quinta-feira, 11 de dezembro de 2014


Sobre o relatório da Comissão da Verdade.

Todo regime de exceção é danoso à sociedade. Por ser uma imposição de uma minoria. E assim foi a Revolução de 1964. E outras que a antecederam. E também às que continuam acontecendo no silêncio do anonimato. É por isso que me preocupa mais as causas que geraram essas distorções sociais do que a penalização dos seus protagonistas.

Excepcionalizando à saciedade de vingança dos familiares e amigos das vítimas, que outro benefício traz a condenação a posteriori dos líderes opressores? Aliás, revisar a história com o intuito de punir alguns dos seus personagens é privilégio apenas das gerações mais próximas dos eventos. E as anteriores? Onde está o clamor popular pela condenação histórica dos responsáveis pelas milhares de vítimas da chamada Revolução Farroupilha? Para ficar apenas neste exemplo. Revisar a história é apontar erros objetivando impedir que sejam repetidos.

O mesmo PT que empunha a bandeira da revogação parcial da Lei da Anistia há muito tempo insufla os movimentos sociais, como o MST e a Via Campesina, a fazerem uso da força em suas operações ativistas. Agora mesmo a imprensa denuncia que militares cubanos estão ingressando disfarçadamente no país para, dizem, formar e treinar guerrilhas populares. Aliás, a tolerância petista para com os regimes autoritários de Cuba e da Venezuela não condiz com o seu esmero pela condenação dos líderes militares de 64.


Para acabar com os regimes de exceção é preciso eliminar primeiro a cultura do ódio e suas ramificações autoritárias, como a corrupção e a intransigência. O passado já passou. Tentar modifica-lo dando-lhe feições contemporâneas é desenterrar múmias, misteriosas em sua essência. O Brasil, essa grande nação, que possuiu um povo operoso, generoso e alegre, não pode se transformar num país da desordem e do atraso. Por isso, ao invés de gastar energia tentando reconstruir o passado, o melhor seria empenhar-se na construção do futuro.  Para o bem das futuras gerações.

Corrupção se combate com cidadania.

Nunca se roubou tanto no Brasil. É o que mais se tem ouvido ultimamente. Mas será verdade? Não tem como comprovar isto. Afinal, desde a sua descoberta o país sempre se viu envolvido em denúncias de corrupção. E mais. Desviar dinheiro público nunca foi primazia dos governantes ou dos políticos. É que para ter corrupção é preciso ter corruptor e corrupto. E a história mostra que ninguém exerceu com mais interesse o papel de corruptor do que os maus representantes da iniciativa privada, enquanto prestadores de serviço e executores de obras para a União, Estados e Municípios. Uma histórico indesejável para qualquer país sério.

A incidência permanente de casos de fraudes mediante o mau uso do dinheiro público me leva a crer que a corrupção no Brasil é endêmica. Com metástase espalhada por todos os segmentos sociais. A tal ponto e em tal quantidade que pode ser confundida como algo natural na cultura política e econômica do país, o que acaba vulgarizando essa grave distorção comportamental e ética. Corrupção é crime e como tal deve ser vista e combatida. Jamais tolerada. Sob pena dessa passividade se transformar em omissão e até conivência.

Mas a intolerância à corrupção não significa radicalismo exacerbado, embora a intransigência nesses casos deva ser total. Apropriação indevida de dinheiro público é crime sempre, independente do volume de recursos desviado. É por isso que as tais penas exemplares, ao contrário do que tem sido dito, nem sempre são educativas. Prova disso foi o que aconteceu com os principais condenados no caso do Mensalão, que por maior que tenha sido a repercussão midiática, não chegaram a completar um ano em regime fechado.

Mas isso não pode ser visto como a comprovação de que por vezes o crime compensa? Jamais. Até porque a condenação e a exposição pública acabam por macular permanentemente aquele que é o maior patrimônio de um político ou de um empresário: a sua credibilidade. No caso dos políticos, o impacto negativo é ainda mais imediato, pois passam a ter seus nomes incluídos como “ficha suja”, o que os torna impossibilitados de concorrer a cargos eletivos.

No Japão, tido como nação desenvolvida, há casos onde o gestor ou político corrupto, ao ser descoberto, comete o suicídio, tal o grau de humilhação que isso lhe provoca. Claro que se trata de um exagero, mas não resta dúvida de que demonstra a conscientização cultural positiva da honestidade, da ética e do comprometimento social. É esse sentimento, na dosagem adequada, que precisa ser inoculado na cultura brasileira.

E para os céticos, o exemplo de que não se trata de uma utopia é a dedicação e a valorização dos brasileiros àquelas que são consideradas paixões nacionais: o futebol e o carnaval. Um povo que consegue ser criativo e obstinado a ponto de transformar essas duas atividades em destaque internacional, como modelo de organização e competência, pode sim fazer o mesmo em outras áreas.
E o caminho passa necessariamente pelos bons exemplos. Que começa na família, passa pela escola e se consolida na atividade profissional, até virar referência comportamental. Diálogo. Essa é a essência de uma nova postura comportamental. Para combater a corrupção é preciso falar sério sobre corrupção. Discutir o que aconteceu com a Petrobrás e que foi resultou na Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Debater a posição do Congresso Nacional na votação do PLN 36/2014, que mudou a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) em vigor e desobrigou o governo de cumprir a meta de superávit primário deste ano, numa operação que envolveu a troca de votos por mais recursos para as emendas parlamentares individuais. Uma espécie de Mensalão Oficial. Discutir a falta de uma fiscalização eficiente para impedir que o leite seja “batizado” por substâncias nocivas à saúde, como aconteceu no Rio Grande do Sul. E falar abertamente da necessidade de punir rigorosamente todos os envolvidos nos episódios de corrupção. Sempre na forma da lei. E cobrar isso das autoridades.

Mas as ações não param por aí. É preciso implantar ações preventivas, que inibam a formação de maus cidadãos. Com a máxima urgência. Sem colocar a responsabilidade exclusivamente nos ombros do governo e da escola. E isso começa em casa, na família. Com franqueza e coragem. Mostrando que mais importante do que o consumismo desenfreado está a busca do conhecimento e a relação fraterna com os familiares, os amigos, os colegas, etc. Valorizar o ser e não o ter.

