quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Afinal, para que serve a Brigada Militar?





Outrora conhecida pela alcunha de briosa, pela excelência dos serviços prestados ao longo de sua trajetória de quase dois séculos, a Brigada Militar começa a sofrer críticas dos gaúchos pelo comportamento diferenciado que vem tendo nos últimos anos, especialmente a partir dos protestos de junho de 2013. Idealizada para ser um corpo de segurança de nível estadual, com a função primordial de realizar o policiamento ostensivo e a preservação da ordem pública do Estado do Rio Grande do Sul, a Brigada Militar, por sua formação militar (é considerada força auxiliar do Exército brasileiro), tem na hierarquia um dos seus pilares mestres da sua atuação. E, nesse aspecto, a obediência às determinações do governador, considerado “comandante em chefe”, sobressai-se sobre todos os demais interesses. E talvez esteja ai a causa das críticas da população.

Explico. Por ser uma organização policial de caráter eminentemente técnico, o respeito a esta característica pelo seu “comandante em chefe” é condição sine qua non para o bom desempenho de suas atividades. E o governador Tarso Genro foi alem disso. Deu a instituição uma orientação de cunho político. Aliás, repetiu o que fez com a Polícia Federal quando foi ministro da Justiça. Pelo menos é isso que o ex-secretário nacional de Justiça do governo Lula, Romeu Tuma Júnior, escreveu em seu livro “Assassinato de Reputações – Um Crime de Estado”.  Resultado: a Brigada passou a ter uma ação mais contemplativa do que prática. Ou não foi isso que se viu nos protestos de rua no ano passado e agora na greve dos rodoviários?

Não estou defendendo o uso da força. Mas a obediência irrestrita da lei. Sob pena dos irresponsáveis se sentirem autorizados à baderna. Ou o que é pior, os bandidos perderem o respeito pela força policial. Governos passam. E muitos já passaram pela trajetória gloriosa da Brigada Militar. Ao invés de usar politicamente a Brigada, Tarso Genro deveria investir na qualificação da corporação, na aquisição de novos e modernos veículos e equipamentos, e na melhoria dos salários dos brigadianos. Por falar nisso, quando foi a última vez que você viu um PM na sua rua?


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