quarta-feira, 31 de outubro de 2012


Para que serve a justiça se ela não for respeitada?


As manifestações de algumas lideranças nacionais do PT sobre o comportamento do STF no caso do Mensalão são um mau exemplo a prática republicana, tão badalada pelos petistas, a democracia e a obediência à constituição. Como última instância do Poder Judiciário, composta por uma maioria de ministros indicados por governos do PT (Lula e Dilma), não fica bem aos petistas fazerem oposição as decisões da suprema corte. Ainda mais quando essa decisão encontra amparo e apoio popular. Ou será que a intenção é insuflar a população sob a argumentação de que foi praticado uma espécie de  golpe branco pela Justiça brasileira. Uma injustiça provocada por um julgamento político e não técnico. Ora, nunca um julgamento foi tão observado como esse que envolve o julgamento dos réus do Mensalão. O Brasil inteiro viu o que aconteceu em Brasília.

Que os petistas inconformados aplaudam os Josés (Dirceu e Genuíno) no âmbito do diretório nacional é até aceitável, embora pouco compreensível para a população. Mas colocar sob suspeita uma decisão do STF é algo intolerável. Já diz a máxima popular que “decisão judicial não se discute, se cumpre”. É o que a justiça brasileira fará, por exemplo, se o suplente a deputado federal, José Genuíno, acender legalmente a condição de titular. E é o que a imensa maioria dos brasileiros faz todos os dias, ao cumprir a constituição. Menos os bandidos. Bem ai é com a polícia e com a justiça. E não com o PT ou outro partido político qualquer.  

Imagem: dayselorena.blogspot.com

O Balde de caranguejos do RS.



Triste coincidência. Justamente no dia em que a ADVB-RS divulga o programa “Rio Grande do Sim”, que objetiva a transformação da mentalidade extremamente oposicionista reinante no Estado, que confunde interesse de governo com o de Estado, o TCU sugere a suspensão, por suspeita de superfaturamento, de duas obras importantíssimas para o desenvolvimento do Rio Grande do Sul: a Rodovia do Parque (BR-448) e a duplicação da BR-116 entre Guaíba e Pelotas.

É óbvio que não estou criticando a medida acauteladora e recomendável do TCU, mas chamando a atenção para a lamentável coincidência e louvando a necessária e oportuna iniciativa da ADVB-RS.

Lamentável porque é inadmissível que obras da importância das citadas não tenham recebido o controle recomendável de quem gere dinheiro público. Em meio a um clamor popular pelo fim da corrupção e de uma permanente fiscalização da imprensa, a atitude do TCU dá um banho de água fria no otimismo de quem acredita que as coisas estão mudando prá melhor na gestão da coisa pública. 

E louvável, no caso da campanha, porque já está mais do que na hora de deixarmos de lado a prática da oposição pela oposição. Do não fui eu que fiz então não pode dar certo. De vibrar com o fracasso dos outros. Essa política do “balde de caranguejos”, onde quem está em cima é puxado por quem está em baixo, é a grande responsável pela lenta realização das obras de infraestrutura tão necessárias ao desenvolvimento do estado. A sua grande maioria quando realizada, de tão tardia, não provoca mais os efeitos esperados. Ou seja, estão superadas. O que resulta na necessidade de novas obras ou a realização de obras complementares, como o aumento da capacidade da circulação viária, no caso das rodovias.  

Que o programa Rio Grande Sim consiga sensibilizar nossas autoridades, nossos partidos, nossos políticos, enfim, toda a sociedade gaúcha, de que a melhor maneira de crescer é somar e multiplicar e não subtrair e dividir. Se for para nos mantermos dentro do balde, que nossos “braços” sirvam de apoio para quem quer subir e não de “garras” para derrubar nosso crescimento.

E o primeiro exemplo prático dessa nova mentalidade pode ser dado no esforço coletivo voltado à desobstrução dos impedimentos da continuidade das obras das BRs 448 e 116. Está mais do que na hora do Rio Grande dar as mãos e dizer sim ao progresso.