Como? Cumprimentando o porteiro. Segurando a porta do elevador para alguém entrar. Cedendo o lugar no ônibus para um idoso ou para uma grávida. Devolvendo o troco recebido à mais. Não parando sobre a faixa de segurança. Exigindo seus direitos, como por exemplo a boa aplicação dos recursos arrecadados com o pagamento de impostos. Participando mais da vida escolar dos seus filhos. Unindo a família em torno da mesma mesa para fazer as refeições. Votando no candidato ficha limpa. E muito mais. Só assim, com cada um fazendo a sua parte, dando a sua contribuição, é que será possível sonhar com uma sociedade mais justa, honesta e cidadã.


Diga não à corrupção dizendo sim a retidão, a integridade e a solidariedade. 

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

A culpa não é da imprensa.



Depois de sete horas debatendo as ações a serem implementadas até o final do ano e as causas da derrota do projeto de reeleição, Tarso e seu primeiro escalão de governo concluíram que as principais motivações foram a fragilidade na comunicação do governo e a predominância do sentimento antipetista. A tese é de os gaúchos não ficaram sabendo da efetiva produção das obras e serviços do governo Tarso. Embora concorde que a segunda causa possa ser decorrente da primeira, considero injusta a crítica à comunicação do governo. A produção da área ficou na média dos governos anteriores. E até avançou um pouco, implementando um eficiente sistema na comunicação virtual, mais especificamente nas redes sociais. Se houve equívoco foi pró-governo.

Os problemas de comunicação do governo - e aí me refiro a todos os governos – é a mentalidade de que a divulgação dos seus atos pela mídia tradicional é sempre aquém da sua expectativa. Então dele crítica à atuação dos veículos. Direta ou indiretamente. O interessante é que a contestação dos governantes de hoje foi o elogio de ontem, quando estavam na oposição e usavam a mídia para espraiar suas críticas e denúncias. Como esperar privilégios de alguém que você um dia adulou e no outro espezinhou? No caso específico do PT, por exemplo, como esperar um pacote de bondades do Grupo RBS se o partido propagou aos quatro cantos do Rio Grande que a RBS mente? Vai ter tão somente a garantia da neutralidade. Nada mais. A boa relação da comunicação governista com a imprensa independente depende fundamentalmente do trato político que é dado nas relações institucionais. Respeito gera respeito. Divergir não é necessariamente se opor. Ser solícito quando precisa e desrespeitoso quando a necessidade é do veículo é considerada falta grave pela imprensa, passível de no mínimo de cartão amarelo.


Os partidos precisam urgentemente profissionalizar suas áreas de comunicação. De nada adianta primar pela produção de um conteúdo eficaz do ponto de vista político e gerencial se houver erro na forma de efetuar a sua divulgação para a sociedade. Os responsáveis pela comunicação precisam participar das grandes decisões, desde o nascedouro da ideia até a sua implementação. E serem ouvidos e respeitados. Não basta ser uma boa proposta, ela tem que parecer ser uma boa proposta. E quem sabe fazer isso é o profissional de comunicação. Colocar a culpa nos profissionais de imprensa, sejam eles públicos ou privados, é o primeiro passo em direção a um novo fracasso.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

A arremetida do PSB.


Com todo o respeito ao trocadilho, que não se propõe atrevido, mas ilustrativo, a morte de Eduardo Campos fez o PSB literalmente arremeter o rumo da sua campanha. Se já não era fácil conciliar o arranjo político montado para compor com a Rede de Marina Silva e atingir a condição de terceira via da eleição, as tratativas para montar uma chapa póstuma expuseram uma estrutura que por pouco não se caracterizou como fisiológica e emocional ao invés de pragmática.
A começar pela rapidez com que Marina foi confirmada como substituta de Eduardo Campos. Tanto no que se refere ao convite como a aceitação. Talvez ela tenha considerado a tragédia de Santos como uma providência divina para concorrer à presidência da República, em conformidade com a explicação que deu para a sua ausência no fatídico voo.
Outra situação peculiar foi a atitude adotada pela família Campos. Tanto antes como depois do enterro. Uma viúva com nítida depressão traumática, que a impediu de chorar, vestiu os filhos com camisas com expressões políticas pronunciadas pelo finado esposo, colocou-lhes chapéu de palha, incentivou-os a pratica de atitudes ideológicas, como braços erguidos e punhos cerrados, e adotou uma postura de protagonista de ocasião.
Sem nenhuma participação político-partidária expressiva, apesar de ser filiada ao PSB há bastante tempo, Renata Campos surfou nos últimos dias com a possibilidade de ser a vice na chapa de Marina Silva. Com declarações dúbias, a viúva parecia mesmo disposta ao desafio, o que provocou um intenso debate nacional sobre a possível intenção. Ainda bem que sua consciência ou alguém com influência sobre ela, fez com que a razão se sobrepusesse a emoção. Desistiu da possibilidade de ser vice de Marina. Não sem antes ungir sua benção ao nome escolhido, o gaúcho Beto Albuquerque.
Pois bem, passada a fase traumática, é hora do PSB voltar à realidade. Afinal, já se passaram mais de um mês de campanha e a propaganda eleitoral gratuita até já iniciou. Ao que tudo indica, a troca de Eduardo por Marina terá maior aceitação popular. Não apenas pela pesquisa extemporânea realizada durante o velório do ex-governador de Pernambuco, cujos resultados servem para análises também momentâneas e onde Marina aparece como vencedora da eleição no segundo turno, mas principalmente pelo seu desempenho na eleição de 2010, onde recebeu cerca de 20 milhões de votos, algo próximo a 20% do total de eleitores votantes. Para se ter uma ideia, isso representa mais do que o dobro do percentual recebido por Eduardo Campos na última pesquisa Ibope (9%).
Mas como eleição não é uma ciência exata, matemática, a bagagem política e comportamental de Marina tende a ser acrescida pelos atos praticados nos últimos quatro anos, o que certamente terá influência no seu desempenho como candidata cabeça de chapa. E ai entra a sua obstinação pela criação da Rede Sustentabilidade, sua radicalização ambiental e oposição ao agronegócio, sua contrariedade ao aborto e ao casamento gay, e outras mais.
O certo entretanto é que seu papel de protagonista já está garantido. Com ela na disputa a realização de um segundo turno é a tendência mais natural. Se terá condições de se apresentar como opção concreta e viável para vencer a eleição aí é outra conversa. Vai depender do seu desempenho enquanto candidata. E contra isto pesa o seu pouco tempo de televisão.

