Bem que o MP poderia ajudar e não apenas criticar.
Trincheira das avenidas Anita Garibaldi com a Carlos Gomes.
Quando eu vejo a prefeitura de
Porto Alegre orgulhosa de entregar parcialmente ao trânsito o viaduto da
avenida Bento Gonçalves eu fico pensando: como pode? Por que não entregar a obra
toda? E ai me recordo que são várias as obras inacabadas, prometidas para a
Copa do Mundo e sem previsão de conclusão. Algumas ainda sequer iniciadas. Mas
não posso ser injusto e dizer que isso é uma exceção, que envolve apenas o
Executivo municipal. Não é. O mal do atraso nas obras é uma moléstia que afeta o poder público como um todo. Tendo ou não recursos.
Sem me ater aos atrasos
propositais, com finalidade de superfaturamento, digo que essa é uma praga
cultural que infelizmente se instalou no país. E aí eu me pergunto novamente:
por que então o todo poderoso Ministério Público não dá um jeito nisso? Ficar
apenas no contra-ataque, criticando o que deu errado, me parece uma posição egoísta,
do ponto de vista de parceria e da civilidade. Por que não ajudar a fazer as
coisas darem certo, no caso, auxiliando na remoção dos empecilhos que impedem a
execução do cronograma de obras.
Refiro-me, por exemplo, a exigência
de maior celeridade nas desapropriações, reintegrações, licenças ambientais,
etc. O mesmo pode ser dito da responsabilização dos órgãos públicos que
contingenciarem a liberação dos recursos necessários para o andamento dessas
obras. Não bastasse o estorvo que essas obras inacabadas acarretam à sociedade,
quando finalmente são concluídas, por estarem defasadas pelo tempo demasiado,
pouco ou quase contribuem para os objetivos inicialmente propostos. Se não por
interesse público, pelo menos para evitar o desperdício de dinheiro público.
E se o problema for o impedimento
legal, que proponha a mudança da legislação. O que não pode é manter a máxima
do “deitado em berço esplêndido”, vendo o Brasil correr atrás do atraso e do
imobilismo.