Imagem zazzle.com.br

terça-feira, 30 de outubro de 2012


E o Brasil pende para a esquerda.



O resultado das eleições municipais deste ano confirma uma tendência que se consolidada pleito a pleito: o eleitor brasileiro, cada vez mais, está votando nos partidos de esquerda. Levantamento realizado pela colunista Rosane de Oliveira sobre os partidos mais votados nas eleições deste ano, mostra o PT como campeão de votos, com 27 milhões votos recebidos. Em segundo lugar aparece o PMDB, com 23,1 milhões, depois o PSDB, com 16,5 milhões e, em quarto lugar, o PSB com 15,3 milhões. A surpresa nesse apanhado é o PSB, até então um partido que aparecia sem maior destaque.

Mas será que o mérito do crescimento da esquerda é mesmo dela, pela diferenciação positiva em relação aos partidos da chamada centro-direita? Ou será que PMDB, PSDB, PDT, PP e DEM, para ficar apenas nos mais conhecidos, é que perderam a sintonia com o eleitor? Aposto na segunda hipótese. Explico. Como se percebe no levantamento realizado por este blog, relativo à conquista das capitais, onde os partidos tradicionais não venceram, quem ganhou foram partidos até então inexpressivos ou novatos. No primeiro caso o PSOL e o PTC. No segundo, o PSD. Dos três, dois são de esquerda.

Mas o que tem levado o eleitor a preferir os partidos de esquerda? São muitos os motivos. O principal, em minha opinião, é o fim da diferenciação ideológica provocado, principalmente, pela montagem de governos pluripartidários de origem distintas. Se todo mundo é igual, na hora de votar o eleitor ou mantém tudo como está ou vai buscar uma alternativa nos partidos que ainda não tiveram oportunidade de ocupar o poder. E aí é que reside a sabedoria dos partidos de esquerda: eles conseguem, ao contrário dos demais, produzir uma mensagem que se identifique com o desejo do eleitor. Isto é habilidade político-eleitoral. Ou seja, a esquerda tem sido mais eficiente (no discurso) no convencimento do eleitor do que os partidos de centro e de direita.

Outro fator que beneficia a esquerda, no caso o PT, especialmente na eleição presidencial, é a figura altamente popular de Lula. Nenhum outro partido tem uma liderança do porte dele. É o populismo de esquerda. E tudo indica que o indicado de Lula, ou ele mesmo se quiser, será o vencedor da eleição de 2014. Talvez seja este o motivo do PMDB, mesmo tendo o maior número de prefeitos do Brasil, se conformar em continuar servindo de linha auxiliar do PT no Palácio do Planalto. Na ausência de um nome competitivo deixa tudo como está. Esquece, porém, que agindo assim estará cada vez mais distanciado da conquista do poder, razão maior da existência e um partido político.

Já o PSDB, que possui um patrimônio eleitoral respeitável a nível nacional, sabedor do desgaste de Serra e Alckmin (que já perderam para Lula e Dilma), parece que irá optar pela novidade eleitoral: deverá ter Aécio Neves como candidato a presidente da República. Ao meu ver mais por ser sobrinho de Tancredo Neves do que por ser senador e ex-governador de Minas Gerais. Mas se a aposta na novidade é considerada um atrativo para o voto, outro candidato lembrado, agora pelo PSB, é o do governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Se concorrer, será uma aposta na continuidade do crescimento nacional do PSB. E se conseguir o feito de se eleger, será mais um exemplo da preferência dos brasileiros pelos partidos de esquerda.

É por todos estes fatos e fatores que não visualizo, a curto prazo, uma alternativa para a mudança do atual status quo do cenário político nacional. E a médio e longo prazo só vejo uma alternativa: uma mudança radical dos partidos de centro-direita. Ou muda a direita ou praticamente desaparece. O DEM que o diga. Para isso, um importante avanço seria a união dos partidos de direita para um grande debate sobre o seu futuro. 

