quarta-feira, 30 de abril de 2014

A mudança necessária.



As eleições gerais deste ano, a primeira após as manifestações populares de junho de 2013, tem todos os componentes necessários para ser diferente das anteriores. Refiro-me ao indicativo das reivindicações da população, feitas diretamente pelo próprio cidadão. Dentre elas uma se sobressai nitidamente: a melhoria da prestação dos serviços públicos. Especialmente nas áreas de responsabilidade estatal, no caso a saúde, a segurança e a educação. Acrescento nesse elenco de prioridades uma mais recente, que afeta diretamente quem habita as grandes cidades: a melhoria da mobilidade urbana.

Pois bem, entabuladas as necessidades cabe uma pergunta: os candidatos e os partidos que lhe dão sustentação e, principalmente o eleitor, estão preparados para colaborarem com a implantação das medidas estruturais capazes de resolver os nós das áreas problemáticas?

Exemplificando. Os partidos da futura base governista estarão dispostos a reduzir o tamanho da máquina pública? Da mesma forma, os candidatos irão prometer nas campanhas apenas o que terão condições de cumprir?

E os servidores públicos, estarão dispostos a dar sua cota de contribuição para a redução dos gastos em áreas vitais para o equilíbrio das finanças, como é o caso da previdenciária?  Especificamente o magistério, estará aberto às melhorias necessárias para que a qualidade do ensino se sobreponha aos interesses classistas?

E o contribuinte, estará disposto a sair da sua zona de conforto para, por exemplo, usar mais o transporte coletivo e menos o automóvel? Ou selecionar melhor o seu lixo doméstico e reduzir os gastos desnecessários com energia elétrica e água?

E o empresário, irá valorizar a busca do desenvolvimento através da sustentabilidade e do lucro socialmente justo?

Muitos outros exemplos de participação poderiam ser citados, mas o foco sempre estará centrado numa única e importante indagação: estarei disposto a dar minha parcela de contribuição? As grandes transformações sempre tiveram como ponto de partida a conscientização individual. A partir daí é que teve condições de se tornar coletiva. E isso vale tanto para os políticos como para qualquer cidadão.

Os protestos populares nos deixaram como legado o diagnóstico do que precisa ser feito. Não podemos mais nos contentarmos com a simplista posição de observador crítico. Essa é a verdadeira mensagem das ruas: precisamos fazer a nossa parte. Em outras palavras, falar menos e fazer mais.


sexta-feira, 25 de abril de 2014

Povo desunido sempre será vencido.



“Chora, a nossa pátria mãe gentil. Choram Marias e Clarisses. No solo do Brasil.”
O bêbado e o equilibrista – Aldir Blanc

Depois dos cubanos agora são os haitianos que invadem o país com a complacência do governo petista de Dilma Rousseff. Se no primeiro caso o ingresso se deu sob o rótulo da fraternidade médica internacional, no outro, o caso é mais de polícia do que de relações institucionais. E as próprias autoridades brasileiras confirmam isto. "Os haitianos entram clandestinamente no Brasil pelo Acre, mas o destino deles é a região Sul", dizem. E toda essa movimentação patrocinada pelo dinheiro público que o PT jura que é dele. Pelo menos é o que depreende das fraudes descobertas até agora. Ah! E tem as tropas moçambicanas que estão sendo trazidas para ajudar na segurança da Copa do Mundo. É mole?

Que país bonzinho é esse Brasil. Aqui soberania nacional é discurso de neoliberal. Na nova fase da nação sem fronteiras vale tudo. Desde que sejam amigos do rei ou da rainha. Quando no século passado o país foi colonizado por imigrantes, o máximo que eles recebiam era um pedaço de terra para produzir. E como produziram. E como continuam produzindo e ajudando o Brasil a se desenvolver. Mas no caso dos hóspedes do PT a “caridade” é muito maior. Ganham casa, comida, emprego e vaga na universidade. E status de cidadão de primeira classe, coisa que muito brasileiro gostaria de ter e não consegue.

Não me sai da cabeça o grito de ordem dos militantes petistas na chegada dos médicos cubanos aos aeroportos nacionais: “Te cuida, te cuida imperialista, a América Latina vai ser toda socialista”. Lindo não? E o povo tupiniquim só olhando. Sem piscar. Achando o máximo ver Lula ganhar um título de honoris causa atrás do outro nas maiores e melhores universidades do exterior. É o nosso maior cientista. Conseguiu implantar uma ditadura de esquerda sem que o pacífico povo brasileiro se desse conta. E tudo indica que o laboratório do PT tem muito ainda para produzir. Pelo menos é o que as pesquisas dizem quando colocam Dilma como favorita a reeleição.


