segunda-feira, 31 de março de 2014

Recordar não é reviver, pois navegar é preciso.



31.03.2014 Dia de reflexão e não de comemoração ou contestação. Até porque quase 70% dos brasileiros não estavam vivos em 1964. Se houve erros e equívocos - e houveram - foi de ambas as partes. De quem abusou da força ou de quem reagiu pela força. Das mais de três centenas de mortos (equivalente a dois meses de mortes no trânsito do RS) houve baixas de ambas as partes.
 
Quem antes pegava em armas... hoje governa o país e ocupa cargos importantes da República. Quem tinha as armas está na caserna. E o que isso trouxe de proveitoso para o país que não havia antes de 64? De 1964 para cá o Brasil se desenvolveu economicamente mas continua nanico no que se refere a justiça social e ao aprimoramento da política e dos políticos.
 
Por isso é incrível, por exemplo, que o regime cubano ainda sirva de modelo para a situação brasileira. O que Cuba tem que possa ser melhor do que o Brasil? O regime comunista? A ditadura de esquerda que ao contrário da brasileira continua viva e atuante? O socialização da miséria?
 
Ora, por favor. As atuais e futuras gerações querem a garantia da prestação de serviços públicos de qualidade, que tornem melhores os seus dias. Ninguém aguenta mais pagar tanto imposto e receber tão pouca coisa em troca. Onde está a educação de qualidade? Onde está a saúde eficiente? Onde está a segurança pública?
 
Se querem comparar alguma coisa, sob o ponto de vista histórico, que comparem a qualidade de vida do povo brasileiro no início da década de 60 e a de agora. Garanto que, tirando o avanço tecnológico, as diferenças não serão tão expressivas.
 
 Então a lembrança de 64 nada mais é do que uma tentativa de reviver o passado. E passado como o nome diz já passou. Não existe mais. Por isso, neste 31 de março ergo um brinde ao futuro. Que ele seja melhor do que ontem e do muito melhor que hoje.

sexta-feira, 28 de março de 2014


O centro do descaso.



Há pouco mais de dois meses para o início da Copa do Mundo, Porto Alegre, uma das cidades sedes dos jogos internacionais, nem de longe parece ter se preparado para aquele que depois das Olimpíadas é considerado o maior evento esportivo do mundo. E isso não se trata de uma sensação, embora também seja, mas de uma constatação visual e olfativa.

Não estou me referindo as obras viárias inacabadas e tão pouco as instalações complementares do entorno do estádio Beira-Rio que sequer foram iniciadas. Falo da cidade instalada e especialmente do centro da capital. Não precisa ser um especialista em urbanismo para constatar o abandono do mais antigo bairro de Porto Alegre. Basta andar pelas ruas e avenidas. Prédios pichados a vontade. Praças às escuras e mal conservadas, habitadas por mendigos, bêbados, drogados e catadores de papel. Ruas pouco iluminadas e desprovidas de policiamento ostensivo. Etc.

Exemplo maior desse descaso é a Praça Marechal Deodoro, conhecida como Praça da Matriz. O desleixo para com aquela importante área de lazer, cercada pelo Palácio do Governo, Catedral Metropolitana, Tribunal de Justiça, Teatro São Pedro e Assembleia Legislativa, é visível. E olha que o prefeito da capital, José Fortunati, mora defronte a praça.

Mas não se trata de uma exceção, mas de uma regra. Os problemas de calçamento da Praça da Matriz, o mau cheiro provocado pela urina e fezes de animais e seres humanos, a pichação de prédios e monumentos, é o mesmo de inúmeras ruas da capital.

Mas a responsabilidade pelo abandono da capital não se limita a um problema de gestão governamental. É também um problema cultural, de responsabilidade do cidadão e da cidadã.  Que comunidade é essa que tolera transitar sobre excrementos e que tapa o nariz para não sentir o mau cheiro? Pior, que ajuda a sujar as calçadas ao não recolher as fezes dos seus cachorros e que joga lixo no chão. Que estaciona em local proibido ajudando a engarrafar ainda mais o já congestionado trânsito urbano. Que dirige como se fosse o dono da via pública.

Tomara que a Copa seja um sucesso dentro de campo, pois fora dele a situação é muito difícil. E a previsão é de que o que está ruim tende a ficar pior ainda. Basta observar o despreparo dos profissionais que atuam no segmento de serviços, tais como garçons, taxistas, etc. Isso sem falar nos flanelinhas, que continuam dominando as ruas.

Pobres turistas. Talvez levados pelo nome da cidade tenham a expectativa de encontrar uma cidade feliz e cheia de atrativos. Terão que enfrentar a dura realidade de não poderem entrar nas águas do Guaíba, por estarem poluídas; de não poderem transitar livremente pelas ruas à noite, pelo medo de serem assaltados; de terem que se deslocar a pé, pela escassez de táxis, lotações e ônibus, já que não temos metrô.

E nós que pensávamos ter lucro com a Copa do Mundo. Tomara não tenhamos prejuízos, gerados pela má imagem divulgada para o exterior. Ah! Mas tem os jogos entre seleções como França, Holanda e Argentina. Pois é, tentem comprar um ingresso para ver o que acontece. Não tem mais. Todos foram vendidos.


