terça-feira, 31 de dezembro de 2013

O empowerment dos brasileiros.




Nunca fui muito chegado a essas comemorações de fim de ano. Primeiro porque não compreendo bem essa cronologia de ano. Prá mim a contagem anual deveria ser individual. Vale para os 365 dias a contar da data do seu aniversário. Afinal, foi ali que o cronômetro da sua vida foi disparado. Mas vá lá! Credite-se ao dia 31 de dezembro o fim do ano coletivo. O ano do calendário. Mas querer fazer da data um sinônimo de recomeço é subjugar a inteligência das pessoas. Ano novo é a continuidade dos anteriores. Se algo estiver errado, que se corrija. Se está dando certo, que se aprimore. Agora não me venham com essa história de borracha temporal. Ano novo, vida nova, o cambau! A construção de um futuro tem início em cada amanhecer. Quando você abre os olhos. É ali que você retoma o seu aperfeiçoamento (ou não) como ser humano.

É por isto que, ao adotar a prática da retrospectiva histórica, classifico como maior evento nacional em 2013 o empoderamento social do povo brasileiro.  Nascido no mês de junho. “Desculpe o transtorno, estamos mudando o país”. Mais do que um cartaz de protesto, a frase caracterizou um novo estado de espírito da população, que exaurida pelo descaso estatal, resolveu dar um basta ao seu imobilismo cívico. Normal. Essa situação dos brasileiros serem campeões de pagamento de impostos sem a devida contrapartida estatal um dia teria que explodir. E explodiu, fazendo sacudir o meio político. Os protestos fizeram valer a máxima de que a esperança venceu o medo. Ou será o medo que venceu a esperança? Tudo isso em ano não eleitoral, o que reforça a espontaneidade e legitimidade dos movimentos populares.

Quem ouviu a mensagem das ruas mudou. Quem não ouviu, ou não entendeu, prepare-se para ter uma grande surpresa. O povo já não possuiu a mesma ingenuidade de antes. O “vulcão”, embora adormecido, continua em franca ebulição. Aguardando a hora de entrar em erupção. E algo me diz que isto acontecerá no dia 5 de outubro de 2014.  Com uma prévia quatro meses antes, quando o “junho brasileiro” completar um ano.

É por isso que ao desejar a todos um Feliz Ano Novo, rogo ao destino, ou a Deus, ou a Alá, ou outra divindade qualquer, que esse empowerment tupiniquim não esmoreça. Para o bem de todos e felicidade geral da nação. O gigante acordou. Comemore.

No mais, desejo a todos muita saúde, paz, amor e progresso.


segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Subiram as cancelas e foi dada a largada.



A partir de hoje, 30 de dezembro de 2013, não existe mais estrada pedagiada controlada pela iniciativa privada no Rio Grande do Sul. E para comemorar o feito, o governador Tarso Genro irá até o município de Carazinho, mais precisamente na praça de pedágio da BR-285, para declarar a independência do RS dos pedágios privados. Esperem ai. Mas a promessa dele na campanha eleitoral não foi a de acabar com os pedágios? Então é só para os privados? Os públicos não? Ah tá! Público pode. Então é por isso que as praças de cobranças privadas estão sendo encampadas pela Empresa Gaúcha de Rodovias. Paga-se um pouco menos, mas se mantêm a cobrança. É o tal pedágio comunitário. Ah bom! Mas o que é mesmo isso? A comunidade escolhe onde serão aplicados os recursos obtidos na praça de cobrança. Como é? A maioria que indica onde serão realizados os investimentos não será composta pelo segmento que irá pagar o pedágio? Como assim?

E outra. Como fazer mais com menos recursos? Claro, pois se com uma arrecadação maior as empresas privadas não tiveram condições de fazer investimentos de grande vulto, como isso será possível com uma arrecadação reduzida? E ainda. O preço baixo irá se justificar com a supressão dos serviços de socorro médico e mecânico, anteriormente praticados? E não adianta dizerem que a SAMU e os bombeiros irão suprir essa necessidade. Numa situação de “cobertor curto”, se levarem as escassas ambulâncias e carros de bombeiros para as estradas, quem irá atender as ocorrências urbanas? Outra. Se a arrecadação da praça pública é suficiente para fazer os serviços de conservação, por que o governo do Estado está se socorrendo de recursos do caixa único (obtido pela cobrança de tributos de toda a população, inclusive de quem não tem carro) para que a EGR possa realizar serviços emergenciais? Apesar de todas estas indagações, o certo é que vai ter festa e discurso hoje em Carazinho.

Existe uma máxima nacional que diz que “governar é construir estradas”. Se isso é verdadeiro, é possível afirmar que o Rio Grande do Sul carece, havia muito tempo, de administrações competentes. De bons gestores, diria eu. Simples. Atualmente o RS é o estado brasileiro com menor percentual de estradas pavimentadas em relação a sua malha rodoviária total. Apenas 7,3%. Sabem o que é isso? Que proporcionalmente temos menos rodovias asfaltadas que o estado de Rondônia. Então como alguém, sendo o estado lanterna em rodovias asfaltadas, pode se sentir alegre a ponto de soltar foguetes pelo troca do comando de uma praça de pedágio de privado para público? Ah, mas faltam recursos para construir estradas. Bulhufas! O RS é a quarta unidade mais rica da Federação. Nada justifica sua humilhante posição nacional no ranking que compara as malhas rodoviárias estaduais.

Se o dia de hoje realmente significa uma nova fase para o rodoviarismo gaúcho só o tempo dirá. Mas a julgar pela situação das nossas estradas o tempo será curto. Do tamanho da paciência dos usuários. E se os discursos de hoje não se transformarem rapidamente em realidade, é bem provável que a retórica se transforme em decepção. E ai a coisa vai para o buraco. Não das estradas. Mas das urnas. Bem, ai a conversa é outra.


sábado, 28 de dezembro de 2013

O ciclo involutivo da educação gaúcha.



A reportagem investigativa realizada pelo jornal Zero Hora na turma 11F do Colégio Júlio de Castilhos comprovou o que já se imaginava. Os problemas da Educação no RS ultrapassam os limites do piso do magistério e chegam ao subsolo de um ensino desgastado pelo tempo e por gestões corrosivas aos interesses dos alunos, professores e do estado. Agora, pergunte aos alunos quem são os responsáveis por essa situação. Eles responderão: os professores. Pergunte aos professores o mesmo. Eles responderão: o Estado. Pergunte ao Estado e a resposta será: porque faltam recursos, tempo, por culpa do governo anterior, etc. Ninguém, provavelmente, irá dar a resposta correta. A de que a culpa é sua. Nossa. De todos. Inclusive dos pais, que também tem suas responsabilidades, apesar de cada vez mais abdicá-las. Assumir a sua responsabilidade pelo que está dando errado. Este é o primeiro passo para a melhora a necessária.

