Jogo ou treino?
O que leva um ex-jogador de futebol a se aventurar na carreira política? A dependência do “cheiro do povo”, a vocação ou a vaidade? Ou outra razão qualquer? Que os partidos busquem candidatos com identificação popular até se entende. Mas será que os candidatos sabem onde estão se metendo? Faço essas indagações pela informação de que o PSD, partido recém criado, e que no Rio Grande do Sul tem o ex-goleiro gremista Danrlei, atual deputado federal, como sua maior liderança, pensa em lançar candidatura própria ao governo do Estado. E a indicação recaiu sobre o ex-presidente da Federasul, José Paulo Dornelles Cairoli.
A exemplo de Danrlei, Cairoli é novato na política, tendo ingressado recentemente no PSD e alçado mais rapidamente ainda à condição de presidente estadual do partido. Da mesma forma que os ex-atletas candidatos, vale a indagação: o que faz um empresário na política? Ora, dirão alguns, se advogados, jornalistas, artistas e outras categorias podem ter representação nos parlamentos, porque os empresários não poderiam? Podem, claro. Mas acontece que a proposta do PSD gaúcho é de que um empresário com pouca afinidade com a área política governe o estado e não apenas represente o seu segmento.
Claro que a experiência de gestor de empresa ajuda na administração pública, afinal, o Rio Grande carece de gestores competentes. Mas é aí que a “porca torce o rabo”. Terá ele condição para tanto? Será sua candidatura um intenção verdadeira? Ou será apenas uma artimanha para cacifar o PSD à vôos mais altos, obtidos em alianças vantajosas? Não podemos esquecer que até poucos dias o PSD era tido como provável aliado do PDT. Diziam até que a vaga de vice de Vieira da Cunha seria ocupada por um representante do partido de Danrlei. E não foram poucas as notícias divulgadas tratando de reuniões do PSD com o PP, PMDB e PT.
Por outro lado, abdicando da condição de expertise em política, é preciso considerar a estrutura do PSD à nível de estado. Pequena, como se sabe. A exemplo do que aconteceu quando o PSDB assumiu o Piratini, em 2006, cuja musculatura partidária dos tucanos era muito parecida com a do PSD de agora. Com necessidade de ter maioria na Assembleia Legislativa a então governadora Yeda Crusius teve que buscar apoio em partidos maiores, como o PP, PMDB e PTB. Em outras palavras, precisou “tomar anabolizantes” para se fortalecer politicamente. E o que se viu? Uma administração razoável com uma péssima imagem política. Resultado: problemas de relacionamento durante todos os quatro anos da gestão. Terá o pequeno PSD condições de modificar essa tendência?
Pois é. São indagações como estas que me fazem desconfiar da seriedade da proposta do partido de Danrlei. De certo mesmo só o apoio do PSD à Dilma. Mas como estamos na fase de aquecimento da campanha tudo é possível. Até mesmo realizar treino secreto ou esconder a escalação, para usar o jargão futebolístico. Mas será em junho, quando acontecerão as convenções partidárias, que a bola vai rolar prá valer. Até lá é só concentração e muito treinamento. Com direito a muitos dribles e bolas na trave.

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