Imagem: juventudepolitica.tumblr.com

segunda-feira, 29 de outubro de 2012



Prefeitos das capitais brasileiras eleitos em 2012


ESTADO
CAPITAL
PARTIDO
NOME
MG
BELO HORIZONTE
PSB
MÁRCIO LACERDA
MT
CUIABÁ
PSB
MAURO MENDES
CE
FORTALEZA
PSB
ROBERTO CLÁUDIO
RO
PORTO VELHO
PSB
MAURO NAZIF
PE
RECIFE
PSB
GERALDO JÚLIO
GO
GOIANIA
PT
PAULO GARCIA
PA
JOÃO PESSOA
PT
LUCIANO CARTAXO
AC
RIO BRANCO
PT
MARCUS ALEXANDRE
SP
SÃO PAULO
PT
FERNANDO HADDAD
PA
BELÉM
PSDB
ZENALDO COUTINHO
AM
MANAUS
PSDB
ARTHUR VIRGÍLIO
PI
TEREZINA
PSDB
FIRMINO FILHO
PR
CURITIBA
PDT
GUSTAVO FRUET
RN
NATAL
PDT
CARLOS EDUARDO
RS
PORTO ALEGRE
PDT
JOSÉ FORTUNATI
SE
ARACAJU
DEM
JOÃO ALVES
AL
MACEIÓ
DEM
RUI PALMEIRA
BA
SALVADOR
DEM
ACM NETO
MS
CAMPO GRANDE
PP
ALCIDES BERNAL
TO
PALMAS
PP
CARLOS AMASTHA
RR
BOA VISTA
PMDB
TERESA JUCÁ
RJ
RIO DE JANEIRO
PMDB
EDUARDO PAES
ES
VITÓRIA
PPS
LUCIANO REZENDE
SC
FLORIANÓPOLIS
PSD
CESAR SOUZA JÚNIOR
AP
MACAPÁ
PSOL
CLÉCIO VIEIRA
MA
SÃO LUIZ
PTC
EDIVALDO HOLANDA JÚNIOR




Lula, a fábrica de postes.




E o milagre se reproduziu. Depois de Dilma Rousseff, uma técnica competente, mas sem histórico parlamentar, agora foi a vez de Fernando Haddad ser tocado pelo verdadeiro Midas da política contemporânea brasileira, Luiz Inácio Lula da Silva. No primeiro caso o feito levou Dilma ao posto de primeira mulher a assumir a Presidência da República. No outro, Haddad saiu do anonimato (furando a fila e passando a frente de petistas famosos e experientes, como é o caso de Marta Suplicy) e se elegeu prefeito de São Paulo, maior cidade do país e a sexta cidade mais populosa do mundo.  Essas vitórias inesperadas reforçaram a imagem popular de que Lula, se quiser, elege até um poste.

Lógico que se trata de uma manifestação figurativa, mas que retrata bem o fenômeno político em que se transformou esse retirante nordestino, que se tornou metalúrgico, líder sindical, fundador do PT, deputado federal e presidente da República por dois mandatos consecutivos. Tal qual Getúlio Vargas, considerado o “pai dos pobres”, Lula soube como poucos captar a simpatia da maioria dos brasileiros, tornando-se o maior líder da recente história política do país, refundando uma espécie de populismo contemporâneo.

Graças a esta empatia e a implantação de programas voltados às classes menos favorecidas economicamente, como o Bolsa-Família, Lula construiu uma “poupança de credibilidade” cujos rendimentos tem sido a eleição de seus indicados. E, pelo menos com Dilma Rousseff, tem dado certo. Que o digam as pesquisas de opinião feitas para avaliar seu governo. Resta saber se acontecerá o mesmo com Haddad, que iniciará seu mandato de prefeito com a suspeição sobre a sua capacidade de gestor, fruto dos problemas ocorridos com o Enem. Mas como diz o ditado popular “quem tem padrinho não morre pagão”, o prefeito Haddad certamente terá o acompanhamento e o apoio de Lula. E isso, cá entre nós, não é pouco.