É por isso que a reportagem tem valia. Sacode o problema. Que a situação não se restringe ao Rio Grande do Sul é óbvio. Mas a julgar pelas pesquisas que mostram o estado com uma das piores avaliações do país, é nele que os problemas se mostram mais relevantes. Da mesma forma não se pode por a culpa exclusivamente no atual governo. O declínio do ensino público, tal qual uma avalanche, tem crescido governo após governo. Mas não resta dúvida de que o não pagamento do piso do magistério, após ter prometido na campanha eleitoral, foi a pá de cal no ânimo dos professores.

Sem aprimoramento profissional, resultante do incentivo do Estado pela qualificação, e atropelados pela tecnologia, que colocou a Internet como ferramenta preferencial do aluno, os docentes, em sua imensa maioria, se acomodaram num estágio de complacência funcional, do tipo eu finjo que ensino e você finge que aprende. E para facilitar, o governo adota o sistema de ciclos e a progressão continuada, que extingue a figura da reprovação.

Diante desse quadro, cabe ao aluno a decisão de estudar ou não. Mas e a família? Essa também se omite. Prefere creditar toda a responsabilidade à escola. Mas como? Não se trata de um assunto de grande relevância? Vital para o futuro do filho? Pois é. Mas já faz algum tempo que impor limites deixou de ser uma tarefa atrativa para os pais. É mais fácil por a culpa no professor e na escola. Ledo engano. É deles a responsabilidade de fazer com o(a) filho(a) passe mais tempo nos cadernos e livros do que na Internet ou vendo TV. É da família que vem o exemplo de que para receber é preciso fazer jus. E muito mais.

Enquanto esta fase de descaso permanecer vigendo, a Educação nunca conseguirá se transformar na mola propulsora do desenvolvimento do país e do estado e da melhoria da qualidade de vida das pessoas. Já é hora de fazer a Educação sair das páginas dos jornais e entrar para os projetos dos governantes e, principalmente, para as folhas dos livros e telas dos computadores.


sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Bastidores da eleição gaúcha



Faltam nove meses e dez dias para as eleições de 2014. Portanto, já é possível realizar uma prévia do cenário político que se avizinha. Pelo menos no que diz respeito às dificuldades preliminares. Ou seja, o que ainda impede que os partidos anunciem suas estratégias para tentar ter um bom desempenho no pleito. Sim, trata-se de um esboço da fotografia política do momento. Não, não será uma análise científica baseada em pesquisas. É uma interpretação pessoal baseada em fatos e informações. Afinal, estamos na véspera do ano eleitoral e já é hora de se começar a falar de eleição. Até mesmo porque com a Copa do Mundo no Brasil teremos pouco tempo para fazer isto.

PT
Embora Tarso Genro ainda não tenha assumido sua condição de candidato à reeleição, o certo que esta será a aposta do PT em 2014. Mas com maiores dificuldades do que as enfrentadas na campanha eleitoral de 2010. Primeiro, por carregar o ônus de ser governo. Depois, por não contar (pelo menos no primeiro turno) mais com o apoio do PSB e do PDT. Dentre os partidos maiores, que compõem a base do governo petista, sobra apenas o PTB, enfraquecido pela crise da Procempa e pelo desinteresse do seu maior ícone, o ex-senador Sérgio Zambiasi, de concorrer na vaga de vice de Tarso. Isto sem falar no desgaste do atual governador por não conseguir cumprir com os compromissos de campanha, principalmente os do pagamento do piso salarial do magistério e a pavimentação dos acessos aos municípios que ainda não estão ligados à malha rodoviária pavimentada. A situação nacional do PT também depõe contra os interesses de Tarso. Tudo por conta da prisão de importantes lideranças petistas, como José Dirceu, José Genuíno e Delúbio Soares.

De positivo, as diversas obras do governo Dilma no RS, que o PT faz questão de confundir, como se o Estado tivesse participação efetiva nas suas execuções. Difícil mesmo será garantir exclusividade no palanque, como Tarso deseja. Culpa da composição pluripartidária de governo, montada por Lula e mantida por Dilma. Outro fator útil é a fidelidade e o empenho da militância petista, importante numa campanha eleitoral. 

PP
Há três décadas longe do poder estadual (desde o governo Jair Soares), o Partido Progressista está se preparando para “brigar para valer” e voltar ao Piratini. A começar pela definição antecipada de que terá candidatura própria para governador e que ela será de oposição ao governo do PT. E o nome que representa a esperança progressista é o da senadora Ana Amélia Lemos. Com imagem consolidada como comunicadora e como política, tendo sido escolhida como uma das parlamentares mais influentes do Congresso Nacional, Ana Amélia já desponta na cabeça do eleitor gaúcho, mesmo não tendo confirmada sua pré-candidatura, como uma opção palpável para o governo do Estado. Além dessas vantagens pessoais, a senadora tem o benefício de aparecer, até o momento, como a única mulher na disputa para o governo do Estado, o que poderá lhe trazer vantagens perante o eleitorado feminino, o maior de todos os segmentos. Da mesma forma, será fundamental a organização que o PP possui à nível regional, onde detém o maior número de prefeito e vereadores dentre todos os partidos. 

Ao contrário do PT, que já se decidiu por Dilma,  o PP gaúcho tem uma definição e duas possibilidades. Não irá apoiar a candidata do PT e estuda a opção por Eduardo Campos (PSB) e Aécio Neves (PSDB). No caso de Aécio, a aliança não tem a preferência da maioria dos progressistas, contrariando as últimas eleições onde o partido sempre esteve ao lado dos tucanos. É que desta vez existe a imagem negativa da ex-governadora Yeda Crusius, consolidada no eleitorado desde a última eleição geral. Já com Eduardo Campos a situação é outra. Pesquisa interna do PP-RS mostrou que o governador de Pernambuco tem a preferência das lideranças progressistas. Embora não dê indícios dessa inclinação, Ana Amélia não terá dificuldade de relacionar-se com os socialistas, com quem já esteve ao lado na eleição municipal para a prefeitura de Porto Alegre. O mesmo ocorre com Aécio, com que tem bom relacionamento. 