Mas em contrapartida nenhum outro concorrente tem o inventário emocional quer ela possui, herdado pela morte de Eduardo Campos. Caso esse fator seja decisivo para que ela se sagre vencedora, poderá ser considerado um acerto da previsão do filósofo francês, Augusto Comte, de que “os vivos são sempre e cada vez mais governados pelos mortos”. Ou como Marina gosta de dizer, “uma providência divina”.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

O zoom da fotografia do momento.


Pesquisa Datafolha coloca Marina da Silva em segundo lugar na corrida presidencial. Nenhuma novidade. Tudo como previsto. Uma pesquisa realizada em meio ao impacto emocional da morte de Eduardo Campos só poderia apresentar um resultado desse tipo. Por isso não se deve dar a pesquisa a importância que ela não tem. Senão vejamos: Na pesquisa Datafolha de 17/7 Dilma apareceu com 36%. Na de hoje, manteve os 36%. O mesmo ocorre com Aécio, que um mês atrás tinha 20% e hoje mantem os 20%. Então de onde veio o crescimento de Marina se em 17/7 Eduardo Campos tinha 8% e agora ela aparece com 21% ? Dos eleitores que se declaravam indecisos e daqueles que responderam que anulariam o voto ou votariam em branco (vejam quadro abaixo).

Ou seja, daquele universo de eleitores que já tinha sido afetado pelo apelo emocional e que após a morte de Eduardo Campos se deixaram levar por novo apelo emocional. Tudo passageiro. Momentâneo. Basta o impacto midiático voltar ao normal para que os percentuais das pesquisas (especialmente a do Datafolha) retornem ao patamar científico. 

Mas uma coisa ficou clara. A entrada de Marina na campanha vai mesmo mexer no tabuleiro da eleição. Vamos esperar o início da propaganda de rádio e TV e a realização de novas pesquisas para saber o quanto. De imediato, o que dá para prever é a concretização do segundo turno. Com quem? É esperar para ver.






quinta-feira, 14 de agosto de 2014

O protagonismo do(a) vice.



Dia desses assisti a um vídeo onde um tal de Carlinhos, apresentado como o vidente que previu a vitória da Alemanha na Copa do Mundo no Brasil, dizia que Aécio Neves seria o vencedor da eleição para a presidência da República em 2014. E mais. Que em segundo lugar viria Dilma, derrotada por uma pequena margem de votos. E em terceiro viria Marina da Silva. Pirado, ignorante ou farsante, pensei na hora. Nem sabe que Marina é vice de Eduardo Campos. Pois não é que Marina, com a morte do ex-governador de Pernambuco, poderá realmente disputar a eleição na condição de cabeça de chapa!

Claro que não estou dizendo que a previsão do tal Carlinhos irá se concretizar. Não tenho como creditar tal sandice a uma pessoa que chama Aécio de Aélcio. Mas as coincidências históricas sobre o aproveitamento dos vices me fez pensar na correlação entre fatos passados e atuais. No Brasil sete vice-presidentes já assumiram a titularidade tendo como motivos a renúncia ou a morte do presidente da época. Os mais recentes foram Café Filho (suicídio de Getúlio Vargas), João Goulart (renúncia de Jânio Quadros), José Sarney (morte de Tancredo Neves) e Itamar Franco (renúncia de Fernando Collor de Melo).

Faço essas referências para o que denomino de “síndrome do vice”, uma ação imprevista que faz com que um cargo pouco valorizado numa campanha eleitoral e de pouca expressão no transcorrer de um mandato, como é o caso do vice, se torne protagonista. E no Brasil a história tem demonstrado que sua incidência é cada vez mais frequente. Não estou dizendo, no caso de Eduardo Campos, que Marina irá ocupar a presidência da República. O que penso é que sua ascensão à cabeça de chapa da coligação Unidos pelo Brasil (PSB – PPS – PHS – PRP – PPL –PSL) tem condições de influenciar no resultado final da eleição. Muito mais do que se tivesse permanecido na condição anterior, de vice.


Se vai ser eleita ou se ficará em segundo ou terceiro lugar é algo que não se pode dizer, pelo menos cientificamente. Arriscar um palpite no cenário atual é “chute”. E isso eu deixo para o Carlinhos. 

sexta-feira, 1 de agosto de 2014



Efeito bumerangue

Petistas usam as redes sociais para mentir sobre a participação de Ana Amélia Lemos no governo Yeda. E para confundir publicam fotos da campanha de 2010 onde ela aparece junto com Yeda. É a velha tática maquiavélica e anti-ética do PT de tentar desconstituir imagens através da mentira. É de se perguntar: de uma olhada nas fotos e responda se Tarso Genro, por ter integrado o mesmo governo de José Dirceu pode ser considerado corrupto? E por ter ajudado no exílio de Cesari Battisti pode ser considerado terrorista?







terça-feira, 22 de julho de 2014

O que as pesquisas não mostraram.



Juro que não é mania de perseguição. É apenas constatação. Resultado de um exercício lógico de pensamento. Por que é tão difícil repetir comportamento quando uma pesquisa não favorece o governante de ocasião? Refiro-me as duas pesquisas que colocaram Ana Amélia Lemos a frente do governador e candidato a reeleição, Tarso Genro. Na primeira, que apesar de registrada no TRE, o contratante (Cia. Jornalística Caldas Jr.) decidiu não publicá-la. Ou seja, dar-lhe publicidade. Nela, dizem algumas fontes privilegiadas, Ana Amélia aparece bem à frente de Tarso, superando a marca dos 40 por cento, e Tarso com uma avaliação que não chega à 30 por cento.

Na outra, publicada na ZH dominical, a análise aparece incompleta, pois não apresenta a simulação de segundo turno. A coincidência com a que não foi publicada? Ana Amélia aparece bem à frente de Tarso. Mas o mais inquietante foi a explicação dada pelo jornal: “O Ibope não fez a simulação do segundo turno porque está é a primeira rodada depois do registro das candidaturas”. Como assim? Então não é mais o contratante que define o objeto de interesse da pesquisa?


