sábado, 29 de setembro de 2012


Apenas 7% separam Manuela do 2º turno




A mais recente pesquisa Ibope mostra que o “paciente” mantém os sinais vitais preservados. O paciente no caso é o segundo turno da eleição para a prefeitura de Porto Alegre. Mas de onde tirei está conclusão? Do crescimento (embora insuficiente) da candidatura de Adão Villaverde (PT). Nas três últimas pesquisas do Instituto Villa subiu de 5 para 10% e agora para 12%. Este último crescimento em apenas uma semana. Como restam oito dias para a eleição (período em que o eleitor indeciso se posiciona), a manter esta tendência (e a do PT que sempre cresce no final das campanhas), ele poderá chegar pelo menos a 15%. Quando aos demais (excetuando Manuela), a tendência é pela manutenção dos números. Ou seja, 2% para Robaina e 2% para Wambert. E quase nada para os demais.

Pois bem, se somarmos esta projeção, chegaremos a um total de 19%. Para que não aja segundo turno Fortunati não poderá atingir 50% dos votos válidos. Como nas duas últimas eleições o percentual de votos nulos e brancos foi de 8%, a metade dos votos válidos significa, na verdade, 46%.  A pesquisa do Ibope mostra que hoje ele já ultrapassou esse percentual (47%).

Façamos então uma conta aritmética. Atualmente todos os outros candidatos somados alcançam 40%. Precisam chegam a 47% para forçar a realização do segundo turno. Ou seja, precisam buscar mais 7%. Se Villa conseguir chegar aos 15% a que me referi, faltarão ainda 4%. E aí vai depender de Manuela. Sim, pois dos outros não há o que esperar. Para tanto, Manuela precisa crescer pelo menos 4%, passando dos atuais 24% para 28%. Assim, com os 15% de Villa, mais os 4% de Robaina e Wambert, mais os 28% de Manuela, os opositores de Fortunati alcançariam os 47% necessários. É pedir muito? Não. Manuela já teve esse percentual na pesquisa Ibope de 21 de setembro. Uma semana antes da atual. Basta que retorne a este patamar.

Mas para isto Fortunati terá que não só interromper sua escalada positiva (as três pesquisas Ibope lhe deram, respectivamente, 37, 45 e 47%), mas perder pontos. E isto dependerá exclusivamente de Villa e Manuela. Principalmente de Manuela, que precisa interromper seu declínio constante em todas as pesquisas. Toda essa projeção levou em conta a possibilidade de que Manoela possa chegar ao segundo turno. Por ser este cenário o de menor diferença com Fortunati. Mas claro que o adversário de segundo turno pode ser Villaverde. Mas é muito mais difícil, pois o crescimento dele terá que quase dobrar o atual percentual (12%). Tudo isso em apenas uma semana. Mas em eleição nada é impossível.

Não gosto de fazer análise baseada na matemática, mas em se tratando da semana derradeira e do fato de que as atenções agora estão voltadas para a realização ou não do segundo turno, não tive alternativa. Espero que tenha ficado compreensível. Pessoalmente, minha experiência mostra que essa reversão é uma tarefa hercúlea, pois a tendência dos indecisos é optar pelo candidato favorito, no caso, a julgar pelas pesquisas, Fortunati. Mas Manuela e Villaverde, este último mais pela força e tradição do PT, tem condições reais de impedir a vitória antecipada do atual prefeito. Vamos aguardar para ver no que dá.

Imagem: pt.wikipedia.org

sexta-feira, 28 de setembro de 2012





Curta metragem





Prá ver como andam as coisas em Brasília. Tiririca se diz decepcionado com a burocracia da Câmara dos Deputados. "Há outros interesses", disse ele. De palhaço é que o nobre deputado não tem nada.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012


A iminente vitória de Golias sobre Davi.



As pesquisas eleitorais, há mais de 15 dias, indicam a possibilidade de vitória de José Fortunati no primeiro turno da eleição de Porto Alegre. Hoje foi a vez da Datafolha e da Vox Populi. Na primeira, na pesquisa estimulada, Fortunati aparece com 47% das intenções de voto, Manuela com 24%, Villaverde com 9%, Robaina com 2%, Wambert com 1% e Jocelin Azambuja e Érico Ribeiro com menos do que 1%. Na segunda, Fortunati continua pontuando com 50%, Manuela tem 23%, Villaverde 8%, Robaina 2%, Wambert 1% e Jocelin Azambuja e Érico Ribeiro com menos do que 1%.

Independente da diferença entre os resultados, o certo é que as pesquisas coincidem num ponto: Fortunati está crescendo. Manuela decrescendo. E Villaverde e os demais estagnados. Surpresa? Duas. A primeira delas, a meu ver a principal responsável pela ameaça de não haver segundo turno, é a dificuldade de Villaverde para atingir os dois dígitos, contrapondo-se ao desempenho sempre satisfatório do PT nas eleições das ultimas duas décadas. Respectivamente 48% em 1992 (Tarso), 53% em 1996 (Raul Pont), 48% em 2000 (Tarso), 37% em 2004 (Raul Pont) e 22% em 2008 (Maria do Rosário).  Isso ainda vai render uma análise mais acurada, pois o desconhecimento de Villa perante o eleitorado porto-alegrense não me parece o principal motivo do seu fraco desempenho. Se fosse, como explicar os 22% de Maria do Rosário em 2008?

A outra surpresa, por assim dizer, é o excelente desempenho de Fortunati, superior ao de Fogaça no primeiro turno de 2008 (42,8%). Com apenas dois anos como prefeito, não dá prá justificar seu favoritismo a sua atuação como executivo. Tanto que muito das suas realizações só tiveram visibilidade na sua propaganda eleitoral de rádio e TV. Aliás, o acerto da mão do seu marketing, a meu ver, é um dos fatores do seu bom desempenho. Prova disso é o seu crescimento nas pesquisas após o inicio da propaganda gratuita. Claro que seu tempo de exposição, maior dentre todos os outros candidatos, auxiliou bastante.

Outro fator tanto ou mais importante foi a montagem das suas alianças partidárias. Fortunati conseguiu reunir o apoio dos principais partidos sem candidatura própria. Com isso, passou a contar com uma máquina eleitoral de grande porte, tanto na qualidade das lideranças, da expressiva nominata de candidatos a vereador, e do invejável exército de militantes. Associado a tudo isto, ser candidato sem se desvincular do cargo, é uma vantagem única. Ainda mais quando se tem uma “poupança” de obras para iniciar ou inaugurar.