Resta saber, agora que já se começa a pensar nas eleições de 2014, o que Lula está planejando. Irá se candidatar à presidência da República? Irá apoiar a reeleição de Dilma? Bem, tudo isso vai depender muito do desempenho dos seus “afilhados”, da sua saúde, da situação pós-Mensalão do PT, mas principalmente, do seu interesse pessoal. Independente de tudo, o certo é que Lula terá, mais uma vez, papel fundamental no resultado das eleições. Afinal, apesar da sua baixa escolaridade, ele já provou ser PhD em política e eleição. Com enorme feeling na escolha de seus candidatos. Ou como gostam de dizer seus adversários, “uma verdadeira fábrica de eleger postes”.

Imagem: josmarcontabil.com.br

quinta-feira, 25 de outubro de 2012


Catarina, a Vênus brasileira.



E o Brasil mais uma vez consegue projeção na mídia mundial pela sua excentricidade comportamental humana. Desta feita, o país do carnaval recebe a luminosidade dos holofotes da imprensa internacional por causa de uma jovem catarinense que decidiu leiloar a sua virgindade. Trata-se de Ingrid Migliorini, moradora de Itapema, cidade do litoral de Santa Catarina. Talvez pela motivação de seu estado de origem ela adotou o codinome Catarina, para fins de identificação no site Austrália Virgins Wanted, responsável pelo leilão. Com apenas 20 anos, “Catarina” resolveu abandonar os estudos para buscar uma maneira mais rentável e menos trabalhosa de sobrevivência.

Foi assim que, espertamente (sim, pois apesar de virgem ela comprova que não tem nada de ingênua), decidiu usar o seu hímen como fundo de aplicação financeira. E como nesse mundo tem louco e tarado para tudo, conseguiu alcançar o seu objetivo. Um milionário japonês, de nome Natsu, ofereceu US$ 780 mil, o que corresponde a R$ 1,6 milhão (equivalente ao prêmio de um BBB), ganhou o leilão e o direito, após concordar com as exigências da virgem catarinense, de transar com ela durante uma hora. Talvez para tentar amenizar o impacto de sua decisão – que se confunde em muito com o ato da prostituição – Catarina promete utilizar a grana para realizar o sonho de se tornar médica. Tenho minhas dúvidas se dá para levar a declaração a sério. 

Sem entrar no mérito (trata-se de uma decisão pessoal) da atitude da Ingred/Catarina, e sem querer ser moralista, fico preocupado com o reflexo que isso possa causar a outras jovens virgens (do Brasil e de outros países). Se a moda pegar, vender a virgindade passará a ser um negócio atrativo e de rentabilidade quase que insuperável. A busca de notoriedade e de subsistência econômica pelo uso do corpo, a meu ver, depõe contra toda a história de luta das mulheres contra o machismo, a discriminação e a igualdade entre homens e mulheres. E pensar que a jovem catarinense está fazendo toda essa transação com a complacência de outra mulher. Sua mãe.

Fico a me perguntar se, nessa hora, o governo brasileiro não deveria meter a sua colher no assunto. Afinal, temos uma mulher na presidência da República e, não bastasse isso, Dilma tem agregado ao seu gabinete a Secretaria de Direitos Humanos, coordenada pela ministra gaúcha, Maria do Rosário. Da mesma forma, considero oportuna e necessária uma manifestação da justiça brasileira, em especial do Ministério Público. Isso sem falar nas ONGs e outras entidades da sociedade civil, que sempre tem se mostrado zelosas na defesa das causas dos homossexuais, presidiários, etc.

