sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Inflação e cidadania.



Analistas da área econômica prevêem que o Índice de Preços ao Consumidor, em 2014, será de aproximadamente 6 por cento ao ano. Superior a expectativa projetada pelo governo e pelo mercado consumidor. Em outras palavras, vai aumentar o custo de vida. Isto significa mais inflação. A mesma inflação que o governo insiste em negar, mas que o cidadão comum vem convivendo diariamente. Só quem não frequenta um supermercado pode acreditar que a inflação está sob controle. Aliás, só quem não compra nada.

Talvez você não lembre ou não saiba, mas laranja já foi vendida por dúzia. Hoje é por peso. O mesmo ocorre com diversos outros produtos. A melancia, por exemplo, era vendida por unidade nos supermercados. Atualmente é por peso e em fatias. Quem define o aumento dos combustíveis é o governo. Mas quem fixa o preço é o dono do posto. Em época de valorização dos produtos orgânicos só quem se dispõe a pagar o dobro e as vezes o triplo do seu valor comercial é que pode adquiri-los. E dê-lhe propaganda sedutora.

“Nunca vimos tanto pobre entrando para a classe média”, disse a presidente Dilma. Eu complementaria afirmando que nunca se viu tanta gente pobre pagando caro por produtos que não são nada básicos. Ou seja. A nova classe média é apenas uma ilusão. Que o mercado finge acreditar para dela se aproveitar. Até mesmo a água, que apesar de ser insípida, inodora e incolor, está sendo vendida como se fosse artigo industrializado. Só porque é retirada de “fontes minerais” e envasada em embalagens atrativas.

Carnes e peixes então? Os preços sobem e descem sem que se saiba o motivo. Aliás, qual é o motivo mesmo? Celular todo mundo tem. Mas conseguir falar nele é outra conversa. Automóvel também virou artigo popular. Com ou sem IPI. Sei não, mas do jeito que a coisa vai desconfio que nunca a classe média poderá migrar para a classe rica. A tendência está mais para o retorno as origens pobres. A menos que segurem os preços, os juros e a inflação.

Mas se o pobre novo rico paga cada vez mais impostos e tributos, quem está ganhando com tudo isso? O governo federal, primo rico da República. Em troca, oferece ao contribuinte um tratamento à pão e água. Não atualiza, por exemplo, a tabela de isenções do imposto de renda e nem acaba com o fator previdenciário. Não presta serviços de qualidade nem nas áreas básicas da Educação, Saúde e Segurança. Será que o governo, tal qual faz com os produtos hortifrutigranjeiros, pensa que valemos mais pelo nosso peso financeiro do que pelo nosso real valor como cidadão?


Até quando vamos nos deixar enganar? Essa é uma pergunta que só você mesmo pode responder. 

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