E Manuela? Para mim o resultado das pesquisas não é nenhuma surpresa. Lutando contra adversários muito mais bem estruturados e com maior tempo de rádio e TV, seu desempenho pode ser considerado satisfatório. Prova disso é que faltando dez dias para a eleição ela aparece, no cenário menos favorável das pesquisas, com 23%. Superior ao obtido na campanha de 2008, quando terminou o primeiro turno em terceiro lugar, com 15% dos votos úteis. Aliás,  superior inclusive aos 22% que colocaram Maria do Rosário no segundo turno da eleição de 2008. Tivesse o apoio dos demais candidatos, mediante um melhor desempenho, Manuela certamente estaria disputando o segundo turno com Fortunati.  A menos que consigo crescer individualmente, isto, a julgar pelos resultados das pesquisas, provavelmente será difícil de acontecer. Mas é visível seu amadurecimento político e pessoal. Está preparada para ocupar um cargo de executivo.

Tal qual a lenda de Davi e Golias, a eleição deste ano mostra que, em se tratando da conquista de votos, nem sempre a ficção supera a realidade. No caso, Golias (Fortunati) está prestes a derrotar Davi (Manuela). Mas a prudência recomenda que devemos esperar até  o The End.

Imagem: wcarlos.wordpress.com


Por que o 2º turno é necessário?



Porto Alegre é uma capital com cerca de dois milhões de habitantes. E como toda cidade desse porte tem seus problemas. Muitos problemas. Muitos deles resolvidos pelo próprio cidadão ou pelas próprias famílias. Mas tem problemas que fogem da sua alçada. E que por isso mesmo são de responsabilidade do poder público, no sentido mais amplo da denominação. Segurança pública, saúde e educação, são os principais exemplos. E, nestes casos, a obrigação maior recai sobre a União e os Estados. Mas isto não tira do município sua responsabilidade social sobre estes e outros problemas. No caso de Porto Alegre, por exemplo, existe a guarda municipal. Existe o ensino público municipal. E postos de saúde. Tem até um hospital para atendimento dos servidores públicos municipais.

Pois bem, a pergunta que fica é: os porto-alegrenses estão bem servidos nestas áreas? Não, claro que não. E são muitas as deficiências e carências. Isto sem falar no crescente e preocupante problema da circulação viária, seja no trânsito de veículos, seja no transporte de passageiros. E o problema da habitação, gerado pela carência de moradias populares? Como falar em cidadania se o princípio básico de qualquer cidadão, que é ter um endereço, não é atendido? Claro que todos os prefeitos da capital fizeram algo para minimizar os problemas. Impossível ficar quatro anos à frente da prefeitura sem nada realizar. Mas o que se questiona, neste momento de eleição, é se fizeram o que poderiam ter feito? Este é o julgamento que o eleitor deve fazer na hora de depositar seu voto na urna.

Sem querer imputar ao atual prefeito a pecha de culpado por todas as mazelas existentes, é visível que Porto Alegre enfrenta um histórico atraso no atendimento de suas necessidades. Que deveriam ter tido um enfrentamento, seja ele direto ou indireto, mais contundente. É inadmissível, por exemplo, que obras viárias importantes, como a construção de viadutos e elevadas, demorem tanto para serem executadas. E os casos mais significativos nesta área são a construção da segunda ponte sobre o Guaíba e a implantação do metrô.

Vê-se agora – e tão somente agora – pela propaganda eleitoral gratuita de rádio e TV que várias ações do executivo municipal foram e estão sendo executadas. Mas por que só agora? É obrigação de todo administrador responsável prestar contas de suas atividades, especialmente aquelas que demandam o uso do dinheiro público. Transparência 24 horas. E não apenas durante a campanha eleitoral. Aliás, existe verba orçamentária para esse tipo de publicidade.

Pois bem, já que a prestação de contas está sendo feita durante a eleição, nada mais justo do que fazê-la com adequada cautela. Sem afogadilho. Afinal, como saber se tudo o que aparece na propaganda é verdade? Além disso, eleição é planejamento do futuro. Daí que as propostas apresentadas pelos respectivos planos de governo, de cada candidato, devam ser exaustivamente apresentadas. Se não há tempo para isso, que pelo menos os dois candidatos de maior preferência do eleitorado tenham um tempo adicional para esmiuçarem suas propostas. E é para isto que existe o segundo turno das eleições.

Resumindo na prática. Se Fortunati mostra uma cidade modificada positivamente por sua administração (é bom não esquecer que são oito anos – seis como vice e dois como prefeito) e promete fazer mais, é preciso debater, pelo menos, a eficácia do ritmo empregado, já que os principais problemas permanecem. Por outro lado, se existem projetos diferentes, defendidos por outros candidatos, nada mais justo do que a realização de um debate mais cauteloso sobre a viabilidade e oportunismo dos mesmos. Daí a importância de que pelo menos um dos representantes da oposição tenha tempo igualitário, no segundo turno, para a apresentação do seu plano de governo. Coisa que não teve no primeiro turno.

Imagem: tse.jus.br

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Moralidade eleitoral




Pirotecnia eleitoral. É o mínimo que se pode dizer dos detentores de cargos  públicos de Executivo que deixam para a época de campanha eleitoral o anúncio, o início e a inauguração de obras. Ao agirem assim, esquecem (ou fazem pouco caso) de que a realização de obras e serviços nada mais é do que um dever de ofício. Uma obrigação. De quem foi colocado no cargo pela própria população. Retardar obras é penalizar os beneficiários. Muitas vezes com a perda da própria vida. 

Além disso, permitir que um candidato permaneça no cargo, fazendo uso das benécies da função, é desequilibrar o pleito. Óbvio. Os outros não possuem a mesma vantagem. Por isso sou favorável a desincompatibilização do cargo de quem busca a reeleição por pelo menos seis meses antes da eleição. Nada mais justo. Além disso, num mandato de quatro anos, o candidato terá três anos e meio para mostrar a que veio. Se fez pouco, que arque com as consequências. Se fez muito, que tire proveito disso. 

Sei que muita gente vai dizer que iniciar e/ou inaugurar obras já é uma tradição e que, portanto, reclamar disso agora é cantilena de perdedor. Não penso assim. Que momento seria mais propício para esse debate do que a campanha eleitoral? Alem disso, se queremos melhorar a política e os políticos, qualquer momento é uma boa hora. Aliás, já estamos atrasados na implantação de uma necessária e imprescindível reforma política.