A propósito, a questão ideológica tem tudo para não se transformar numa “arma” capaz de influenciar na decisão do eleitor. Isto porque boa parte da população já demostrou estar mais preocupada com propostas realistas e com a ficha limpa dos candidatos do que com aspectos doutrinários e filosóficos dos partidos. Neste caso, focando no PP, tentativas de vincular Ana Amélia à ditadura militar (Arena) e a má imagem das lideranças nacionais envolvidas no Mensalão e de Paulo Maluf, tem tudo para não prosperar. Primeiro porque ela, enquanto jornalista, foi uma das  críticas dos excessos praticados naquele período de exceção. E de Maluf e dos mensaleiros também. Aliás, coerente com a postura do PP gaúcho, que em diversas ocasiões se pôs na oposição das decisões do comando nacional. Com a balança pesando mais para o lado dos benefícios do que para o dos prejuízos, parece natural o fato das pesquisas colocarem  Ana Amélia como favorita para a conquista do Piratini.  

PDT
Com a intenção de aparecer com terceira via da eleição, antecipadamente polarizada por Tarso e Ana Amélia, o maior problema do PDT é unir o partido em torno de Vieira da Cunha, já lançado como candidato à governador. Dividido entre os que participaram do governo petista - e que por isso defenderam a manutenção da aliança com o PT - e os que defenderam candidatura própria, Vieirinha deve entrar na campanha tomando o cuidado de acompanhar a fidelidade dos pedetistas.  Outra dificuldade do PDT será a montagem de uma aliança que lhe permita contar com um tempo razoável na propaganda eleitoral gratuita. Isto explica o acordo proposto pelo PDT, para estudar a viabilidade da formação de um bloco de oposição, assinado pelo PSD, PSC, DEM, PSDB, PR e PPS. 

Se por um lado a composição permitirá um tempo adicional na propaganda eleitoral, por outro a pluralidade de siglas acarretará uma preocupação importante: quem ocupará o palanque desse bloco oposicionista? Dilma ou Aécio? Se depender do PDT será Dilma. Se a escolha for feita pelo PSDB será Aécio. Complicada esta situação. Ou será que a montagem eleitoral abrangerá apenas a eleição proporcional? Com tantas dúvidas, fica difícil prever as chances de Vieirinha. Resta a ele torcer para que a “sorte” lhe favoreça, a exemplo do que aconteceu em 2002 com Rigotto, terceira via entre Tarso e Britto, e em 2006 com Yeda, terceira via entre Rigotto e Olívio Dutra. Difícil, é preciso reconhecer.

PMDB
A exemplo do PDT, o principal problema do PMDB é de ordem interna. .Quem será o candidato ao governo do Estado? Sartori, como inicialmente previsto? Rigotto novamente? Ou Ibsen Pinheiro? Ou Paulo Ziulkoski? Ou outro nome. Com tantas dúvidas, o PMDB repete as incertezas que tanto prejudicaram o partido nas últimas eleições. Outro obstáculo dos peemedebistas será a montagem do apoio presidencial no RS. Dilma, Aécio ou Eduardo Campos? Com o vice-presidente da Repúblico e com diversos ministros, o coerente seria o PMDB apoiar a reeleição de Dilma. Mas como ficaria o palanque estadual? Subiria ela nos palanques dos candidatos do PT, do PMDB e do PDT, siglas que a apoiam nacionalmente? Coisa que Tarso Genro não admite de forma alguma, já que impõe palanque único e exclusivo. Ficar em cima do muro também não adianta ao PMDB. Fez isto em 2010 e teve consequências negativas. Outro problema é a memória do eleitor. Tendo sido governo em doze dos últimos 26 anos, os gaúchos poderão imaginar que os grandes problemas do Rio Grande não foram devidamente encaminhados nas gestões do partido. Mas em se tratando do PMDB, com centenas de prefeitos e milhares de vereadores, não dá para descartar as chances de chegar ao segundo turno. Talvez se apropriando do PDT a condição de terceira via. Mas está possibilidade depende da solução dos problemas que estão impedindo o partido de iniciar o planejamento da sua campanha. 

PSDB
Embora sem nomes de peso e com o fardo da imagem de Yeda Crusius para carregar, não dá para descartar a possibilidade do PSDB apresentar candidatura própria. Se isto acontecer, será por imposição do diretório nacional, que pretende ter palanque para Aécio Neves no Rio Grande do Sul. Neste caso será apenas para cumprir calendário, nada mais. 

PSB
Se tem um partido que vem crescendo a cada eleição, é o PSB. A ponto de ter candidato próprio à presidência da República. E no Rio Grande do Sul uma liderança se destaca: o deputado federal Beto Albuquerque. Experiente e habilidoso negociador, Beto pode ser considerado um coringa para ocupar todos os cargos de uma chapa majoritária. Até mesmo para governador, não fosse a necessidade de buscar um grande partido para apoiar Eduardo Campos. Se quisesse concorrer à vice-governador poderia escolher qualquer chapa, com exceção do PT, que irá apoiar Dilma, e do PSDB, que apoiará Aécio. Já a vaga para o Senado não é bem assim. PMDB e PDT terão representantes na chapa majoritária. Mas no PP não haveria problema. Por tudo isto, é que o PSB terá um papel de destaque na montagem das estratégias eleitorais e durante a campanha.

PSOL
Outro partido que deverá apresentar candidato próprio, apesar das mínimas chances de êxito, será o PSOL. E tudo indica que o nome recairá sobre Roberto Robaina. Deverá exercer o conhecido papel de oposição radical. Deve priorizar a eleição proporcional, objetivando colocar representantes no parlamento gaúcho e na Câmara dos deputados. 

PCdoB
Ao contrário da eleição municipal, especialmente a de Porto Alegre, os comunistas não tem maiores expectativas na eleição majoritária. Talvez, se o PTB não desejar, consiga emplacar a vaga de vice na chapa de Tarso Genro. Difícil, pois o PTB não é de abdicar de cargos. A exemplo do PSol, deverá centrar seu interesse na conquista de vagas na Assembléia Legislativa (sob a influência de Manuela D’Ávila) e na Câmara dos Deputados.

Outros
Todos os demais partidos não citados deverão atuar como coadjuvantes na composição de alianças com as siglas acima referidas. É a tendência. Mas com tantas siglas não me causaria espanto se alguma deles se aventurasse a uma candidatura própria. Já vimos isso em outras eleições. 

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Os palcos da vida.

                                                                                                                 Multipalco

Quem acompanhou a verdadeira novela que foi a recuperação do auditório Araújo Vianna não se surpreendeu com a reportagem publicada hoje (26/12) no Segundo Caderno do jornal Zero Hora. É que o atraso de obras públicas se transformou numa cultura gerencial em projetos cuja execução dependa de recursos públicos. Mais ainda quando se trata de obras que beneficiem a área da Cultura, historicamente relegada a segundo plano dentre as prioridades governamentais.

