quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Afinal, para que serve a Brigada Militar?





Outrora conhecida pela alcunha de briosa, pela excelência dos serviços prestados ao longo de sua trajetória de quase dois séculos, a Brigada Militar começa a sofrer críticas dos gaúchos pelo comportamento diferenciado que vem tendo nos últimos anos, especialmente a partir dos protestos de junho de 2013. Idealizada para ser um corpo de segurança de nível estadual, com a função primordial de realizar o policiamento ostensivo e a preservação da ordem pública do Estado do Rio Grande do Sul, a Brigada Militar, por sua formação militar (é considerada força auxiliar do Exército brasileiro), tem na hierarquia um dos seus pilares mestres da sua atuação. E, nesse aspecto, a obediência às determinações do governador, considerado “comandante em chefe”, sobressai-se sobre todos os demais interesses. E talvez esteja ai a causa das críticas da população.

Explico. Por ser uma organização policial de caráter eminentemente técnico, o respeito a esta característica pelo seu “comandante em chefe” é condição sine qua non para o bom desempenho de suas atividades. E o governador Tarso Genro foi alem disso. Deu a instituição uma orientação de cunho político. Aliás, repetiu o que fez com a Polícia Federal quando foi ministro da Justiça. Pelo menos é isso que o ex-secretário nacional de Justiça do governo Lula, Romeu Tuma Júnior, escreveu em seu livro “Assassinato de Reputações – Um Crime de Estado”.  Resultado: a Brigada passou a ter uma ação mais contemplativa do que prática. Ou não foi isso que se viu nos protestos de rua no ano passado e agora na greve dos rodoviários?

Não estou defendendo o uso da força. Mas a obediência irrestrita da lei. Sob pena dos irresponsáveis se sentirem autorizados à baderna. Ou o que é pior, os bandidos perderem o respeito pela força policial. Governos passam. E muitos já passaram pela trajetória gloriosa da Brigada Militar. Ao invés de usar politicamente a Brigada, Tarso Genro deveria investir na qualificação da corporação, na aquisição de novos e modernos veículos e equipamentos, e na melhoria dos salários dos brigadianos. Por falar nisso, quando foi a última vez que você viu um PM na sua rua?


quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

A batalha perdida de Fortunati.




O que o prefeito José Fortunati pretende ao disparar contra o Sindicato dos Rodoviários de Porto Alegre e contra as empresas de ônibus que atendem as linhas urbanas da capital? Melhorar a qualidade do serviço? Não. Até porque as condições da frota e do atendimento prestado pelos trabalhadores do setor já deixaram, faz algum tempo, de circular pelos espaços da mídia. Então o que é? 

Primeiro é preciso ver o que antecedeu a crítica do prefeito. A curto prazo, foi o dissídio dos trabalhadores do transporte coletivo, que levou a categoria a paralisação, e que fez com que as empresas condicionassem o reajuste dos salários ao aumento da tarifa. A médio prazo, foi o temor da retomada dos protestos promovidos pelo Bloco de Luta pelo Transporte Pública, que aterrorizaram os porto-alegrenses no ano passado, e que tiveram como causa o reajuste das passagens dos ônibus da capital. E a longo prazo, foi a manutenção de um sistema de transporte antigo e viciado, que acabou encarecendo as tarifas, e que há muito deveria ter sido substituído ou pelo menos aprimorado.

Em meio a todas estas questões se sobressai a falta de gestão e de planejamento. Por que não abriram licitação para, através da concorrência, melhorar o serviço? Ou, por que não modificaram a planilha de cálculo das tarifas, barateando seus custos? Por que não qualificaram a fiscalização do cumprimento dos horários e a superlotação dos veículos? Por que não investiram mais em obras viárias que permitiriam maior fluidez do trânsito e na busca de alternativas para o transporte de massa, como por exemplo o metrô?

Com tantos por quês fica fácil entender a manifestação de Fortunati de que sindicato e patrões estariam associados visando um só interesse: o financeiro. É ai a explicação para a greve. O prefeito sabe que a única saída para o problema é o reajuste da tarifa. Só isso permitirá que as empresas reajustem os salários dos trabalhadores do transporte coletivo e continuem investindo na ampliação e qualificação da frota de ônibus. Óbvio, pois não há tempo para a implementação das providências que deveriam ter sido tomadas e não foram. 

Mas aumentar o preço da passagem implica num elevado custo social. E é essa a conta que Fortunati se nega a pagar. Como sabe que isso será inevitável, ele procura “tirar o seu da reta”. Denuncia, esbraveja, ameaça, para no fim ceder e dar o aumento. Tudo isso para passar a ideia de que ele não queria fazer o reajuste mas foi obrigado, diante das circunstâncias. Puro interesse político. 

Envolvida em tudo isso, tal qual o marisco, está a população de Porto Alegre. Que fica sem transporte para ir ao trabalho e voltar para casa. Que sofrerá, direta ou indiretamente, com os protestos de rua que certamente serão realizados por conta da transferência do reajusta para a tarifa. Tudo isso me lembra o personagem do inesquecível Chico Anísio, o Justo Veríssimo, que tinha como jargão a expressão “eu quero é que o povo que se exploda!”. E mais ou menos isso que está acontecendo em Porto Alegre.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

A filantropia comunista de Dilma.



No mesmo dia em que o governo brasileiro anuncia um corte de R$ 30 bilhões no orçamento deste ano, o que irá reduzir significativamente os investimentos em infraestrutura do país, a presidente Dilma Rousseff participa, em Cuba, da inauguração de um moderno terminal de contêineres no porto de Mariel, obra esta financiada pelo BNDES.

Em sua estada na ilha caribenha Dilma foi recebida por Fidel Castro onde falou da sua satisfação com o trabalho dos milhares de cubanos que fazem parte do programa Mais Médicos. Ainda hoje, desembarcam no Brasil mais dois mil médicos cubanos. Sempre é bom lembrar que a maior parte do pagamento dos trabalhos realizados pelos médicos de Fidel é remetido para o governo cubano. 

Dilma e outros presidentes latino-americanos e do Caribe se encontram em Cuba para participar da II Cúpula da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac), que começa amanhã (29) em Havana.



segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Minha cadeia, minha saúde e minha escola.



Interessante o artigo publicado no jornal O Sul pela Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul. Não pelo relato em si, baseado no fato incontestável da verdadeira pocilga que se transformou as penitenciárias brasileiras, e nem pela conclusão apresentada, que não me convenceu de todo, mas pelos dados estatísticos que apresenta. Se não vejamos. 