Até que isso ocorra, na minha visão, fazer pirotecnia eleitoral com obras públicas continuará sendo uso indevido da máquina pública. Para atender interesses pessoais e partidários. O que é inadmissível sob todos os aspectos. Seriedade no trato da coisa público. Um critério que, ao meu ver, deve ser adotado por todo o eleitor responsável e consciente na hora de depositar o seu voto na urna. Para não se arrepender depois.

Imagem: portoimagem.wordpress.com

terça-feira, 25 de setembro de 2012


CDL Porto Alegre promove debate com
 Fortunati, Manuela e Villaverde


Amanhã, quarta-feira, dia 26, às 10h, no auditório do Margs, a CDL Porto Alegre promove um encontro com os três candidatos melhores colocados nas pesquisas à Prefeitura da Capital. A jornalista Rosane de Oliveira será a mediadora. Adão Villaverde, José Fortunati e Manuela D’Ávila serão questionados sobre assuntos relacionados ao varejo e à economia, entre eles, tributação, lojas de rua, comércio informal e a criação de uma marca para a cidade. Importantes nomes do varejo estão entre os convidados. 

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Perguntar não ofende.

Qual o ritmo de desenvolvimento que os porto-alegrenses desejam? O de uma bicicleta ou de um metrô? 

domingo, 23 de setembro de 2012


PP espera eleger 140 prefeitos.

À convite do presidente estadual do PP, Celso Bernardi, presenciei de perto a campanha eleitoral em sete municípios onde o partido disputa a prefeitura, seja como cabeça de chapa, seja como vice-prefeito. Foram eles, Caçapava do Sul, São Sepé, Cachoeira do Sul, Candelária, Pantano Grande e Santa Cruz. O entusiasmo da militância e a organização dos eventos foi tamanha que fica fácil de entender por que o PP tem se sagrado, nos últimos pleitos, como o campeão das eleições municipais (aquele que conquista o maior número de prefeituras e de cadeiras legislativas). Participaram do roteiro, além de Bernardi, a senadora Ana Amélia Lemos e, alternadamente, os deputados federais Luis Carlos Heinze e José Otávio Germano, e os deputados estaduais Ernani Polo, Mano Changes e Adolfo Brito.

Em Caçapava, participei daquela que foi considerada a maior carreata da história política do município. Foram mais de 600 veículos, entre carros e motos. No final do percurso foi realizado um comício com cerca de 1.500 pessoas. Na ocasião foi divulgado o resultado de uma pesquisa que coloca os candidatos progressistas, Otomar Vivian (prefeito) e Ilso Tondo (vice), a frente dos dois outros candidatos. Sai de lá com o sentimento de que a eleição dos candidatos do PP está muito bem encaminhada.

De Caçapava chegamos a São Sepé. Nova carreata, também de grande porte. Ficou a impressão de que a reeleição do prefeito do PP, Léo Girardello e de seu vice, Wolney, já é uma realidade. 

Dali fomos para Cachoeira. Ciceroneado pelo deputado José Otávio Germano, Ana Amélia e Celso Bernardi puderam participar de um comício que lotou o comitê de campanha dos candidatos Oscar (PR) e Claudinho (PP). A exemplo de Caçapava, foi divulgada, em primeira mão, uma pesquisa que demonstrou que Oscar e Claudinho já possuem a maioria das intenções de votos. Mas como a diferença entre os dois outros candidatos é pequena, sai com a impressão de que será uma das disputas mais acirradas desta eleição.

O último comício do dia estava reservado para Pantano Grande.E para minha surpresa foi o maior e mais empolgado de todos.Realizado numa vila da periferia, o encontro reuniu mais de duas mil pessoas, a grande maioria portando bandeiras do PP, PMDB, PDT e PSDB, partidos que integram a coligação que tem Cássio (PP) e Ivan (PMDB) como candidatos, respectivamente, a prefeito e vice. Sai convencido de que ninguém poderá superar essa dupla.

Finalmente, sem a minha presença, mas com a comprovação por fotos e relatos, fiquei sabendo que a eleição de Santa Cruz do Sul tem tudo para ser uma das surpresas deste ano. Considerada favorita a reeleição, a última pesquisa mostrou empate técnico entre a atual prefeita, Kelly Moraes, e o candidato do PP, Telmo Kirst. Contribui para este crescimento a presença de Helena Hermany, também do PP, de grande aceitação e empatia popular.

Tais mobilizações fizeram com que o presidente estadual do PP aumentasse sua expectativa de conquistas, agora estimada em cerca de 140 prefeituras, numero suficiente para que o partido se consagre, mais uma vez, como detentor do maior número de prefeitos municipais. É ver para crer. 

Fotos: Assessoria de Imprensa da Senadora Ana Amélia Lemos


O sorriso de Fortunati.



No dia 6 de setembro este blog publicou a seguinte nota: “Por que a eleição de Porto Alegre pode ser decidida no primeiro turno?”. Na ocasião, a principal motivação da profecia estava no fraco desempenho dos cinco candidatos na pesquisa Ibope que, somados,atingiam apenas 6%. Em contrapartida, Manuela aparecia com 37% e Fortunati 35%. Neste cenário, conclui que quem alcançasse 45 ou 46% ganharia a eleição no primeiro turno. Assim, os dois candidatos estavam no páreo.

Passados 16 dias, a mesma pesquisa Ibope (22/9) tratou de confirmar minha suspeita. Não apenas pela continuidade da pouca representatividade dos cinco piores colocados (14%), mas principalmente pela queda de Manuela, que obteve 28% da intenção de votos (9% menos que na primeira pesquisa). Fortunati, por sua vez, cresceu 10%, passando de 35 para 45%. Outro fator decisivo para a confirmação do meu prognóstico antecipado, favorável agora apenas à Fortunati, é a redução do número de indecisos. Enquanto na primeira pesquisa este segmento apontava 15%, agora aparece com apenas 7%.

Tal situação, duas semanas antes da eleição, tende a beneficiar o favorito das pesquisas. Primeiro porque motiva ainda mais a militância. Segundo, porque tende a influenciar na decisão dos que ainda não definiram o seu voto. O conhecido voto útil, de quem não quer desperdiçar seu voto, escolhendo alguém com pouca ou nenhuma chance de vitória. Ciente dessa possibilidade real, Fortunati usa a sua propaganda de rádio e TV para dar a pá de cal nas chances de Manuela. Como? Buscando o voto do segmento jovem, majoritariamente favorável à ela. Exemplo disso é a exposição de rappers,que apresentam letras identificadas com o jingle de Fortunati.