Que tempos! A era petista vai ficar na história. Muito vai se ler sobre o império da estrela vermelha. Quem diria que o velho e desacreditado socialismo encontraria no Brasil o seu único exemplo de sucesso! Que aqui ao invés de caírem muros caem fronteiras. Até mesmo as territoriais. Preparemo-nos para os dias difíceis que virão. Afinal, somos as cobaias da nova ordem petista. Ou não? 

quarta-feira, 23 de abril de 2014

A imprensa livre faz mal ao PT.



Perfeitamente compreensível a tentativa do PT de controlar a imprensa. É que em uma imprensa livre, a incompetência e a corrupção dos governantes mal intencionados possuem apelo irresistível para a edição de manchetes e reportagens de grande interesse social. E esse papel fiscalizador não interessa aqueles que sobrepõem seus interesses pessoais e partidários aos da população. Governos ruins não aceitam críticas. Menos ainda denúncias.

Como aceitar pacificamente a exposição visceral dos seus principais líderes no episódio do Mensalão? Como suportar a denúncia de que a compra da refinaria americana de Pasadena foi um péssimo e duvidoso negócio, danoso para a economia brasileira? Como tolerar a intromissão da mídia nas transações nebulosas que envolvem a vinda dos médicos cubanos e os financiamentos, via BNDES, de obras em portos de Cuba e do Uruguai? Apenas para ficar nos fatos mais recentes.

Talvez pensem terem esse direito. Afinal, se com uma mão praticam o assistencialismo eleitoral, oportunizando que os brasileiros menos esclarecidos e mais necessitados tenham acesso a programas como o Bolsa-família, Minha Casa, Minha Vida e outros mais, por que não podem, com a outra mão, surrupiar a “pátria-mãe tão distraída”? Uma espécie de versão atualizada da tese “rouba mas faz”.

Esquecem, porém, que o papel da imprensa livre tem dois lados. Num, imprime as más notícias e no outro as boas. Que culpa tem a imprensa se o volume de matéria-prima para a elaboração das notícias más é muito superior ao das boas notícias? Claro que a imprensa as vezes erra. Mas tem a grandeza de reconhecer o equívoco e corrigi-lo. Ao contrário da maioria os governos, especialmente os petistas.

O que os críticos da imprensa deveriam aceitar é que elogio se conquista com trabalho sério, bem intencionado e produtivo. E que o inverso justifica a crítica. Qualquer tentativa de calar a imprensa pelo uso da força e da coação, seja ela de que forma for, é inconcebível e intolerável. Digno de governos totalitários.


Pobre do povo que não pode contar com o apoio da imprensa livre.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Construindo lá o que falta aqui.



Para ver como não dá para confiar no PT. Quando o PSB deixou o governo Tarso o PT apressou-se em creditar ao antigo aliado as mazelas das rodovias estaduais. A ponto de expor publicamente as críticas ao então secretário de Infraestrutura e presidente estadual do PSB, deputado Beto Albuquerque, responsabilizando-o pela não execução de obras como a ERS-010 ligando Sapiranga a Porto Alegre. Foi vítima da aversão petista pela parceria público-privada, solução para suprir a escassez de recursos do Tesouro do Estado.

Pois bem, passado mais de um ano da saída de Beto e do PSB o que melhorou na área rodoviária? Nada. Pelo contrário, piorou. As estradas conservadas pelo DAER continuam com problemas e as que não tinham passaram a ter. As que estavam nas mãos das concessionárias de pedágios e que mal ou bem estavam em boas condições de tráfego, passaram a ser problemáticas na administração inexperiente da Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR). E com o término da fase boa para a recuperação de rodovias – meses com pouca chuva – a tendência é de que o que já está ruim fique ainda pior.

Enquanto as manifestações dos novos administradores do setor são de negação da realidade e de promessas de melhorias pouco confiáveis, o governo Federal resolve financiar obras em portos de Cuba e do Uruguai. Uma ostentação de grandeza que contradiz com a realidade nacional. Não foram os cubanos e nem os uruguaios que depositaram sua confiança em Dilma nas urnas. Foram os brasileiros. Para que fossem resolvidos os problemas do Brasil. Então quem deu procuração para ela distribuir bondades pela América do Sul e pelo Caribe?