Viva Porto Alegre. Que nossas façanhas sirvam de exemplo a toda a Terra. Até quando?

quarta-feira, 26 de março de 2014


Porto Alegre é D -

De tanto desviar de cocô de cachorro, tropeçar em calçadas esburacadas, ver lixo fora das lixeiras, prédios públicos mal conservados, etc, etc, etc, em Porto Alegre, resolvi criar a seção Porto Alegre é D -, para contrastar com os eufóricos que acham que Porto Alegre é D +. Como porto-alegrense nato e como jornalista penso estar prestando um serviço à capital dos gaúchos. Até que realmente, um dia se Deus quiser, Porto Alegre seja realmente digna do +.
 
A foto abaixo foi tirada às 12hs30min de hoje na Praça da Matriz. Registra uma lixeira que caiu devido a ferrugem que contaminou a haste que serve de base de fixação. Um atento porto-alegrense colocou-a de pé. Mas não se deu ao trabalho de recolar o lixo dentro dela. Como os garis passam pelo locam só a tardinha, teremos o "prazer" de passar o dia com a inusitada decoração. Essa Porto Alegre é ou não é D - ?

sexta-feira, 21 de março de 2014

Mortes previsíveis.


                                                                                                                Zero Hora

Não precisou ser vidente para saber que a forma como a bicicleta, enquanto veículo de transporte e não de passeio, foi incluída no caótico trânsito de Porto Alegre traria problemas aos seus usuários. Antes mesmo da construção das ciclovias já se sabia das dificuldades no enfrentamento entre ciclistas e motoristas. Quem não lembra do episódio ocorrido em fevereiro de 2011 na rua José do Patrocínio, na Cidade Baixa, onde um motorista transloucado atropelou e feriu 15 ciclistas do movimento Massa Crítica pelo simples fato de estarem atrapalhando a sua circulação naquela via?

Pois a resposta da prefeitura foi a construção de ciclovias. Onde? Nas principais ruas da capital. Onde? Ocupando a faixa da esquerda da via. Ou seja, jogaram os ciclistas em meio aos veículos nas vias mais movimentadas da cidade. Pode isso? Por que não escolheram um traçado alternativo e menos perigoso? E outra. Por que não realizaram campanhas de educação e orientação específicas para o trânsito das bicicletas? Sem estas providências e sem estas precauções só poderia dar no que deu: a morte de ciclistas por atropelamento de veículos. Se não sabiam como fazer para prevenir este tipo de acidente por que não foram buscar experiência nos países onde a bicicleta é utilizada como meio de transporte individual? O que não pode é ficar lamentando passivamente as mortes. Algo tem que ser feito para evitar que outras aconteçam. Com urgência. Não se brinca com a vida. Mesmo que seja a dos outros.

Reproduzo, abaixo, artigo que publiquei em 13 de dezembro de 2013. Parece que estava adivinhando.

Ciclovia ou vale-tudo?


Em época em que ser moderno é regredir a costumes do passado, como consumir produtos orgânicos e andar de bicicleta, a construção de ciclovias em Porto Alegre começa a apresentar um cenário de confronto até antes inimaginável. Refiro-me a disputa pelo espaço, pintado no solo de um vermelho cor de barro, entre ciclistas, motoristas de carros e pedestres. 

Não que eu seja contra a circulação de bicicletas nas vias urbanas, mas a cada dia que passa fica constatado que a implantação das ciclovias porto-alegrenses não pode ser enquadrada no conceito popular de “antes tarde do que nunca”. 

Nossas autoridade em circulação viária deviam (caso houvesse um adequado planejamento urbano) ter previsto que o crescente aumento no volume de veículos pela capital dos gaúchos, a exemplo do que acontece nos grandes aglomerados urbanos, iria resultar em enormes congestionamentos e que haveria uma briga por espaço entre pedestres e veículos de duas ou quatro rodas. 

É o que está se vendo. Premidos pela escassez de obras viárias de grande porte (túneis, viadutos, passarelas, perimetrais, estacionamentos públicos, etc), de “áreas azuis”, obstáculos físicos como conteineres de lixo e caçambas de entulho, e de um transporte coletivo eficiente, os motoristas da capital se viram, repentinamente, espremidos pelas ciclovias. Óbvio, as ciclovias passaram a ocupar uma faixa de circulação habitualmente utilizada por carros.

E é esse espaço que começa a se transformar numa legítima “faixa de Gaza”. Sem espaço para estacionar, motoristas desobedecem a primazia dos ciclistas e estacionam sobre a ciclovia. Pedestres que praticam o seu cooper diário, por se sentirem mais seguros, utilizam a ciclovia como pista de corrida. Mas e os ciclistas, com ficam? Ficam furiosos. E com razão.

Mas é ai que reside o problema. Quem veio primeiro? O pedestre, a bicicleta, ou o carro? O pedestre, claro. Mas adianta remar contra a maré se a instituição veículo motor já é uma realidade? Do jeito que está, não. Então o que fazer? Exigir que a Eptc fiscalize? Bem, ai vem a velha história de que os fiscais não podem ser onipresentes. Então é preciso investir em educação? Sim, sim, sim... Mas ai o caminho é mais complicado e daria para muitos outros artigos. 

O certo é que o problema está nas ruas. E as brigas já começaram. Algo precisa ser feito, sob pena de transformarmos as ciclovias num grande ringue a céu aberto. Ou pior, num caso de vida ou morte.  


terça-feira, 18 de março de 2014


Não se esqueçam do Tarso.