Assim, surpreendentemente, Porto Alegre, depois de muito tempo, deverá ter uma das suas mais tranquilas eleições. Não é a toa que Fortunati não consegue tirar o sorriso de felicidade do rosto. A menos que algo muito significativo reverta a atual situação, o atual prefeito já pode mandar confeccionar a beca para mais uma posse. Desta vez não mais como vice-prefeito, mas como titular do cargo de prefeito.  

sexta-feira, 21 de setembro de 2012



 Enfim um debate prá valer.



A TVCOM fez jus ontem ao seu conceito de canal da comunidade. Realizou o melhor debate entre os candidatos a prefeitura de Porto Alegre. Disparado. Com um formato que permitiu, predominantemente, a realização de perguntas livres entre os seis candidatos (Érico Corrêa do PSTU não participou por não ter se enquadra ao critério estabelecido pela emissora, que exigia representação política no Congresso Nacional), o debate teve todos os componentes necessários para que o eleitor tirasse suas próprias conclusões sobe aquele que merecerá a sua confiança.  Foi tenso, crítico, por vezes agressivo mas sem baixar o nível, e bastante produtivo. Abordou os principais temas de interesse dos porto-alegrenses. E isentamente coordenado pelo cada vez mais experiente e competente André Machado. Claro que teria sido muito melhor se o número de candidatos se resumisse a dois ou no máximo três candidatos. Mas geraria muitas críticas por parte dos demais concorrentes.  Quem sabe com o tempo um dia isto não possa acontecer. Nossa jovem democracia, com a necessária maturação, há de nos permitir isso.

Pois bem, como é hábito desse blog, farei uma rápida apreciação sobre o desempenho de cada um dos seis participantes.

José Fortunati – Experiente, tentou mostrar que fez o que pode e que pode fazer mais. Sabedor de que é “vidraça”, portanto alvo principal dos demais candidatos se precaveu do tiroteio crítico chamando a atenção do telespectador de que estava sendo alvo de ataque generalizado. Se esta condição de vítima lhe rendeu rendimentos eleitorais não se sabe. Para o meu gosto, Fortunati abusa demais do gerúndio. Estou fazendo. Estamos melhorando. Estamos projetando. Estamos contratando. Estamos concluindo. Estamos licitando. Etc. Mereceu o apelido de ANDO, dado por Manuela. É ANDO demais prá quem representa uma gestão de oito anos. O esperado era de que se ouvisse mais: fizemos, construímos, executamos... Além disso, esse sorriso permanente de Fortunati não combina com os problemas da cidade, especialmente na área da saúde, da segurança e da circulação viária. Será que representa a confiança do “já ganhei”?

Roberto Robaina – Irritantemente polêmico. Conseguiu manter a sua acidez crítica e ainda absorver o papel exercido por aquele que tem sido seu companheiro de “mau humor” nos debates, o candidato do PSTU, Érico Corrêa. Ou seja, foi “dose prá leão”.  Conseguiu fazer com que Manuela D’Ávila, sempre tão controlada e ponderada, saísse do sério é lhe desse respostas diretas e contundentes. Merecidas, diga-se de passagem. A principal delas, a meu ver, foi a acusação de que ele (Robaina) se considera a “única pessoa honesta no mundo, que é dono da verdade”. Não apresentou propostas para Porto Alegre, motivo maior de uma candidatura a prefeito. Ideologizou o debate.

Wambert Di Lorenzo – Surpreendeu pela desenvoltura e desprendimento. Sem experiência em eleições (como candidato), Wambert tem sido autor de várias frases de efeito com bom impacto televisivo. Uma delas foi: “O PT era um partido de ex-presos políticos. Agora será um partido de ex-políticos presos. Mas excetuando o brilhantismo da oratória, o candidato do PSDB continua pecando na simplicidade das suas propostas, como a reformulação da EPTC, considerada por ele ferramenta vital para a “indústria da multa”. Demonstra ressentimento com o PT pelos ataques realizados durante o governo de sua maior defensora, Yeda Crusius. Revanchismo. Talvez seja está à palavra correta para seu comportamento. Independente das suas chances nesta eleição, Wambert mostra um grande futuro político no âmbito do seu partido.

Manuela D'Ávila – Mostrou preparo. Está afiada.  Única mulher na eleição majoritária consegue conciliar simpatia e competência. Ao contrário de Robaina, que federalizou e estadualizou o debate, Manuela se fixou exclusivamente nas questões da Capital. E centrou fogo no Fortunati, seu principal adversário segundo as pesquisas.  Nesse sentido, pegou pesado quando cobrou a divergência entre a cidade da propagando do candidato do PDT e a cidade real do dia-a-dia. Criticou o início de obras e a inauguração de outras em pleno período eleitoral. Como exemplo citou a conclusão do auditório Araujo Viana que, segundo ela, teve sete anos para ser reformado (período Fogaça e Fortunati) mas que só foi concluído e inaugurado durante a campanha eleitoral. Quando precisou reagir, reagiu com força e inteligência. Prá mim ela teve o melhor desempenho entre todos os candidatos. 

Adão Villaverde – Alheio aos resultados das pesquisas, o candidato do PT, esbanjou otimismo e confiança de que estará no segundo turno da eleição. Representante do governo Dilma e Tarso na eleição foi alvo de ataques dos candidatos do PSol e do PSDB. Nada mais natural. São adversários contumazes. Manifestou confiança de que a militância aguerrida do PT fará a diferença no final da campanha. De todos os candidatos é o único que pode avalizar e garantir o apoio dos governos federal e estadual a sua administração. E fez isto no debate. Apesar do poderio partidário, Villa ainda é um dos candidatos com menor conhecimento popular. Precisa de um fato midiático para se sobressair nestas pouco mais de duas semanas que antecedem a eleição. Não é agressivo nas suas manifestações. Sabe ser contundente quando necessário. E é ético sempre, mesmo em se tratando de Manuela D’Ávila, sua principal adversária para disputar o segundo turno com Fortunati.

Jocelin Azambuja – Fez pouca diferença no debate. Reforçou sua principal prioridade que é a Educação (federalização do salário do magistério municipal) e manteve o foco nas suas poucas propostas de melhoria da cidade, especialmente no que se refere ao transporte e circulação viária: nova rodoviária para os ônibus metropolitanos e implantação de novas linhas para o transporte hidroviário (catamarã) e para o aeromóvel.

