Obesidade: a
epidemia do século XXI
Nem
só de política trata esse blog. Trata também das coisas do dia-a-dia. Dos
assuntos de interesse generalizado. E um tema que particularmente me interessa é
o da alimentação saudável. Por vários motivos. Um deles, de ordem prática e interesse
pessoal, diz respeito à obesidade. Como estudioso do assunto (é preciso
pesquisar sobre o tema, pois muito pouco é ensinado na escola e,
consequentemente, no âmbito familiar), encontrei um artigo bem interessante no
site www.afh.bio.br (Anatomia &
Fisiologia Humanas) que repasso aos meus leitores à titulo de colaboração e
alerta. Ei-lo:
OBESIDADE
A obesidade é o maior problema de saúde da
atualidade e atinge indivíduos de todas as classes sociais, tem etiologia
hereditária e constitui um estado de má nutrição em decorrência de um
distúrbio no balanceamento dos nutrientes, induzindo entre outros fatores pelo
excesso alimentar. O peso excessivo causa problemas psicológicos, frustrações,
infelicidade, além de uma gama enorme de doenças lesivas. O aumento da
obesidade tem relação com: o sedentarismo, a disponibilidade atual de
alimentos, erros alimentares e pelo próprio ritmo desenfreado da vida
atual.
A obesidade relaciona-se com dois fatores
preponderantes: a genética e a nutrição irregular. A genética evidencia que
existe uma tendência familiar muito forte para a obesidade, pois filhos de pais
obesos tem 80 a
90% de probabilidade de serem obesos.
A nutrição tem importância no aspecto de que uma
criança superalimentada será provavelmente um adulto obeso. O excesso de
alimentação nos primeiros anos de vida, aumenta o número de células adiposas,
um processo irreversível, que é a causa principal de obesidade para toda a
vida. Hoje, consumimos quase 20% a mais de gorduras saturadas e açúcares
industrializados. Para emagrecer, deve-se pensar sempre, em primeiro lugar, no
compromisso de querer assumir o desafio, pois manter-se magro, após o sucesso,
será mais fácil.
Por que estamos tão gordos
Num tempo em que as formas esguias e os
músculos esculpidos constituem um avassalador padrão de beleza, o excesso de
peso e a obesidade transformaram-se na grande epidemia do planeta. Nos Estados
Unidos, nada menos de 97 milhões de pessoas (35% da população) estão acima do
peso normal. E, destas, 39 milhões (14% da população) pertencem à categoria dos
obesos. O problema de forma alguma se restringe aos países ricos.
Com todas as
suas carências, o Brasil vai pelo mesmo caminho: 40% da população (mais de 65
milhões de pessoas) está com excesso de peso e 10% dos adultos (cerca de 10
milhões) são obesos. A tendência é mais acentuada entre as mulheres (12% a 13%)
do que entre os homens (7% a 8%). E, por incrível que pareça, cresce mais
rapidamente nos segmentos de menor poder econômico.
O inimigo, desta vez, consiste num modelo de
comportamento que pode ser resumido em três palavras: sedentarismo, comilança e
stress. Estamos vivendo a era da globalização de um modo de vida baseado na
inatividade corporal frente às telas da TV e do computador, no consumo de
alimentos industrializados, cada vez mais gordurosos e açucarados, e num
altíssimo grau de tensão psicológica.
A "mcdonaldização"
Em ritmo acelerado e escala planetária, as
culinárias tradicionais vão sendo atropeladas pelo fast-food. E bilhões de
seres humanos estão migrando dos carboidratos para as gorduras. As conseqüências dessa alimentação engordurada podem
não ser inocentes. Artérias entupidas e diabetes são apenas algumas das
possíveis conseqüências do excesso de peso. Mas, independentemente das
conseqüências, existe hoje uma unanimidade entre os médicos para se considerar
a própria obesidade como uma doença. E o que é pior: uma doença crônica e
incurável. Como a gordura precisa ser estocada no organismo, todo obeso tem um
aumento do número de células adiposas (obesidade hiperplástica) ou um aumento
do peso das células adiposas (obesidade hipertrófica) ou uma combinação das
duas coisas.