O senador Pedro Simon, ao atacar o PP e a senadora Ana Amélia, reprisa o que o pré-candidato do PDT ao Senado, Lasier Martins, havia feito na pré-convenção do PDT. E a coincidência se estendeu inclusive no objeto das críticas: a ligação do PP com a antiga Arena. Mas a grande questão a ser analisada é: por que ao invés de enaltecer a escolha dos seus candidatos a governador, no caso José Ivo Sartori (PMDB) e Vieira da Cunha (PDT), Simon e Lasier decidiram criticar Ana Amélia? A resposta parece ser simples: por que ela tem chances reais de vitória e isso atrapalha os planos dos dois partidos. Mas isso, ao contrário das críticas feitas publicamente, não é dito. Se não vejamos:

O que pretende o PMDB com José Ivo Sartori? Ou polarizar a eleição entre PT e PMDB, repetindo embates históricos como os de Britto x Olívio e Tarso x Fogaça , intenção esta que parece contar com a simpatia de Tarso, ou seja, a que mais agrada ao PT, ou buscar o papel de terceira via da eleição, tentando reeditar o fenômeno Rigotto (2002). Principal obstáculo: o pouco tempo de campanha para fazer Sartori ser reconhecido como candidato pelo eleitor.

Já o PDT não tem plano B. O único projeto é o de se tornar terceira via. E ai conta mais com o passado do partido, principalmente de Leonel Brizola, do que com as potencialidades pessoais e políticas de Vieira da Cunha. Se o alcance dessa meta já era difícil, ficou ainda mais, com a entrada de Sartori no cenário.

Mas de todas as razões para o ataque a Ana Amélia, as que mais se parecem verdadeiras são o medo e o respeito. Tudo por conta das qualidades, enquanto candidata ainda não confirmada ao governo do Estado, de Ana Amélia. Se PMDB e PDT têm suas preferências na escolha de seus adversários, o mesmo ocorre com o eleitor gaúcho no que tange a tendência do seu voto, onde as pesquisas tornadas públicas e as internas (dos próprios partidos) colocam Ana Amélia como a candidata preferencial da maioria dos entrevistados. É por isso que ela foi colocada no paredão pelo PMDB e pelo PDT.

Mas não é somente a boa imagem de Ana Amélia junto ao eleitor que preocupa os adversários do PP. É também o desempenho da senadora em Brasília, reconhecido nacionalmente, tanto como jornalista como parlamentar, a ponto dela ser reconhecida como a mulher mais influente do Congresso Nacional. E mais, com uma trajetória pessoal e profissional irretocável, ela se torna uma concorrente “pitoco”, como se diz no jargão político quando se quer classificar alguém que não tem “rabo preso”.

É por isso que os ataques de Simon e Lasier contra Ana Amélia são incompreensíveis e equivocados. A briga pela terceira via é entre seus partidos. E o pior, quando centram seu poder de fogo em Ana Amélia, deixam Tarso livre para fazer o que o PT mais sabe: iludir o eleitor. Prova maior desse perigo foram as promessas não cumpridas feitas por Tarso na campanha eleitoral de 2010 e que lhe deu a inédita vitória em primeiro turno. Pior agora que o PT tem a máquina na mão.

O que está em jogo nessa eleição – e isso todos os partidos precisam ter como prioridade – é o futuro do Rio Grande. Não de médio ou longo prazo, mas o que começa no dia seguinte da proclamação do vencedor, tal a precariedade financeira enfrentada pelo Estado. Daí a necessidade de uma campanha propositiva e respeitosa. Para permitir uma união de esforços, senão para o segundo turno da eleição, para permitir a governabilidade do (a) novo (a) governador (a). 

Para isso é preciso que nossos líderes políticos tenham como foco os problemas do estado e não os velhos e desgastados alvos da ideologia ou do desgaste da imagem pública do adversário.


A grave situação enfrentada pelo Rio Grande não permite mais sofismas e nem erros. Chega da velha política. Está mais do que provado que ela não tem mais utilidade e nem eficácia. 

segunda-feira, 17 de março de 2014

O mau exemplo de Simon.



A manifestação do senador Pedro Simon na pré-convenção do PMDB no último sábado, comprovou o que já sabia: sua grandeza está no passado. Na lembrança. Quando resolve se posicionar sobre a nova realidade brasileira, principalmente pelos valores reivindicados nos protestos populares, ele não consegue acompanhar. Como a transparência, por exemplo. Bastou a imprensa divulgar que ele se valeu de recursos públicos para realizar um caro tratamento dentário (independente se amparado nos privilégios concedidos aos senadores) para ele “chutar o balde" e sair disparando contra colegas e a imprensa.

Foi o que ele fez com a senadora Ana Amélia que optou por fazer uso franciscano (para citar o santo de preferência de Simon) do dinheiro público. Aproveitando-se do encontro que escolheu José Ivo Sartori como pré-candidato a governador, Simon resolveu, gratuita e equivocadamente, atacar o passado da senadora e o PP gaúcho. Ou a intenção foi um ato transloucado ou foi proposital. Como não se percebe nada que indique algum problema mental no senador peemedebista, a não ser os naturais da idade, só pode ter sido um ato premeditado.

Mas a troco de quê? Pelo fato da senadora Ana Amélia aparecer nas pesquisas de opinião como favorita para vencer a eleição para o Palácio Piratiní? Para tentar desviar o foco do episódio dos “dentes de ouro”, como tem sido dito nas redes sociais? Para motivar o PMDB em torno do nome de Sartori, um candidato desconhecido da maioria do eleitorado gaúcho? Seja qual for a alternativa mais plausível, o certo é que o “velho guerreiro” pisou feito na bola da ética. Não se faz isto com uma colega de Congresso e muito menos com um partido que lhe ajudou a conquistar o seu mandato. Menos ainda distorcendo a realidade dos fatos.

