quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Governismo ou oportunismo?




Lamentavelmente a política está se transformando na arte da hipocrisia. E isso explica em boa parte a perda de credibilidade que esse importante segmento vem tendo e que ocorre em escala geométrica. E o mais incrível, quem menos parece estar se importando com isso é justamente a classe política. Pelo menos é o que depreende das ações inadequadas que continuam ocorrendo e mais ainda, das declarações inoportunas que se avolumam.
No início desta semana, ao criticar pelas redes sociais a cobrança de líderes peemedebistas por uma maior fidelidade por parte de deputados da base do governo Sartori, que considerei despropositada, tendo em vista que parlamentares e partidos devem ter no seus eleitores e nas suas bandeiras ideológicas a sua maior preocupação, fui contestado pelo presidente da Assembleia Legislativa, do PMDB, que postou a seguinte resposta no seu twitter: “Tem que analisar antes de ingressar no governo, estando dentro tem que defender e votar com governo, ou entregar todos cargos”.
Mensagem direta para o PDT e para o PP, que tiveram deputados votando contra os interesses do governo nos projetos que aumentaram o ICMS e reduziram o valor das RPVs. Mais que um despropósito, a cobrança trata-se de uma ingratidão, tendo em vista que os dois projetos foram aprovados com os votos da maioria das bancadas pedetistas e pepistas.
Mas o que mais me surpreende nesse episódio é que um dia depois da troca de postagens, leio nos jornais que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, do PMDB, algoz preferencial da presidente Dilma Rousseff e do seu governo, por razões de todos conhecidas, declarou que “o PMDB não pode se calar em troca de meia dúzia de carguinhos”. Epa! Quer dizer então que ele está defendendo o desembarque do PMDB do governo? Sim, pela lógica do presidente do Parlamento gaúcho é isso que deveria acontecer.
Mas aí a conversa é outra. O PMDB nacional não quer abdicar das regalias. Pelo contrário. Quer mais regalias. Ou melhor, quer todas as regalias. E já planeja deixar de ser linha auxiliar do governo e tomar o poder em suas mãos. Pelo atalho, via impeachment, ou pelo voto direto, com candidatura própria. Atitudes que poderiam ser consideradas normais não fosse o trabalho de cupim realizado enquanto integrante da base governista.
Pois foi justamente essa atitude anti-ética e contraditória a razão da minha crítica, contestada pelo terceiro homem na hierarquia do governo do Estado. E para reforça-la, leio novamente nos jornais que o Palácio Piratini iniciou tratativas para trazer o PTB para a base governista. Quer evitar a reduzida vantagem obtida na votação dos projetos polêmicos, dizem os analistas. Ou seja, prevenção para a aprovação dos novos pacotes recessivos que virão. Tudo indica que a intenção governista será bem sucedida, pois os petebistas são muito apegados a cargos. Os mesmos cargos condenados por Eduardo Cunha.
Em meio a todo essa blá blá blá de incoerências, brasileiros e gaúchos, tal qual marisco em meio a onda e o rochedo, acabam sofrendo as consequências. Mas o interesse popular, ao que tudo indica, é secundário. O importante é a conquista e a manutenção do poder. Mal que não envolve apenas o PMDB, mas também o PMDB. Enquanto fidelidade for sinônimo de privilégio não haverá salvação para a política. Incontestavelmente.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015


Governismo ou coerência?


Por que eu sou crítico em relação a excessiva dedicação de lideranças do PP às medidas recessivas do governo Sartori? Por coerência. Um partido que disputou o governo com o slogan "A esperança que une o Rio Grande" não pode aderir integralmente a um governo que em todos os momentos prega a desesperança pela escassez de recursos.
Nessa hora é sempre bom relembrar a frase da então candidata ao Piratini, a senadora Ana Amélia Lemos: "O Rio Grande é maior do que a crise". E para aqueles que se agarram a tese do governismo acima de tudo, que sigam a frase defendida pelo então candidato José Ivo Sartori, que disse que seu partido é o Rio Grande.
Pensem mais nos gaúchos e menos no governo. Governos passam e as eleições se repetem (isso é um alerta), mas o Rio Grande permanece.
A imagem que ilustra esse comentário é para reavivar a memória dos fiéis seguidores de Sartori.


quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Cuidado com as palavras Postal.



Inoportuna, injusta e indevida a crítica feita pelo líder  do  governo  Sartori na Assembleia Legislativa, Alexandre Postal, de  que alguns  deputados da base  aliada  precisam  ser um pouco mais leais. Ora, até parece um pedido de parlamentar inexperiente e não de alguém que está no seu quinto mandato. Postal sabe que um parlamentar, independentemente de ser situação ou oposição, tem a obrigação de ser fiel aos seus eleitores e aos compromissos assumidos. Mais do que seu ao seu partido ou ao governo que integra.