Ora, se a Educação não é tida como prioridade, como esperar que a Cultura fosse? Mas quem disse que dois erros constroem um acerto? Pobre do país que menospreza a Educação e a Cultura. Sem elas o cidadão se transforma num ser humano insensível, desconectado com a realidade. Com elas, torna-se um ser pensante, crítico e seletivo. Talvez ai esteja o motivo do desinteresse governamental. A cultura produz identidade e coesão social, abrindo novas oportunidades para a crítica, a empatia e a política. E a quem interessa um povo que não se deixa manipular? Que sabe escolher seus representantes pelo seu histórico de competência, seriedade, ética e bons serviços prestados?

Claro que investir em infraestrutura de transportes e energia, por exemplo, é importante. Mas porque não dar o mesmo significado da obra física para as obras que ajudam o ser humano a se desenvolver na sua plenitude intelectual e comportamental? É a tal dúvida inquietante: O que vale mais? Ser ou ter? A resposta correta é: ser. Mas por que não incluir o ter? OK, o correto então é ser e ter.  Sendo assim, por que nossos governantes, na hora de investir, não dão igual atenção para todas as áreas. Por que Educação e Cultura tem que ser o “patinho feio” do orçamento público, seja ele municipal, estadual ou federal? E mais, por que não dar a mesma agilidade da construção de um estádio de futebol à recuperação de uma casa de espetáculo cultural? Cultura padrão FIFA, quem sabe?


É por isso que a reportagem da Zero Hora adquire importância no atual momento por que passa o país. Não apenas por ser véspera de eleição. Até por que no discurso fácil, educação e cultura sempre estiverem presentes. Refiro-me ao sentimento popular de que, pressionando, os governos tomam atitudes mais ágeis. Essa, por sinal, foi uma das lições das ruas, retiradas dos protestos de junho. Cobremos, portanto, uma rápida conclusão das obras da sala Sinfônica da Ospa, do Multipalco do Teatro São Pedro, da Cinemateca Capitólio e da Casa de Cultura Mário Quintana, dentre outras tantas. Afinal, não basta responsabilizar apenas os governos (embora sejam os principais culpados). É preciso que o cidadão faça a sua parte. Iniciando, quem sabe, por escolher melhor seus protagonistas das eleições de 2014? Assuma seu papel no palco da vida.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Vergonha internacional





As condições indignas do Presídio Central de Porto Alegre motivarão uma nova ação contra o Brasil na Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), entidade da Organização do Estados Americanos (OEA). Mais uma vez porque a primeira foi formalizada em abril de 2012, após vistoria. Na ocasião, o governador Tarso Genro prometeu criar três mil vagas para desafogar o Central. Passado um ano e oito meses o que a comitiva de inspeção encontrou foi justamente o contrário. Os 4,4 mil presidiários de 2012 passaram para 4,6 mil.

A proposta será encaminhada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Segundo o presidente da entidade, o piauiense Marcus Vinicius Furtado Coêlho, o presídio de Porto Alegre é um dos piores que já viu, classificando-o como uma universidade do crime. “Presos provisórios são misturados a condenados, facções mandam na cadeia, decidindo, inclusive, quem tem direito a atendimento jurídico, além de fezes correndo pelas paredes dos pavilhões a céu aberto”, lamentou.

A incompetência do governo do Estado e as promessas irresponsáveis de Tarso Genro servirão para colocar negativamente o Rio Grande do Sul e o Brasil no noticiário internacional. Mostrando que ali, no presídio Central, ao contrário do que o PT brada, ninguém tem moradia digna e nem está livre da miséria. Muito pelo contrário. Vivem num submundo indigno até para os ratos que, pelo menos, circulam livremente.

Me ocorreu agora uma dúvida: será que a ministra Maria do Rosário teria coragem de ir ao presídio Central para desejar um Feliz Natal aos apenados?

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Entre a realidade e a fantasia

A foto publicada no Correio do Povo desta segunda-feira (23), mostrando o governador Tarso Genro vestido de salva-vidas, serve para atestar sua prática de adotar a incoerência como estratégia política. A motivação para o traje foi o lançamento da Operação Verão numa Boa. Nenhuma novidade. Tarso já vestiu a indumentária campeira na Semana Farroupilha; já pulou valo de obras; já usou bonés de várias entidades e causas, etc.

Faço essa referência pelo fato do governador, há poucos dias atrás, ter deixado transparecer sua possível intenção de não ser candidato à reeleição.  E para parecer sincero, fez exigências difíceis de serem atendidas: palanque único de Dilma no RS e renegociação da dívida do RS com a União. Mas como em se tratando de Tarso Genro nem tudo pode ser levado ao “pé da letra”, até mesmo a máxima popular de que “nem tudo que parece é”, tudo indica que, mais uma vez, ele está tergiversando.  

Ele já disse, peremptoriamente, que não deixaria a prefeitura de Porto Alegre para concorrer ao governo do Estado e deixou. Disse que iria pagar o piso salarial do magistério, caso se elegesse governador, e não cumpriu com a promessa.  Afirmou pela imprensa que se algum secretário dissesse que a execução de uma obra ou serviço não estaria acontecendo por falta de recursos estaria faltando com a verdade, pois recursos existiam. E o que se viu? Saques do caixa único, saques dos depósitos judiciais e contração de empréstimos, sem a devida reversão em obras e serviços.


É por isso que por em dúvida a sinceridade de Tarso, nos seus atos e discursos, não pode ser considerado uma heresia. Ou um desaforo. É que a incoerência tem se mostrado uma marca da sua personalidade política. Se ainda há quem duvide, basta observar seus trajes no lançamento da operação Verão numa Boa em seus três anos de governo. A primeira foto registra o lançamento no seu primeiro ano (2011). A segunda, em 2012. E a terceira, tirada neste final de semana em Imbé, em 2013, véspera da eleição. 

Preparemo-nos para, muito em breve, ver o atual governador beijando criancinhas e circulando, serelepe, por tudo que é festividade. Como mando o figurino de um candidato. Inclusive com discursos políticos e muitas promessas.

 2011
 2012
2013

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

As razões de Tarso para 
não concorrer à reeleição.




Se forem verdadeiras as condições exigidas pelo governador Tarso Genro (a dúvida fica por conta do seu hábito de não cumprir com o que diz) de que se não tiver a primazia do palanque de Dilma no RS e se a renovação da dívida do Estado para com a União não for aprovada pelo Congresso Nacional, não irá concorrer à reeleição, está confirmado o seu desinteresse pela permanência à frente do Piratini. E mais, que não acredita que o Rio Grande do Sul, por si só, tenha condições de superar a grave crise financeira que está impedindo o seu desenvolvimento.