Tomara as urnas deste ano possam repor as coisas no seu devido lugar. Governo sério é o que faz o dever de casa antes de ajudar o vizinho. Se o Brasil ainda não alcançou o seu tão almejado desenvolvimento muito se deve a precariedade da sua infraestrutura de transportes e de energia. Onde está a prometida retomada do tranporte ferroviário e hidroviário? Onde estão os metrôs urbanos? Por que centenas de municípios ainda não contam com acesso pavimentado? Por que nossos aeroportos continuam sendo pouco mais do que um campo de avião? Por que nossos portos não operam na sua plenitude?

Com certeza foi a esperança de obter respostas para estas indagações que levou os gaúchos e os brasileiros, em 2010, a acreditarem que o tal alinhamento das estrelas (PT lá e aqui) fosse a “salvação da lavoura”. Esta provado que não foi.


segunda-feira, 21 de abril de 2014

Financiando a concorrência.




Governo Federal continua dançando o “samba do crioulo doido” na sua política de investimentos em obras de infraestrutura nacional e internacional. Enquanto os portos brasileiros carecem de obras de logística para se consolidarem operacional e financeiramente, o governo brasileiro parece preferir financiar investimentos nos portos de outros países, independentemente de serem concorrentes ou não. Foi o caso do porto Mariel, em Cuba, onde o BNDES aplicou US$ 682 milhões na sua ampliação, e será, segundo o noticiário deste final de semana, o porto de Montevidéu, no Uruguai, que deverá receber US$ 1 bilhão do mesmo investidor (BNDES). No caso do porto uruguaio o aporte de recursos brasileiro beira a irracionalidade, uma vez que o porto de Rio Grande sofrerá concorrência direta para se tornar o porto do Mercosul. O que afinal pretende o governo brasileiro? Não bastou o escândalo da refinaria de Pasadena?
Eu era feliz e sabia (Parte 1).



Dizem que o mundo está mudando muito rápido. E está mesmo. Principalmente se o foco for o avanço tecnológico. Nunca tivemos tanta facilidade para nos comunicarmos e nos locomovermos.  Mas então como explicar o isolamento social cada vez maior do ser humano?

Quem como eu tem mais de 50 anos deve se lembrar do tempo em que felicidade era sentar com a família na calçada ou nas praças para conversar com os vizinhos e deixar as crianças soltas para brincar. Sabíamos o nome de todos e solidariedade era uma constante no relacionamento. Hoje não sabemos o nome do vizinho do lado e a diversão dos nossos jovens está na solidão da tela do computador ou do celular. Juntar parentes e amigos para jogar conversa fora é coisa rara. Não temos tempo. Nem disposição.

Atividade física (exercício só na academia e olhe lá) virou sacrifício. Para ir ao supermercado, mesmo que ele esteja a poucas quadras da residência, só de carro. Antigamente se buscava o alimento nas feiras livres ou nos armazéns. A pé, claro. Ou no caso da gurizada, de bicicleta.  E por falar em gurizada, jogar bola era o esporte preferido dos meninos. E campinho disponível é que não faltava. E quando não tinha jogava-se na calçada ou no meio da rua.  O mesmo ocorria com as meninas nas brincadeiras de roda, amarelinha (sapata) ou pular corda. Coisas quase inimagináveis nos dias atuais.

Alimentação era feita em casa e frequentemente com ingredientes colhidos na horta do quintal.  E quem não lembra com saudade e água na boca das comidas caseiras da mãe e da vó? Hoje cozinhar virou hobby. O normal é comer fora ou via telentrega. E o que antes era motivo de confraternização familiar, sentarem-se todos a mesma mesa, caiu em desuso. Agora a moda é comer na sala e no quarto, teclando o notebook ou assistindo televisão.

E o lazer então? O fim de semana de outrora era esperado com impaciência e ansiedade. Quais os filmes que irão passar na matiné do cinema do bairro? Em casa de qual amigo seria realizada a reunião dançante de sábado à noite? Ah, bons tempos aqueles em que se dançava juntinho, de rosto colado e coração disparado. Hoje se dança separado e invariavelmente as festas começam depois da meia noite. E o ritmo? techno music. Não se namora mais. Se fica. De preferência com vários parceiros (as) na mesma noite. Guria que fazia isso antigamente era chamada de “galinha”, hoje é moderna, extrovertida.