Imagem: sisalnews.com.br

quarta-feira, 19 de setembro de 2012



Curta metragem




Tem pesquisa Ibope 
neste final de semana


Depois da divulgação, nesta semana, das pesquisas Datafolha e Methodus a expectativa agora é pelo resultado da pesquisa Ibope, única das pesquisas até agora que colocou Manuela D"Ávila (37%) à frente de José Fortunati (35%). Nas duas anteriores Fortunati apareceu em primeiro lugar: 41% contra 30% de Manuela (Datafolha/ZH) e 41,9% contra 27,7% de Manuela (Methodus/CP). Fonte privilegiada disse a este editor que a publicação deverá ocorrer provavelmente neste sábado. 

terça-feira, 18 de setembro de 2012



Renovar a cidade, a prefeitura, a política. Renovar a esperança.

Quando nos lançamos candidatos devemos saber os porquês. Esse é um documento sobre porque eu, Manuela D’Ávila, e Nelcir Tessaro, concorremos nessa eleição. Queremos debater a nossa cidade sob uma ótica diferente da atual administração. Não podemos mais nos contentar com as fórmulas antigas que tentam mediar o passivo de problemas sociais que se arrastam há anos. Enfrentá-los deve ser prioridade, mas quero também, a partir da projeção do nosso futuro, resolver dilemas do presente, aproveitando as oportunidades que surgem num Brasil que cresce e num mundo que muda rápido, todos os dias.

Trago dentro de mim uma particular convicção: os nossos problemas são complexos e não serão resolvidos pela forma de pensar que os criou.

Precisamos renovar a cidade, renovar a prefeitura, renovar a política, renovar a esperança numa Porto Alegre protagonista neste novo tempo e neste novo mundo.

Um grande Brasil, uma grande Porto Alegre.

O Brasil avançou muito nos últimos dez anos. Conquistamos a estabilidade econômica e democrática, nos tornamos a sexta maior economia do mundo, 40 milhões de pessoas saíram da miséria e o salário mínimo teve crescimento de 66% acima da inflação. Descobrimos imensas reservas de petróleo no Pré-Sal e conquistamos o direito de realizar a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos. Ajustamos nossa política econômica e reduzimos juros para criar mais empregos. Com a desoneração tributária, investimentos em infraestrura e parcerias público-privadas, aceleramos o desenvolvimento. O Brasil mostrou que é possível governar com competência e com o coração, garantindo crescimento econômico e justiça social ao mesmo tempo.

Neste momento de relativa estabilidade econômica, alguns pensam que não existe debate a ser feito sobre os rumos da cidade. Pensamos exatamente o contrário: se o Brasil vai bem, Porto Alegre deve aproveitar esse momento dinamizando a sua economia e ocupando outro espaço no cenário nacional. Para este novo Brasil precisamos de uma Porto Alegre estrategicamente reposicionada.

Basta um dado para demonstrar nosso descompasso: na última década, o salário médio em Porto Alegre ficou praticamente estagnado, aumentando apenas 0,72% acima da inflação. O Brasil avançou e Porto Alegre estacionou. Mas existem saídas para fortalecer a economia da cidade.

Tenho convicção de que o melhor caminho é estabelecer um novo pacto de governança para o desenvolvimento, que dinamize os setores fortes da nossa economia e aposte em segmentos emergentes e inovadores como a Indústria Criativa e o Turismo de Negócios e Eventos e o Turismo da Saúde. Mobilizando o saber e a inteligência dos porto-alegrenses, principal diferencial de nossa cidade, transformaremos e inovaremos o setor público e privado, nos projetando como a cidade do capital social, a primeira “smart city” (cidade inteligente) brasileira.

Planejamento, desenvolvimento, e aproveitamento do capital humano presente na cidade são conceitos chaves, portanto.

Renovar a prefeitura.

Não é possível reposicionar estrategicamente a cidade sem transformar a gestão pública. Desburocratizar a máquina, criar um ambiente favorável aos investimentos, com procedimentos unificados e uma Sala do Empreendedor, são medidas urgentes para viabilizarmos o crescimento sustentável da cidade. Pensar tributos de acordo com as vocações e territórios, administrar de maneira descentralizada fisicamente e organizada internamente, nos levará a uma economia mais dinâmica e à melhoria dos serviços públicos. Espírito público, administração competente e técnica. Assim também devem ser administradas as empresas públicas da cidade como CARRIS, PROCEMPA e EPTC, nas quais faremos valer o artigo 24 de nossa Lei orgânica: um funcionário do quadro de servidores da empresa participando da sua direção.

Com a Gestão Meio agilizaremos investimentos, com Gestão Fim garantiremos o controle de serviços pela população. Para isso,torna-se importante qualificar e empoderar os centros administrativos regionais. É impossível que, em pleno 2012, nossos serviços básicos sejam absurdamente centralizados. Por isso, defendemos que os Centro Administrativos Regionais tenham papel de subprefeituras, e que seus coordenadores sejam indicados em lista tríplice pelos conselheiros do OP. Simultaneamente, vamos reorganizar os Fóruns de Serviços, com a participação obrigatória de secretários municipais para aferir, ao lado da população, a qualidade do trabalho da prefeitura nos bairros.

Gastar melhor o que temos, combater o desperdício de recursos, organizar um banco de projetos viários, aproveitar todos os recursos federais repassados para a cidade. É óbvio que temos como fazer melhor com o orçamento que já existe. Mas também é possível aumentar o orçamento, estimulando novos investimentos, pequenos e grandes. Mas é preciso uma Prefeitura empreendedora, com gestão eficiente e moderna dos gastos públicos.
A parceria com o funcionalismo público municipal, a indicação prioritária de técnicos no secretariado, a diminuição de cargos de comissão, a utilização racional da propaganda, a fixação de prazos e metas para os secretários, a reestruturação da infraestrutura do poder público são pilares estruturantes de nossa visão de cidade.

Renovar a cidade.

Uma eleição deve ser o espaço público não para a escolha de um governante, mas para a opção de um projeto de cidade. Porto Alegre tem em sua história a inovação, a igualdade e a participação. Loureiro da Silva, aos 35 anos, deixou a marca do planejamento urbano; Brizola, aos 33 anos, transformou a capital dos gaúchos na capital da educação; Olívio nos fez assumir para sempre o compromisso com a participação popular. Se em outros momentos mais adversos para o Brasil a nossa ousadia nos projetou e garantiu mais qualidade de vida, agora temos uma grande oportunidade de conquistarmos avanços maiores, mais consistentes e duradouros.