Ao criticar o ingresso de Ana Amélia no PP, após ela ter se destacado profissionalmente em uma das maiores empresas de comunicação do país, Simon desconhece que o mesmo aconteceu com o PMDB quando foi buscar, na mesma empresa, os então comunicadores Sérgio Zambiasi e Antônio Britto. E só não trouxe Lasier Martins, apesar de toda a insistência, porque o jornalista optou pelo PDT.

As declarações do senador Simon se caracterizam, também, pela ingratidão. Foi graças ao apoio dado pelo PP no segundo turno das eleições de 1986 e 2002 que o PMDB conseguiu eleger Britto e Rigotto para governador. Ele próprio (Simon), segundo lembrou a nota divulgada pelo diretório estadual do PP (link abaixo), se beneficiou do apoio do partido que hoje critica, quando na eleição de 1998 foi considerado candidato oficial dos progressistas.

Por outro lado, esquece Simon que a lembrança do nome de Ana Amélia para o governo do Estado não partiu dela e nem do PP, pois ainda não foi realizado nenhum comunicado oficial para tanto, mas pelo eleitor gaúcho, que tem citado o nome da senadora nas pesquisas de opinião até agora divulgadas. E não poderia ser diferente. Ana Amélia foi eleita senadora em 2010 com mais de 3,4 milhões de votos e durante quase quatro décadas esteve na vitrine da mídia do Rio Grande do Sul. E Simon sabe muito bem do potencial e da capacidade da senadora. “Ninguém chuta cachorro morto”, já diz o ditado. E não é para menos, em três anos de mandato a senadora alcançou a destacada e invejada posição da parlamentar mais influente do Congresso Nacional.

É por tudo isso que as declarações de Simon adquirem tonalidades de insensatez. Ninguém mais do que ele sabe que em política, especialmente em época de eleição, a maior de todas as obras é a construção de pontes e não a obstrução de caminhos. E foi a prática dessa teoria que permitiu que PP e PMDB, coligados, conquistassem mais de uma centena de prefeituras na eleição municipal de 2012. Que impacto as críticas de Simon terão junto aos progressistas é difícil de saber. Pode ser até que a realização de futuras parcerias, nesta ou em outras eleições, fique prejudicada.  

Menos mal que o PP já garantiu que vai manter a campanha em alto nível e propositiva. É essa garantia que dá a esperança de que a postura de Simon fique restrita a um caso isolado. Oxalá, para o bem da democracia, isso se confirme.

Nota do PP: 
http://www.pp-rs.org.br/noticias/nota-do-partido-progressista-rs-532703a7641e5

quarta-feira, 12 de março de 2014

Os bons exemplos voltaram.



O tempo para percorrer a BR-116, entre Porto Alegre e São Leopoldo, segundo reportagem realizada pelo jornal Zero Hora, passou de 89 minutos para 48 minutos. Quase a metade. Inacreditável. O motivo? A construção da BR-448, a chamada Rodovia do Parque, que inicia no perímetro urbano da capital e termina em Sapucaia do Sul, num trajeto de aproximadamente 35 quilômetros. E a fluidez no trânsito da BR-116 - até pouco tempo considerada a rodovia brasileira com maior trânsito localizado - ainda pode ser maior, basta que os acessos secundários à BR-448 sejam melhorados. Ou seja, o tempo para cumprir o mesmo percurso  pode diminuir ainda mais.

Usei apenas uma vez a Rodovia do Parque, à noite, vindo do centro de Canoas. Sofri para encontrar uma sinalização indicativa que me levasse até a nova estrada. Quando consegui, constatei que o fluxo de veículos era pequeno, se comparado com o que circulava pela BR-116 naquele mesmo momento. Isso me permitiu curtir a beleza da estrada. E sai dela seduzido. Usar a BR-116 agora só se for realmente necessário. É ou não um grande avanço?

E é isso que explica o título desse artigo. É que são raras as ações governamentais na área da infraestrutura de transportes concluídas com tamanha agilidade. A maioria, pela demora da sua conclusão, quando inaugurada já perdeu sua utilidade original. Acaba virando solução paliativa e não integral. A construção da BR-448 prova que quando se quer se faz. E que quando não há interesse se arruma desculpas. É o caso de diversas obras viárias que se arrastam por longos períodos, impedindo o crescimento da economia gaúcha.

Poderia citar vários exemplos, mas me fixo nas duplicações da BR 386, entre a divisa de SC e o município de Lajeado; da BR-116, entre Guaíba e o Rio Grande; e da BR-290, entre Eldorado do Sul e Uruguaiana. No caso das duas primeiras rodovias (386 e 116) trata-se da rota de escoamento da safra gaúcha até o porto de Rio Grande. Já a BR-290 é o elo de ligação do estado com o Mercosul. Importantíssimas, portanto.

Tem também as obras imprescindíveis que demoram parar começar. A construção da segunda ponte sobre o Guaíba, o metrô de Porto Alegre, a ampliação do aeroporto Salgado Filho, são algumas delas.  Isso em se tratando de obras de responsabilidade federal. Fosse feita uma abordagem sobre as carências estaduais a lista seria muito maior. Em termos de agilidade nas suas execuções seria como comparar uma corrida entre um tatu (Governo Federal) e uma tartaruga (Governo do Estado).


 Mas enquanto os pesados impostos não se convergem adequadamente em obras, comemoremos o resultado apresentado por Zero Hora. Ele é exemplar e dá esperança. Exemplar porque prova que o Estado pode fazer mais e mais rápido. E esperança porque sacode o marasmo a que os gaúchos estavam acostumados, de verem as obras estatais se arrastando indefinidamente.  Quem sabe agora a coisa vai? 

terça-feira, 11 de março de 2014

Do videogame para a vida real.




