Dois pesos. Duas medidas?
Decepcionantes, sob todos os aspectos, as
manifestações vindas do Palácio Piratini sobre o envolvimento de servidores
públicos na Operação Kilowatt. Primeiro
porque foge a tradição petista, adotada em outras ocasiões semelhantes, da crítica
ferrenha e da cobrança por punições rigorosas. Depois, porque adota nitidamente
uma postura política para um caso de polícia. Com isso, ignoram que o que está
em jogo é a malversação de dinheiro público e, sendo assim, não dá para ser
condescendente com quem errou. Independente de ser ou não “amigo do rei”. Mais
claramente: se pertence ou não a um partido da base governista. Se houve erro,
alguém tem que pagar por ele.
Não estou fazendo juízo antecipado e nem condenando
precipitadamente. Trata-se, a meu ver, da necessidade de nossos governantes
darem ao assunto a gravidade que ele tem. Até mesmo para amedrontar quem ainda
não foi pego pela polícia nesta e em outras futuras operações. Faço esta referência por que não podemos
permitir que declarações inadequadas incentivem a criação de uma consciência
política equivocada para crimes que envolvam agentes públicos. Ou será que o PT
se propõe a implantar no Rio Grande do Sul a mesma postura adotada
nacionalmente por ocasião da condenação e da prisão dos líderes petistas José
Dirceu, José Genuíno, Delúbio Soares e outros mais? Se alguém se apropriou
indevidamente do que não é seu, está praticando um crime. Independente de quem
seja ou a qual partido pertença.
O que a sociedade gaúcha espera do seu governador -
que está de férias, mas que diante da gravidade da situação precisa interrompê-la
para ao menos se manifestar publicamente-, é uma declaração de indignação e de revolta
por ver que recursos públicos, que deveriam estar sendo utilizados na
conservação e recuperação de escolas, estão sendo criminosamente desviados para
os bolsos de corruptos e corruptores. E Tarso, pela experiência adquirida enquanto ministro da Justiça, sabe muito bem como agir nessas horas.
As declarações vindas até agora do
Piratini, dando conta que não dá para misturar ações pessoais com questões
partidárias, não estão contribuindo para aplacar a inconformidade da população por mais um escândalo envolvendo servidores públicos.
Vínculo partidário tem importância sim, senhor
chefe da Casa Civil, pois são os partidos que indicam os ocupantes de cargos
públicos, posteriormente referendados pelo governador. Fazer a escolha de nomes
inequivocadamente probos é obrigação de quem pretende zelar pelo interesse
público e aperfeiçoar a credibilidade da política e dos políticos.
Por tudo isto, fala Tarso! O Rio Grande está
aguardando o seu pronunciamento.

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