Bebida alcoólica era coisa de homem com mais de 18 anos. Se um adolescente chegasse com cheiro de álcool em casa a coisa enfeiava para o lado dele. Na contramão dessa conduta, hoje quem não bebe, independente da idade, não se diverte. E as mulheres estão bebendo tanto ou mais do que os homens. E ao contrário do que disse Tim Maia, vale dançar homem com homem e mulher com mulher. E o uso de drogas está disseminado. Fuma-se maconha livremente e em qualquer lugar.

Ai é que está o X da questão. Alimentando-se mal, sendo sedentário, dormindo pouco, ingerindo álcool e drogas, levando uma vida solitária e sem valorizar a família, o homem/mulher contemporâneo (a) engorda mais, adoece mais, se estressa mais, fica mais violento, perde a religiosidade e morre (ou será se mata?) mais cedo. Ou sofre mais tempo, haja vista o avanço da idade média promovido pelo aprimoramento tecnológico da medicina.


Pode-se chamar isso de modernidade? Moda mesmo seria buscar os valores e hábitos deixados para trás, no passado. Quando não tínhamos os medos de hoje. Mas será que isto ainda é possível? Talvez não na sua totalidade. Mas naquilo que depender de mudança de postura pessoal, de conduta, fruto dos bons exemplos da família, certamente que sim. Ou seja, a melhoria começa dentro de nós. Com mais atitude e menos contemplação. Com mais responsabilidade social e menos virtualidade comportamental. Onde a perfeição só é alcançada na ficção. Ser moderno, por mais incrível que pareça, é valorizar a felicidade do passado.

quarta-feira, 16 de abril de 2014


Bastidores da eleição



  • Carece de explicação a resistência do PMDB ao nome de Germano Rigotto para a vaga ao senado. A situação ficou mais nebulosa ainda com o anúncio feito pela cúpula do partido de que Pedro Simon irá concorrer a reeleição. Experiente, Simon tratou logo de dizer que ainda não se definiu. Foi o suficiente para que surgissem boatos de que o retardamento da sua decisão nada mais seria do que uma tentativa de descontentar Rigotto fazendo com que ele desista da ideia da candidatura de senador. É que o nome preferido de Simon para seu substituto, dizem, é o de José Fogaça.

  • Vieira da Cunha deve estar perdendo o sono com a possibilidade da não confirmação do apoio do DEM a sua candidatura, caso se confirme a coligação PP-PSDB. É que os Democratas sempre estiveram ao lado dos progressistas nas últimas eleições. A menos que o ranço com o PSDB, por conta dos atritos no governo Yeda, tenha prevalecido sobre o desejo de ocupar uma fatia do poder.

  • A reação comportada do PT após a declaração dada pelo presidente estadual do PMDB, Edson Brum, de que a conduta dos peemedebistas nesta eleição será a de anti-PT, permite uma previsão otimista quanto ao bom comportamento do partido na campanha eleitoral. O que é bom para todos. Para o governo petista que agora é vitrine, para a campanha e para o eleitor. Também, com tantos problemas para serem solucionados o recomendável é que o tom da campanha seja propositivo e não conflitante.

  • A militância do PT deve estar “trocando orelha” com a montagem da chapa majoritária, que terá Tarso Genro na cabeça. Sonhavam com a manutenção da coligação vencedora de 2010. Perderam o PSB e depois o PDT. Dos que restaram, sonharam com o nome de Sérgio Zambiasi (PTB) para a vaga de vice. Com a recusa do famoso radialista, terão que se contentar com nomes menos expressivos, como os citados pelo próprio PTB. A saber: o deputado Luis Augusto Lara, a ex-deputada Kelly Moraes e o ex-vereador Elói Guimarães.

  • O mesmo acontece com a escolha do candidato a senador. O PT terá que abrir mão da vaga, onde o nome preferencial seria a do ex-governador Olívio Dutra, para manter o PCdoB na coligação. Nesse caso a vaga já tem dono. Será a ex-senadora Emília Fernandes.

  • O repentino silêncio de Lasier Martins prova que o efeito da falatina inicial, tão logo foi confirmada sua pré-candidatura à senador, serviu-lhe de lição. Fica difícil justificar uma postura agressiva contra os adversários estando na frente das pesquisas eleitorais.

  • Apesar da boataria que começa a circular, dando conta de que devido ao seu mau desempenho nas pesquisas ele poderia abandonar a candidatura ao governo do Estado, tudo indica que Vieira da Cunha vai mesmo manter a candidatura até o final. É vontade da maioria do PDT e decisão pessoal.