 Estranho, tudo muito estranho. E o pior, sem nenhuma explicação plausível. Então é de se perguntar:  Onde está a tal transparência defendida pelas duas empresas de comunicação quando o foco é o poder público? Onde foi parar a coerência e a imparcialidade, bases do jornalismo isento e responsável? Depois não digam que tiveram o cuidado de não influenciar na decisão final do pleito. Desse jeito vai ser difícil de acreditar.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Qual sua avaliação para o Rio Grande?



Todos sabem. Na avaliação escolar para ser aprovado por média a nota mínima necessária é sete. Menos do que isso é recuperação. E se a nota for abaixo de cinco é reprovação na certa. Pois bem, assim como no ensino, na política, a avaliação se reproduz com a mesma exigência. Faço a referência para comentar a avaliação do desempenho do governo Tarso Genro e do próprio governador apresentada na pesquisa Ibope/ZH divulgada no último domingo (20/7). Nela, a aprovação do governo Tarso foi de 50%. Ou seja, metade dos entrevistados consideram que Tarso faz um bom governo. A outra metade pensa o contrário, que o governo não é bom. Da mesma forma, quando solicitado ao pesquisado que desse uma nota para Tarso, a média das respostas foi 5,5. Nos dois casos o governo e o governador não passariam por média, ficariam em recuperação.

Ora, é muito pouco para um estado que já foi considerado exemplo nacional em educação e agricultura, para ficar apenas nestas duas importantes áreas. Além disso, é preciso lembrar que Tarso se elegeu, ineditamente, em primeiro turno. E o que se viu na campanha foram promessas que lembravam o alcance do “céu”, a solução de todos os problemas. Interessante que uma das promessas foi justamente a aplicação do “piso” do magistério.

 Passados quase quatro anos, sem que a maioria dos compromissos fosse cumprida, a avaliação reproduzida na pesquisa Ibope/ZH até que foi complacente com o governador. Mas aí é que está o X da questão? Os gaúchos merecem um governo regular? Ou merecem um bom governo? É por isso que devemos tomar muito cuidado com a campanha eleitoral. Nem sempre o melhor candidato será um bom gestor, no caso um bom governador. O PT, por exemplo, passou por média nas duas campanhas eleitorais que conduziram Olívio e Tarso ao Palácio Piratini, mas foi praticamente reprovado quando precisou mostrar competência para administrar o Estado.


Nesta eleição, inclua entre as suas análises pessoais as perguntas: que Rio Grande eu quero para mim e para a minha família? Pequeno ou grande? Regular ou bom? Eficiente ou mais ou menos eficiente? Depois de encontrar suas próprias respostas procure um candidato que lhe dê a garantia de similaridade de pensamento e vote nele. 

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Uma eleição de futuro e não de passado.




Uma das máximas de qualquer campanha eleitoral é a aposta no esquecimento. Na falta de memória do eleitor. Não que isso não aconteça. Infelizmente sim. Mas os exemplos de que a nossa adolescente democracia e a nossa infantil redemocratização estão avançando são inquestionáveis. Não nos conformamos mais com a esmola governamental. Queremos mais. Cada vez mais. E cobramos isso. Nem que seja no grito das ruas. E tudo indica que será também nas urnas. Pelo menos é o que mostram as pesquisas e os protestos nas redes sociais.

Faço essa referência pelas notícias políticas dos jornais desta segunda-feira. Nelas leio, por exemplo, que o candidato do PMDB ao governo do Estado, José Ivo Sartori, é apresentado como terceira via para uma possível polarização entre Tarso e Ana Amélia. Sob que argumento? Por ter sido bem sucedido na prefeitura de Caxias e por possuir experiência parlamentar. Ora, se fosse por isso, o Fogaça deveria ter ganho a eleição passada. Quer mais currículo e experiência executiva do que ele? E não foi isso o que aconteceu. Da mesma forma a posição de neutralidade, de paz e amor modelo Rigotto, prometida por Sartori, não me parece coerente com o clamor das ruas, que pede comprometimento e atitude dos seus governantes.

O mesmo ocorre com as notícias advindas da convenção estadual do PT. Nelas, Tarso aposta suas fichas na ideologização e na comparação com os governos que o antecederam. Ora, buscar o debate ideológico num momento em que a população expulsa a militância partidária dos protestos das ruas é querer impor a sua suposta realidade a veracidade dos fatos. Mero argumento de marketing. Igualmente, querer se mostrar empreendedor em meio a piora dos serviços públicos, tais como a péssima manutenção das rodovias e aumento dos índices de criminalidade, é tripudiar sobre o contribuinte, que muito paga e pouco recebe. E o que falar então do crescente e preocupante déficit do erário estadual.


O grande erro do enfoque dos dois candidatos, ao meu ver, é a busca do convencimento do eleitor tendo como base o passado. Numa época em que o eleitor considera o Bolsa Família como uma conquista perene, de sua propriedade, buscar o convencimento pelo que foi feito e não pelo que vai fazer para melhorar a qualidade de vida das pessoas é chover no molhado. Os gaúchos clamam por mudança. Por avanços. Quem provar que pode fazer mais ganha a eleição. E não adianta mentir, fazendo promessas sedutoras, pois a memória recente do eleitor não vai permitir que ele caia novamente na mesma armadilha. 

Sem dúvida teremos uma das melhores e mais produtivas eleições dos últimos anos.

sexta-feira, 20 de junho de 2014



O PAC da mentira.




PT promete lançar no transcorrer da campanha eleitoral o chamado PAC Estadual da Infraestrutura. Os investimentos prometidos serão da ordem de R$ 2 bilhões. Ocorre que a origem dos recursos será a renegociação da dívida do Estado para com a União. Como assim? Mais uma promessa baseada na ilusão? O Governo Federal não cogita a possibilidade de tratar do assunto. Como alguém que não consegue sequer tapar buracos nas estradas pode achar que tem credibilidade para prometer fazer mais do que isto? As pesquisas mostram que os gaúchos não confiam mais no governo petista, mas será que os prefeitos irão cair novamente nesta cantilena enganadora de Tarso? Para refrescar a memória dos esquecidos lembro a declaração de Tarso no início do seu terceiro ano de governo: “o secretário que disser que não existe dinheiro para tocar seus projetos estará mentindo”. O anúncio do PAC mostra que o mentiroso era outro.  

terça-feira, 17 de junho de 2014

Torçam pelo Brasil e calem a boca.