Segundo a Ajuris, nos últimos vinte e três anos (1990 – 2013) o número de presos nos presídios passou de 90 mil para 550 mil. Se o número de presidiários aumentou quase que geometricamente, o mesmo não aconteceu com a construção de novos espaços prisionais, cujas obras andam a passo de tartaruga. Resultado: empilhamento de presos. E o surgimento de todas as barbáries inimagináveis. 

A exemplo da medicina tradicional (alopática), que trata da doença e não da causa, o problema da superlotação dos presídios está no crescimento vertiginoso da violência e dos seus agentes, e não na falta de espaço para aprisioná-los. 

Mas isto não ocorre apenas nas penitenciárias. No mesmo período de tempo, fruto de um crescimento populacional da ordem de 30%, também os hospitais apresentaram número de leitos insuficientes para o crescimento da demanda. E o mesmo aconteceu com os estabelecimentos escolares com condições adequadas para o ensino também. 

Claro que me refiro aos empreendimentos públicos, de responsabilidade da União e dos Estados, principalmente. Os privados, ao contrário, vão bem. Só que com custos elevados.

Mas afinal, os impostos pagos pelos cidadãos e cidadãs não deveriam servir para financiar investimentos nas áreas da saúde, da educação e da segurança? Sim. Mas o que está acontecendo então? Falta planejamento adequado e gestão eficiente. A menos que o objetivo seja a implantação da política do quanto pior melhor. 

Por isso me parece estéril a discussão sobre o que está acontecendo dentro dos presídios. Se o governo não consegue resolver os problemas de quem está do lado de fora dos altos muros das cadeias, como poderá resolver os que estão do lado de dentro. 

Mais eficiência gerencial e mais responsabilidade política. Essa é, no meu entendimento, a fórmula para começar a mudar este quadro. Até lá, vamos continuar assistindo imagens lamentáveis de cadeias abarrotas e do crescente número de vítimas da violência, enormes filas a espera de atendimento médico e alunos e professores desestimulados. Lamentavelmente.

Brasil, mostra a tua cara.



Demorou mas apareceu alguém que colocasse publicamente o “dedo na moleira” dos responsáveis pela ameaça do Brasil pagar uma das maiores humilhações da sua história. Refiro-me às declarações do coordenador técnico da seleção brasileira, Carlos Alberto Parreira, que disse: “A gente perdeu uma oportunidade de dar conforto e mostrar um Brasil diferente. Queríamos tudo para a Copa, mas foi um descaso total. Vejo que os aeroportos (Cumbica, Galeão, Viracopos, Brasília e Confins) vão ser licitados a partir de março, três meses antes. É uma brincadeira, fomos indicados há sete anos e só agora vão licitar os aeroportos”?

Quem disse que o mundo do futebol é um universo de acéfalos? Pois foi deste meio inacreditado intelectualmente que veio o “X” da questão, e que responde também aos protestos de rua daqueles que hoje reclamam da vinda da Copa para o Brasil. Por que a final de contas o Brasil se meteu a promover um evento de tamanha magnitude? E olha que não foi só a Copa (2014), também a Olimpíada (2016). Antes de tudo é bom lembrar que a ideia surgiu em dezembro de 2006, quando o Brasil formalizou sua intenção de sediar o evento.

Na ocasião o país começava a tirar proveito da sua recuperação econômica. Mas quem estava à frente desse movimento era o então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Do PT. Bingo! Tanto o presidente como o seu partido, apesar da eficácia demonstrada nas campanhas eleitorais, não possuíam um histórico de competência gerencial. Suponho, então, que a ideia da Copa só possa ter sido gerada na cabeça de algum intelectual da esquerda. Sabe-se lá o real motivo. O certo é que – hoje temos certeza disso – nos mostramos mais valentes do que realmente somos. E deu no que deu.

Onde estão as grandes obras de infraestrutura de transportes, tidas como a herança maior do maior evento esportivo do planeta? Onde está a tranquilidade dos turistas para ir e vir em total segurança? E dinheiro não é o problema. Nunca os cofres federais estiveram tão abarrotados.  O fato é que não nos preparamos adequadamente para a Copa. Essa é a realidade. A grande esperança de mostrarmos ao mundo a nossa pujança e o nosso desenvolvimento ficou apenas na estratégia política do PT, que ajudou Lula a eleger sua sucessora. No mais foram obras inacabadas, outras tantas não iniciadas, e muita, muita suspeita de superfaturamento.

Eu pessoalmente não me surpreendo. “De onde menos se espera daí mesmo que não sai nada”, diz o ditado. Os problemas que os brasileiros e o mundo todo irão observar nos dois meses da Copa servirão para dar um choque de realidade ao “novo milagre brasileiro”. Estamos melhores econômica e socialmente? Estamos. Mas muito distante de onde deveríamos estar. Espero, pelo menos, que a Copa não traga prejuízos financeiros a nossa ainda frágil economia. E que não afaste o interesse internacional pelas Olimpíadas. E que não acabe com aquilo que os brasileiros têm de melhor: a esperança de um dia sermos uma grande, próspera e justa nação.

Enquanto isso não acontece e aproveitando o espírito festivo da Copa quem sabe não elegemos o refrão da música de Cazuza como o hino da Copa? Aquele que diz: “Brasil, mostra a tua cara, quero ver quem paga, prá gente ficar assim”.

Ah, e não se iludam quanto ao significado dos protestos de rua contra a realização da Copa. É mais uma iniciativa enganosa que visa dividendos políticos e não a melhoria da qualidade de vida dos brasileiros. Fosse bem intencionada, a iniciativa não permitiria a presença de vândalos e militantes partidários disfarçados de manifestantes. 

domingo, 26 de janeiro de 2014

O governo cubano de Dilma.




Se você é usuário do SUS comemore. Seus problemas de atendimento médico terminaram. A partir de terça-feira chegam ao Brasil mais 2 mil médicos cubanos. Com os 5,4 mil que já estão trabalhando no país chegamos a significativa marca de 7,4 mil médicos cubanos. Pelo menos este parece ser o entendimento da presidente Dilma.  Agora, se você é estudante de medicina seus problemas se agravaram. O governo federal nem cogita criar a carreira de médico estatal. Ou seja, dê um jeito de conseguir emprego na rede privada de saúde. Mas grave ainda é a situação das universidades, que com tanta interferência estrangeira no mercado e com a desvalorização do profissional nacional, a tendência é a redução pela procura do curso superior em Medicina. Mas a má notícia mesmo deverá vir das urnas. Se confirmarem os prognósticos das pesquisas eleitorais o PT deve permanecer mais quatro anos governando o Brasil.

sábado, 25 de janeiro de 2014

O mau exemplo do Uruguai.




