terça-feira, 28 de junho de 2016

Sartori, por que não te calas?



Toda vez que tem uma votação de interesse do governo do Estado o Sartori vem com a mesma conversinha de que as melhorias aguardadas pela população dependem da aprovação dos projetos pela Assembleia.
Foi assim com o aumento de impostos e dos saques dos depósitos judiciais, com a reforma da previdência estadual e agora com a LDO recessiva. "As melhorias que PRETENDEMOS executar na segurança pública depende da aprovação da LDO", diz ele. Só que as melhorias nunca acontecem.
Mas se é tão importante para o Estado, por que então limitar o debate com a sociedade? Aí, nesses casos, o democrata vira ditador. O Rio Grande deixa de ser partido e vira militante do PMDB.

Se o Lula se acha o sujeito mais honesto do mundo, o Sartori deve se achar o mais esperto de todos.  

segunda-feira, 27 de junho de 2016


Governo ruim é aquele cuja base
política se sobrepõe a eleitoral.

O que mais me aborrece, enquanto jornalista, é essa mania dos detentores de mandato "confundirem" delegação de poder com procuração. Delegação é distribuir tarefa. Procuração é outorgar poder para alguém decidir por outrem.
Assim, quando alguém, seja um parlamentar ou governante, é votado, ele está recebendo uma delegação para realizar algo que se comprometeu a executar.

É por isso que não dá para entender, e muito menos aceitar, que alguém eleito resolva atuar com independência. Fazendo o que lhe interessa e não o que interessa aos seus eleitores.
Digo isso porque perdi a paciência com os discurso daqueles que, após as eleições, ao optarem por compor a chamada base aliada governista, abdicaram de suas delegações populares ou, espertamente, transformam-nas, indevidamente, em procurações particularizadas (suas ou do governo que integra).

Se o governo sai-se bem no seu período, enchem o peito é falam "o nosso governo". Se vai mal, é o governo dos outros, cuja participação teve por objetivo o bem do Rio Grande.

O atual governo estadual, sob o rótulo da crise econômica, tem sido pródigo em adotar medidas impopulares. E tem obtido êxito graças a maioria da base governista no Parlamento gaúcho. Muitas vezes descumprindo compromissos de campanha, como foi o caso do aumento de impostos.
Agora a imprensa informa que um novo pacote de medidas está para ser encaminhado pelo Executivo ao Legislativo. Ninguém sabe exatamente do que se trata. Mas sabe-se, de antemão, que serão aprovados em plenário. Boatos dão conta de que um dos projetos pretende acabar com a aposentadoria especial dos policiais, prolongando suas permanências na atividade. Tudo indica que o próximo pacote de medidas impopulares busque o mesmo com o magistério.

Ai eu pergunto: alguém ouviu na campanha eleitoral o Sartori propor tal coisa? Ou ouviu algum candidato a deputado estadual aventar tal possibilidade? Claro que não! Mas então como podem agirem de forma independente, rasgando a delegação recebida de seus eleitores, e forjando uma procuração inválida?

Digamos que a iniciativa seja imprescindível (coisa que eu não acredito), mesmo assim o assunto deveria ter tido a transparência indispensável. Precedida de um amplo debate popular, especialmente, com as categorias diretamente envolvidas.

Mas não foi o que aconteceu. Pelo contrário, o pacote de medidas será encaminhado à Assembleia Legislativa em caráter de urgência e durante a convocação extraordinária de Julho.

Assim fica muito difícil acreditar nas boas intenções de nossos representantes. Quando a
base governista se sobrepões a base eleitoral não há como acreditar em justiça social e muito menos em interesse de Estado.

Lamentavelmente.




sexta-feira, 24 de junho de 2016

Colega ou companheiro de luta?

Zero Hora


Após 43 dias de interrupção forçada das aulas, finalmente a rotina do Colégio Estadual Júlio de Castilhos poderá ser retomada. Durante todo o período em que a escola esteve fechada, a exemplo do que aconteceu em dezenas de outras escolas, os alunos ocupantes, uma minoria ligada a partidos políticos, incentivada pelo Cpers - uma entidade que há muito deixou de representar os interesses da categoria para se dedicar ao atendimento de interesses de político-partidários -, realizou atividades, digamos, alternativas, como por exemplo, orientações sobre como ocupar uma escola e noções básicas sobre socialismo e o comunismo. Pouco ou nada afetas ao conteúdo curricular estabelecido pelos órgãos reguladores do ensino.

Na véspera da retomada das aulas é importante fazer uma avaliação dos protestos. Os manifestantes já fizeram e se orgulharam do resultado final da ocupação. “Conseguimos transformar o Julinho numa escola de luta”, disse um dos coordenadores do movimento. Mas será que a escola é o melhor local para esse aprendizado ideológico? Não seria melhor usar espaços mais afins, como a sede das entidades estudantis e dos partidos políticos ou as chamadas “casas do povo”, no caso as Câmaras de Vereadores, Assembleias Legislativas e o Congresso Nacional? Penso que sim.

E os alunos que não participaram do movimento de ocupação e não puderam assistir as aulas para receber o conhecimento a que fazem jus, que avaliação irão fazer de tudo isso? Conseguirão recuperar o conteúdo perdido? No caso daqueles que irão prestar vestibular no final do ano, conseguirão concluir o 3º ano do ensino médio a tempo de participar do concurso seletivo? E os professores? Conseguirão ter férias, uma vez que precisarão recuperar as aulas que não foram dadas?
Como se vê, enquanto uma minoria comemora a sua vitória de Pirro, a comunidade escolar (alunos, pais e professores) trata de recuperar o patrimônio depredado pelos manifestantes, preparando minimamente os estabelecimentos para o recomeço das aulas.

Mas na verdade, quem deve avaliar os prós e contras desse tipo de protesto é a sociedade como um todo. A começar pelos nossos governantes e legisladores. Para saber que tipo de geração de jovens estamos construindo? Que tipo de mundo deixaremos para nossos filhos e netos?


Enquanto isto não acontece, tenho uma dúvida premente. Que tipo de denominação os estudantes ativistas irão exigir dos demais, que não são, que seja capaz de identifica-los com a sua nova postura revolucionária? Colega ou companheiro de luta? Talvez isso represente o primeiro passo para um discussão séria sobre o futuro da educação no Brasil. Tomara!