Estou me lixando para os fanáticos por futebol que por estarem excitadíssimos com a realização da Copa do Mundo no Brasil não aceitam crítica a realização do caríssimo torneio. Entre seus comentários desabonadores aos críticos do evento, prefiro dar importância as manifestações dos profissionais que estiveram em outras Copas e que dizem, por exemplo, que a África do Sul realizou o evento com muito mais competência e aproveitamento. E aí querem que acreditamos no que Dilma diz, que está será a Copa das Copas, frase que nos ridiculariza internacionalmente. O Brasil é case de sucesso só para o PT.

É preciso que os brasileiros aprendam a criticar e cobrar. Chega de contemplação e de inércia. É por conta desse imobilismo que vulgarizamos os alarmantes índices de mortalidade no trânsito e de latrocínios. E ao contrário do que pensam nos países desenvolvido, os brasileiros não são bobos. Sabem que o governo faz muito pouco pelo muito que arrecada em impostos. Por incompetência e por uso indevido dos recursos públicos. É por isso que até as obras da Copa não foram concluídas a tempo e as que foram apresentam problemas de acabamento e superfaturamento.

Mais do que estádios cheios de torcedores, prefiro ver as ruas lotadas de manifestantes clamando pela melhoria dos serviços públicos. Defender o lazer da Copa como recreio para o inferno do cotidiano é rir-se do próprio azar. A máxima do pão e circo, no caso futebol e bolsa-família, não vai resolver as graves carências das áreas da saúde, educação e segurança, setores de responsabilidade direta do Estado.


Pelo que se sabe, os ganhos com a Copa ainda estão aquém do esperado. Os hotéis não lotaram. O comércio e os serviços não tiveram o incremento financeiro desejado. O tal legado da Copa, portanto, se acontecer, ficará para depois da Copa. Então, o mínimo que os apaixonados por futebol devem fazer é calar-se diante das críticas dos mais lúcidos.  Que vão gritar seu gol sem abafar a voz dos críticos.  

terça-feira, 10 de junho de 2014

Quando o ataque não é a melhor defesa.



A tímida e constrangedora tentativa de Tarso Genro de contrapor-se a legítima indagação da senadora Ana Amélia Lemos, manifestada na propaganda política do PP, do por que o governo  não estar fazendo a sua parte, uma vez que o cidadão e a cidadã gaúcha estão fazendo a sua, comprova que o petista acusou o golpe. Mas ao invés de provar o contrário, Tarso tenta fazer cobrança similar, questionando o desempenho de Ana Amélia Lemos no Senado. Que o PT erre na gestão do Estado é compreensível, pois já é reincidente nisso (vide governo Olívio Dutra), agora errar na estratégia política é que surpreende. Não faz parte do histórico do PT cometer equívocos no ataque implacável aos seus adversários. Especialmente em ano eleitoral.

Vejamos. Tarso cobra de Ana Amélia sua atuação na defesa dos pequenos produtores rurais, tentando carimba-la como aliada dos grandes produtores. Como assim? Onde está o embasamento dessa premissa? No preconceito? Claro que não, Ana Amélia é de origem humilde, filha de pequenos produtores rurais, já tendo colocada a mão na terra para produzir o alimento que ia para a mesa da família. No interesse econômico? Fosse assim ela teria se dedicado a atividade primária e não a profissão de jornalista, onde obteve carreira bem sucedida.

Aliás, foi por causa dos seus comentários profissionais oportunos e pontuais que ela ganhou fama de especialista em agronegócio, segmento econômico responsável por expressiva parcela do PIB do Rio Grande do Sul. Ou alguém pode duvidar do significado do agronegócio para o desenvolvimento do estado? Até mesmo Tarso tem se valido das safras recordes para tirar proveito político. Então que balela é essa de tentar classificar Ana Amélia de representante do agronegócio? No máximo o que se pode dizer da sua atuação na área é de que ela representa, e muito bem, a defesa do setor primário gaúcho como um todo.

Ao invés de atacar a senadora, Tarso deveria explicar por que não cumpriu com as suas promessas de campanha, que de tão sedutoras, deu-lhe a inédita vitória em primeiro turno. Criticar a atuação de Ana Amélia enquanto senadora é chover no molhado. Sua atuação no Senado da República, na primeira parte do seu mandato, deu-lhe reconhecimento no mundo político e fora dele. Internamente foi escolhida como uma das parlamentares mais influentes do Congresso Nacional e diversas vezes indicada como destaque político nacional.

São inúmeros os projetos apresentados por Ana Amélia que tiveram grande repercussão social, especialmente os ligados à área da saúde, mais especificamente no tratamento do câncer. E foi graças ao seu trabalho e ao seu permanente interesse em solucionar problemas que há décadas causam prejuízos ao cidadão, que Ana Amélia conseguiu se destacar numa área tão desacreditada atualmente, como é o caso da política.

O conhecido estrategista militar chinês, Sun Tzu, em seu livro “A arte da guerra”, disse que uma das medidas para se vencer uma batalha está em não interromper o inimigo enquanto ele estiver cometendo um erro. É o que pode recomendar neste momento em que Tarso gasta energia tentando criar um estereótipo fantasioso da senadora Ana Amélia. Mas as pesquisas de opinião e os comentários ouvidos nas ruas indicam que o foco petista está equivocado na sua intenção. O eleitor, especialmente o gaúcho, já está vacinado contra as estratégias diversionistas do PT. Já sabe que não deve acreditar em tudo o que o PT fala. E mais, não quer saber de bate-boca eleitoral e muito menos de agressões pessoais. O que o eleitor quer mesmo é saber quais são as propostas reais dos candidatos para lhe proporcionar melhores serviços públicos e uma vida mais digna.


E é aí que a situação de Tarso, enquanto candidato a reeleição, se agrava. Falta-lhe credibilidade e imagem de gestor eficiente. Então realmente não lhe resta outra saída senão tentar desviar o foco, acusando os adversários dos defeitos que são seus. Ao contrário do que acontece no futebol, nem sempre o ataque é a melhor defesa. As urnas vão acabar comprovando que isto vale também para a política.  

segunda-feira, 9 de junho de 2014

O PT vai mal? A culpa é da imprensa.