Não, não é sobre a liberação da maconha que o título desse artigo se refere, tema que dominou o noticiário internacional nos últimos meses. É sobre o péssimo transporte coletivo oferecido aos uruguaios. Quem já teve a oportunidade de visitar o país vizinho sabe do que estou falando. Ônibus antigos e mal conservados. Verdadeiras sucatas ambulantes. Quase sem nenhum conforto. Claro que tal situação se deve a falta de investimentos do governo e do empresariado. E todos sabemos da precariedade da economia uruguaia. Mas tal situação explica, mas não justifica o problema deles. É que transporte coletivo de passageiros come qualidade tem que estar entre as prioridades de qualquer governante.

Faço essa referência pelo temor de que o mesmo acabe acontecendo no Rio Grande do Sul, especialmente em Porto Alegre. O motivo? O mesmo do Uruguai: falta de investimentos na renovação e qualificação da frota. A causa? Bem ai a situação é outra. Mas o monopólio do setor não está nas mãos da iniciativa privada? Está. Mas sob o regime de concessão, o que significa dizer, sob a influência política do Estado. E dentre esse controle estatal está a fixação das tarifas.

Como vivemos num regime capitalista, o empresariado tem como motivação maior o lucro. Daí que qualquer investimento no negócio, mesmo que de interesse público, tem que vir acompanhado da devida contrapartida financeira. No caso do transporte coletivo isso ocorre através do preço da passagem. Resumindo, bons ônibus dependem de boa arrecadação na roleta. E é ai que está o conflito de interesses. O governo quer a prestação de bons serviços. As empresas lucratividade. E a população exige um serviço de qualidade à preços reduzidos.

Não existe almoço de graça, diz o ditado popular. É a manifestação do óbvio. Só que o agente pagador, no caso os passageiros, cansou de ser a vítima habitual. E foi esta a razão que motivou os protestos nas ruas contra o aumento das tarifas dos ônibus de Porto Alegre. Que começou no grito e acabou em violência. E depredação. Não só de ônibus, lixeiras, lojas, prédios públicos, mas também de moradias privadas. Ou seja, para ter seus direitos de consumidor respeitados, os protestantes acabam desrespeitando o direito dos outros. E ai ninguém tem razão. E tudo vira baderna.

Para piorar a situação, o Estado, responsável pela manutenção da ordem, optou por ter uma fiscalização contemplativa dos excessos praticados nas ações de rua. Resultado, a tarifa vigente no transporte coletivo da capital foi congelada à força. E o medo de novos protestos, uma realidade. Já faz tempo que não ocorrem protestos nas ruas de Porto Alegre, mas no centro histórico, local dos últimos confrontos, os edifícios ainda estão com tapumes protegendo as suas vidraças. É que seus moradores sabem que o “vulcão” fumega e que a ebulição é eminente.

Natural, pois a raiz do problema não foi atacada. O serviço público de transporte coletivo continua na dependência do uso do ônibus e este, por sua vez, continua dependendo da iniciativa privada. Se o passageiro quer mais conforto, como a instalação de ar-condicionado nos ônibus, alguém tem que pagar por isso. A prefeitura alega não ter recursos para assumir integralmente o transporte de passageiros. E que o subsídio dado atualmente não pode ser expandido. Da mesma forma, os donos de empresas de ônibus alegam que estão tendo déficit na prestação do serviço.

Em meio a tudo isso, uma ameaça a calmaria. Os trabalhadores do transporte coletivo da capital decidiram entrar em greve por reajuste salarial. E ai as empresas do setor condicionam o reajuste ao repasse do mesmo à tarifa. O problema está criado e já se enxerga “lava” saindo do “vulcão”. A baderna, travestida de protesto, está novamente nas ruas. E vai começar tudo outra vez. E novamente quem mais vai sofrer com isso será a população. Quem depende do ônibus vai ficar à pé,  prisioneiro dos grevistas. Os empresários terão baixas nas suas frotas de veículos. Os moradores das áreas onde ocorrerão os protestos serão novamente atormentados. A pixação, os incêndios e o quebra-quebra de vidraças voltarão a ocupar espaços na mídia. E os principais responsáveis por dar um basta em tudo isso, no caso o Estado e a Prefeitura, ficarão na cômoda posição de neutralidade, pensando mais nos dividendos políticos do que numa solução eficaz e duradoura para o problema.

Vejo só tem uma solução: a mudança do atual sistema de gerenciamento do transporte coletivo. Os empresários tem que assumir suas responsabilidades por gerirem uma atividade de interesse público e a Prefeitura a sua, como agente fiscalizador e credor das necessidades e dos recursos dos contribuintes que, afinal de contas, são os verdadeiros financiadores de tudo. E o Estado tem que assumir, com rigorismo legal, o controle dos excessos das ruas.

Se continuarem empurrando o problema com a barriga em muito pouco tempo estaremos andando em sucatas uruguaias pelas ruas de Porto Alegre. Querem pagar para ver? Eu não!


sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Contabilidade criativa e enganosa.



Para o presidente estadual do PP, Celso Bernardi, o governo Tarso demonstra, mais uma vez, que o fracasso realmente lhe subiu à cabeça. “Nunca antes nesse Estado um governo comemorou de forma tão entusiasta um déficit de quase R$ 1,5 bilhão, que só não é maior em razão da contabilidade criativa, para não dizer enganosa, com pagamentos e despesas fora do orçamento”, diz Bernardi. Segundo ele, a realidade dos números precisaria considerar os mais de R$ 2 bilhões sacados do caixa único, os R$ 5 bilhões dos depósitos judiciais e o tarifaço de 48% que originou o aumento nas taxas (DETRAN) de quase R$ 500 milhões. “Esse déficit apontado em R$1,5 bilhão, ao invés de ser motivo de comemoração, na verdade deveria ser motivo de preocupação para um governo responsável”, afirma o presidente do PP-RS.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Tarso e Vieirinha antecipam a campanha.


Nos últimos cinco dias (para ficar apenas nesse período de tempo) Tarso Genro e Vieira da Cunha, dois pré-candidatos a governador, deram um drible digno de um Neymar na Justiça Eleitoral. Impedidos legalmente de realizarem atos políticos com fins eleitorais, os dois pré-candidatos usaram da esperteza e da criatividade ao utilizarem suas posições políticas para obter dividendos políticos-eleitorais.

Como governador, Tarso, que oficialmente estava em Capão da Canoa para assinar convênios e entregar radares móveis à Brigada Militar, “repentinamente” tirou a roupa e ficou apenas de sunga de banho. Ato contínuo se postou ao lado de um deficiente físico que estava sendo levado para tomar banho de mar numa cadeira anfíbia. Tudo previamente planejado e devidamente registrado pela imprensa que fora previamente avisada. Resultado, ampla exposição da imagem nas mídias tradicionais e principalmente nas redes sociais (objetivo maior da cena montada).