Deixem de lado o comparativo desta geração que está protestando nas ruas com as que a antecederam. Como diz Lulu Santos, “tudo passa, tudo sempre passará”. O mundo mudou. Está mais ágil. Mais moderno. Mas continua cheio de problemas. Especialmente sociais. E o dinheiro continua ditando regras e comportamentos. Mas se agora temos mais facilidade para nos comunicarmos à distância e nos aproximarmos fisicamente com maior rapidez, paradoxalmente nunca estivemos tão isolados socialmente. A TV e a Internet se transformaram em companhias preferenciais. Seja em casa, no restaurante ou qualquer outro lugar que permita conectar o celular com a Internet. Mas pelo menos estamos bem mais informados. Será?

Então como explicar o desconhecimento do nome do vizinho que mora no apartamento ao lado do seu? Como esquecemos o aniversário dos nossos familiares? Por que é tão difícil lembrar-se de um lugar onde se possa dançar?  A resposta é simples: porque estamos cada vez mais isolados. Cada vez mais egoístas. Lembram da Lei de Gerson, de querer levar vantagem em tudo? Claro que não podemos generalizar. Existem exceções. Mas isso não deveria ser regra?

Quem já não ouviu a máxima de que vivemos num mundo globalizado? Mas se é globalizado por que não estamos interagindo socialmente? Se está tão fácil se comunicar por que estamos cada vez mais monossilábicos? Cada vez mais calados? E, consequentemente, mais incompreendidos e cada vez menos compreensivos. Não buscamos mais respostas, mas soluções prontas e acabadas. De preferência que venham através de uma rápida pesquisa no Google. Se o mundo está globalizado, o ser humano, por sua vez, está cada vez mais ilhado.

De todos os males advindos dessa deformidade comportamental a maior, a meu ver, é a falta de respeito para com o próximo e para consigo mesmo. Quando os meios justificam os fins é porque estamos muito próximo do fim. Não consigo entender como um automóvel possa ser considerado mais importante do que a vida de uma pessoa. Me revolta ver o tratamento desrespeitoso de um filho para com os pais, responsáveis pela sua existência e pela sua criação. E me espanta ver os pais se submeterem resignados a essa discrepância. Como um jovem pode dar mais valor a um videogame do que uma conversa com a mãe? Como podemos aceitar que um professor possa ser massacrado financeiramente pelo Estado? São eles que educam e orientam intelectualmente nossos filhos. E isso nos é muito caro. Ou pelo menos deveria ser.

Nós os adultos temos que assumir nossa culpa. Se chegamos hoje aonde chamamos foi por que permitimos. Essa história de que o jovem é um contestador nato é balela. Simplificação comodista de quem não quer assumir a sua responsabilidade. Rebeldia nunca foi sinônimo de anarquia. Contestar sempre significou revisar, rever conceitos e aprimorá-los. Que nova ordem é essa que vemos nas ações dos Black Blocks? Que contribuição os atos de vandalismo do Bloco de Luta pelo Transporte Público pode trazer atirando pedras e rojões numa audiência pública para discutir a licitação que irá selecionar as empresas que iram transportar os porto-alegrenses?

Seus integrantes provavelmente são aqueles que preferem os games violentos da Internet. Que reproduzem nas ruas as transgressões morais vistas diariamente nas programações equivocadas (em qualquer horário) da TV, sejam elas em canal aberto ou privado. Sem orientação adequada (pais e escola) os jovens desajustados moral e socialmente vão experimentar nas ruas aquilo que viram na telinha (da TV, videogame ou Internet), como se essa fosse a realidade. E o pior é que ao voltarem para casa ainda recebem o apoio da família. “Estão lutando por uma sociedade melhor e um mundo mais justo”, dizem seus pais.

Não mesmo, digo eu. O que a maioria desses contestadores agressivos quer (aqueles que não estão servindo de massa de manobra de interesses políticos) é captar imagens para por nas redes sociais. “Olha lá eu protestando. Estou fazendo história”, afirmam. Copiam o passado sem saber o por quê. Só para experimentar. Tirar uma onda. Entrar na nova vibe contestadora do momento. E os prejudicados que se explodam.

Já passou da hora de dar um basta a tudo isto.  Se queremos construir uma nova realidade, que ela esteja alicerçada pelo estado democrático de direito e não pela anarquia. Em nenhum lugar do mundo, em qualquer época, uma nação conseguiu se tornar justa socialmente desrespeitando as leis e as pessoas. Chega de brincadeira. Precisamos fazer essa geração de pseudos anarquistas voltar para casa. Não para a frente do videogame, mas para a mesa de jantar, junto com os pais, lugar de onde nunca deveriam ter saído.  E que os pais ofereçam mais do que comida e carinho. Que ofereçam diálogo e limite. E que cobrem dos nossos governantes aquilo que precisa ser feito. Isso sim pode revolucionar o mundo.


segunda-feira, 10 de março de 2014

Dilma discrimina o produtor rural.



Independente do motivo que fez com que a presidente Dilma Rousseff não participasse hoje da abertura da 15ª Expodireto, em Não-Me-Toque, sua ausência, pela importância da feira, considerada como um dos maiores e melhores eventos do agronegócio na América Latina, mais do que uma descortesia para com os produtores rurais, caracteriza-se como um descaso para com o Rio Grande do Sul. Primeiro, porque o setor primário é e sempre foi a base da economia gaúcha. Segundo, porque reforça a tese de que o governo prioriza e valoriza tão somente a agricultura familiar, desdenhando a importância do agronegócio.