Tem momentos na vida que o melhor é pensar uma, duas, dez, cem vezes antes de transformar um pensamento em palavras. Hoje é um desses. Acabo de ler no site Sul21 uma entrevista de Tarso Genro onde ele destila toda a sua arrogância e desfaçatez.  Disse, com todas as letras possíveis, que a campanha eleitoral vai permitir que os gaúchos fiquem sabendo da excelência do seu governo, até então ignorado pela mídia. Até parece (e é) coisa orquestrada. Há poucos dias Lula, de passagem pelo estado, disse que nunca um presidente da República foi tão maltratado pela imprensa como Dilma Rousseff está sendo.  Ou seja, o PT já tem montada a sua estratégia para explicar seus fracassos e desvios de conduta. A culpa é da imprensa.

Como assim, cara-pálida? Então foi a imprensa que inventou o Mensalão, que Lula e o PT dizem não ter existido? Foi a mídia que realizou a transação lesa-pátria que resultou num enorme prejuízo financeiro à Petrobrás e aos cofres da nação? Para ficar apenas nesses dois casos. E a nível regional? Foi a imprensa que prometeu implantar o piso salarial para o magistério? Foi a mídia gaúcha que transformou as estradas conservadas em vias esburacadas, usando como argumento  a mentira de que o pedágio público traria mais benefícios que o pedágio privado?  É a imprensa que está afundando o estado em dívidas cada vez maiores?

Então que história é essa de por a responsabilidade na imprensa pela ameaça do fim da era petista na imprensa? Eleição existe para que o eleitor faça um balanço do acerto e dos erros de seus representantes. Que culpa tem a imprensa se os erros foram maiores que os acertos. É natural que todos os governos se queixem da imprensa. Ainda mais o PT, que se acha mais realista que o rei. Mas em nenhuma época a imprensa foi apontada como culpada pelos fracassos governamentais.

A régua para medir um bom governo não é a centimetragem alcançada nos jornais. Muito menos o tempo de exposição nos telejornais e de radiojornalismo. O que mede a eficiência de um governo é o índice de  aceitação popular gerada pelos bons serviços públicos prestados. Ou o PT ainda considera que o eleitor é apenas um detalhe, matéria-prima de fácil manipulação? Os tempos mudaram. E nisso a imprensa tem realmente sua participação. O eleitor, graças a Deus, já está pensando no que lê, ouve e vê.  E, por isso, não acredita mais nos falsos messias e nem nas promessas milagrosas.  

O PT, que pensa que o dinheiro compra tudo, esquece que consciência não tem preço. E que apesar de investir muito pouco em Educação tem gente que aprendeu a pensar. As pesquisas de opinião mostram claramente que a imprensa é uma das instituições de maior credibilidade, ao contrário da política e dos políticos. Nada contra estes dois segmentos. Pelo contrário, eles são imprescindíveis para a existência da democracia. Mas que políticos corruptos, mentirosos e com outros deméritos não merecem mais a confiança do eleitor, isso é inquestionável. Não precisa que imprensa faça campanha para isto.


O PT bateu no fundo do poço. Sem ter mais discurso para criticar o neoliberalismo, o FHC, o FMI, e outros chavões clássicos, escolheu como ultima bala na agulha a imprensa. Tudo indica que o tiro sairá pela culatra. Acabará virando manchete de jornal e abertura do noticiário de rádio e TV. Aí, na oposição, o PT irá perdoar todos os equívocos midiáticos e passará a ser a o melhor amigo da imprensa. Agora, se permanecer no poder, certamente irá derramar toda a sua ira sobre o atual maior rival. É ver para crer. 

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Lula, por ele mesmo.


Por solicitação, divulgo os principais trechos dos posts que publiquei no meu perfil do Facebook durante a palestra do ex-presidente Lula, realizada no dia 5 de junho, no Hotel Deville, por ocasião da comemoração dos 10 anos da Revista Voto. Está em aspas porque são transcrições fiéis as declarações de Lula.

_________________________________________________________________________________

"Quando assumi a presidência a verba de publicidade era repartida para cerca de 300 veículos. Em 2009 isso foi ampliado para mais de 4.000 veículos. Isto significa democratização da informação oficial. "
Parte superior do formulário
________________________________________________________________________
"A política resolve mais do que a economia"
Parte superior do formulário
________________________________________________________________________
"Doze anos consecutivos de derrota ajudou-me a me preparar para governar este país".
Parte superior do formulário
________________________________________________________________________
“No Bolsa-Família o dinheiro é dado na mão da mulher porque se der na mão do homem ele vai gastar com futebol e cerveja”.Parte superior do formulário
________________________________________________________________________ Parte superior do formulário

"Foi no meu governo que criamos o crédito consignado".
Parte superior do formulário
Parte superior do formulário
________________________________________________________________________

“A bolha financeira dos EUA é mentirosa. Por isso eu disse ao Obama que a dívida americana não foi construída por gente negra mas olhos verdes e azuis, vindos da Europa".
Parte superior do formulário

________________________________________________________________________

"No Brasil de hoje pobre deixou de ser problema para ser solução".
Parte superior do formulário
________________________________________________________________________
"Nem sempre a imprensa diz a verdade. Quando eu falo da imprensa dizem que é agressão, mas quando a imprensa me agride, dizem que é crítica".
Parte superior do formulário
________________________________________________________________________
"Nós fizemos o Brasil virar uma nação. Antes quando um brasileiro ia ao exterior era visto como traficante ou contrabandista. Hoje o passaporte brasileiro é respeitado".
Parte superior do formulário
________________________________________________________________________
"O último presidente a investir em infraestrutura no Brasil foi o Geisel e aí o pais se atolou numa dívida tal que deu a esse período o título de década perdida. Precisou que chegássemos ao governo para nos vermos livre do FMI. Hoje é eles que são nossos devedores."
Parte superior do formulário
Parte superior do formulário
________________________________________________________________________

"Torcedor não quer saber se vai demorar para chegar ao estádio porque não tem metrô ou avenida asfaltada, ele quer saber se o seu lugar está garantido e se vai poder torcer para o seu time".
Parte superior do formulário
________________________________________________________________________

"Nunca o empresário brasileiro ganhou tanto dinheiro".
Parte superior do formulário
________________________________________________________________________

"Temos que acabar com esse complexo de vira-lata que a imprensa reforça todo o dia. Falta só um pouquinho de nada para passarmos da Inglaterra e da França e nos tornarmos a quinta economia do mundo".
Parte superior do formulário
________________________________________________________________________

"Ainda vai chegar o dia em que veremos pobre andando de carro e rico andando de ônibus".
_________________________________________________________________________________

 "Se a dona de casa usar o dinheiro do bolsa família para comprar maquiagem que bom. Deixa. Qual o homem que não gosta de ver a sua mulher bonita?".
_________________________________________________________________________________

“Nunca um presidente brasileiro foi tão maltratado pela imprensa como a Dilma”.
_________________________________________________________________________________

segunda-feira, 2 de junho de 2014

A verdadeira mudança começa pelo eleitor.