No mesmo dia e na mesma praia, Vieira da Cunha e Lasier Martins, ambos pré-candidatos pelo PDT (governo e senado), sob a alegação de estarem participando de uma movimentação promovida pela Juventude Trabalhista, caminharam pela beira da praia distribuindo folhetos pedindo uma praia limpa e, claro, conversando e tirando fotos com os veranistas. Da mesma forma que Tarso, tudo devidamente registrado pela imprensa. Resultado, ampla exposição de fotos nos jornais do dia seguinte.



Mas como em se tratando da relação entre PT e PDT tudo é possível, quatro dias depois, “democraticamente”, Vieira e Tarso resolveram compartilhar o mesmo palanque. A inauguração da estátua de Leonel Brizola. Em meio a diversos pré-candidatos às eleições proporcionais, os dois futuros adversários de campanha sorriram para o registro das imagens como se fossem parceiros e não adversários. Afinal, o que importa é aparecer bem na foto.



Tamanha facilidade de exposição pública não só fere a ética eleitoral como estimula o tão criticado jeitinho brasileiro de driblar as leis. Se a campanha começa somente após as convenções partidárias de junho, por que a justiça eleitoral se mostra condescendente com esses desvios de conduta de pré-candidatos declarados e atuantes?

Está na hora do TRE e o do MPE aparecerem na foto. 

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

O Brizola do PT.



Ano eleitoral serve para tudo. E em se tratando de eleição o PT é capaz de tudo. Até mesmo se apropriar de ícones históricos, como os trabalhistas Leonel Brizola e João Goulart (Jango). No primeiro caso, com direito a inauguração de estátua, o PT gaúcho tenta cristalizar a simpatia dos antigos aliados de governo para a sua reeleição. No segundo, a exumação dos restos mortais do ex-presidente trabalhista e a prestação de honras presidenciais póstumas, inclusive com direito a subida pela rampa do Palácio do Planalto, o PT nacional tenta consolidar a bandeira dos direitos humanos e, claro, a imagem da presidente Dilma, também candidata a reeleição.

A única identidade visível nos dois atos (estátua e exumação) é o de o PDT e o PTB integram ou integraram os governos Dilma e Tarso. Apenas e tão somente isto. À nível nacional PT e PDT, na época de Brizola, sempre tiveram linhas opostas de atuação. A ponto de Brizola ter declarado que “Lula pisaria no pescoço da mãe para ganhar a eleição”. Já à nível estadual a diferenciação está na saída do PDT da base governista para disputar o governo do Estado com candidatura própria. Saiu mas deixou vários simpatizantes da candidatura de Tarso, que serão úteis no 1º e/ou no 2º turno da eleição.



Talvez esteja no resquício dessa antiga rivalidade a justificativa da estátua de Brizola ter sido colocada no acesso lateral ao Piratiní e não no saguão de entrada do Palácio. Coerente com a forma com que trata seus parceiros o PT, ao acarinhar o PDT com a escultura do seu maior líder, mostrou que mesmo em se tratando de estratégia eleitoral não consegue manter a fidalguia com aqueles que julga ser subservientes. 

Presente no ato de descerramento da estátua, o ex-governador Alceu Collares deve ter se arrependido de não ter tido a mesma ideia quando governou o Rio Grande.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Ação entre amigos.




Sabe aquela história que diz “fulano é meu amigo, mexeu com ele, mexeu comigo”? É o que está parecendo essa “vaquinha” do PT para pagar a multa prevista para os mensaleiros José Dirceu, José Genuíno e Delúbio Soares. Justo? Se considerarmos que o objetivo do mensalão foi ajudar o governo petista de Dilma, sim. Até porque se eles pagassem as expressivas multas do próprio bolso isso soaria como uma confissão de culpa, afinal os três estão procurando emprego, o que significa a inexistência de posses. Pior seria se o pagamento fosse feito com dinheiro público. Mas será que não está?  Alguém mostrou a lista de doadores? Seria de grande utilidade. 

Trata-se de mais um indicativo de que o PT de hoje não é nem sombra do PT original. Lembro bem da época que para arrecadar fundos para as campanhas eleitorais eram promovidas rifas, vendidos souvenirs com a estrelinha vermelha, etc. Hoje o PT está rico. Pela contribuição dos filiados que ocupam cargos no serviço público e pela doação das grandes empresas. E não adianta querer me convencer de que a fonte maior de arrecadação é o Fundo de Participação Partidária. Por tudo o que se vê de ostentação política, o tal fundo se caracteriza apenas como mesada para pagar pequenas despesas. O grosso mesmo vem de “fontes alternativas”. 

Talvez tenha sido esse “cacoete econômico-financeiro” que tenha despertado a idéia da “vaquinha” como solução para o pagamento das dívidas dos Zés e de Delúbio. Qualquer outro partido teria se distanciado de membros condenados pela justiça. Menos o PT. Se uma ex-quadrilheira revolucionária pode estar na presidência da República, por que os detentores da missão de cooptar financeiramente outras siglas partidárias, para benefício do próprio PT, teriam que ser segregados? O PT se orgulha do ditado que fala, “diga-me com quem antes e te direi quem és”.

Se o assunto é juntar dinheiro não duvidem do PT. Se ainda assim desejarem uma prova disso, é só esperar o início da campanha eleitoral. 

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

A surdez das ruas.




Fala-se muito nas vozes das ruas, ouvidas mais fortemente a partir de junho de 2013, quando  foram  realizados os  grandes  protestos populares. Mas o que se vê nas pesquisas de opinião a respeito das preferências pelos futuros governantes não  tem  nada a ver com o que foi dito nos protestos. Senão vejamos. O que as faixas diziam? Mais saúde. Melhor educação. Mais segurança. Fim da corrupção. Etc. E  estas cobranças são em cima de quem? De  quem  está  no governo. 

Então como explicar que Dilma e alguns governadores candidatos a reeleição apareçam pontuando nas pesquisas? Se está errada a forma de governar, não priorizando o que é importante para a população, o normal não seria substituir os atuais governantes? Ou será que o leque de opções é tão ruim que o melhor é deixar tudo como está? Ou quem sabe seria a inexistência de uma opção competente o suficiente para mostrar outro caminho à população? 

Acreditar em qualquer uma dessas possibilidades é ter uma visão negativa sobre o futuro do Brasil. Pior que não tentar mudar para melhor é se acomodar com o que não está dando certo. Por isso, para mim, a fotografia mostrada pelas pesquisas se apresenta como um grande enigma. Que inconformismo popular é este que se acomoda com a mesmice? O gigante acordou para quê? Ou por quê? Para virar de lado e adormecer novamente? 

