Afinal, o que pretende o PT?
A sabedoria popular há muito
tempo já alerta que “não há mal que sempre dure, nem bem que nunca acabe”. E
apesar de todos os acertos dessa máxima sempre aparece alguém disposto a
colocá-la em prova. Tudo indica que esse é o caso do Partido dos Trabalhadores.
Originado na cabeça de intelectuais da esquerda brasileira, tendo como
público-alvo a classe trabalhadora, o PT, na medida em que crescia e se fortalecida no cenário político
brasileiro, tal qual caminhão com carga mal amarrada, foi perdendo ao longo do
caminho sua identidade e seu patrimônio político.
Outrora crítico ferrenho no
combate a corrupção e outras mazelas o PT, 32 anos após a sua criação, passa
por uma crise de personalidade. Mais do que isso, foi inoculado com o mal que
combatia. E tal qual uma doença de gravidade, atingiu órgãos importantes para a
sua sobrevivência. No caso, suas lideranças nacionais. Mas não foram só os
Josés (Dirceu e Genuíno) ou outros expoentes da órbita petista. Também o astro
rei foi afetado. Refiro-me ao todo poderoso Luiz Inácio Lula da Silva.
Portador de uma credibilidade
impar no país, Lula, ex-operário, ex-presidente nacional do PT, ex-deputado e
ex-presidente da República, tido como um novo “pai dos pobres”, está tendo seu
nome envolvido em denuncias de malversação do poder para obter vantagens
pessoais e de favorecimento indevido ao seu partido. Até tu Lula, dirão os incrédulos e os ingênuos. Pois não é que é.
Mas tal qual doente terminal, a
estrela maior do PT, cujo poder sobre a população é capaz, dizem, de eleger até
um poste, limita sua defesa a poucas palavras e até mesmo ao silêncio,
contradizendo sua tradicional verborragia, sempre repleta de frases de efeito e
de citações futebolísticas. A pergunta que fica é: o que leva Lula a optar pelo
comedimento ao invés da defesa coloquial? Será que ele se omite por confiar nas
gorduras de credibilidade que ainda lhe restam? Ou será que vê no silêncio uma
forma de espera (ou esperança) de que os assuntos caiam no esquecimento?
Enquanto as explicações não
chegam, as dúvidas permanecem. E as tentativas de imunização também. E não apenas
para o ex-presidente, pois o que acontece a Lula afeta também o PT. Talvez isso
explique o levante nacional que o PT começa a por em prática. Com um
planejamento para ficar pelo menos duas décadas no poder, o partido de Lula não
mede conseqüências na defesa de suas lideranças e de seu domínio. E dê-lhe
manifestações públicas e protestos contra o STF e a imprensa. E dê-lhe
encontros partidários para bradar frases midiáticas do tipo “Lula é meu amigo,
mexeu com ele, mexeu comigo”. Ou: “ Dirceu, guerreiro, do povo brasileiro”.
O que pretende o PT? Mostrar que é maior que a Justiça? Ou será que
acreditam na possibilidade de implantar uma ditadura de esquerda, onde a lei é
subalterna aos interesses do partido? Ou será que confiam tanto no poder da “filantropia
popular”, do tipo bolsa-família, que se imaginam acima de tudo e de todos?
Muitas são as perguntas e maiores
ainda são as dúvidas. Que tipo de reinado o PT pretende fundar em bases tão
frágeis? Não seria mais fácil apresentar explicações convincentes para as denúncias? Ou será que isto é o mais difícil? Em
política, nem sempre o silêncio é a melhor resposta.