Toda eleição é a mesma coisa. Os candidatos, inclusive os da situação, abusam de expressões do tipo mudança, renovação e outras mais. É o que tudo indica estará acontecendo no Rio Grande do Sul nos meses que antecedem as eleições gerais de outubro. Pelo menos é o que se depreende das manifestações geradas pelos já declarados pré-candidatos ao governo do Estado. O interessante é que todos os partidos, com exceção do PSol, já governaram o Estado. Mesmo assim, pelo que se lê, ouve e vê, Psol e renovação não combinam muito bem. E o que mudou? Quais foram os graves problemas estruturais que tiveram solução, ou pelo menos encaminhamento de solução, no período em que estiveram no Palácio Piratini? Que eu me lembre nenhum. Pelo menos na esfera de responsabilidade do Estado, em áreas como a educação, saúde e segurança.

Pelo contrário, os estudos realizados nestas áreas demonstram uma regressão progressiva governo após governo. E olha que a rotatividade nos últimos trinta anos, desde o retorno das eleições diretas, foi intensa. No Rio Grande, o PP (então PDS) governou uma vez (1983 – 1987); o PMDB três vezes (1987 – 1990, 1995 – 1998 e 2003 – 2007); o PDT uma vez (1991 – 1994); e o PT duas vezes (1999 – 2002 e 2011 – 2014).

Mas houveram algumas propostas bem intencionadas que não germinaram graças a cultura do “não fui eu que fiz então não presta”, como o piso salarial de 2,5 salários mínimos para o magistério fixado pelo então governador Jair Soares (PP) e que foi derrubado na justiça pelo seu sucessor, Pedro Simon (PMDB). Da mesma forma, a implantação de uma política de atração de investimentos baseada na parceria estado-iniciativa privada, promovida no governo Britto (PMDB), foi desmantelada no governo seguinte, de Olívio Dutra (PT). E ficamos por aí.

Claro que houveram avanços pontuais, como a implantação do Polo Petroquímico, a montadora da GM, em Gravataí, e o Polo Naval de Rio Grande. Mas isso é muito pouco para um período que envolve três décadas. Mas não é isso que preocupa os gaúchos. E as manifestações das ruas mostram claramente. É a baixa oferta de serviços públicos de qualidade. Se a economia do Rio Grande não consegue aumentar, apesar das safras agrícolas recordes, pelo menos o dinheiro arrecadado poderia ter sido melhor utilizado nas áreas da saúde, saneamento, educação e segurança. Mas não foram.

Mas então quem está falando a verdade quando se refere a mudança para melhor? Bem, ai vai da consciência de cada um. Será o PMDB que nos últimos 30 anos governou 12 e pouco fez? Será o PT, especialista em campanha política mas comprovadamente deficiente em gestão governamental? Ou será que a sedução do eleitor se dará pelo nome do candidato e não pelo partido? Se for assim, a novidade, a mudança, será Ana Amélia (PP), que de todos foi a única que ainda não concorreu a nenhum cargo executivo, como governador e prefeito. Todos os demais já concorreram. Alguns diversas vezes, como é o caso de Roberto Robaina (PSol).

Mas não são estes os critérios que, ao meu ver, devam ser considerados pelo eleitor. Óbvio que o currículo pessoal e político dos candidatos deva ser considerado na hora da escolha. Prometeu e não cumpriu? Está eliminado. Teve oportunidade de fazer e não fez? Fora. Da mesma forma o histórico de cada sigla (na oposição e no governo) deve ser analisado na hora de votar. Mas se a expressão mudança para melhor for realmente a prioridade da eleição, o eleitor deve se ater aos planos de governo, as propostas viáveis de gestão e, principalmente, com a coerência do candidato na sua postura  cidadã, antes e depois de ingressar na política. Está mais do que provado de que ser um político profissional não significa ser um gestor eficiente e responsável. Pode até ser, nada impede, mas não é pré-requisito básico.

Por tudo isso é que recomendo cautela quando você ouvir a palavra mudança. Pode ser que a palavra mudança signifique apenas estratégia de campanha e não sinceridade. O eleitor brasileiro está demonstrando nas ruas que tem maturidade e sensibilidade suficiente para captar essa diferença. Pense nisso. Converse sobre isso. Pode ser o verdadeiro começo da mudança desejada.


quinta-feira, 29 de maio de 2014

O socialismo tupiniquim do PT.


Demorou mas o PT finalmente mostrou a sua verdadeira face. E ela veio em forma de decreto presidencial. O objetivo? Mudar a ordem constitucional fazendo com que a sociedade participe diretamente em todos os órgãos e entidades da administração pública federal direta ou indireta e também nas agências reguladoras, através de conselhos, comissões, conferências, ouvidorias, mesas de diálogo, etc. Tudo isso sob o atrativo rótulo da consolidação da participação social como método de governo.  

Ou seja, o decreto visa substituir a democracia representativa, estabelecida pelo Constituição de 1988, por um novo sistema de participação direta. Em outras palavras, acabar com a importância do Congresso Nacional , e decidir de acordo com a vontade de grupos  identificados com a ideologia do governo de plantão. 

É o que podemos denominar de revolução branca, onde o domínio socialista se dará “pacificamente”, resultante de um povo dócil, onde a maioria da população, por não ter tido acesso a uma educação de qualidade, não aprendeu a pensar. Uma fórmula que irá dispensar eleições, pois o voto individual não terá importância alguma. Resumindo, o PT perdeu a vergonha e já não disfarça mais suas más intenções.