Leio, esporadicamente, que estão sendo preparados protestos para os próximos meses, aproveitando a proximidade da Copa. Preparados por quem? Pelos mesmos organizadores das manifestações de junho? Pela oposição que finalmente viu “cair a fixa” da oportunidade? Da situação, que pretende se aproveitar do momento para fazer as vezes de oposição, iludindo o eleitor?

“Desculpe o incômodo, estamos mudando o país”. Juro que quando li esse cartaz achei que algo realmente diferente estava sendo gerado. Mas, sinceramente, tirando os tais de rolezinhos e a prisão dos mensaleiros, não vi nenhuma evolução significativa de lá para cá. O susto inicial dos governantes e dos políticos virou tranquilidade. Os problemas continuam os mesmos. O desvio de dinheiro público continua acontecendo. Isso tudo, associado as pesquisas de opinião, só tem contribuído para o meu pessimismo.  

Afinal, o que houve com a voz das ruas? 

domingo, 19 de janeiro de 2014

Por que o PT fez Tarso tirar
 o bigode e botar sunga?



Se existe algo consolidado no comportamento de Tarso Genro é a sua ortodoxia. Nascido em São Borja, terra dos presidentes e de homens valentes, advogado e com extensa carreira política, tendo sido vereador, deputado federal, vice pré-prefeito, prefeito, ministro da Educação, de Relações Institucionais e da Justiça, e agora governador, a imagem pública de Tarso está caracterizada pela sobriedade. E duas atitudes ajudaram nesse estereótipo popular: o uso do bigode e do terno com gravata. Como justificar então o seu repentino despojo dessas duas marcas pessoais?

Não reparou? Bastou tirar alguns dias de férias, para reaparecer sem bigode. Pouco antes, usou uma regata (camiseta de física) de salva-vidas para dar início à Operação Verão Numa Boa. E, neste final de semana, inovou deixando-se fotografar em Capão da Canoa usando apenas uma sunga. “É melhor torcer para que o verão acabe logo, pois corremos o risco de ver o Rio Grande do Sul como o primeiro estado brasileiro a ter um governador estriper”, me disse um amigo. Deixando o humor de lado, o que será que gerou tamanha transformação visual no governador?

Minha tese é a da estratégia política visando à campanha eleitoral deste ano. E tudo começou com a troca do comando da área de comunicação do seu governo. Saiu a jornalista Vera Spolidoro, antiga parceira de Tarso e adepta de uma metodologia ortodoxa de comunicação, que ocupava a secretaria de Comunicação e Inclusão Digital, e entrou o jornalista João Ferrer, especialista em marketing político e profundo conhecedor dos bastidores legislativos, e que nos últimos três anos ocupou o cargo de diretor executivo da agência gaúcha de publicidade Escala. Em sua última função, Ferrer trabalhou diretamente com o sócio-diretor da empresa, Alfredo Fredrizzi, que foi um dos responsáveis pela campanha eleitoral que levou Tarso Genro ao Piratiní.

Secretário novo, novas ideias, novo momento, novo visual, nova estratégia. O que pretende os responsáveis pela imagem do novo Tarso ainda não dá para dizer. Mas fica claro que a “juvenilização” do governador é uma aposta para a campanha que se avizinha. E é isso que se pode depreender das imagens que mostram Tarso pulando valeta e usando roupas que lhe expõe o peitoral e o abdômen sarado. Atitude pouco usual para um senhor que está prestes há fazer 67 anos. Interessante lembrar que o bigode foi a marca de Olívio Dutra na sua campanha vencedora de 1998. Na época Olívio tinha 57 anos, dez anos menos do que Tarso terá nesta eleição.

Minha tese é de que a ideia dos marqueteiros é passar a impressão de que Tarso representa um governo moderno, inovador e radical. Qualidades comuns aos jovens. Justamente uma parcela do eleitorado que mais se identifica com os partidos de esquerda. E para que? Para tentar se diferenciar da sua maior adversária, a senadora Ana Amélia Lemos (PP). E isso fica fácil de constatar não só pelas imagens, mas especialmente pelos rótulos (declarações) que os líderes do PT estão tentando “colar” na senadora, todos eles ligados ao conservacionismo.

E, nesse aspecto, outro possível alvo dos petistas tende a ser o partido que representa Ana Amélia, o Partido Progressista. Prova disso são as manifestações que remetem às origens do PP, a antiga Arena, surgida na época dos governos militares. Eis aí outra estratégia petista facilmente identificável. A ideolização da campanha. Esquerda versus direita. Se vai dar certo ninguém sabe. Os protestos de junho não deram importância alguma para questões ligadas à ideologia e ao partidarismo. Ou seja, a novidade petista para a campanha será a aposta no passado. Contraditório, não acham?

Além disto, a diferença de idade entre Ana Amélia e Tarso é de apenas dois anos. Também a questão do conservadorismo é uma tentativa arriscada. Por ser jornalista e ter aparecido por mais de duas décadas na “telinha” diária dos lares gaúchos, falando de todos os tipos de assunto, dificilmente a imagem de representante do atraso poderá ser consolidada em tão pouco tempo de campanha. Além disso, sua atuação no Senado da República, que lhe deu o título de parlamentar mais influente do Congresso Nacional, é uma pedra no caminho da estratégia petista. Como alguém dita “atrasada no seu tempo” pode resolver tantos imbróglios contemporâneos? E eficiência foi um dos clamores populares das ruas.


E é aí, na eficiência que eu, pessoalmente, considero que se dará o grande embate eleitoral. Sendo assim, a imagem de Tarso, por melhor que seja, não terá a mesma força do que a imagem deixada por seu governo. É o peso de ser vitrine e não mais pedra. Árdua a missão dos conselheiros de Tarso. Mas o bigode já foi raspado e a exposição pública de seu físico já foi apresentada. Ou seja, a estratégia já entrou em campo. Agora é esperar o tempo passar para saber o que as urnas nos reservam. 

sábado, 18 de janeiro de 2014

A imparcialidade tendenciosa.



O que é melhor para a saúde? Um alimento orgânico, pouco desenvolvido e com aparência rudimentar, ou um produto grande e bonito, cultivado com o uso de agrotóxicos e modificado geneticamente? Quem conhece um pouco de saúde sabe que a resposta é uma só: o produto orgânico. Mas para o leigo, que compra em supermercado, o que importa é o preço, o tamanho e o visual. Acaba comprando gato por lebre. Qualquer semelhança dessa situação com a política ou outras atividades ligadas ao comportamento humano não é mera coincidências. As pessoas, pelo menos a maioria delas, baseiam suas opiniões e atitudes às aparências. E este é o principal motivo dos seus erros e equívocos. Olham a embalagem e não a qualidade do produto. Falta-lhes informação adequada.