O que Tarso não diz é que nada disso foi considerado na campanha eleitoral de 2010, que lhe deu a inédita vitória em primeiro turno. Naquela ocasião a situação do erário público estadual já era crítica. Da mesma forma, a julgar pela propaganda governamental, ele não reconhece sua culpa no agravamento das finanças públicas, fruto do descumprimento da lei que obriga o pagamento do piso do magistério e os volumosos saques feitos no caixa único do Estado e dos depósitos judiciais.  Isso sem falar nas sedutoras promessas de campanha que nem de longe foram atendidas.

Mas, inicialmente, é preciso duvidar da sinceridade do governador. Senão vejamos: Como alguém que buscou obstinadamente ser governador pode, repentinamente, fazer exigências para tentar permanecer no cargo. Será que pensa que os gaúchos esqueceram que ele impediu (por pressão interna no PT) que o então governador Olívio Dutra concorresse à reeleição? Ou que ele tenha usado os cargos ocupados no governo Lula como palanque para obter vantagens na concorrência pela vaga de governador do RS?

Pois é! De uma hora para outra esse ideal de vida parece ter arrefecido, a tal ponto dele vislumbrar a possibilidade de abdicar do poder estadual. Dessa forma, as exigências realizadas se apresentam como uma imposição para o “sacrifício” da reeleição. Mas Tarso sabe, por que é experiente em política, que é praticamente impossível que Dilma venha a ter apenas um palanque no Rio Grande do Sul. Seria uma imensa incoerência e uma grande ingratidão. Claro, pois se outros partidos além do PT serviram como base de sustentação (inclusive ocupando cargos) do seu governo, como Dilma poderá lhes dar às costas na hora (da eleição) que eles mais precisam de apoio. Se ela fizer isto estará dando um tiro no próprio pé. O esperado é que se apoie na neutralidade.

O mesmo vale para a exigência da renegociação da dívida. Ora, precisou entrar no seu terceiro ano do seu mandato (casualmente véspera da eleição) para que Tarso calçasse definitivamente às chuteiras e entrasse em campo. Antes, o assunto sequer aparecia como prioridade. Pelo contrário, a propaganda governista dizia que tudo estava bem no RS. Bastou às pesquisas mostrarem que a coisa não era bem assim, para que o governador, de repente, descobrisse uma realidade que todos os gaúchos já conheciam. A melhoria do estado estava restrita apenas ao discurso governista.

De tudo o que disse Tarso, no seu pronunciamento de exigências, uma coisa não pode ser contestada. O próximo governador terá imensas dificuldades. Por isso terá que ser um estadista. Alguém com bom trânsito político com todas as siglas, e não apenas com a base governista, que lhe dê condições de firmar um pacto pela superação dos problemas estruturais do Rio Grande, e que seja um eficiente gestor, para oferecer projetos viáveis para o desenvolvimento do estado e para tirar o máximo da máquina pública disponível. E, principalmente, cumprir com a palavra empenhada. E não gastar mais do que arrecada.

Visto sob essa ótica, não há como não concluir que Tarso estava sendo sincero quando declarou que poderia desistir da reeleição. Mas não somente pelas dificuldades externas, mas especialmente pelos seus próprios erros. Quatro anos de governo é um tempo curto para solucionar os graves problemas do Rio Grande, mas todos sabem que a escolha do caminho certo é o primeiro passo para se chegar ao destino que se deseja. E o governo Tarso, até o momento, não conseguir achar o Norte necessário.
                                                                                                            
Para não deixar de falar no aspecto político, que possa  estar influenciando na possível tomada de decisão de Tarso, é preciso lembrar os equívocos realizados na interface do PT com o PSB e com o PDT (e pelas reclamações recentes para que até mesmo com o PTB), que integram a base do governo Tarso. A saída do PSB não se deu apenas pelo apoio à candidatura de Eduardo Campos. Envolveu também atritos constantes de relacionamento, especialmente com o presidente estadual do PSB, deputado Beto Albuquerque, quando ocupou o cargo de secretário estadual de infraestrutura e logística. No caso do PDT, ao que parece, a divergência está restrita a decisão de o partido concorrer com candidatura própria, tese que teve aceitação pela maioria do diretório estadual. O certo é que o PT terá dificuldade na construção de alianças.

Outro fator que talvez esteja influenciando na futura decisão de Tarso é a posição dada pelas pesquisas eleitorais à senadora Ana Amélia Lemos, onde ela aparece como uma candidata com reais condições de vitória. No mínimo de competir de igual para igual, com a vantagem de não sofrer desgaste por ser governo, como ocorre com Tarso.


Por tudo isso é que, desta vez, o alerta dado por Tarso, de que talvez não seja candidato à reeleição, deve ser levado a sério. O cenário em que a declaração foi feita serve muito bem de moldura para o quadro político de 2014. É ver para crer.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Vai começar a corrida pela vida.



O fim do ano chegou e com ele o início da Corrida pela Vida. Mas não se engane. Não é a tradicional corrida promovida pelo Instituto do Câncer Infantil do RS. É a migração frenética de automóveis para o interior do estado e, preferencialmente, para as praias do litoral gaúcho e catarinense. Um verdadeiro Deus nos acuda. São os famosos motoristas de verão, desacostumados com o trânsito rodoviário, que não zelam pela manutenção dos seus veículos e que se tornam irresponsáveis de ocasião, seja pela imaturidade comportamental ou pela ingestão de bebidas alcóolicas e drogas.

É a fase do morticínio sazonal e programado. Para horror de todos e infelicidade de alguns familiares. Mas e quem não se enquadra nos critérios dos irresponsáveis? Está livre? Jamais. Poderá ser vítima de um irresponsável que veio em sua direção. Ou de uma rodovia mal projetada, sinalizada ou conservada. Mas então como se prevenir? Sendo um bom cidadão. Que respeita as leis (todas). Que pratica a direção defensiva. E que faz do automóvel um meio de locomoção aprazível e não um “cavalo de batalha de quatro rodas”. Ou de um caminhão como meio de trabalho e não como o “fortão” das estradas.

Ser ultrapassado não é ser menos motorista. Dar passagem não é se acovardar. Obedecer o limite de velocidade não o torna uma “lesma de trânsito”. A estrada tem que ser vista como o que ela realmente é. Apenas um meio para se alcançar uma meta. No caso uma localidade. Portanto, é irracional perder a vida numa coisa que não deveria ser o fim, mas um meio É desperdiçar a vida. E o que pior, a vida de inocentes.

Se você não gosta de engarrafamentos, planeje seus horários. Se não confia no seu carro, faça uma revisão mecânica antes de ir para a estrada. Se não enxerga bem a noite, dirija de dia. Se não conhece o percurso, se informe antes de movimentar o carro. Enfim, não cometa aventuras. Você já é bem crescidinho para saber que super-heróis não existem. E que milagres embora aconteçam, são raros. 