Sei que muitos defendem a tese de que o corpo de Ingred/Catarina pertence a ela. E que ela pode fazer com ele o que bem entender. Pode. Só não pode usá-lo como propaganda negativa, afetando outras pessoas. E li que ela já está até cobrando cachê para dar entrevistas. Prefiro outro tipo de uso. Como a da pequena paquistanesa Malala, que luta pela vida num hospital londrino após ter sido atingida por tiros dados por um fanático religioso do Taliban, pelo simples fato de lutar pelo direito das mulheres do seu país frequentarem a escola.

Esse tipo de comportamento é que fica como bom exemplo. No Paquistão e no mundo todo. O exemplo dado pela quase ex-virgem Catarina, ao contrário, me envergonha enquanto ser humano e brasileiro. Nossa Catarina, tal qual a estátua da Vênus de Millo, vai entrar para a história por ter seu corpo faltando um pedaço. 

quarta-feira, 24 de outubro de 2012


Lasier Martins poderá ser a
 surpresa da eleição de 2014


.
Depois de ser cogitado como provável candidato em várias eleições majoritárias e de até ter se filiado no PDT, tudo indica que desta vez o conhecido jornalista gaúcho Lasier Martins vai mesmo concorrer. Na eleição de 2014. Pelo menos é isso que se escuta nos corredores dos partidos políticos. À que? Ainda há dúvidas. Tanto pode ser para senador, como foi cogitado na eleição de 2010, como até mesmo para governador ou vice. Por quem? Ora, estando filiado ao PDT (ainda está?) só pode ser pelos trabalhistas. Mas há quem diga que o PMDB tem interesse na sua contratação, para usar um jargão futebolístico, muito utilizado, até pelo próprio Lasier.

Se a possibilidade realmente existir, e sua anunciada saída da Rádio Gaúcha incentiva isso (ficará faltando ainda seu desligamento da RBSTV e da TVCOM), poderemos estar vendo uma repetição do episódio Ana Amélia Lemos, que abdicou da sua condição de jornalista (também da RBS) para se tornar senadora pelo PP-RS. Se a sigla escolhida para concorrer for o PDT há primeiro que se saber se o partido pretende ter candidatura própria. Pelo que se sabe o partido está dividido entre ter candidato a governador ou formar parceria com o PT, ocupando a vaga de vice. Em qualquer das duas hipóteses o nome de Lasier cai como uma luva. Ou na vaga para o senado. O mesmo ocorre com o PMDB, numa possível coligação com os trabalhistas. Nesse caso, Lasier poderia ocupar qualquer posição na chapa majoritária.  

Mas caso Lasier esteja mesmo disposto a concorrer, certamente outros partidos terão interesse pelo seu “passe” o que, no caso, significaria uma aliança com o PDT. O certo nisso tudo é que se só a possibilidade dele concorrer já está mexendo com o tabuleiro político do estado, imaginem a repercussão que isso terá na eleição.  Já pensaram, por exemplo, num embate entre Ana Amélia e Lasier Martins? 

Imagem: agenda2020.com.br

A mensagem das togas.



Exatamente sete anos e cinco meses após ter vindo à tona aquele que é conhecido como um dos maiores escândalos de corrupção envolvendo o  pagamento de propina, com dinheiro público, a parlamentares que se comprometeriam em apoiar o governo Lula no Congresso Nacional, conhecido como “Mensalão”, a justiça brasileira, através da sua suprema corte (STF), está finalmente pronunciando a sua sentença final sobre o caso.  

Durante todo esse tempo o episódio mexeu com estereótipos populares (“só ladrão de galinha é que vai preso”) e paixões (políticas principalmente). Talvez por isso o julgamento do Mensalão tenha adquirido ares de novela da Globo, no que se refere ao interesse e envolvimento passional. Inobstante os adeptos das teses defendidas pelo relator (Joaquim Barbosa) ou pelo revisor (Ricardo Lewandowski), o resultado final que se avista é o de que será feita justiça. Inocentes serão absolvidos e culpados serão punidos. Até mesmo com perda da liberdade (cadeia).

