Brasil, mostra a tua cara.
Demorou mas apareceu alguém que colocasse
publicamente o “dedo na moleira” dos responsáveis pela ameaça do Brasil pagar
uma das maiores humilhações da sua história. Refiro-me às declarações do
coordenador técnico da seleção brasileira, Carlos Alberto Parreira, que disse: “A gente perdeu uma oportunidade de dar conforto e mostrar
um Brasil diferente. Queríamos tudo para a Copa, mas foi um descaso total. Vejo
que os aeroportos (Cumbica, Galeão, Viracopos, Brasília e Confins) vão ser
licitados a partir de março, três meses antes. É uma brincadeira, fomos
indicados há sete anos e só agora vão licitar os aeroportos”?
Quem disse que o mundo do
futebol é um universo de acéfalos? Pois foi deste meio inacreditado
intelectualmente que veio o “X” da questão, e que responde também aos protestos
de rua daqueles que hoje reclamam da vinda da Copa para o Brasil. Por que a
final de contas o Brasil se meteu a promover um evento de tamanha magnitude? E
olha que não foi só a Copa (2014), também a Olimpíada (2016). Antes de tudo é bom
lembrar que a ideia surgiu em dezembro de 2006, quando o Brasil formalizou sua
intenção de sediar o evento.
Na ocasião o país começava a
tirar proveito da sua recuperação econômica. Mas quem estava à frente desse
movimento era o então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Do
PT. Bingo! Tanto o presidente como o seu partido, apesar da eficácia
demonstrada nas campanhas eleitorais, não possuíam um histórico de competência
gerencial. Suponho, então, que a ideia da Copa só possa ter sido gerada na
cabeça de algum intelectual da esquerda. Sabe-se lá o real motivo. O certo é
que – hoje temos certeza disso – nos mostramos mais valentes do que realmente
somos. E deu no que deu.
Onde estão as grandes obras de
infraestrutura de transportes, tidas como a herança maior do maior evento
esportivo do planeta? Onde está a tranquilidade dos turistas para ir e vir em
total segurança? E dinheiro não é o problema. Nunca os cofres federais
estiveram tão abarrotados. O fato é que não
nos preparamos adequadamente para a Copa. Essa é a realidade. A grande
esperança de mostrarmos ao mundo a nossa pujança e o nosso desenvolvimento
ficou apenas na estratégia política do PT, que ajudou Lula a eleger sua
sucessora. No mais foram obras inacabadas, outras tantas não iniciadas, e
muita, muita suspeita de superfaturamento.
Eu pessoalmente não me
surpreendo. “De onde menos se espera daí mesmo que não sai nada”, diz o ditado.
Os problemas que os brasileiros e o mundo todo irão observar nos dois meses da
Copa servirão para dar um choque de realidade ao “novo milagre brasileiro”. Estamos
melhores econômica e socialmente? Estamos. Mas muito distante de onde deveríamos
estar. Espero, pelo menos, que a Copa não traga prejuízos financeiros a nossa ainda
frágil economia. E que não afaste o interesse internacional pelas Olimpíadas. E
que não acabe com aquilo que os brasileiros têm de melhor: a esperança de um
dia sermos uma grande, próspera e justa nação.
Enquanto isso não acontece e
aproveitando o espírito festivo da Copa quem sabe não elegemos o refrão da
música de Cazuza como o hino da Copa? Aquele que diz: “Brasil, mostra a tua cara, quero ver quem paga,
prá gente ficar assim”.
Ah, e não se iludam quanto ao
significado dos protestos de rua contra a realização da Copa. É mais uma
iniciativa enganosa que visa dividendos políticos e não a melhoria da qualidade
de vida dos brasileiros. Fosse bem intencionada, a iniciativa não permitiria a
presença de vândalos e militantes partidários disfarçados de manifestantes.

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