Mas, para isso, precisamos promover o encontro entre o crescimento econômico e os serviços prestados à população. É hora de fazer com que o desenvolvimento da economia seja visto da porta para fora de nossas casas. E isso é, justamente, o trabalho da Prefeitura: espaço público limpo e atrativo, segurança comunitária, saúde sem filas, qualidade na educação, melhorias no trânsito e transporte público eficiente. É por isso que falamos em cidades inteligentes e inovação não só na economia, mas também nos serviços públicos. Precisamos de soluções atuais para os problemas do passado. Em nosso projeto, não basta apenas o crescimento e o dinamismo econômico. Precisamos de um desenvolvimento que transforme a cidade, melhore a vida das pessoas e que esteja apoiado em um projeto de médio e longo prazo com sustentabilidade ambiental.

Vamos investir no Turismo, e a boa cidade para o turista é aquela que é segura, movimentada, educada e saudável todos os dias para seus habitantes. Para produzirmos tecnologia precisamos de mão de obra qualificada. Mas, além disso, não podemos continuar produzindo tecnologia aqui e apenas manda-lá para fora do pais. Como não usamos o que criamos para nossa própria população? Se nossa economia será focada no turismo e na industria criativa, temos que melhorar a vida dos porto-alegrenses.
A cidade deve ser, ela mesma, o seu próprio cartão de visitas!

Renovar a política.

Reconheço o legado que cada administração municipal deixou para a cidade, e sei também da importância da continuidade das grandes obras em andamento – e assumo o compromisso de não interromper nenhuma delas. O debate portanto, não é sobre as obras ou a continuidade delas. O debate é sobre Porto Alegre ser uma cidade atual ou não.

Sobre sermos parceiros ou não do crescimento do Brasil. Temos uma visão macro: não queremos apenas usar o Governo Federal para desenvolver a nossa cidade, queremos também ajudar o Brasil. Com nossa mão de obra qualificada e vocação tecnológica, melhorando a qualidade da nossa educação, ajudaremos o Brasil a ser um país mais desenvolvido. Queremos produzir o conhecimento que o Brasil utilizará em vários setores da economia, no campo e na cidade. Queremos recuperar nossa importância nacional como capital pujante e líder neste novo tempo.

Não seremos São Paulo, a capital econômica, e nem o Rio de Janeiro, a capital do turismo, muito menos Brasília, a capital do poder político, mas podemos ser a capital da inovação, da igualdade e do conhecimento. Basta que a Prefeitura faça sua parte e que a próxima administração municipal esteja à altura da capacidade dos porto-alegrenses.
Renovar a esperança.

Acredito que o novo ciclo que Porto Alegre pode iniciar a partir de 2013 tem uma relação direta com a capacidade de liderança e de diálogo com os mais diferentes setores da sociedade. Mas esta disposição não pode aparecer apenas no período eleitoral. Para isso, precisamos de um instrumento político que sintetize e organize esta vontade coletiva. Por isso, estamos propondo a criação do Conselho de Desenvolvimento Econômico, Social e Urbano (CODESU). Este Conselho será a expressão institucional de um grande pacto urbano pelo desenvolvimento de Porto Alegre. Dele farão parte todos os ex-Prefeitos, representantes de entidades empresariais, de trabalhadores, do movimento social, da academia, religiosos, intelectuais e personalidades, assim como os presidentes do demais conselhos municipais. Teremos um espaço privilegiado para debatermos, planejarmos e renovarmos, juntos, a nossa cidade.

Faço parte de uma geração e de um campo político que conquistou no voto a confiança e a legitimidade para promover transformações no Brasil. Duas vezes Deputada Federal, ajudei o Governo Lula e tenho orgulho de ter sido vice-líder do governo da primeira Presidenta do Brasil. Me sinto preparada para governar nossa cidade e tenho a convicção de que avançaremos ainda mais se unirmos as mais amplas forças políticas e sociais em torno de objetivos comuns. Porto Alegre não pode mais esperar.

Quero ser uma prefeita que una a cidade em torno desse projeto estratégico. Será mais simples caminhar e resolver os problemas do presente se soubermos onde queremos chegar.

Acredito no futuro, e quero ser Prefeita para construí-lo junto com todos os porto-alegrenses.

Manuela d’Ávila – Prefeita




Pesquisa CP/Methodus mostra
 que o “jacaré abriu a boca”.



A pesquisa Correio do Povo/Methodus divulgada nesta terça-feira (18) não muda as posições das anteriores. Mantém Fortunati em primeiro, Manuela em segundo e Villaverde em terceiro. O que muda é o crescimento do distanciamento entre Fortunati e Manuela. Com uma diferença favorável de pouco mais de 5% em relação à Manuela nas pesquisas de 17/7 e 4/9, na hoje, Fortunati salta para 14%. Mesmo considerando a margem de erro a diferença é significativa.

Na nomenclatura política este crescimento indica que “o jacaré abriu a boca”. Ou seja, mostra que a tendência pelo distanciamento das duas candidaturas passa a ser previsível. Ainda mais que os outros candidatos (especialmente Villaverde) continuam em patamares pouco expressivos. Se nada de mais importante acontecer nos 19 dias que antecedem a eleição, a ponto de reverter o atual quadro, fazendo "o jacaré fechar a boca", a realização do segundo turno ficará ameaçada. Aliás, situação está já alertada por este blog. Abaixo o quadro comparativo publicado hoje pelo Correio do Povo.



segunda-feira, 17 de setembro de 2012


Ana Amélia reforça campanha de Manuela.



Impedida pela legislação eleitoral de aparecer na propaganda eleitoral gratuita de Manuela D’Ávila (o PP de Porto Alegre apoia a candidatura de José Fortunati), a senadora Ana Amélia Lemos (PP) encontrou no contato direto com o eleitor a maneira de manifestar seu apoio à candidata do PCdoB. Nesta segunda Manuela e Ana Amélia estiveram juntas no Mercado Público. Amanhã as duas passarão o dia juntas, começando com um café da manhã no Hotel Embaixador. A presença de Ana Amélia é considerada um importante reforço à campanha de Manuela na reta final da eleição. Não é prá menos. Em 2010 fez 401.019 votos em Porto Alegre.



Curta metragem.






Rio Grande do Sul inova e cria a Locassalto. Bandidos roubam carros em Porto Alegre e região Metropolitana e repassam para ladrões de outras cidades realizarem assaltos.

Fazendo graça pro diabo rir.



Tudo bem. É engraçado. Mas eleição não é brincadeira. É coisa séria. Muito séria. Por isso não dá prá entender como os partidos políticos, tão fustigados pelas críticas da imprensa e com a imagem tão desacreditada pela população, podem aceitar candidaturas de tão mau gosto, prá não dizer debochadas e incompreensíveis. Sempre houve candidatos estranhos, verdadeiros ETs políticos. Mas os tempos eram outros. Não havia tanta denúncia de corrupção.