Se os elementos considerados para a sua presença fossem técnicos Dilma jamais poderia deixar de participar do evento. Na edição anterior o faturamento da feira foi de R$ 2,5 bilhões. O mesmo se pode dizer se a argumentação foi política. Na edição de 2013 a feira superou a marca dos 220 mil visitantes, um contingente significativo para quem, em ano eleitoral, irá disputar a reeleição à presidência da República. Talvez a atitude de Dilma Rousseff, que a exemplo de Lula nunca visitou a Expodireto, explique porque o PT nunca conseguiu vencer uma eleição presidencial no estado.

Mas o que mais chama a atenção no não comparecimento de Dilma é mesmo a incoerência entre o discurso do PT em defesa das minorias e o descaso para com o trabalho dos produtores rurais. Ainda mais numa época em que a questão racial está tão em voga. Se a discriminação de uma pessoa pela cor, pela preferência sexual ou religiosa, é algo abominável – e é -, porque então estimular a segregação nas formas de produção agrícola.

Se o pequeno produtor tem a responsabilidade de abastecer a mesa dos brasileiros com produtos hortifrutigranjeiros, ao produtor rural cabe colaborar para a geração das grandes safras, que consolidam a economia brasileira, permitindo que o governo realize investimentos em áreas sociais.


Em época de Copa do Mundo, a ausência de Dilma na abertura da Expodireto é uma tremenda pisada na bola.  Não-Me-Toque teria mais chance de contar com a presença da presidente se tivesse alguma praia paradisíaca, onde a presidente pudesse desfrutar de muita sombra e água de coco. 

domingo, 9 de março de 2014

A revolução necessária.



No dia 31 de março a Revolução Militar completará 50 anos. Mais do que a lembrança de um episódio histórico da vida nacional, com excessos e incompreensões naturais de um período de ditadura, observa-se movimentos revanchistas. Mais do que isso, são nítidas as tentativas de reescrever a história, dando-lhe uma nova face ideológica, disfarçada de defesa dos direitos humanos. Erram como erraram os que praticaram excessos. Não pode haver diálogo profícuo se ambos os lados, sob o manto das boas intenções, procuram culpados e não respostas. Se o momento é oportuno para conhecer um período pouco transparente, nada pode ser pior do que a intransigência.

Vendo o canal do GNT, onde personagens remanescentes da revolução de 1964 narravam, sob sua ótica, acontecimentos dos quais foram testemunhas oculares, constatei excessos de ambas as partes. Um general da CIA, amigo do primeiro presidente militar da época, Castelo Branco, disse que o ex-presidente Médici, ao saber que um sargento e um major do exército haviam torturado um preso político até deixá-lo demente, mandou puni-los exemplarmente. Isso confirma os atos de perseguição, tortura e morte praticados pelos defensores da revolução, mas também que os ex-presidentes não tinham o total domínio da situação. Se sabiam, foram coniventes. Se não sabiam, foram irresponsáveis.

No mesmo programa, ouvi do jornalista Flávio Tavares, amigo pessoal e da confiança de Leonel Brizola, que a intenção dos rebeldes exilados era de, caso conseguissem tomar o poder, mandar todos os líderes revolucionários para o paredão. Isso significa fuzilamento sumário. Para tanto, ele próprio havia recebido ordem de Brizola para providenciar na abertura de uma clareira, em plena selva amazônica, para que um avião trazendo armas do exterior para os contrarrevolucionários pudesse aterrissar. Segundo ele, o aeroporto improvisado chegou a ficar pronto, mas pelo que ele sabe o tal avião nunca pousou.

Cito os dois episódios como exemplo do clima bélico de então. Muitos são os fatos e muitos são os mitos. Como a provável invasão por marines americanos caso Jango não deixasse o poder. É por isso que o momento do cinquentenário da revolução de 64 é oportuno. Para tentar resgatar a verdade histórica e evitar que os erros de então sejam repetidos. A imensa maioria dos brasileiros de hoje (inclusive eu que tinha oito anos) não vivenciou aquele período, por isso é inútil tentar fazê-los partícipe da história. Mais fácil será fazê-los entender o que houve. Mas para isto será preciso neutralidade, seriedade e honestidade.

Não podemos admitir que a marca histórica dos 50 anos da revolução se preste como máquina de manobra para o alcance de objetivos meramente eleitorais. Chega de casuísmos. E hora do povo assumir de vez o seu destino, de acordo com a sua consciência. As ruas mostraram que a principal preocupação da população é com a falta de uma contrapartida compatível com os impostos pagos. E isso não se atende com ideologia, mas com o comprometimento com as prioridades populares, construindo estradas e hospitais, oferecendo ensino público de qualidade, etc. E para isso tanto faz o partido que esteja de plantão no governo.  O que importa é a competência gerencial do governante eleito e sua capacidade para escolher os integrantes do seu governo.

Fazer um governo empreendedor, fiscalizador, inibidor da corrupção, ético, comprometido, e outras tantas qualidades bem recebidas pela população, especialmente pelos mais necessitados, será a verdadeira revolução a ser comemorada. Oxalá isso aconteça o mais breve possível.

sábado, 8 de março de 2014

Chega de preconceito.