O convite para que partidos derrotados na eleição façam parte do governo vencedor não tem nada de filantropia ou grandeza política. Tem, isso sim, tudo a ver com a busca do atendimento dos interesses do governo de plantão. A tal maioria parlamentar. Por isso, não me venham com essa história de traição ou rebeldia. Não existe essa de obrigatoriedade de voto. Isso é coisa de governo autoritário e não de governo democrata.

E mais, ao meu ver a cota de sacrifício defendida por Postal junto a base aliada já foi por demais prejudicial aos deputados que atenderam ao clamor governamental. Ou aumentar impostos, subtrair direitos trabalhistas e dar o calote em pensionistas e aposentados é pouco para um governo que ainda não disse a que veio?


Bem, pode ser que para um governo que veio semear o caos a possibilidade de perder aliados não tenha assim tanta importância. Para ele (governo) o que importa realmente é a aprovação dos seus pacotes de maldade. Daí a pressa em aprova-los logo em plenário. Antes do descarte dos traidores. Nesse aspecto, a crítica do líder do governo poderá ter efeito contrário e reservar mais algumas surpresas desagradáveis ao império peemedebista.

terça-feira, 10 de novembro de 2015



A política do caos



Em tempos de clamor popular por transparência, comprovado pela queda de popularidade da classe política, é inadmissível que alguns segmentos da imprensa brasileira insistam em adotar uma disfarçada transparência em sua atividade. Tanto para a política, como para a imprensa, transparência é sinônimo de credibilidade. A inexistência dela é pressuposto de inutilidade cidadã. Mas ainda, é instrumento de engôdo é má fé.
Faço essas considerações tendo em vista a repetição de um comportamento no mínimo inadequado para a compreensão popular sobre as reais intenções e atos do governo gaúcho. Basta o governo preparar projetos recessivos, rotulados como medidas financeiras saneadoras, para que, antes do envio para a Assembleia Legislativa, um importante segmento da imprensa gaúcha dedique amplo espaço para as vantagens da sua aprovação.
E pior, massifica tendenciosamente a exposição dos prejuízos caso esses projetos não sejam aprovados. Trata-se, inequivocamente, de uma estratégia de pressão sobre os deputados da base aliada e uma ferramenta, do tipo patrola, de indução à submissão popular.
É o que ocorre hoje, por exemplo, no jornal Zero Hora que dedica capa, duas páginas e comentários em colunas, novamente às vésperas do envio de projetos para a Assembleia, de projetos da chamada sexta fase do ajuste fiscal. E o enfoque é sempre o mesmo do governo: o caos das finanças públicas. E o que diz a manchete? "Estado acumula déficit de R$ 3 bi em oito meses".
Pois bem, o que não é dito em nenhum momento na reportagem é que esse déficit foi muito reduzido se levarmos em conta a previsão inicial do governo que era de R$ 5,4 bilhões na ano. Ou seja, deveria ser de R$ 3,6 bi em oito meses. Isso significa que houve uma redução de R$ 600 milhões. Ora, se não é o bastante não há razão para não dizer que melhorou um pouco. E deve melhorar ainda mais até dezembro.
É isso que é incompreensível. Por que só destacam as notícias ruins? Não parece uma adesão a tese governista do caos financeiro? A pergunta que fica é: o que o RS ganha com esse terrorismo? Que reflexo isso acarreta na vida das pessoas e especialmente no mercado gaúcho? Parece que a palavra desenvolvimento desapareceu do vocabulário.
Já disse e repito. Sartori não foi eleito para ser o "salvador da pátria". Foi eleito para fazer o Rio Grande melhorar. E isso vai demandar um certo tempo pois o desmonte financeiro vem de muito tempo, executado inclusive por três governos peemedebistas. Querer recuperar o Estado em um ano ou num só governo é pensar milagrosamente. E o governador atual não é nenhum messias, por mais que julgue ser.
Por isso, ao meu ver, o grande problema do nosso estado não é apenas financeiro, mais cultural. Está na hora de investir o pouco que sobra naquilo que realmente está fazendo falta. Educação, principalmente, e segurança. E é isso que a imprensa tem que cobrar com a mesma intensidade com que vem proclamando o caos. Colocar o Rio Grande para baixo é que não vai resolver nada. Só vai piorar. Precisamos urgentemente de boas notícias.