Faço essas referências para chegar ao assunto que me levou a escrever este artigo. As críticas feitas através da imprensa pelo pagamento de diárias ao presidente do STF, Joaquim Barbosa, a fim de que ele realize palestras na Europa. E a principal crítica é de que elas acontecerão durante o seu período de férias. Isso significa rasgar um travesseiro de penas em meio a uma ventania. Explico. Tudo o que foi divulgado leva a pensar que Barbosa pretende usar dinheiro público para atender interesse pessoal, estando de férias. Aí, porrete no Barbosa. De tudo que é lado. Da imprensa, da OAB e especialmente do PT. Este último por razões óbvias. A ponto de comparar as viagens do presidente do STF com as de Renan Calheiros, estas sim, usadas para fins políticos e pessoais, como implante de cabelo.

Passado o impacto inicial, sabe-se agora que Joaquim Barbosa, para realizar as palestras, irá interromper as férias. O que justifica a utilização das diárias pagas pelo STF. E outra. Que sua participação é oficial, representando a suprema corte brasileira. Em Paris, ele falará sobre influência da publicidade das sessões do Supremo, transmitidas ao vivo pela TV Justiça, na racionalidade das decisões do tribunal. Em Londres falará sobre o funcionamento do STF, em colóquio organizado pelo King’s College de Londres. Tudo dentro da maior legalidade.

E agora? Como catar todas as penas espalhadas? Não tem como! Bater em Barbosa indevidamente, mais do que uma injustiça com o justiceiro, como ficou conhecido pelos brasileiros, é um ato covarde. Que arranha não apenas a sua imagem, mas principalmente a credibilidade da Justiça brasileira. Óbvio, se nem o presidente do STF é confiável, como acreditar nos demais integrantes do poder judiciário? Tudo isso para quê? Melhor, por quê?

Várias são as possibilidades. Cito algumas que, no meu entendimento, influenciaram nas críticas que hoje se sabe, indevidas. A primeira é o ciúmes e o preconceito, de ver um negro na presidência do STF. E bem sucedido. A ponto de ser lembrado espontaneamente como candidato à presidência da República. Depois, por vingança. Do PT e dos mensaleiros presos. Para quem não ficou sabendo, a filha de José Genuíno foi a primeira a condenar Barbosa pelas viagens. E, finalmente, a demagogia da mídia de tentar provar sistematicamente sua independência e sua isenção crítica. Se algo está errado, nem que seja o presidente do STF, tem que ser crucificado. E aí dê-lhe aplicar a velha tática do bate primeiro (faz virar notícia) e explica (mesmo que tenha que se retratar) depois.

Neste último caso, a destruição da imagem de uma pessoa é considerada mero acidente de percurso. Não é! Ninguém tem o direito de ferir a honra de um inocente. Nem mesmo a imprensa. Existe uma distância muito grande entre neutralidade e imparcialidade, embora as palavras sejam sinônimas. Neutro é ser justo. Imparcial é não ter preferência.  No caso de Joaquim Barbosa a preferência foi a notícia e não a verdade. Inadmissível. Até mesmo no Brasil. O presidente do STF, por sua atuação e competência, é admirado não apenas no Brasil, mas também no exterior. É o juiz que provou que no Brasil não é só ladrão de galinha que vai para a cadeia. E que um negro pode muito. Até mesmo ser presidente da suprema corte do seu país e, quem sabe um dia, presidente da República. E isso é muito mais importante do que vender jornal ou conquistar pontos no Ibope.


Ao tentar mostrar sua imparcialidade tendenciosa, a imprensa contribui para o alcance de objetivos escusos, de pessoas e instituições pouco confiáveis, onde o que mais importa é o interesse pessoal, financeiro ou político, e não o interesse público. Voa Joaquim Barbosa. Cada vez mais alto e mais longe. Prova que o Brasil tem solução. Ao contrário do que muitos pensam, falam ou escrevem.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Rolezinho ou arrastão?


                                                            Camelódromo da Voluntários da Pátria

Volto ao tema dos tais rolezinhos, desta vez para exprimir minha posição pessoal:

A constituição brasileira garante o direito de ir e vir. Passeios em shopping, isoladamente ou em turma, desde que feitos pacificamente, são um exemplo desse direito. Independente de raça, credo ou classe econômica do transeunte. Por isso vejo no debate sobre os tais “rolezinhos”, como são chamados os aglomerados de jovens que passaram a circular pelos shoppings centers das capitais brasileiras, mediante convocação pelas redes sociais, uma preferência pela ideolização desses movimentos populares. Talvez porque os partidos de esquerda viram nos protestos de junho de 2013 uma disposição da juventude de contestar o status quo vigente no país. Uma espécie de manipulação disfarçada de contestação sócio-econômica-racial. Surgida do nada. Sem nenhuma motivação fatual. Mas executada em ano eleitoral. E, por isso mesmo, suspeita. 

Como todo acontecimento inesperado, o assunto merece ser analisado sob todos os aspectos. Me detenho num. A de que o movimento pretende garantir que os jovens das classes menos favorecidas, possam fazer uso dos espaços públicos dos shoppings sem serem discriminados. Tudo bem, digamos que essa diferenciação de tratamento realmente exista. Mas o que leva uma pessoa a frequentar um shopping?  Pelo aportuguesamento da expressão,  shopping center significa centro comercial. Local amplo que reúne uma variedade de lojas comerciais, restaurantes, cinemas, etc. Resumindo, um local de comércio e consumo. Espera-se que seus frequentadores saibam disso e estejam lá por e para isso. 

Nada impede que circulem pelos seus amplos corredores olhando as vitrines, descansando em seus bancos, usando os sanitários, etc. Claro que, dependendo das vestimentas utilizadas e da aparência pessoal, os frequentadores recebam maior ou menor atenção dos que trabalham nesses centros comerciais. É assim na vida, não será diferente lá. Da mesma forma, o comportamento social possui uma generalização no que se refere a sua “normalidade”. Que vale tanto para uma quadra de escola de samba como para uma praça de alimentação de um shopping center, por exemplo. 

O que não dá para desconhecer é que para manter limpo, dar segurança e conforto aos seus usuários, os comerciantes que possuem lojas nos shoppings pagam por isto. Manter em condições esses espaços e estes serviços é o mínimo que se pode esperar daqueles que deles fazem uso. Então é natural que seja repelido todo e qualquer movimento que se oponha a essa ordem natural das coisas. E é ai que está o problema do rolezinho. Com intenção de “chocar” os habituais frequentadores dos shoppings, a turba de jovens se movimenta desordenadamente pelos espaços. Congestionam elevadores e escadas rolantes. Emburram e derrubam cadeiras e pessoas e, com isso, amedrontam os frequentadores e aterrorizam comerciantes. Se não sabem se portar adequadamente em um ambiente diferenciado (limpo e organizado), os rolezinhos não podem ser bem-vindos. E é isso que está acontecendo.

