quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

A segurança pública do RS está sem rumo.



Imperdíveis as colunas do David Coimbra na ZH e do Lak no CP desta quarta-feira. Ambos abordam com propriedade e qualificada análise a crise porque passa a segurança pública do RS. E concluem, como eu, que a área está sendo o calcanhar de Aquiles de Sartori. No que concordo plenamente. Nada está sendo pior do que a política (ou a falta dela) de inércia adotada para o setor. 

Sobre a indagação do Lak do por que o resultado das  medidas de economia adotadas por Sartori não está sendo utilizado para a reposição do efetivo da BM e da PC, ela é por demais oportuna. Que sentido teria todo o sacrifício da população, que a partir deste mês paga mais impostos, e do funcionalismo, que teve congelamento e parcelamento dos salários (sem falar na perda de conquistas), se a economia obtida não resultar em melhorias na prestação dos serviços públicos?

Pois tudo indica que a insensibilidade governamental para as necessidades prementes da segurança pública do RS irá continuar. Sartori deverá assinar hoje a prorrogação do decreto que congela a contratação e nomeação de novos servidores para  a BM e PC. 

Isso me faz decidir por uma quarta alternativa no leque de opções sugerido pela David Coimbra. Relembrando. A primeira é de que Sartori age como um malandro caboclo. Alguém que sabe o que quer mas disfarça para não ser descoberto. A segunda é de que não torna público o que quer com medo das represálias da oposição e que por isso só faz aquilo que não lhe acarreta maior prejuízo político. E a terceira é a de que ele não sabe o que está fazendo e, nesse caso, tudo que está acontecendo não passa de mero casuísmo inconsequente.

Pois é aí que eu incluo a minha quarta opção. Ele sabe o que quer mas não sabe como fazer. E não tem humildade para reconhecer e pedir ajuda. Assim, governa como um motorista inexperiente, que sabe aonde quer chegar mas não sabe o caminho a seguir. Torçamos para que ele pelo menos não cometa muitas barbeiragens. 

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

O Rio Grande precisa que Sartori sonhe alto.




Gente! Ouvi duas vezes a entrevista que o governador Sartori deu está manhã à rádio Gaúcha. E fiz isto para me certificar de que não estava sendo injusto com o que estava sendo dito pelo governador. Que festival de mesmice. Jesus do céu. Nenhuma resposta assertiva. Nenhum comprometimento. Parecia continuidade dos discursos vazios da campanha eleitoral. E já se passou um ano do seu governo. A palavra mais repetida por Sartori foi tranquilidade. Estranho que ele tenha essa sensação em descompasso com o que se ouve nas ruas.

E o mais interessante, ele fala do pouco que fez com o orgulho de quem fez muito. E não antecipa nada sobre os principais problemas que tiram o sono dos gaúchos. Não se compromete com o ingresso de novos policiais para suprir a carência de efetivo da BM e da PC. Não dá nenhum indício de quais rodovias irão receber reparos e nem o elenco de estradas que serão oferecidos à iniciativa privada sob forma de concessão. Nenhuma palavra sobre ações visando a melhoria da qualidade do ensino público estadual. Na saúde apenas um compromisso de acerto de contas com os prestadores de serviço mediante parcelamento das dívidas.

Nem mesmo uma previsão otimista sobre a melhoria do desempenho financeiro em 2016 Sartori conseguiu fazer. Preferiu manter a tal postura de “matar um leão por dia”. E essa tal tranquilidade gerencial, cada vez mais semelhante a passividade ativa, é vista pelo governador como entendida e aceita pela população. Como assim? Eu não sou adepto dessa melhoria em “câmara lenta”.

A tal sementinha plantada para o futuro, repetida incansavelmente por Sartori, diante da gravidade do nosso cotidiano, poderá fazer com que vidas sejam ceifadas antes mesmo dela crescer e frutificar. A dura realidade da crise gaúcha não nos permite ficar apenas com a boa vontade da semente. Claro que diante das dificuldades não podemos sonhar com uma árvore frondosa, pelo menos à curto prazo, mas pelo menos temos o direito de sonhar com frutos temporãos.

E é isso que o governador nos tira a cada manifestação “realista”. O que seria da humanidade sem líderes que sonham alto, pensam grande e agem com destemor e obstinação. O grande Cervantes disse que “quando se sonha sozinho é apenas um sonho, mas que quando se sonha juntos é o começo da realidade”. Está mais do que na hora de Sartori parar de impor pesadelos à sociedade com seu sonho simplório de entregar ao seu sucessor um Estado melhor do que encontrou ao assumir.


Como legítimo representante da maioria do eleitorado que foi às urnas em 2015 ele precisa se juntar ao sonho dos gaúchos. E sonhar alto, sonhar grande, e fazer muito mais do que seus apagados discursos deixam transparecer que irá fazer. E que não venha com a desculpa de que é avesso à promessas duvidosas ou expectativas desnecessárias. As grandes conquistas foram resultado da motivação popular. Saber conduzir seu povo ao destino que ele deseja não é uma benevolência, é uma obrigação que todo governante que se propõe ser líder deve acreditar e realizar.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Descontração incoerente.