Não espere pelo poder público. Faça a sua parte. Fale sobre a importância do bem dirigir com seus parentes e amigos. Faça alertas pelas redes sociais. Só assim, mudando a mentalidade do motorista, é que estaremos contribuindo para diminuir o índice de mortalidade nas estradas. O verão chegou. Chegue também ao seu destino. E boas férias e boa viagem. 

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Ciclovia ou vale-tudo?



Em época em que ser moderno é regredir a costumes do passado, como consumir produtos orgânicos e andar de bicicleta, a construção de ciclovias em Porto Alegre começa a apresentar um cenário de confronto até antes inimaginável. Refiro-me a disputa pelo espaço, pintado no solo de um vermelho cor de barro, entre ciclistas, motoristas de carros e pedestres. 

Não que eu seja contra a circulação de bicicletas nas vias urbanas, mas a cada dia que passa fica constatado que a implantação das ciclovias porto-alegrenses não pode ser enquadrada no conceito popular de “antes tarde do que nunca”. 

Nossas autoridade em circulação viária deviam (caso houvesse um adequado planejamento urbano) ter previsto que o crescente aumento no volume de veículos pela capital dos gaúchos, a exemplo do que acontece nos grandes aglomerados urbanos, iria resultar em enormes congestionamentos e que haveria uma briga por espaço entre pedestres e veículos de duas ou quatro rodas. 

É o que está se vendo. Premidos pela escassez de obras viárias de grande porte (túneis, viadutos, passarelas, perimetrais, estacionamentos públicos, etc), de “áreas azuis”, obstáculos físicos como conteineres de lixo e caçambas de entulho, e de um transporte coletivo eficiente, os motoristas da capital se viram, repentinamente, espremidos pelas ciclovias. Óbvio, as ciclovias passaram a ocupar uma faixa de circulação habitualmente utilizada por carros.

E é esse espaço que começa a se transformar numa legítima “faixa de Gaza”. Sem espaço para estacionar, motoristas desobedecem a primazia dos ciclistas e estacionam sobre a ciclovia. Pedestres que praticam o seu cooper diário, por se sentirem mais seguros, utilizam a ciclovia como pista de corrida. Mas e os ciclistas, com ficam? Ficam furiosos. E com razão.

Mas é ai que reside o problema. Quem veio primeiro? O pedestre, a bicicleta, ou o carro? O pedestre, claro. Mas adianta remar contra a maré se a instituição veículo motor já é uma realidade? Do jeito que está, não. Então o que fazer? Exigir que a Eptc fiscalize? Bem, ai vem a velha história de que os fiscais não podem ser onipresentes. Então é preciso investir em educação? Sim, sim, sim... Mas ai o caminho é mais complicado e daria para muitos outros artigos. 

O certo é que o problema está nas ruas. E as brigas já começaram. Algo precisa ser feito, sob pena de transformarmos as ciclovias num grande ringue a céu aberto. Ou pior, num caso de vida ou morte.  

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013



O Rio Grande do Sul precisa de um gestor competente. Senão...

Zero Hora - 12/12/2013





quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Tuma Júnior coloca sob suspeita
 as eleições de 2008 e 2010.



Muito grave as acusações feitas pelo ex-secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, de que em seu período à frente do SNJ, entre 2007 e 2010, no segundo governo de Lula, o órgão funcionou como um aparelho clandestino do PT, que usava as engrenagens oficiais do Estado para proteger seus amigos e perseguir os adversários.

Mais do que uma exorbitância moral e criminosa, a prática delatada, se verídica, comprova o que boa parte do mundo político já suspeitava. Havia realmente interesse político-eleitoral nas denuncias produzidas pelo PT, através dos órgãos oficiais de investigação controlados pelo partido, nos períodos pré-eleitorais. E muitas foram as denúncias. Quase todas com escassez de comprovação fatual, mas com grande repercussão midiática. 

Comprovada a veracidade das acusações de Tuma Júnior, no mínimo ficam sob suspeita as eleições realizas em 2008 e 2010. O que exige providências firmes e imediatas do Congresso Nacional e da Justiça, em todas as suas instâncias, especialmente a eleitoral. E mais, o governo Dilma precisa provar que essa máquina de investigação clandestina foi desativada.

Por outro lado, faz-se necessário um alerta à imprensa. É preciso maior controle e responsabilidade na divulgação das denúncias. Óbvio que o argumento de que uma informação vinda de uma fonte oficial, identificada, terá sempre credibilidade. Mas diante das informações registradas no livro de Tuma, “Assassinato de reputações – Um crime de Estado”, está provado que é preciso um maior rigorismo na averiguação da veracidade dos fatos e das pessoas envolvidas nas denúncias de origem oficial. Sob pena de fazer o papel de inocente útil. E o pior, contribuir para que a população também seja ludibriada.

Sempre é bom lembrar – e não faltam exemplos, como a execração pública ocorrida com o ex-deputado Ibsen Pinheiro – que a exemplo do travesseiro de penas rasgado em uma ventania, uma denúncia realizada pela mídia, mesmo que posteriormente corrigida, jamais poderá fazer com a imagem do acusado possa voltar a situação anterior, ou mesmo recuperar os prejuízos advindos dela. 

E o começo dessa nova fase pode ser a averiguação da veracidade das denúncias do livro de Tuma Júnior.






terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Homo sapiens ou homo violentus?



Desde que o ser humano desenvolveu a sua intelectualidade uma dúvida permanece sem resposta: qual a origem do mal. Por que instintos selvagem, como a agressividade, ainda são latentes no comportamento humano? Por certo um dos fatores está no DNA humano, resultante do tempo em que agia tal qual um animal irracional. Mas, sendo um ente social, porque seu comportamento deveria ser orientado tão somente pelo seu passado genético? E o avanço e o desenvolvimento civilizatório? Para que serve? Ou será que depois do “big bang” tecnológico a moralidade humana regrediu?

Faço essa analogia em cima das bárbaras agressões envolvendo as torcidas organizadas (?) do Atlético-PR e do Vasco, no último final de semana. Trata-se da repetição de episódios semelhantes que, infelizmente, se perpetuam no futebol brasileiro. Mas será este um problema que envolve apenas o esporte? Qual a diferença entre um hooligan (vândalo, em inglês) e um black bloc (de afinidade anarquista)? 