Em meio a uma indignação generalizada pela existência ainda, de atos de racismo, homofobia e intolerância religiosa, a comemoração do Dia Internacional da Mulher adquire uma importância simbólica ainda maior. Não existe na história da humanidade alguém que tenho sofrido tanto preconceito e tanta injustiça como a mulher. Apesar da sua imensa importância e igualdade com os homens. Se muito ela conquistou, por méritos exclusivamente seus, muito ainda há para ser conquistado. É por isso que faço minhas as palavras do deputado Pedro Westphalen, cujo artigo transcrevo abaixo.  

Eu tenho um sonho...

O dia 8 de março, que representa o Dia Internacional da Mulher, não é apenas mais uma data com objetivo comercial. É muito mais. Representa a luta das mulheres por igualdade, dignidade e respeito, iniciada em 1857, quando operárias de uma fábrica de tecidos de Nova Iorque fizeram uma grande greve, reivindicando melhores condições de trabalho, tais como, redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho. A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, num ato totalmente desumano.

O reconhecimento da data, entretanto, só aconteceu em 1910, durante uma conferência na Dinamarca. Mas a oficialização se deu apenas em 1975, através de decreto da ONU. A partir daí a maioria dos países passaram a realizar conferências, debates e reuniões com o objetivo de discutir o papel da mulher na sociedade. O esforço é para tentar diminuir e, quem sabe um dia terminar, com o preconceito e a desvalorização da mulher. No Brasil, o marco principal desta conquista se deu em 1932 quando foi instituído o voto feminino, permitindo, de muitos anos de reivindicações e discussões, o direito de votar e serem eleitas para cargos no executivo e legislativo.

Passado 157 anos desde a greve das tecelãs americanas, mesmo com todos os avanços, a luta das mulheres continua. Muitas ainda sofrem, em muitos locais, com salários baixos, violência masculina, jornada excessiva de trabalho e desvantagens na carreira profissional. Muito foi conquistado, mas muito ainda há para ser modificado nesta história. E este é um compromisso onde ninguém pode se isentar. A mulher representa o início, o meio e o fim da vida, e como tal deve ser reconhecida, admirada e respeitada.

A exemplo de Martin Luther King eu também tenho um sonho. De um dia termos uma sociedade igualitária onde não exista distinção de raça, sexo, cor, idade e qualquer outra forma de discriminação. E ponho fé nessa esperança pelo fato de que acredito no ser humano e porque, como disse Raul Seixas, na canção intitulada Prelúdio, “um sonho sonhado sozinho é apenas um sonho. Um sonho sonhado junto é realidade”.

Façamos, pois, deste 8 de março um grande sonho conjunto.

                                                                                     Pedro Westphalen

                                                                                     Deputado Estadual

quinta-feira, 6 de março de 2014

Tarso não quer tirar a máscara.
 

Escolha a opção que melhor lhe prouver. Sobre a posição contrária do governador Tarso Genro aos projetos da vereadora Mônica Leal (PP), e do deputado estadual, Jorge Pozzobon (PSDB), que proíbem o uso de máscaras nos protestos populares de rua, você a considera que ela é uma atitude:

(  ) Irresponsável

(  ) Antiética

(  ) Condescendente

(  ) Coerente

(  ) Imprudente

(  ) Intolerável

(  )Inadmissível

(  ) Todas as opções

(  ) Outra

quarta-feira, 5 de março de 2014

Vergonha antecipada.



Sabe aquele ditado que diz que notícia ruim chega rápido? Pois no caso da Copa do Mundo no Brasil ela já era esperada. Com tanta obra inacabada ou sequer iniciada - o chamado pelos governantes como o legado da Copa -, com tanto despreparo para receber bem os visitantes do exterior, o resultado só poderia ser um: a vergonha nacional. E é isso que está acontecendo antes mesmo do início do maior evento futebolístico do planeta. Pelo menos é o que se lê nos jornais do exterior. Caos é a palavra mais citada. E a própria FIFA já reconhece que o evento não será do jeito que deveria ser e admite a implantação de instalações provisórias nos estádios para as atividades operacionais e administrativas. Na contramão da realidade a presidente Dilma Rousseff surfa na fantasia (o Carnaval já terminou) e diz que esta será a Copa das Copas e/ou a Copa contra o Racismo. Faz jus à máxima que diz que o “pior cego é o que não quer ver”.

Pessimismo de minha parte? Não, decepção. Por ver nossos representantes conformados com a demora dos investimentos prometidos, muitos deles de suas próprias responsabilidades. Ágeis nas promessas em período eleitoral, os eleitos deitam no berço esplêndido do poder após conquistarem suas vitórias. A troco de quê? Onde está o chamado espírito público? Onde está a ética? Onde está a vergonha na cara? Em um país realmente sério seria caso de polícia ou no mínimo de expurgo político.

Apenas para reavivar a memória, lembro que o carro chefe das campanhas de Tarso e Fortunatti foram, respectivamente, o “alinhamento das estrelas (numa alusão aos benefícios que seria ter o PT no governo federal e no governo do estado)” e o “fica o que está bom e muda o que está ruim". E não adianta alegarem dificuldades de tempo e de recursos. A FIFA anunciou a realização da Copa no Brasil em 2007 e o governo federal já estava na mão do PT. Aliás a indicação do Brasil como um dos postulantes da Copa foi iniciativa de Lula. Por que então não fizeram valer a força do Rio Grande e de Porto Alegre, escolhida como uma das cidades sede do evento? Faltou aquilo que PT e PDT sempre criticaram enquanto oposição: vontade política. 