Mas o mais importante desse rumoroso caso é o exemplo que fica. Melhor, a mensagem que fica. De que o Brasil possui um povo que não tolera a corrupção. Seja em que nível for. Que possui uma imprensa vigilante e independente. Que possui uma Justiça séria e confiável. E que pune, com rigorismo técnico e, por que não, com sensibilidade política. Não no sentido literal da palavra, mas em sintonia com os anseios da população.

Mais do que as palavras, fica o exemplo das sentenças. De que aqui neste país corrupto não terá mais vez. E que aqueles que se aventurarem na prática de ilícitos penais pagarão caro por isso. Oxalá isso seja compreendido por todos, especialmente pelos detentores de cargos públicos (eletivos ou não) e pelos prestadores de serviços do setor público. A decisão do STF, sem dúvida, trás consigo uma mensagem de otimismo e de esperança para esta e para as futuras gerações de brasileiros. 

Imagem: antoniocavalcantefilho.blogspot.com

terça-feira, 23 de outubro de 2012


A eleição de 2014 já começou.



Tal qual os clubes de futebol e as escolas de samba que tão logo terminam seus campeonatos e desfiles já iniciam os preparativos para a próxima competição e para o próximo carnaval, também os partidos políticos no encerramento das eleições já começam a planejar o próximo pleito. É o que se constata, por exemplo, no Rio Grande do Sul. As urnas das eleições municipais ainda nem esfriaram (ainda falta a realização do segundo turno em Pelotas) e os partidos já começam a pensar nas eleições de 2014. Pelo menos é o que se percebe nos primeiros movimentos do tabuleiro político gaúcho. Se não vejamos.


Tarso Genro, que certamente irá concorrer à reeleição, já fala em mudanças no secretariado. A desculpa para o rearranjo administrativo é a readequação de forças devido ao resultado das eleições municipais. Mas não é. O foco é a eleição estadual. Sabedor da importância do PDT para a sua pretensão, Tarso dá indícios de que irá oferecer a vaga de vice para os trabalhistas. Mas como ficaria o PSB, atual detentor do cargo? Tudo indica que ocuparia a vaga para o senado na chapa majoritária encabeçada pelo petista.

Resta saber se o PDT irá se contentar com a vice, pois já há quem, entusiasmado com a conquista das prefeituras de Porto Alegre e Caxias do Sul, defenda a candidatura própria. Mas quem seria o candidato? Quase às vésperas de 2014, haveria tempo suficiente para o partido construir um nome forte o suficiente para tirar o PT do Piratini? Seria Fortunati? Sei não, não acredito. Talvez em 2018.

E quanto ao PSB? Beto Albuquerque pensaria novamente num vôo solo? Tudo indica que seu desejo seria a disputa da vaga para o senado.  Em seu benefício está a ocupação daquela que é a área com mais recursos e maior visibilidade do governo Tarso, a Secretaria de Infraestrutura. Se a intenção de Albuquerque é mesmo a vaga de senador, acredito que as chances de uma nova aliança estariam bem encaminhadas. Resta saber o futuro do atual vice de Tarso, Beto Grill.

E Manuela, aceitaria a missão de representar o PCdoB numa candidatura própria? Acredito que não. Mas tenho dúvidas. Teria que, mais uma vez, desfazer as críticas de que lhe falta experiência administrativa. A menos que queira usar a eleição estadual como trampolim para a de 2016, quando tentaria, mais uma vez, a conquista da prefeitura de Porto Alegre.

E o PSol e o PSTU? Ah, esses vão continuar buscando o crescimento e fortalecimento das suas siglas, apresentando candidato próprio e com discurso de extrema esquerda. Mas quem seriam seus candidatos? No PSol aposto em Roberto Robaina e Luciana Genro (se tiver a ousadia de enfrentar o pai). Mas não descarto Fúlvio Petracco. Já no PSTU os nomes mais conhecidos são Júlio Flores, Érico Corrêa e Vera Guasso.

