foi primazia
dos governantes ou dos políticos. É que para ter corrupção é preciso ter
corruptor e corrupto. E a história mostra que ninguém exerceu com mais
interesse o papel de corruptor do que os maus representantes da iniciativa
privada, enquanto prestadores de serviço e executores de obras para a União,
Estados e Municípios. Uma histórico indesejável para qualquer país sério.
A incidência permanente de casos
de fraudes mediante o mau uso do dinheiro público me leva a crer que a
corrupção no Brasil é endêmica. Com metástase espalhada por todos os segmentos
sociais. A tal ponto e em tal quantidade que pode ser confundida como algo
natural na cultura política e econômica do país, o que acaba vulgarizando essa
grave distorção comportamental e ética. Corrupção é crime e como tal deve ser
vista e combatida. Jamais tolerada. Sob pena dessa passividade se transformar
em omissão e até conivência.
Mas a intolerância à corrupção
não significa radicalismo exacerbado, embora a intransigência nesses casos deva
ser total. Apropriação indevida de dinheiro público é crime sempre,
independente do volume de recursos desviado. É por isso que as tais penas
exemplares, ao contrário do que tem sido dito, nem sempre são educativas. Prova
disso foi o que aconteceu com os principais condenados no caso do Mensalão, que
por maior que tenha sido a repercussão midiática, não chegaram a completar um
ano em regime fechado.
Mas isso não pode ser visto como
a comprovação de que por vezes o crime compensa? Jamais. Até porque a
condenação e a exposição pública acabam por macular permanentemente aquele que
é o maior patrimônio de um político ou de um empresário: a sua credibilidade.
No caso dos políticos, o impacto negativo é ainda mais imediato, pois passam a
ter seus nomes incluídos como “ficha suja”, o que os torna impossibilitados de
concorrer a cargos eletivos.
No Japão, tido como nação
desenvolvida, há casos onde o gestor ou político corrupto, ao ser descoberto,
comete o suicídio, tal o grau de humilhação que isso lhe provoca. Claro que se
trata de um exagero, mas não resta dúvida de que demonstra a conscientização
cultural positiva da honestidade, da ética e do comprometimento social. É esse
sentimento, na dosagem adequada, que precisa ser inoculado na cultura
brasileira.
E para os céticos, o exemplo de
que não se trata de uma utopia é a dedicação e a valorização dos brasileiros
àquelas que são consideradas paixões nacionais: o futebol e o carnaval. Um povo
que consegue ser criativo e obstinado a ponto de transformar essas duas
atividades em destaque internacional, como modelo de organização e competência,
pode sim fazer o mesmo em outras áreas.
E o caminho passa necessariamente
pelos bons exemplos. Que começa na família, passa pela escola e se consolida na
atividade profissional, até virar referência comportamental. Diálogo. Essa é a
essência de uma nova postura comportamental. Para combater a corrupção é
preciso falar sério sobre corrupção. Discutir o que aconteceu com a Petrobrás e
que foi resultou na Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Debater a posição
do Congresso Nacional na votação do PLN 36/2014, que
mudou a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) em vigor e desobrigou o governo
de cumprir a meta de superávit primário deste ano, numa operação que envolveu a
troca de votos por mais recursos para as emendas parlamentares
individuais. Uma espécie de Mensalão Oficial. Discutir a falta de uma
fiscalização eficiente para impedir que o leite seja “batizado” por substâncias
nocivas à saúde, como aconteceu no Rio Grande do Sul. E falar abertamente da
necessidade de punir rigorosamente todos os envolvidos nos episódios de
corrupção. Sempre na forma da lei. E cobrar isso das autoridades.
Mas as ações não param por aí. É
preciso implantar ações preventivas, que inibam a formação de maus cidadãos. Com
a máxima urgência. Sem colocar a responsabilidade exclusivamente nos ombros do
governo e da escola. E isso começa em casa, na família. Com franqueza e
coragem. Mostrando que mais importante do que o consumismo desenfreado está a
busca do conhecimento e a relação fraterna com os familiares, os amigos, os
colegas, etc. Valorizar o ser e não o ter.
Como? Cumprimentando o porteiro.
Segurando a porta do elevador para alguém entrar. Cedendo o lugar no ônibus
para um idoso ou para uma grávida. Devolvendo o troco recebido à mais. Não
parando sobre a faixa de segurança. Exigindo seus direitos, como por exemplo a
boa aplicação dos recursos arrecadados com o pagamento de impostos.
Participando mais da vida escolar dos seus filhos. Unindo a família em torno da
mesma mesa para fazer as refeições. Votando no candidato ficha limpa. E muito
mais. Só assim, com cada um fazendo a sua parte, dando a sua contribuição, é
que será possível sonhar com uma sociedade mais justa, honesta e cidadã.
Diga não à corrupção dizendo sim
a retidão, a integridade e a solidariedade.