  • Ponteando as pesquisas, o PP mantém o suspense sobre os seus parceiros de aliança. A maior curiosidade recai sobre os possíveis nomes para ocupar as vagas de vice e senador, uma vez que a de governador está reservada para a senadora Ana Amélia Lemos. A oficialização da senadora, porém, deverá ser anunciada apenas na pré-convenção do PP, marcada para o dia 17 de maio, um sábado, no teatro Dante Barone da Assembleia Legislativa.

  • Embora apareça nas pesquisas como mero figurante da eleição majoritária, o candidato do PSol ao Palácio Piratini, Roberto Robaina, já marcou ficha como o francoatirador da eleição. Esquece, porém, que será alvo do pedido de explicações sobre o estimulo dado pelo seu partido aos atos de vandalismo nos protestos de rua realizados na capital. São contundentes os indícios de que o PSol recrutou punks, anarquistas e integrantes dos black blocs.

  • Alguém sabe dizer qual a estratégia eleitoral do inexpressível Partido Republicano Progressista ao anunciar que irá disputar a eleição com apenas candidato ao Senado?








terça-feira, 15 de abril de 2014


A seringueira e o mateiro.



Finalmente foi desfeito o nó da dúvida de quem seria o cabeça de chapa da aliança PSB e Rede para a campanha à presidência da República. Será o ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, apesar do nome da ex-senadora Marina da Silva aparecer com maior percentual de preferência nas pesquisas eleitorais.

Em seu primeiro pronunciamento como pré-candidata a vice-presidente na chapa de Campos, Marina saiu-se com essa pérola: “Aprendi a não me colocar à frente, porque aprendi que em uma mata virgem, com animais ferozes, é preciso sempre ir ao lado de um mateiro e não se colocar atrás, mas ao lado”.


Mas o que essa declaração um tanto rústica e cifrada quis dizer? Que a campanha eleitoral para a presidência da República é um terreno perigoso? Que os adversários se caracterizam por atitudes animalescas e perigosas? E que Eduardo Campos, por ser exímio conhecedor desse terreno aterrorizador seria uma espécie de desbravador dos obstáculos que irão se sobrepor aos interesses da aliança PSB-Rede?


Em primeiro lugar é de se perguntar onde está o desconhecido (mata virgem) da campanha eleitoral? De tão manjada e criticada o que não falta são iniciativas (embora inférteis) de promover uma reforma política onde o alvo principal é justamente as campanhas eleitorais. Em segundo, é de surpreender que uma pessoa que se diz religiosa e humilde trace um comparativo tão belicoso onde os adversários são vistos como animais ferozes. Seria resquícios de sua passagem pelo PT? E por último, como julgar a capacidade de Eduardo Campos como experiente desbravador de obstáculos eleitorais se é a primeira vez que ele se aventura a uma disputa presidencial?


É justamente por ser desconhecido nacionalmente que aparece nas pesquisas atrás da própria Marina. Talvez a estrutura do PSB seja mais vantajosa, em termos de organização partidária, do que a da Rede, o que justificaria sua indicação para a cabeça da chapa.


Por tudo isso que considero arriscada a aliança entre as duas siglas. Eleição não é um exercício de aritmética. Não se projeta o crescimento de uma candidatura pela acréscimo provocado pela adesão de uma outra pré-candidatura. E é isso que parece pensar os adeptos da chapa Campos – Marina. Além disso, há que se ressaltar que dois candidatos com temperamento forte numa mesma chapa é sinônimo de tempestade. Esperemos a próxima pesquisa para saber qual será o resultado dessa alquimia política.


Mas o que ao meu ver mais se abstrai da primeira manifestação de Marina da Silva como pré-candidata a vice-presidente é justamente o potencial de divisão e não de agregação que suas declarações públicas normalmente provocam. O eleitor brasileiro já demonstrou por diversas vezes que não tolera campanhas que tenham o foco na desconstituição pessoal e/ou política do adversário. Atitude perfeitamente compreensível haja visto a necessidade de solução para os grandes problemas estruturais que impedem o desenvolvimento do país e, consequentemente, a melhoria da qualidade de vida da população.


Menos ideologia e mais propostas. Menos politicagem e mais gestão. Menos ranço histórico e mais avanço econômico e social. “É disso que o povo gosta, e isso que o povo quer”, plagiando a intérprete gaúcha, Berenice Azambuja. .


quinta-feira, 10 de abril de 2014

O PT censura.

