O exterminador do
futuro
Até que ponto um governante,
escolhido nas urnas para um período de quatro anos, pode comprometer as
finanças do seu sucessor? Esta é uma pergunta que nunca me ocorreu antes.
Talvez porque nunca antes no Rio Grande do Sul um governador agiu como se sua reeleição
já estivesse assegurada. Irresponsabilidade ou arrogância? Desprezo ao eleitor
ou excesso de confiança? Independente
das respostas, nada justifica que Tarso se julgue dono do futuro. E mais, que
coloque em risco o futuro dos gaúchos.
Para constatar que as finanças do
estado vão de mal a pior não precisa ser nenhum especialista em economia. Temos
uma enorme dívida para com a União e instituições nacionais e internacionais de
financiamento. Não conseguimos cumprir a Constituição no que tange a aplicação
de recursos orçamentários nas áreas da saúde, educação e segurança. Nossos
investimentos (próprios ou não) na área da infraestrutura (especialmente a de
transportes) são muito aquém do necessário. Os reajustes salariais do
funcionalismo público, dados para minimizar a pressão política, além de
insuficientes, só irão se completar no período do próximo governo.
Pois se as despesas se avolumam,
o atual governador, certamente preocupado com o clamor das ruas, o mau
desempenho do seu governo e a proximidade das eleições, resolveu comprometer as
receitas futuras do seu e dos próximos governos. Ou seja, atua como se não
houve limite de tempo para a sua gestão. Quem lhe deu a procuração para isso?
Que eu saiba ninguém. Muito menos as urnas.
Estou me referindo à notícia de
que Tarso Genro está em Portugal negociando com o banco Santander a venda de
parte da dívida ativa que o Estado terá direito a receber nos próximos cinco
anos. Ou seja, até 2018.
Mas para que? Com que finalidade?
Não foi ele mesmo que disse publicamente, no início desse ano, que se algum
secretário justificasse a não execução de projetos por falta de
dinheiro estaria mentindo? E o que ele fez depois? Meteu a mão no caixa único e nos
depósitos judiciais. E muito mais poderia se dizer, como o não cumprimento da
promessa de acabar com os pedágios (apenas trocou a administração de privada
para pública), que resultou no aumento das despesas com construção e conservação de rodovias, a perda da fabrica de caminhões em Guaíba (repetindo Olívio com
a Ford) e vários outros exemplos.
O que afinal pretende Tarso?
Inviabilizar o próximo governo? Será que não acredita na sua reeleição? Será
que a ordem do PT é apenas ganhar a próxima eleição? O certo é que diante desse
quadro preocupante parece que a grande vítima será mesmo o povo gaúcho. Tomara
que o grito das ruas tenha despertado a consciência do eleitor. Só ele poderá
impedir a destruição do Rio Grande e, consequentemente, o seu futuro e futuro dos seus familiares e amigos.