A forma como o governador se comporta em meio a maior crise financeiro do RS é no mínimo peculiar. Em nenhum momento maquia a realidade econômica do Estado. Pelo contrário, faz questão de expor o chamado caos do RS de maneira clara e contundente.

Ao optar por um discurso arrasa quarteirão, Sartori parece não se importar com o clima de pessimismo e de desconfiança que se espalha indiscriminadamente pelos quatro cantos do estado. E o pior, que é repetido à exaustão pelos seus secretários.

Mas se por um lado ele se mostra politicamente incorreto, por outro, se mostra coerente com o discurso de defensor da transparência. Tudo estaria dentro da normalidade contextual não fosse a divergência entre o que é dito e a forma como é dito. Pelo tamanho do problema era de se esperar que o governador se comportasse posturalmente de maneira mais coerente. Com menos risos e menos tiradas bem humoradas.

Como explicar que em meio a um descontentamento generalizado como o que está acontecendo com as áreas da segurança pública e rodoviária, e com a entrada em vigor dos preços dos produtos atingidos pelo aumento do ICMS, ele ainda encontre disposição para posar em trajes de banho e todo sorridente na beira da praia de Torres. E pior, com frases do tipo "o povo está feliz". Como se tudo estivesse bem no Rio Grande. 

E não está. Famílias estão albergadas pois as enchentes tomaram conta de suas residências. Pontes e rodovias ruíram parcialmente. Milhares de trabalhadores estão perdendo seus empregos. Detentos estão fugindo dos presídios em plena luz do dia. E muito mais. Portanto , é recomendável que o governador deixe a faceirice para os argentinos que estão aproveitando nossas belezas naturais graças a alta do dólar.

Além do mais, tal postura definitivamente não combina com o discurso sisudo do enfatiotado governador. À menos que acreditemos na tese oposicionista de que ele se comporta como o imperador Nero, que tocou harpa diante de uma Roma em chamas.

Eu pessoalmente não acredito nisso. Minha tese é de que ao assumir repentinamente o governo do Estado, Sartori não teve tempo para se preparar adequadamente e incorporar a fleuma indispensável à função. O político ascendeu de importância mas a simplicidade e ingenuidade do oriundi se sobrepôs ao governador.Com todas as suas qualidades - como a simplicidade e a honestidade - e defeitos - como a teimosia, a desconfiança e a irreverência.


O certo é que a incompatibilidade entre discurso e a postura pessoal dificulta o entendimento sobre o que realmente está acontecendo no Rio Grande. Claro que é bom ser governado por alguém bem humorado, mas para isso tem hora e isso, com certeza, não é agora. Ao agir em descompasso Sartori, indubitavelmente, dá uma grande exemplo de anti-marketing.

sábado, 2 de janeiro de 2016

Afinidade



O editorial da Zero Hora deste sábado, tal a similaridade com o discurso governista, bem que poderia ter sido assinado pelo governador Sartori. 

Justifica todas as ações tomadas como necessárias e imprescindíveis para o equilíbrio das contas públicas sem se preocupar, por exemplo, que a perda de conquistas e achatamento salarial irá se refletir negativamente na motivação dos servidores estaduais e, consequentemente, na prestação de bons serviços à população. 

O mesmo ocorre com o apoio antecipado aos projetos de lei que irão transferir para a iniciativa privada serviços que hoje são executados pelo poder público, como a concessão de rodovias mediante pagamento de pedágio.

O texto não se refere em nenhum momento a total falta de iniciativa para o aumento da receita do erário público. Nem mesmo a única atitude do governo Sartori nesse sentido, o aumento de impostos, que passou a vigorar a partir de ontem.

Claro que a defesa da necessidade de redução da máquina pública, com a transferência de áreas lucrativas à iniciativa privada, é  perfeitamente compreensível sob a ótica de uma empresa (ZH) que tem como objetivo maior a lucratividade e em segundo ligar a informação.

O que é inadmissível é que essa política seja adotada por um ente público. Cortar vantagens de servidores e onerar ainda mais o já combalido contribuinte, fazendo-o pagar mais tributos e pedágios, parece ser uma solução por demais simplista e injusta para que dê bons resultados. Para a sociedade, por supoesto.

O que o editorial não diz, propositadamente, é que o enfraquecimento do Estado é a derrocada da política cidadã, onde o bem estar do cidadão se sobrepõe ao interesse puramente comercial de uma corporação, de uma empresa ou de um empresário.

Vai chegar um momento em que o contribuinte se dará conta do seu papel meramente contributivo e aí, nessa hora, vai se perguntar: Afinal, para que serve o Estado?