                                                                                                         Revista Veja

É nítida, para não dizer escrachada, a tentativa dos governos petistas de tentarem rotular os veículos da imprensa não adesistas (seja por afinidade ideológica e principalmente econômica) de “inimigos da nação”. E a seleção de amigos e inimigos chega a ser simplória. Se fala bem do PT é amigo. Se critica ou denuncia é inimigo. E a estes últimos o rigor da execração pública, a guilhotina da ditadura de esquerda, camuflada de pseudo revolução socialista-democrática. Como se fosse possível unir as duas. Para fazer parte do seleto rol de amigos o pré-requisito petista é feche os olhos, os ouvidos e a boca. Se fizerem isso serão recompensados com os “bons tratos dos aliados”.  

Óbvio que ninguém e muito menos os governos, gosta de ser criticado. Faz parte da natureza humana ser refratário a contrariedade. No mundo político, onde predomina a desfaçatez como estratégia e a vaidade como lógica maior, muito mais. Mas sempre ouve um respeito aos limites democráticos. O governo governa e a imprensa fiscaliza, cobra, mostra os erros e elogia quando for o caso. Nessa ordem. Esse é o papel da imprensa consciente e o fundamento maior da liberdade de imprensa.

O normal e recomendável – e isso os bons políticos deveriam saber e aceitar – é que a imprensa seja os olhos, os ouvidos e a boca da sociedade. Querer calar a imprensa é querer subjugar o cidadão, especialmente os mais carentes e necessitados, aos desejos e desmandos do governo de plantão. O governo é que deve ser subserviente ao povo e não o contrário. Da mesma forma os partidos devem se portar, como o próprio nome diz, como parte da sociedade. Portanto, devem primar pelo diálogo respeitoso com as outras partes. E não desrespeitá-las. Ou tratá-las como inimigas.

Quando Lula usa suas bravatas para atacar a imprensa, tentando desmentir fatos comprovadamente verdadeiros ou com fortes indícios de fraude, não está prestando um serviço à sociedade, mas ao seu partido e ao seu grupo de amigos. Quando o PT monta um aparato de blogueiros para espalhar a sua "verdade"; quando subjuga financeiramente veículos de comunicação; quando financia a gestação de universitários fiéis à causa petista (estudantes de jornalismo ou não), ele está formando um exército de um só pensamento e de uma só causa: a sua perpetuação no poder. E isso a imprensa nem precisa dizer, é ditadura. Basta ver o que acontece em Cuba e na Venezuela, por exemplo?

É por isso que a reação petista às criticas da imprensa democrática (que critica e oferece o contraponto) se parece com a história que diz “pimenta nos olhos dos outros é colírio”. Uma paródia do “fale mal, mas fale de mim”, que na versão do PT deveria ser “fale mal, mas não de mim”. Ou quem sabe de outra expressão popular que diz, “cara de quem bate não é cara de quem apanha”. Quem não sabe que o PT na oposição é uma verdadeira máquina de denúncias e factoides?  Uma vez no governo, quer aparentar ser uma criança indefesa constantemente agredida por uma imprensa mal intencionada.


Ora PT, quem não te conhece que te compre. Coerência se comprova com atitude. E o mesmo vale para as ditas boas intenções. O  PT da situação tem muito para explicar. E é isso que importa. Ou será que o PT tem medo da verdade? O PT pode até acreditar, mas ele não é dono do Brasil. O Brasil é dos brasileiros. E é bom lembrar que a imprensa, nas pesquisas de opinião, sempre aparece entre as instituições mais valorizadas, fato este que não ocorre com os políticos. Por que será? A resposta, mesmo que demore um pouco, vira das urnas, esta sim a maior de todas as pesquisas. E isso o PT não conseguirá calar.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

A estranha vida humana dos animais.



Passei boa parte da minha vida ao lado de animais. Cachorros, pássaros, tartarugas, peixes de aquário, coelhos e outros que não lembro. E é curioso como a gente se apega aos bichinhos. A ponto de pensar que podemos nos comunicar e entender seus sentimentos e desejos. “Parece até que é gente”, chegamos a dizer. E muitos são os motivos para esse apego emocional. Pela companhia nos momentos de solidão. Pela fidelidade no trato com o dono. Pela energia boa que geram na casa. E outros mais.