E nada tem a ver com discriminação. Gostaria de saber qual seria a reação os comerciantes e frequentadores do Camelódromo da Voluntários da Pátria se um bando de jovens de classe média alta resolvesse invadir seu território da mesma forma que os integrantes dos rolezinhos fazem nos grandes shoppings? Seriam vistos com naturalidade? Seriam respeitados ou hostilizados? Garanto que as reações seriam muito parecidas, senão iguais, as dos shoppings. 

Se estiver errado, serei o primeiro a defender os" rolezinhos". Enquanto isso, continuo considerando o movimento um protesto desnecessário, inoportuno e temerário. Seja em shopping, camelódromo, restaurante, praças ou qualquer outro lugar, inclusive em praias, onde o "rolezinho" ganhou a denominação de "arrastão".

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

O tal de  rolezinho está chegando no RS. 
E não é por acaso.



Eu estava pronto para escrever sobre os tais "rolezinhos", que começaram a acontecer nos shoppings cariocas e paulistas e que, segundo a imprensa gaúcha, passarão a frequentar os shoppings de Porto Alegre, quando me deparei com um artigo sobre o tema, redigido pelo jornalista Reinaldo Azevedo e publicado no site da revista Veja do dia 13 de janeiro deste ano. Tudo o que eu pretendia dizer estava nele. Então, faço dele as minhas palavras. Leia. Vale a pena.



Esquerdistas bocós (existem os não bocós?) já estão de olho no “rolezinho”. Aqui e ali, noto a vocação ensaística de alguns dos meus coleguinhas na imprensa. Já há gente, assim, treinando o olhar para teorizar sobre mais essa erupção — e irrupção — da luta de classes. É fácil ser bobo. Fosse mais difícil, não haveria tantos bobalhões. Daqui a pouco o Gilberto Carvalho chama os teóricos dos “rolezinhos” para um bate-papo no Palácio do Planalto.
O “rolezinho”, que até pode ter começado como uma brincadeirinha irresponsável nas redes sociais, está começando a virar, vejam vocês!, uma questão política — ao menos de política pública. A coisa pode se tornar mais séria do que se supõe. Infelizmente, noto que muita gente, inclusive na imprensa, está tentando ver essas manifestações como se fossem uma espécie de justa revolta de jovens pobres contra templos de consumo da classe média.
Isso é uma tolice, um cretinismo. Os shoppings têm se caracterizado como os mais democráticos espaços do Brasil. São áreas privadas de uso público, muito mais seguras do que qualquer outra parte das cidades brasileiras. Os pais preferem que seus filhos fiquem passeando por lá a que façam qualquer outro programa, geralmente expostos a riscos maiores. É uma irresponsabilidade incentivar manifestações de centenas ou até de milhares de pessoas num espaço fechado. Ainda que parte da moçada queira apenas fazer uma brincadeira, é evidente que marginais acabam se aproveitando da situação para cometer crimes, intimidar lojistas e afastar os frequentadores.
Esse negócio de que se trata de uma espécie de revolta dos pobres contra os endinheirados é uma grossa bobagem. Boa parte dos shoppings de São Paulo, hoje em dia, serve também aos pobres, que ali encontram um espaço seguro de lazer. A Polícia precisa agir com inteligência para que se evite tanto quanto possível o uso da força. É necessário mobilizar os especialistas em Internet da área de Segurança Pública para tentar identificar a origem dessas convocações.
É preciso, em suma, chegar à raiz do problema. As redes sociais facilitam essas manifestações, como todos sabemos, mas é evidente que elas não são espontâneas. Há pessoas convocando esse tipo de ação, que pode, sim, como se viu no Shopping Metrô Itaquera, degenerar em violência.
No dia em que os shoppings não forem mais áreas seguras, haverá fuga de frequentadores, queda de vendas e desemprego. E é certo que estamos tratando também de um sério problema de segurança pública. Num espaço fechado, em que transitam milhares de pessoas, inclusive crianças, os que organizam rolezinhos estão pondo a segurança de terceiros em risco.
E que ninguém venha com a conversa de que se trata apenas do direito de manifestação num espaço público. Pra começo de conversa, trata-se, reitero, de um espaço privado aberto ao público, que é coisa muito distinta. De resto, justamente porque os shoppings têm essa dimensão pública, não podem ser privatizados por baderneiros que decidiram ameaçar a segurança alheia.
Encerro notando que o Brasil precisa ainda avançar muito na definição do que é público. Infelizmente, entre nós, muita gente considera que público é sinônimo de sem-dono. É justamente o contrário: o público só não tem um dono porque tem todos.
Por Reinaldo Azevedo
PT acerta divisão de cargos
 para a chapa majoritária.



A julgar pelas declarações do presidente estadual do PT, Ary Vanazzi, a chapa da coligação para a eleição majoritária deste ano já está montada. O PT fica com a vaga de governador, o PTB a de vice, e o PCdoB a de senador. Tudo oficializado através de resolução assinada pelos partidos. Fica faltando a confirmação do nome dos candidatos. Entretanto, sugestões de nome é que não faltam. 

Tarso Genro, por exemplo, é unanimidade para a cabeça da chapa, apesar das exigências feitas por ele, respectivamente, palanque único de Dilma no RS e renegociação da dívida do Estado para com a União. Jogada arriscada e audaciosa. Se conseguir pelo menos a renegociação da dívida, Tarso se cacifa como forte candidato, uma vez que poderá reeditar as promessas não cumpridas (inclusive o piso do magistério) com o argumento de que a nova situação financeira do Estado irá permitir concretizá-las. 

A vaga do senado também apresenta um nome de consenso dentro do PCdoB. É o da ex-senadora pelo PT, Emília Fernandes. Primeira gaúcha a se tornar senadora, Emília ingressou no partido comunista no dia 4 de outubro de 2013, em ato onde foi oficialmente indicada como pré-candidata a disputa para a vaga ao Senado.

Para completar a nominata da chapa majoritária fica faltando a indicação do PTB para o candidato que ocupará a vaga de vice-governador. Tarso já manifestou sua preferência pelo nome do ex-senador Sérgio Zambiasi. O radialista, entretanto, já disse que não está disposto a concorrer a nada. 

