segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Brasil, mostra a tua cara.



Demorou mas apareceu alguém que colocasse publicamente o “dedo na moleira” dos responsáveis pela ameaça do Brasil pagar uma das maiores humilhações da sua história. Refiro-me às declarações do coordenador técnico da seleção brasileira, Carlos Alberto Parreira, que disse: “A gente perdeu uma oportunidade de dar conforto e mostrar um Brasil diferente. Queríamos tudo para a Copa, mas foi um descaso total. Vejo que os aeroportos (Cumbica, Galeão, Viracopos, Brasília e Confins) vão ser licitados a partir de março, três meses antes. É uma brincadeira, fomos indicados há sete anos e só agora vão licitar os aeroportos”?

Quem disse que o mundo do futebol é um universo de acéfalos? Pois foi deste meio inacreditado intelectualmente que veio o “X” da questão, e que responde também aos protestos de rua daqueles que hoje reclamam da vinda da Copa para o Brasil. Por que a final de contas o Brasil se meteu a promover um evento de tamanha magnitude? E olha que não foi só a Copa (2014), também a Olimpíada (2016). Antes de tudo é bom lembrar que a ideia surgiu em dezembro de 2006, quando o Brasil formalizou sua intenção de sediar o evento.

Na ocasião o país começava a tirar proveito da sua recuperação econômica. Mas quem estava à frente desse movimento era o então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Do PT. Bingo! Tanto o presidente como o seu partido, apesar da eficácia demonstrada nas campanhas eleitorais, não possuíam um histórico de competência gerencial. Suponho, então, que a ideia da Copa só possa ter sido gerada na cabeça de algum intelectual da esquerda. Sabe-se lá o real motivo. O certo é que – hoje temos certeza disso – nos mostramos mais valentes do que realmente somos. E deu no que deu.

Onde estão as grandes obras de infraestrutura de transportes, tidas como a herança maior do maior evento esportivo do planeta? Onde está a tranquilidade dos turistas para ir e vir em total segurança? E dinheiro não é o problema. Nunca os cofres federais estiveram tão abarrotados.  O fato é que não nos preparamos adequadamente para a Copa. Essa é a realidade. A grande esperança de mostrarmos ao mundo a nossa pujança e o nosso desenvolvimento ficou apenas na estratégia política do PT, que ajudou Lula a eleger sua sucessora. No mais foram obras inacabadas, outras tantas não iniciadas, e muita, muita suspeita de superfaturamento.

Eu pessoalmente não me surpreendo. “De onde menos se espera daí mesmo que não sai nada”, diz o ditado. Os problemas que os brasileiros e o mundo todo irão observar nos dois meses da Copa servirão para dar um choque de realidade ao “novo milagre brasileiro”. Estamos melhores econômica e socialmente? Estamos. Mas muito distante de onde deveríamos estar. Espero, pelo menos, que a Copa não traga prejuízos financeiros a nossa ainda frágil economia. E que não afaste o interesse internacional pelas Olimpíadas. E que não acabe com aquilo que os brasileiros têm de melhor: a esperança de um dia sermos uma grande, próspera e justa nação.

Enquanto isso não acontece e aproveitando o espírito festivo da Copa quem sabe não elegemos o refrão da música de Cazuza como o hino da Copa? Aquele que diz: “Brasil, mostra a tua cara, quero ver quem paga, prá gente ficar assim”.

Ah, e não se iludam quanto ao significado dos protestos de rua contra a realização da Copa. É mais uma iniciativa enganosa que visa dividendos políticos e não a melhoria da qualidade de vida dos brasileiros. Fosse bem intencionada, a iniciativa não permitiria a presença de vândalos e militantes partidários disfarçados de manifestantes. 

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