Mas essa sensação de complementariedade está mudando. De coadjuvantes os animais estão virando protagonistas. Tratados como pessoas. Literalmente. Com direito a dog sitter (babá de cachorro) ou cat sitter (babá de gato). Ida semanal (as vezes mais de uma vez) a Pet Shop (salões de beleza para animais). Nutricionista. Dogwalker (passeador). Estilista. Etc.

A dúvida que fica é se todo esse tratamento não é um exagero. Para os donos e para os animais. Pelo que me consta cachorros e gatos não estão na lista de animais em extinção. Pelo contrário, nunca se viu tantos espécimes. Então o que justifica tal comportamento humano? A ponto de superar o tratamento proporcionado as pessoas? Querem um exemplo? Observem o comportamento de uma pessoa ao ver um animal sendo maltratado. Será de revolta e indignação. Dificilmente você verá o mesmo comportamento se o agredido for uma pessoa adulta (crianças e idosos não valem). O mesmo ocorre quando nos deparamos com um animal doente ou faminto. Recebe socorro imediato. Por que não fazemos a mesma coisa quando nos deparamos com mendigos? Ou com crianças pedintes nas sinaleiras?

Não estou fazendo a apologia ao destrato dos animais. Já disse que convivo bem com eles. Minha intenção é chamar a atenção para os exageros que começam a ser praticados. Claro que ter animais de estimação tem muitas vantagens. Já citei algumas. Outra, por exemplo, é o benefício que eles trazem às crianças para que saibam lidar com a perda (morte). Do aprendizado sobre a importância do companheirismo. E outras mais. Só que acho injusto para com os animais dar-lhes tratamento como se humano fossem. Não são. E nunca serão. São seres diferenciados. Com características próprias. Geradas por uma evolução de milênios, senão milhões de anos.

Eles possuem seus próprios habitats. Como um apartamento pode ser considerado o melhor local para a criação de cachorros (especialmente os de maior porte)? Como uma ração industrializada podem ser melhor do que um alimento natural? Se assim fosse, como explicar que gatos se alimentem de pequenos roedores? Animais, por mais que queiramos tratá-los como pessoas, são animais. Parece óbvio mais não é. Pelo menos é que se está observando no convívio diário.

Um animal jamais superará a presença de um filho. E como existem crianças esperando pela adoção. A indústria de produtos para cães, gatos, aves, etc, prolifera no mesmo ritmo que a miséria nas zonas de pobreza. Não pode faltar ração para os animais, mas milhares de toneladas de ração (comida) humana são jogadas fora diariamente. Indigentes passam frio nos meses de inverno, mas o desfile de animais bem agasalhados é contínuo. É a grife das pet shops.

Que bom que a humanidade está evoluindo no trato com os animais. Que pena que esteja involuindo no trato com a sua própria espécie. Essa é a minha preocupação. Desejo igualdade entre homens e animais. Se quem não gosta de bicho não pode ser boa gente, quem não gosta de gente, o que é?

segunda-feira, 7 de abril de 2014


Barril de pólvora.

 
Irresponsabilidade? Incompetência? Falta de ética? Qual dessas atitudes caracteriza a política de reajuste salarial do governo Tarso? Bem que eu gostaria de acrescentar alternativas de resposta menos negativas, mas confesso que não as encontrei. E não foi por falta de vontade ou intolerância. Foi por coerência. Se não vejamos.

Quem não sabe que as finanças do Estado está “mal das pernas”? Que falta dinheiro para quase tudo, especialmente para investimentos em áreas vitais, como a Educação, Saúde e Segurança. E o próprio governador reconhece a gravidade da situação ao afirmar que sem a renegociação da dívida do Estado para com a União não existe salvação de curto e médio prazo.

Por tudo isso é que o envio de Projetos de Lei de iniciativa do Executivo, propondo reajustes salarias para o funcionalismo público sem a devida comprovação dos recursos necessários, jogando para o próximo governo a responsabilidade pelo pagamento dos aumentos, se apresenta como um verdadeiro “cheque em branco”, que poderá se transformar em “cheque sem fundo”.

Tal atitude tem tudo para ser considerada crime de “Lesa-Estado”. Ou no mínimo uma atitude suicida, que lembra aqueles exércitos que na eminência da derrota saqueiam e incendeiam cidades inimigas. Mas como, se o prejuízo será de todos os gaúchos, incluindo aqueles que somam fileiras com o PT e seus partidos aliados?