Mas como em política nada é definitivo, resta esperar para ver como é que fica. Caso Zambiasi não seja o indicado, a dificuldade do PTB fica localizada na escolha de um nome que não esteja envolvido nas denúncias de irregularidades na Procempa e na secretária estadual de Obras , Irrigação e Desenvolvimento Urbano. Um dos nomes mais citados até o momento é o da ex-deputada estadual e ex-prefeita de Santa Cruz do Sul, Kelly Moraes. 

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

PT prova o próprio veneno.



Classificar governos ou projetos de governo com apelidos tem sido uma prática adotada pelos partidos quando na oposição. E o PT tem sido um dos que mais se utiliza desse estereótipo negativo. No Rio Grande do Sul lembro de alguns exemplos. No governo Simon (PMDB) seu programa rodoviário era chamado de “estradas de papel”. No de Antônio Britto, “Olívio era o caminho e Britto o pedágio”. No de Yeda Crusius as instalações provisórias em escolas eram denominadas pejorativamente de “escolas de lata”. 

Trata-se da estratégia de rotular pessoas e governos, que de tanto serem repetidas acabam fazendo parte do imaginário popular. Uma espécie de humor negro com má intenção. Mas se por um lado o PT adora dar uma de carimbador político, quando vira alvo de chancela negativa, perde a graça e se revolta. É o que acontece quando sua competência gerencial (de gestão) é questionada. 

Acostumados a falar mais do que realizar (será por que acreditam na máxima de que uma mentira de tanto ser repetida passa a ser vista como verdadeira?), “esperneiam” sempre que alguém desnuda sua pseudo competência. Foi assim com o Mensalão, quando caiu a máscara de paladino da moralidade e da honestidade. Até agora se recusam a assumir sua participação no escândalo. “O mensalão nunca existiu”, dizem algumas lideranças petistas. “José Dirceu e José Genuíno são presos políticos”, declaram outros. Parecem desconhecer que em termos de imagem pública “a casa caiu”. Os fatos e as provas falaram mais alto.

Faço toda essa analogia para chegar ao que está acontecendo com as tentativas do PT gaúcho de mostrar que as irregularidades denunciadas pela Operação Kilowatt não passam de equívocos administrativos que já estavam na mira do governo Tarso. Como assim? Querem provar que as goteiras nas salas de aula da escola estadual Oscar Pereira não passam de uma ilusão de ótica? É o mesmo que querer provar que melhorou a situação das estradas estaduais só porque a cobrança de pedágio passou a ser feita pela EGR. Mas e os buracos? E as rodas quebradas? E as declarações de que nunca o magistério gaúcho foi tão beneficiado com reajustes salariais como agora? Mas e o cumprimento da promessa de implantação do piso?

O que o PT se nega a acreditar é que o povo não tolera mais fazer o papel de tolo. Aliás, se não se deram conta, este foi um dos recados dos protestos de junho. Outro foi o de que não o cidadão não suporta mais pagar tanto imposto sem receber em troca a devida contrapartida de serviços públicos de qualidade. Gestão e seriedade no trato da coisa pública. É isso que a sociedade espera dos seus governantes. 

Portanto, de nada adianta o PT gaúcho se "emburrar" quando é chamado para se explicar. Ou quando é duramente criticado. Está provando do próprio veneno, pois agem belicosamente quando estão na oposição e, quando no governo, se fazem de anjinhos. Não é a toa que o Partido Progressista do Rio Grande do Sul adotou para o PT de Tarso Genro o dito popular de que “nada se cria, tudo se copia”, chamando a administração petista de “governo de ilusão”, onde promete muito e pouco faz. 

Ao invés de sair disparando contra os progressistas, o PT deveria aproveitar que ainda tem 11 meses e meio de gestão é provar o contrário. Ou seja, menos imagem e mais ação. Chega de efeitos especiais.






terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Aos amigos do rei, tudo. 
Ao inimigos, o rigor de lei.

                                                                                                        Operação Rodin
É o que se pode depreender das orientações que as autoridades estaduais deram à Polícia Civil, por ocasião das batidas feitas na Operação Kilowatt. Dentre elas, não arrombar portas (tiveram que chamar chaveiros), uso de viaturas discretas, uso de coletes sem identificação de policia, detenção sem o uso de algemas, e outras mais. Tudo para não prejudicar a imagem do governo e dos partidos aliados (PTB e PDT). Bem diferente da postura adotada nas operações anteriores, como a Rodin, onde o suspeito era preso com arma na cara, transportado em camburão, algemado e exposto publicamente à imprensa. Espero que a sociedade e as nossas instituições estejam atentas a isso. 

Tarso inventa o mandato estendido.



Sabe a moda da garantia estendida? Aquela que as lojas usam para prolongar a garantia de dos produtos que você compra? Pois é, o governo Tarso resolveu inovar criando a figura do mandato estendido. Aquele que ultrapassa os quatro anos para o qual foi eleito. Ao agir como se já estivesse reeleito, Tarso Genro, que já fixou reajustes salariais para o funcionalismo até 2018, acaba de anunciar, através da Empresa Gaúcha de Rodovias, a realização de investimentos na melhoria dos trechos sob jurisdição da EGR da ordem de R$ 200 milhões. O prazo para a execução das obras: 18 meses. Ou seja, até junho de 2015. Isto significa que a cobrança do pedágio se antecipou às obras de conservação dos trechos pedagiados, como por exemplo, tapar buracos.

E para manter a tradição de comemorar antes de realizar, a coletiva da EGR serviu também para anunciar a aplicação de recursos na compra de equipamentos e materiais para a SAMU, dentre eles novas ambulâncias, a serem utilizadas na prestação de socorro médico aos usuários das estradas e às comunidades localizadas as suas margens .  O que isto significa? Que o inicio da cobrança do pedágio estadual se deu (e ainda permanece) sem a devida infraestrutura de socorro médico necessária. Mas com foguetório e muito discurso.

Para ficar apenas no segmento rodoviário, outra série de anúncios prévios que acabaram não se concretizando é a de reativação dos controladores de velocidade (pardais) nas rodovias estaduais. Passados três anos de governo, o DAER ainda não conseguiu superar os entraves jurídicos que impedem a contratação da empresa responsável pelo serviço. Mas os anúncios continuam. E os acidentes nas estradas por excesso de velocidade também.

O que significa tudo isso? Que o PT está aprimorando a antiga estratégia de prometer e não cumprir, onde a implantação do piso do magistério é o maior exemplo. Agora não só promete, mas estabelece como prazo de execução o mandato seguinte. O que equivale dizer: se querem que eu realize me mantenham no poder. Caso contrário à culpa será do governo de ocasião. Postura inadequada moralmente, mas providencial politicamente. E como para o PT o que interessa é ganhar a eleição e não exercer uma gestão eficaz, os meios justificam os fins.