Mas agora não. Até criança está falando mal dos políticos. Injustamente, diga-se de passagem, pois os maus políticos são uma minoria. Mas é o que se houve nas ruas e o que se vê e ouve nos jornais, rádios e TVs. E é a principal pauta dos programas humorísticos. Por isso, fazer graça com a sua desgraça é adotar a postura de hiena. Literalmente.

O primeiro passo para ser respeitado é respeitar-se a si mesmo. Por isso não dá prá entender tanto candidato ridículo na propaganda eleitoral gratuita de Porto Alegre. Para ficar apenas no exemplo da eleição da capital. Fanático, Rambo Gaúcho, Palhaço e Seu Madruga, são apenas alguns exemplos desse verdadeiro circo dos horrores. Piada de mau gosto. É o mínimo que se pode dizer.

Desse jeito a coisa vai de mal a pior. Como fazer com que as pessoas sérias, éticas e bem intencionadas participem da política, se os próprios partidos não se dão o respeito? O exemplo tem que começar em casa. Selecionando melhor os candidatos. Como melhorar a imagem da política e dos políticos se permitem que a propaganda eleitoral seja um vale-tudo na busca do voto?

Do jeito que a coisa vai os partidos estão fazendo graça pro diabo rir. Depois não adianta reclamar. Ou será pensam que poderão fazer o eleitor de palhaço?

Imagem: cabecadoboeira.blogspot.com

sábado, 15 de setembro de 2012


Resposta errada, secretário.



Ao ser indagado pela reportagem do jornal Zero Hora como se sentia ao ver as imagens da violência sofrida pelo idoso Eloy Kath (81), que na última quinta-feira (13) teve seu automóvel roubado e foi agredido pelos três assaltantes e depois atropelado pelo próprio veículo, o secretário estadual da Segurança, Airton Michels, disse: “Como cidadão, meu sentimento é de indignação. Como secretário de Segurança, sinto uma frustração enorme”.

Com todo respeito, caro secretário, sua resposta está errada. O que a população gostaria de ter ouvido é justamente o contrário. Que o senhor, enquanto cidadão, sentisse uma frustração enorme (pois este é o sentimento dos gaúchos diante da crescente onda de violência). E que como secretário de Segurança se sentisse indignado (com o fato e com a situação da criminalidade).

Todos nós sabemos (pois sentimos isto no dia-a-dia) que o problema do roubo e furto de veículos (e outros crimes) em Porto Alegre já vem num crescendo havia anos. E sou testemunha disto, pois já “perdi” dois carros. No primeiro, com direito a revólver na cabeça, roubaram minha Parati. Foi no início da noite, em frente a minha residência. O segundo foi furtado quando estava estacionado em rua da Cidade Baixa. E vários amigos e familiares já tiveram o desprazer de passar por situações semelhantes. Até hoje os veículos não foram encontrados. Muito menos os ladrões.

Por isso mesmo, não podemos aceitar a falta de iniciativas do atual governo no combate a criminalidade. Já está mais do que na hora de dar um basta a esta situação. Como, não sei. Quem tem que saber são os técnicos da área. O que sei é que me sinto desprotegido. O que sei é que tremo só de pensar que terei que estacionar meu carro numa rua qualquer da Capital. É a este sentimento de medo que me refiro.

Até quando vamos ficar a mercê da bandidagem?

E não me venham as autoridades, agora que o vídeo do episódio do seu Eloy varou o mundo, com medidas pontuais, paliativas. A única coisa certa no momento é que alguém está sendo assaltado em alguma parte do Rio Grande e de Porto Alegre.

E não precisa ser conhecedor da área da segurança para saber que uma das principais causas da crescente onda de violência na Capital é a escassez de policiamento. Faltam policiais. Principalmente à noite. E isto pode ser constatado a qualquer momento. Basta olharmos para nossas praças, tomadas por usuários e traficante de drogas. Basta olharmos o enorme contingente de jovens (muitos menores de idade) que lotam as calçadas defronte a botecos, consumindo bebida alcoólica. Tudo isso sem que sejam importunados pela presença do policiamento. E não me digam que não existem recursos para contratação. Se tem para CC porque não haveria para policiais?

Mas por si só o policiamento não resolve o problema. É preciso que as prefeituras também contribuam. A começar pela melhoria da iluminação. Ruas claras afastam marginais. Pelo cuidado com as praças, inclusive com o uso da guarda municipal, devolvendo-as ao uso das famílias. E preciso também que o cidadão faça a sua parte. Que não se omita diante da violência (isto não significa reagir). Hoje em dia atos de violência, infelizmente, estão ficando banalizados. Por isso tanta gente se faz de rogada diante de uma ação violenta. Socorra a vítima. Dê-lhe atenção. E, principalmente, cobre uma solução das autoridades.

Como diria, mal fraseando o palhaço e hoje deputado federal, Tiririca: “Pior que tá não fica”.

Menos desculpas, secretário Michels, e mais ação.

Imagem: g1.globo.com

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Até quando?

Até quando seremos reféns dos ladrões de automóveis em Porto Alegre? Nem mesmo idosos e cachorros são poupados.

PT é o fiel da balança na
 eleição de Porto Alegre



Quem poderia dizer que numa eleição desde o início polarizada entre Fortunati e Manuela poderia ser decidida pela participação de um terceiro candidato, praticamente desconhecido pelo eleitorado de Porto Alegre. Pois é, campanha política se presta para estas surpresas. Refiro-me a Adão Villaverde, candidato do PT. Mas vejam bem, o candidato e não a candidatura. Sim, pois a presença do PT na disputa pela prefeitura da capital é uma constante desde o final da ditadura.

Lançado em meio a uma disputa com Raul Pont, presidente estadual do PT e um dos expoentes da DS, até então a maior corrente petista, Villaverde foi alçado à condição de candidato por uma articulação que uniu diversas correntes e se tornou majoritária nas prévias petistas. Uma vez candidato, coube à coordenação de sua campanha superar dois grandes obstáculos: unir e mobilizar o partido para a campanha e tornar Villa, como ficou definido por seus marqueteiros, conhecido do eleitorado de Porto Alegre.

A primeira missão, aparentemente, parecia a mais simples. Afinal, a militância petista sempre se destacou na busca do voto dos porto-alegrenses. Prova disto foi a vitória em quatro eleições consecutivas (1988 – 2000). A segunda não. Participando pela primeira vez de uma eleição majoritária, o deputado e ex-secretário estadual do governo Olívio Dutra, Villa sabia que seu principal problema seria fazer-se conhecido do eleitorado da capital. Como agravante disso, coube-lhe um reduzido espaço na propaganda eleitoral de rádio e TV.