Dentre as possibilidades dessa motivação arrisco dois palpites. O primeiro é justificado por uma atitude desesperada de buscar a reeleição a qualquer custo. O outro é que, sabendo da dificuldade que será reeleger Tarso, o PT pratica a política da terra arrasada. Seria uma espécie de garantia da inoperância do próximo governo na solução dos principais problemas, por absoluta impossibilidade financeira. Tal situação seria aproveitada pela oposição (entenda-se PT) para tentar voltar ao poder.

Esquecem, porém, que quatro anos é muito pouco para fazer os gaúchos (especialmente os professores) esquecerem os danos provocados pelo governo petista. À menos que eles estejam menosprezando a inteligência de nossa gente. O que será outro grande erro.


terça-feira, 1 de abril de 2014

Cuidado, os falsos messias estão de volta.



Não resta dúvida sobre a necessidade da melhoria da política e dos políticos brasileiros. Tão solícitos e interessados pelas causas populares, sejam elas individuais ou coletivas, em época de campanha eleitoral, este “espírito público” praticamente desaparece no cumprimento do mandato, retornando quase que milagrosamente nos meses que antecedem a próxima eleição.

E ao contrário do que pensam os defensores da tese da proibição do advento da reeleição, o vírus do engodo eleitoral não afeta apenas os que buscam um novo mandato. Ele inocula até mesmos os candidatos marinheiros de primeira viagem. É a repetição de uma fórmula até agora bem sucedida. Culpa dos candidatos? Sim. Mas também culpa do eleitor, que se deixa iludir pelas facilidades prometidas. Situação parecida com o golpe do bilhete premiado. Quem está se aproveitando de quem?

E nesse mundo de mentiras e fantasias vale tudo. Emprego, vaga em creche, aumento salarial, obras aguardadas há décadas, etc. Lembro bem do que disse um deputado ao reclamar de um diretor de estatal quando foi informado de que as obras rodoviárias da sua região estariam concluídas antes da eleição. Disse ele: “Mas o senhor está querendo que eu não me reeleja. Eleitor não vota em obra pronta e sim na promessa dá sua conclusão”.

Essa é a máxima do candidato mal intencionado. E a estratégia de quem trata o leitor como um idiota. E como dói ter que dar-lhe razão ao final do escrutínio. Tal qual a metástase cancerígena, a má escolha feita pela maioria dos iludidos acaba por prejudicar até mesmo os mais lúcidos e esclarecidos.  E o pior é que esse universo de eleitores de ocasião tende a sofrer de amnésia crônica. Ou por não se lembrar em quem votou na eleição anterior, ou por teimar em repetir o voto.

Faço essas referências não para pregar o voto em novos nomes e muito menos na defesa do voto nulo. Mas para defender a necessidade do voto consciente. E dentre os critérios que considero adequados à escolha do candidato a ser votado deve estar a honestidade no cumprimento das promessas. Não se pode acreditar em quem prometeu o que não podia entregar. Outro critério deve ser o da assiduidade nas sessões plenárias e nos encontros promovidos pelas comunidades que representa. Candidato tipo “Cometa Halley”, que só aparece de quatro em quatro anos, não deve sequer ser considerado como opção de voto.

Também a ostentação de riqueza deve ser avaliada. A política não enriquece ninguém. A menos que o político em questão já fosse detentor de um patrimônio diferenciado. E, fundamentalmente, verifique se o seu candidato comprovou ter espírito público ou se apenas buscou o atendimento de interesses próprios ou de algum grupo em especial.

Lembrei-me de fazer essas considerações pela repetição dos fatos acima destacados. Dentre eles o envio pelo Executivo estadual (subentenda-se Tarso Genro) de projetos de lei propondo significativos reajustes salariais. Mas é a promessa não cumprida da implantação para o piso do magistério? Claro que existem categorias que merecem ter seus salários reajustados, mas a pergunta que fica é a do por que não propuseram isso antes, quando a situação financeira do Estado não estava tão combalida? E por que estender o parcelamento dos reajustes para o período do próximo governo?

Da mesma forma, só que a nível nacional, por que somente agora, as vésperas da eleição, o Governo Federal (subentenda-se Dilma Rousseff) resolveu autorizar a construção da segunda ponte sobre o Guaíba? Mas e as obras do PAC que ainda não foram executadas? E o metrô de Porto Alegre que ainda não saiu do papel?

São alguns exemplos de indagações que precisam ser feitas antes de decidir o voto.  Esse é o contraveneno contra o engodo eleitoral. O antídoto contra o voto equivocado. E a solução para a construção da boa política.