Pois é ai que eu quero chegar. Foi justamente aqui no Rio Grande do Sul que o ovo da serpente petista foi chocado. Lembram do Orçamento Participativo, criado no governo petista de Olívio Dutra? Um governo que de tão ruim fez com que o PT não permitisse que Olívio disputasse a reeleição? Pois não é que esse período acabou transformando o Rio Grande num laboratório, uma espécie de incubadora, da estratégia nacional do PT, hoje “espraiada” como solução milagrosa para resolver todas as mazelas da população.

Como gaúcho tenho vergonha disso. Como pudemos permitir tal insensatez?  E o pior, como fomos tolos ao dar nova chance ao PT, em 2010? Como brasileiro tenho vergonha, por não termos nos dado conta disso e mantermos o PT no Palácio do Planalto por 12 anos consecutivos.

Tirem as bolsas filantrópicas do PT e me digam o que foi feito de importante no país nesse período.  Onde está o crescimento tão propalado? Onde está a educação de qualidade? A saúde eficiente? A segurança necessária? Onde foi parar a miséria, que o PT diz ter acabado? Daqui a quatro meses teremos eleições. Preparem-se para o domínio dos marqueteiros a serviço do PT. Vão mostrar que o Brasil é o paraíso terreno. Vão mostrar que o Mensalão, como diz Lula, não existiu. Que a compra da refinaria de Passadena foi o melhor negócio já realizado pela Petrobrás, Que a volta da inflação nada mais é do uma praga plantada pela oposição. E muito mais. Mas por via das dúvidas, vão esconder a estrela símbolo do PT.


Enquanto o PT dorme em berço esplêndido, certo de que o povo brasileiro está sob controle, sinto no ar o sopro da mudança. Nada dura para sempre. Nem mesmo a tolerância do pacífico povo brasileiro. Nem mesmo a ditadura do PT. Oxalá esses ventos virem tempestade e dela resulte a bonança tão sonhada. Acorda Brasil.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Lula vem aí. E daí?



O PT-RS acertou a vinda de Lula para o ato de lançamento da coligação PT – PTB – PCdoB,  que será realizado no dia 6 de junho. A presença do ex-presidente é vista como fundamental e decisiva para a sorte de Tarso Genro na busca da reeleição. Outras vindas ao estado inclusive já estariam acertadas. Trata-se, ao meu ver, de mais uma tentativa do PT gaúcho (a mais recente é a indicação de Olívio para a vaga de senador) de buscar no passado a cura para os males do presente. Uma espécie de tentativa de reedição do PT bem sucedido e ainda desprovido das mazelas da corrupção e da ineficiência gerencial comprovada. Como se isso fosse possível.

Claro que a presença de Lula é importante para as pretensões de Tarso. Mas não podemos esquecer que Lula perdeu para Alckmin no RS em 2006. Ou seja, o PT aposta em alguém que não conseguiu sair-se vitorioso na sua própria candidatura. Fenômeno este que se repetiu em 2010 com Dilma, que foi derrotada por Serra, no Rio Grande do Sul.

Vejo nisso tudo (Lula e Olívio) uma clara tentativa de mobilização interna do PT. Uma espécie de sopro no braseiro acinzentado. O curioso é que ao mesmo tempo que busca o apoio de líderes históricos o novo (?) PT esconde sua principal marca: a estrela. Quem não lembra da propaganda eleitoral do PT nas duas últimas eleições? Na eleição de Tarso, por exemplo, a estrela foi substituída por um globo terrestre. O que virá agora, após a condenação dos mensaleiros?

Estou deverás curioso para ver qual estratégia o PT gaúcho usará para disfarçar suas mazelas. Será que terão a coragem de continuar se apresentando como os super-heróis da política brasileira e gaúcha? Os paladinos da verdade, da ética e da cidadania? Não acredito. Seria muita cara-de-pau. É ver para crer.


segunda-feira, 26 de maio de 2014

Olívio como candidato a senador
 tira voto de Tarso.



Tudo indica que o PT está preparando uma novidade para o lançamento da nominata que irá compor a chapa majoritária para a eleição estadual. Deve sair a pré-candidata Emília Fernandes, do PCdoB, e entrar em seu lugar o ex-governador Olívio Dutra, do PT. Se tal substituição ocorrer, fica difícil de entender o apoio dos comunistas à Tarso. Não pela afinidade ideológica, mas pela importância do PCdoB na aliança. Adversários na disputa pela prefeitura de Porto Alegre, em duas ocasiões, e tudo indica que em 2016 também, a ocupação da vaga ao senado pelo PCdoB serviria de vitrine privilegiada para o fortalecimento da imagem dos comunistas.

Para o PT, no entanto, a entrada de Olívio na disputa trará novo ânimo a militância. Com uma imagem consolidada de petista histórico e com boa simpatia popular, o já envelhecido galo missioneiro tem tudo para mudar o atual cenário da eleição para o senado, onde Lasier Martins (PDT) desponta nas pesquisas como franco favorito. Com Olívio na disputa acabou a barbada. Olívio hoje, com sua postura independente, onde inclusive teve voz isolada e crítica em relação aos episódios onde o PT é citado em denúncias de corrupção, será um candidato com livre acesso ao eleitorado gaúcho, inclusive entre simpatizantes de outras siglas.

Mas se por um lado Olívio traz novo alento a possibilidade do PT colocar mais uma cadeira no Senado, por outro, acredito, não terá grande importância na agregação de votos para Tarso Genro. Explico. Com um governo apenas regular e com promessas de campanha não cumpridas, dificilmente o eleitor gaúcho irá votar integralmente na chapa petista. Votar integralmente na chapa majoritária é só para governos comprovadamente bem sucedidos. A tendência, ao meu ver, para aqueles que querem votar num candidato do PT, é que a escolha recaia apenas num dos nomes. Ou para Tarso, como governador, ou para Olívio, como senador. O voto nos dois deve ficar tão somente para os petistas de carteirinha. E neste cenário, convenhamos, Olívio tem preferência. O que me leva a concluir que Olívio, ao contrário de agregar votos para Tarso, retira.

Mas como em política nada é definitivo, resta aguardar a confirmação da troca Emília – Olívio. Com a palavra o PCdoB. Nunca os comunistas, numa eleição gaúcha, estiveram diante de um desafio tão significativo. Ou mostram que são fortes e que não são fisiológicos, bancando Emília, ou fornecem atestado de linha auxiliar do PT, aceitando pacificamente a indicação de Olívio.