Resultado dessa omissão: Foi-se a euforia, o ufanismo, e veio à decepção e o constrangimento. Restou apenas a esperança de um bom resultado da seleção canarinho. E se isso não ocorrer? Aí, como dizem, o bicho vai pegar. Enfrentar dificuldades nas áreas vitais para o bem estar de uma pessoa, isso os brasileiros já estão acostumados, mas ver o fracasso (mais um) da sua seleção em pleno território nacional não é tolerável. A cobrança da fatura virá rapidamente, em outubro, nas urnas. 

Claro que se o Brasil vencer a Copa os erros serão perdoados e os dividendos dos governantes serão maiores do que as dívidas. Pelo menos este, lamentavelmente, tem sido o comportamento da maioria da população. Afinal, somos ou não somos o país do futebol?


terça-feira, 4 de março de 2014


O dilema do PMDB.
 

 

Independente das dificuldades enfrentadas pelo PMDB-RS nas últimas eleições, caracterizadas especialmente pela demora na definição dos seus candidatos a governador e a senador, o grande desafio da sigla para a eleição deste ano será o de apresentar-se ao eleitor como a alternativa para a implantação de uma gestão administrativa eficiente e moderna, capaz de solucionar os problemas deixados por governos mal sucedidos. Inclusive os seus, já que nos últimos 30 anos, desde a volta das eleições diretas para governador, esteve 12 anos no poder.

 Nesse período, o governo Simon foi criticado pelas chamadas “estradas de papel”; o governo Britto pela privatização e pelos pedágios; e o governo Rigotto pelo imobilismo da gestão “paz e amor”.  Desta vez a aposta do PMDB - sob o argumento de que o Rio Grande precisa de alguém com reconhecida capacidade administrativa -, tende a ser o ex-prefeito de Caxias do Sul, José Ivo Sartori.

 Desconhecido pela maioria do eleitorado gaúcho, o grande desafio do partido de Pedro Simon será dar visibilidade eleitoral à Sartori. Tanto pessoal como política e administrativamente. E para isso o tempo urge. Em ano de Copa do Mundo no Brasil, com pouquíssimo tempo de campanha, convenhamos, trata-se de um esforço hercúleo. Talvez a grande motivação venha da possibilidade de uma terceira via para a esperada polarização entre o PT de Tarso e o PP de Ana Amélia Lemos. E a lembrança da eleição de Rigotto em 2002, que pode ser considerada uma “zebra”, talvez esteja estimulando o otimismo do PMDB-RS. Situação semelhante ocorre com o plano B dos peemedebistas, caso Sartori seja substituído pelo presidente da Confederação Nacional dos Municípios e ex-prefeito de Mariana Pimentel, Paulo Ziulkoski.

 Numa análise fria da situação o recomendável seria a aliança do PMDB com outro grande partido. Talvez o PP ou o PDT. Mas as duas siglas já decidiram ter candidatura própria. Outro nó a ser desatado pelos peemedebistas é o que define o apoio do partido no Rio Grande do Sul para o candidato à presidência da República. Uma ala tem preferência por Dilma e outra por Eduardo Campos.  Na eleição de 2010 essa divergência interna fez com que o PMDB gaúcho decidisse pela neutralidade, fato este que lhe trouxe grande prejuízo eleitoral.

Apesar de todas essas dificuldades não se pode subestimar as chances do PMDB gaúcho. E nem poderia ser diferente. Com elevado número de prefeitos, vice-prefeitos, diretórios municipais e filiados, o partido contará com uma máquina eleitoral de respeito. Daí a expectativa de ser o “azarão” da eleição. Se dará certo ou não só as urnas poderão dizer. Mas que vai ser muito difícil fazer com que seus poucos conhecidos candidatos (Sartori ou Ziulkoski) consigam superar os conhecidos e populares Tarso Genro e Ana Amélia Lemos, ah isso vai. Para tanto, precisará contar muito mais com os possíveis erros dos adversários do que com o seu esforço próprio ou com a sorte.

domingo, 2 de março de 2014


Quanto riso, ó quanta tristeza...

Se eu tivesse que escolher uma fantasia para brincar neste carnaval, tendo como tema o momento por que passa o país, certamente escolheria a de pierrô triste. Aquele que tem uma lágrima pintada sob um dos olhos. Seria uma variação da tradicional fantasia de palhaço, preferida nos anos anteriores. Por um simples e derradeiro motivo: a decepção tomou o lugar da alienação. Os movimentos espontâneos das ruas mostram, claramente, que os brasileiros cansaram de se fazer de ingênuos. De bobos alegres. Depois de ver o medo vencer a esperança (Revolução militar de 1964); de ver a democracia vencer a ditadura (Diretas Já em 1985); de ver a corrupção vencer a probidade (Eleição de Fernando Collor de Mello em 1989); de ver a hiperinflação ser derrotada (Plano Real em 1994) pela competência; e de ver a esperança vencer o medo (2002 – eleição de Lula), chegamos à fase atual, onde a revolta pelos maus serviços públicos, pelas promessas de campanha não cumpridas, e pela corrupção endêmica, está vencendo a esperança. Pior, está mostrando que os interesses do PT governista estão se tornando mais importantes do que o do povo brasileiro. Logo o PT, aquele que historicamente disse ser o salvador da Pátria. Mas como é carnaval e tem eleição em outubro, mesmo vestindo a fantasia de pierrô tristonho, vou manter o sorriso no rosto. Quem sabe no ano que vem eu possa tirar do armário a velha e sempre bem-vinda fantasia da esperança. E já estou até ensaiando a marchinha: “Quanto riso, ó quanta alegria ...”