Resguardados os impulsos motivacionais, a estratégia é a mesma: o uso da violência como forma de manifestação. As vezes com motivação difusa. E é essa liberdade de agir primeiro para pensar depois que está fazendo com que o homo sapiens esteja regredindo na sua escala evolutiva. Muita tecnologia gerando pouca civilidade. E o começo da recuperação dessa involução passa, necessariamente, por uma busca das motivações. Esforço esse que não depende apenas das autoridades ou dos intelectuais. Depende fundamentalmente da sociedade. 

Como considerar natural, por exemplo, a violência física e moral contra um ser humano? Ou a promiscuidade fortuita, apresentada diariamente pelas emissoras de televisão? Como os pais podem considerar normal a filha adolescente trazer o namorado para dormir no quarto dela? E permitir que ela(e) passe mais tempo no computador ou na frente do vídeo game (participando de jogos violentos), do que estudando? Ou que chegue em casa embriagado ou sob o efeito de drogas?

Claro que essa mudança na família não é recente. Já começou faz algumas décadas. Mas isso não justifica a neutralidade adotada por grande parte dos pais. Está faltando diálogo. E, especialmente, limites. Claro que existe contaminação nas relações interpessoais. O bullying é um exemplo disso. Mas uma família bem estruturada gera filhos responsáveis. E filhos bem educados não são violentos. 

Faça a sua parte. Gere seres humanos e não bestas. E claro, cobre dos governos ações indispensáveis. Podem ser aquelas prometidas nas campanhas eleitorais e que foram deixadas de lado após a eleição. Exija providências do presidente do seu clube para que as tais torcidas organizadas sejam realmente torcidas e não gangues. Não vote mais no político que se mostrou corrupto. Enfim, use o seu cérebro para o bem. Enquanto ainda há tempo.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

PP RESPONDE CRÍTICAS DOS
 PRÉ-CANDIDATOS DO PDT

O diretório estadual do PP e os mais de 200 mil filiados progressistas receberam com surpresa e tristeza as manifestações de Vieira da Cunha e Lasier Martins, feitas na Convenção do PDT. A saber: 
"Enquanto a nossa adversária vai se esconder embaixo da mesa envergonhada, porque ela é do PP, que veio da Arena, que sustentou a ditadura, nós vamos reafirmar os ideais trabalhistas", disse Vieira da Cunha.
"Os adversários são respeitáveis, mas o partido que está ponteando as pesquisas, é um partido identificado com a Arena, um partido que apoiou a ditadura militar, que prendeu, torturou, matou os trabalhistas", afirmou Lasier Martins.
Diante dessa agressão gratuita e despropositada, vale a pena ressaltar que o eleitor gaúcho está cansado de políticos que ao iniciar uma campanha escolhem o caminho da agressão verbal e da desqualificação de biografias em detrimento da análise dos problemas do Estado e da busca por um futuro melhor para as pessoas que nele vivem. 
Ficamos surpresos e tristes porque além de consideração pessoal ao Dep. Vieira da Cunha e ao jornalista Lasier Martins, sempre dispensamos respeito ao trabalho de cada um, bem como as ideias e a história do Partido Democrático Trabalhista. Prova disso é o fato de que nossas siglas estão coligadas, fazendo um grande trabalho em muitos municípios do Rio Grande do Sul. 
Ainda é bom lembrar que o PP não tem sequer candidatura lançada ao governo, mas quando isso acontecer, nossa atitude será de diálogo sobre o que fazer e como fazer para construção de um projeto que tenha a marca da união e respeito as  ideias de todos os campos democráticos, digno de melhorar a vida dos gaúchos. Não iremos nos pautar pela crítica leviana aos adversários, até porque o adversário de hoje pode ser o parceiro de amanhã. O PDT sabe bem disso, pois de 2010 até agora já esteve dos dois lados. 
Por fim,  confiamos que essas declarações agressivas tenham sido feitas no calor de uma convenção e que não sejam pauta dos Trabalhistas na campanha. Em vez de agressões, o eleitor espera por propostas.
                                       Celso Bernardi
                               Presidente estadual do PP



PDT usa o confronto para
se fixar como terceira via.



Dois erros não fazem um acerto. Essa máxima da coerência parece estar desacreditada pelo PDT do Rio Grande do Sul. Depois do acirramento das relações internas que decidiu, pelo voto, em disputa dividida (cujos reflexos só o tempo poderá dizer), que Vieira da Cunha será candidato à governador em 2014, as lideranças pedetistas resolveram levar o clima do confronto para além das fronteiras do partido. E os adversários escolhidos foram o PT de Dilma e Tarso, e o PP da senadora Ana Amélia. 

Usando argumentos contraditórios - já que o PDT integra os governos Dilma e Tarso - Vieira e Lasier, este último aclamado como candidato à senador, resolveram iniciar um projeto de terceira via tendo como estratégia o ataque às possíveis candidaturas adversárias. No âmbito estadual, o foco caiu sobre Tarso (PT) e Ana Amélia (PP), cujas pesquisas de opinião os apontam como candidatos preferenciais da maioria do eleitorado. 

No caso nacional, da disputa pela presidência da República, surpreendentemente a crítica recai sobre Dilma, que a exemplo das pesquisas no RS, aparece como favorita para a reeleição. E o ataque faz pontaria nos mensaleiros do PT. “Seria constrangedor empunhar a bandeira do PT, cujos principais dirigentes nacionais estão presos, condenados por corrupção”, afirmou Vieirinha. Estranho que esse constrangimento não impediu que o PDT desfrutasse das benécies dos cargos federais e estaduais. Tal postura leva a acreditar que a preferência do PDT à presidência é pela candidatura de Eduardo Campos. Mais um atrito à vista. Agora com o PDT nacional, que prefere Dilma.

Quanto ao alvo estadual, no caso de Tarso e Ana Amélia, os pedetistas terão dificuldades de consolidar as suas estratégias. No primeiro caso, porque estão umbilicalmente ligados ao governo petista de Tarso Genro. E coerência, já é sabido, nunca foi o forte do PDT. A ponto de ter concorrido contra Tarso na chapa do PMDB, ocupando a vaga de vice, e depois ter mudado de lado, integrando a base de apoio governista. 

Já no que tange à Ana Amélia, candidata com bom desempenho na senado e com um passado pessoal, profissional e político, inatacável, a pontaria da artilharia pedetista fixou a mira no PP, a quem rotulam de  partido que representa a ditadura, relembrando o tempo da antiga Arena. Ora, trazer para o debate político o tema da ideologia é se contrapor a voz das ruas, que clama por gestão pública na prestação de melhores serviços nas áreas de responsabilidade do Estado. Aliás, é bom lembrar que isso não foi considerado pela presidente Dilma, ex-militante do PDT e agora no PT,  na hora da montagem do seu governo, onde colocou os progressistas como colegas do PDT na sua base de sustentação.