Mas e os dois maiores partidos em termos de prefeituras e vereadores, o PP e o PMDB? Para esses eu não titubeio. Terão candidaturas próprias. Porque isso é básico para as suas sobrevivências. Para eles, a busca do poder não é uma alternativa, é uma obrigação. E, no caso do PMDB, abundam candidatos. Arrisco alguns nomes e acredito que o candidato sairá dessa lista. São eles: José Ivo Sartori, Ibsen Pinheiro, José Fogaça e Germano Rigotto. Quanto à Rigotto, acredito que sua intenção será concorrer ao senado. Mas e o Pedro Simon? Bem, se Simon quiser concorrer a mais um mandato a vaga é dele. Particularmente não acredito nessa possibilidade. Acho que a idade lhe pesa e sua saúde não é mais a mesma. Ai Rigotto entra rachando na disputa pela vaga. Aposto no nome de José Ivo Sartori como candidato preferencial para a vaga de governador. Resta saber se o PMDB vai querer ter dois candidatos caxienses na mesma chapa.

Quanto ao PP não tenho dúvidas. O partido joga todas as suas fichas na senadora Ana Amélia Lemos. A menos que ela não queira. E esse é o maior temor dos progressistas. Há muito tempo – mais de duas décadas – que os progressistas não tinham um nome com o potencial de vitória como o de Ana Amélia. Este será o grande desafio dos progressistas, convencer a senadora a concorrer.  Mas ao mesmo tempo em que acredita nas chances de Ana Amélia, o PP sabe da necessidade de encontrar parceiros para a composição de uma aliança forte. O partido ideal seria o PMDB. Independente de quem ocupasse a cabeça da chapa, a coligação poderia ser considerada "pule de 10" na eleição. Mas não vejo condições para isso. Tanto PP como PMDB querem ser protagonistas. E o PP já está de olho nos erros de Tarso. Constituiu um Grupo de Assessoramento Técnico, coordenado pelo ex-governador Jair Soares, que avalia, permanentemente, o cumprimento das promessas do então candidato Tarso Genro.

E o PSDB, terá candidato próprio? Se dependesse apenas da existência de um nome com boa visibilidade, não. As eleições municipais recém-findas, comprovaram que os tucanos, fortes nacionalmente, podem ser considerados um partido nanico no Rio Grande do Sul. Mas, mesmo assim, acredito que terão candidato a governador. Por dois motivos. Por interesse da ex-governadora Yeda Crusius (para aproveitar a campanha para traçar um comparativo entre sua administração e a de Tarso) e do comando nacional do PSDB (que terá candidato à presidência da República, muito provavelmente Aécio Neves). O difícil para o PSDB gaúcho, mais uma vez, será unir o partido internamente e encontrar um nome de consenso.

Sobre o destino do novato PSD, tudo vai depender do seu “dono” e fundador, Gilberto Kassab. Nesse sentido o partido, que ainda busca sua estruturação nacionalmente, poderá ter candidato a governador. Hoje só há um nome de destaque para isto: Danrlei. Tal qual o PSD, o ídolo gremista também engatinha no cenário político do Rio Grande do Sul, razão pela qual, se for candidato, será apenas para cumprir missão.  Creio que o futuro do PSD estará voltado para as eleições proporcionais, daí a possibilidade real do partido integrar apenas uma coligação, sem oferecer candidato à chapa majoritária.

Situação semelhante envolve o PTB e o PPS, que ao meu ver, irão priorizar as eleições proporcionais. 

Quanto às demais siglas, como PRB, PV, PSL, PMN, PCB e outras mais, não acredito na possibilidade de candidaturas próprias. Por vários motivos. O principal deles é a falta de recursos para bancarem uma eleição majoritária. Entrarão no pleito como meros figurantes.

Esta, ao meu ver, é a fotografia do momento da eleição de 2014, que tem todos os ingredientes para ser uma das mais acirradas e emocionantes das últimas décadas. É ver para crer.