Esse é um dos fatores que faz com que, uma vez
adquirida, a obesidade se torne crônica. O indivíduo pode até emagrecer, mas
vai ter que se cuidar pelo resto da vida para não engordar de novo. É por isso
também que, a longo prazo, os regimes restritivos não resolvem. Com eles, a
pessoa emagrece rapidamente. Mas não consegue suportar, por muito tempo, as
restrições impostas pelo regime. E volta a engordar. É o chamado "efeito
sanfona", o massacrante vai-e-vem do ponteiro da balança.
O primeiro passo: levantar da poltrona e mexer o corpo
O sedentarismo é a causa mais importante do
excesso de peso e da obesidade. Por esse simples motivo, a atividade física tem
que ser o primeiro item de qualquer programa realista de tratamento da doença.
A pessoa sedentária deve começar reeducando-se em suas atividades cotidianas.
Se ela mora em apartamento, por exemplo, pode utilizar as escadas, em vez do
elevador. Mesmo isso, porém, deve ser feito gradativamente. A pessoa que mora
no sétimo andar pode subir apenas um lance de escada no primeiro dia e o
restante de elevador. E ir aumentando o esforço, dia após dia, até conseguir
galgar todos os andares.
A partir daí, abre-se espaço para uma atividade
física sistemática. Mas é preciso que seja uma atividade aeróbica (caminhada,
esteira, corrida, bicicleta, hidroginástica, natação, remo, dança, ginástica
aeróbica de baixo impacto etc.), com elevação da freqüência cardíaca a até 75%
de sua capacidade máxima.
Nessas condições, a primeira coisa que o organismo
faz é lançar mão da glicose, armazenada nos músculos sob a forma de glicogênio.
Depois de aproximadamente 30 minutos, quando o glicogênio se esgota, o
organismo começa a queimar gordura como fonte de energia.
As dietas restritivas devem ser evitadas. Até
porque, exatamente pelo fato de serem desbalanceadas, o organismo se defende
espontaneamente delas, fazendo com que, após um período de restrição, a pessoa
coma muito mais. O que o indivíduo precisa, isto sim, é buscar uma mudança no
estilo de vida, pois os fatores comportamentais desempenham, de longe, o papel
mais importante no emagrecimento.
Segure a compulsão
- Faça um diário alimentar e
anote tudo o que você come.
- Obedeça rigorosamente ao
horário das refeições, comendo com intervalos de 4 a 5 horas.
- Jamais pule refeições.
- Quando, fora dos horários,
surgir a vontade de comer, busque uma alternativa (caminhada, exercícios
físicos etc.) que reduza a ansiedade.
- Antes de cada refeição,
planeje o que você vai comer e prepare cuidadosamente a mesa e o prato.
- Preste a máxima atenção ao
ato de comer. Não coma enquanto lê ou assiste televisão.
- Mastigue bem e descanse o
garfo entre cada bocada. Isso ajuda a controlar a ansiedade. Mas é
eficiente também porque existem dois mecanismos que promovem a saciedade.
Um, de natureza mecânica, atua rapidamente, com o preenchimento do
estômago. O outro, mais lento, depende da troca de neurotransmissores no
cérebro. Comendo devagar, a pessoa dá tempo para que esse segundo
mecanismo funcione.
- Jamais faça compras em
supermercados de estômago vazio, para não encher o carrinho com
guloseimas.
- Não estoque comidas
tentadoras (doces, sorvetes, salgadinhos) em casa. Tenha
sempre à mão opções saudáveis.
- Não vá a festas de
estômago vazio. Se, chegando lá, você não resistir à tentação de comer
alguma coisa, escolha aquilo de que mais gosta e dispense o resto.
N.E. Em outro artigo abordarei como realizar uma alimentação saudável.