Antes de partir para o ataque seria bom que o PDT gaúcho guardasse sua energia para curar primeiro suas próprias feridas. A começar pela busca da unidade entre as duas facções que se confrontaram na convenção estadual do último sábado. Depois, por ambientar Lasier Martins à realidade do partido. Mas tem que ter cuidado para não usar a expressão “choque” de realidade, pois poderá ser mal interpretada pela agora candidato a senador. 

Cristão novo, Lasier se disse surpreso pela quantidade de votos que foram dados aqueles que defenderam o apoio à manutenção do aliança com o PT. Ele ainda não sabe que no PDT nada converge naturalmente e que unanimidade mesmo, só a paixão por Brizola.

Por fim, contradizendo  Sun Tzu, em seu livro a Arte da Guerra, onde diz que uma das estratégias para vencer uma batalha é não atrapalhar o inimigo quando ele estiver errando, seria útil, para o bom andamento da campanha, que os adversários do PDT lembrassem aos pedetistas que o eleitor gaúcho, quando se trata do seu futuro, espera a apresentação de propostas realistas e sinceras, e não bravatas e ataques pessoais, sejam eles pessoais ou partidários. 

Começou errado o PDT. E em política, o primeiro passo, frequentemente, define o rumo da caminhada. 

domingo, 8 de dezembro de 2013

Candidatura própria do PDT dá início
 a campanha eleitoral de 2014.



A aparente tranquilidade com que o governador Tarso Genro recebeu a decisão da convenção estadual do PDT, de ter candidatura própria na eleição de 2014, não encontra amparo na repercussão que tal atitude terá no pleito e no último ano do governo petista. Por vários motivos.

A começar pela perda da parceria trabalhista na composição da chapa majoritária. Com a saída do PSB da aliança que deu a Tarso a inédita vitória no primeiro turno de 2010, o PDT passou a ter a preferência dos petistas para ocupar a vaga de vice na reeleição de Tarso. Com a decisão do PDT pela candidatura própria, só resta ao PT decidir entre o PCdoB (parceiro de primeira hora) e o PTB (desgastado pelo episódio da Procempa) para a montagem da chapa majoritária.

Depois, pelo reflexo que a apresentação de chapas diferenciadas terá no apoio à Dilma no RS. PT e PDT estarão fechados com Dilma. Mas em qual palanque ela subirá? Nós dois. Só no do PT? Ou em nenhum dos dois? Isso sem contarmos com a possibilidade de um terceiro palanque, o do PMDB, ainda indeciso entre Dilma e Eduardo Campos. Trata-se de uma “sinuca de dois bicos”. Quem Dilma irá apoiar para governador?

Ainda sobre os reflexos que a decisão da candidatura própria do PDT trará aos interesses do PT, há que salientar a independência que os deputados pedetistas passarão a ter na Assembléia Legislativa. Se mesmo com o PDT na base aliada o governo Tarso está tendo dificuldades para aprovar projetos de interesse do Executivo, imagine com o desfalque do apoio da bancada pedetista.

Dificuldades trabalhistas



Mas se o PT terá dificuldades com a saída do PDT da base aliada, o mesmo se pode dizer do PDT em relação a si mesmo e a composição de parcerias que lhe aumentem o tempo de televisão e, consequentemente, da chance de chegar ao segundo turno.

No primeiro caso, pelo grande racha advindo da divisão da base do partido sobre o apoio à Tarso ou à candidatura própria. Depois, pelas dificuldades em encontrar aliados para a chapa majoritária. Como já decidiu que a vaga de governador e de senador ficará com candidatos pedetistas, sobra somente à vaga de vice para oferecer ao futuro parceiro. Isto, por exemplo, afasta totalmente a possibilidade de aliança com o PMDB e outros partidos que irão apresentar candidatura própria à governador e senador.

Sendo assim, como construir uma chapa de peso? Com o PSD, PSC, DEM, PR e PPS, partidos com quem tem se reunido habitualmente? Pode ser que sim. Neste caso, terá Vieira da Cunha condições de igualdade para concorrer contra as candidaturas de Tarso, Ana Amélia e Sartori? Aparentemente, só com uma grande mudança no cenário que está sendo apresentado pelas pesquisas. Difícil. Sendo assim, será que Vieira manterá a candidatura até o fim ou fará como Fortunati, na eleição de 2002, que renunciou em meio ao início da campanha eleitoral?

Mas nem tudo são dificuldades para o PDT. A aclamação de Lasier Martins como candidato à senador deverá assegurar ao partido, segundo as recentes pesquisas eleitorais, a conquista da vaga. O que será uma vitória. 



Como se percebe, o dia 7 de dezembro tem tudo para representar o início efetivo da campanha eleitoral de 2014. A decisão do PDT mexeu com o tabuleiro político do Rio Grande do Sul. Resta saber agora quais serão os próximos movimentos. 

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Morre Mandela. Nasce uma esperança.


Ele tinha tudo para semear o ódio e a revolta. Afinal, teve uma vida caracterizada  pela  perseguição  política, pela  segregação  racial e pelo sofrimento físico e psicológico de quem passou 27 anos de sua existência enclausurado numa cela de prisão. Mas não. Preferiu ser um ser humano na sua essência de dignidade. 

Fortalecido pelo passado de dificuldades e do amargor pelo sofrimento do seu povo, Mandela, preferiu usar o diálogo como fator de união, e não a força, justificada num suposto direito de vingança. E não faltaram oportunidades para isso. Tornou-se líder mundial e primeiro presidente negro da África do Sul. Um gesto seu poderia significar uma guerra civil no seu país. 

Mas sua grandiosidade moral, sua responsabilidade social e de cidadão do mundo, não lhe permitiu sequer imaginar o sentimento de revolta. Mas fez germinar um enorme desejo de justiça e amor ao próximo. Independente de raça, idioma, sexo e nacionalidade. E propagou essa postura pelo mundo a fora, tornando-se um mensageiro da paz, reconhecido internacionalmente. Via isso como uma missão. 

E esse comportamento simples, humilde e bem intencionado lhe tornou um mito. De superação e civilidade. E coerente com a sua trajetória, Mandela foi grande e forte até mesmo na doença e na morte. Recolheu-se a simplicidade da sua casa e jamais deixou esmaecer o seu sorriso. 

Mandela morreu. Fica o legado. E o bom exemplo. A África dança e canta em agradecimento a sua existência e a sua luta. E o mundo inteiro relembra suas frases e seus ensinamentos. Obrigado, Mandela. Principalmente por nos mostrar que um homem e/ou uma mulher pode ser superior a tudo quando descobre que sua maior riqueza é simplesmente ser humano.