Tentou e está tentando. Mas as pesquisas mostram que não está sendo fácil. Mais, que não está conseguindo. Todas as pesquisas realizadas até agora não conseguiram detectar uma intenção de voto que chegasse a dois dígitos. Esse mau desempenho tem lhe tirado a possibilidade de se apresentar como terceira via da eleição. Como resultado, consolidou-se a polarização da disputa entre Fortunati e Manuela, que apresentam desempenho superior a 30%.

Sem demonstrar desânimo, Adão Villaverde vem cumprindo a risca e com denodo o seu papel de candidato. Só que isso, somado ao péssimo desempenho dos candidatos do PSol, PSDB, PSL e PSTU, está colocando em risco a realização do segundo turno da eleição. Por motivos que este blog já mostrou, o principal dele o crescimento da candidatura de Fortunati e a estagnação da de Manuela.

Pois bem, ocorre que embora Villaverde visualize longe o horizonte da vitória, está em suas mãos a real possibilidade da realização do segundo turno desta eleição. A outra, claro, é o crescimento de Manuela, coisa que até agora não aconteceu. Digo real porque basta que o PT repita a tradicional mobilização, chamada em Porto Alegre de “onda vermelha”, para que ele cresça supere a barreira dos dois dígitos. Se isto acontecer, BINGO, teremos segundo turno. Com Fortunati e Manuela, claro. Mas teremos. E no segundo turno a eleição se modifica completamente. E tudo pode acontecer.

Mas para que a candidatura de Villa ocupe está posição de “fiel da balança” não depende apenas dele. Depende, fundamentalmente, do PT. Se o partido repetir a mobilização e a garra das últimas eleições isto fica fácil de acontecer. O tamanho do PT, por si só, é bem maior do que as pesquisas tem oferecido à Villaverde.

Mas tem que querer para acontecer. Tempo tem. Ainda faltam 23 dias para a eleição. Uma enormidade em se tratando do Exército Petista. Além disso, não dá prá esquecer que Porto Alegre possui papel estratégico para a campanha eleitoral de 2014, onde certamente Tarso Genro irá buscar sua reeleição. Ah! Esperem aí. Será este o motivo para a aparente neutralidade petista? Para não descontentar PDT e PCdoB, aliados de Tarso no Piratini? Pessoalmente não acredito. A menos que o PT tenha mudado. E muito. 

Imagem: jcsgarcia.blogspot.com


quinta-feira, 13 de setembro de 2012



Briga de beleza


Está ficando muito constrangedor para o Supremo Tribunal Federal as frequentes desavenças de opinião entre o relator do Mensalão, ministro Joaquim Barbosa, e o revisor, ministro Ricardo Lewandowski. Seria normal não fosse a gravidade da ação julgada e a frequência e intensidade com que elas ocorrem, sessão após sessão. Virou rotina. Uma lamentável rotina. Tudo isso aos olhos do Brasil, já que as sessões estão sendo transmitidas ao vivo pela televisão. O que os brasileiros esperam - e tomara que isto sensibilize todos os ministros do STF - é que seja feita justiça naquele que, segundo o Procurador-Geral da República, é "o mais atrevido escândalo de corrupção da história do Brasil", e que seja preservada a imagem positiva da maior corte da justiça do país. 


quarta-feira, 12 de setembro de 2012


O que pretende Lewandowski?



O que era uma tendência agora virou desconfiança. Refiro-me a conduta do ministro do STF, Ricardo Lewandowski.  Inicialmente, antes do início do julgamento do Mensalão, Lewandowski não demonstrou, digamos assim, interesse pelo início do julgamento em meio ao processo eleitoral. Uma vez definido que o julgamento iria acontecer, no primeiro dia do mesmo, mostrou-se favorável a tese dos defensores dos réus que não possuíam fórum privilegiado, de que o processo deveria ser divido. Ficaria no STF os réus com fórum privilegiado e os demais seriam julgados pelo STJ. Colocado em votação a proposta do revisor, perdeu para a vontade da maioria da corte. A seguir, divergiu da metodologia adotada pelo relator, ministro Joaquim Barbosa, que estabeleceu como sistemática o fatiamento da ação por segmentos distintos (econômico, político, etc.). Ouvida a corte, Lewandowski teve nova derrota.

Bem, daí em diante nada mais lhe restou senão cumprir o rito estabelecido. Ledo engano! Se não pode mexer no rito, se intrometeu no ritmo do julgamento. Deixando de lado o papel de coadjuvante, que lhe reserva a função de revisor, passou a se pronunciar de maneira demorada e acadêmica. Sem se importar pela impaciência dos seus colegas de corte e sem dar a mínima para o fato de dois ministros estarem com suas aposentadorias compulsórias marcadas, respectivamente, para agosto (Cezar Peluso) e novembro (Ayres Britto). Pois bem, o tempo foi passando é Cezar Peluso se aposentou e só conseguiu votar a primeira parte do processo. Seu substituto, o recém-nomeado ministro Teori Zavascki, já está certo, não irá participar do julgamento.

Alheio a tudo isto segue Lewandowski no seu trote, impassível. Já há quem diga que o alongamento previsto para o caso (por responsabilidade do revisor) não permitirá que Ayres Britto possa participar até o seu final. Se isso ocorrer, a fase derradeira e mais importante da ação criminal, que trata do núcleo político (José Dirceu, Delúbio Soares, José Genuíno e outros mais), poderá ocorrer com apenas nove ministros. Bem a gosto dos advogados de defesa, como já foi divulgado pela mídia.

Mas de tudo isto, uma coisa me causa desconforto. Lewandowski, que na primeira fase do julgamento, acompanhou o voto do relator e da maioria dos demais ministros, já não está tendo a mesma postura nesta segunda fase do julgamento. Hoje, por exemplo, absolveu vários réus. Minha dúvida é se esta tendência à benevolência do revisor irá se manter ou até mesmo aumentar, atingindo o seu clímax no julgamento dos réus do núcleo político. É bom lembrar que o relatório apresentado pelo revisor deu a José Dirceu o papel de “comandante” da fraude e atribuiu envolvimento criminoso a todos os demais.

 É essa a minha curiosidade final do julgamento. Como se comportará Lewandowski? Na verdade a dúvida é sobre questões pouco transparentes. Por exemplo. Por que ele se colocou na posição de ator principal do julgamento? A troco de que? Com que objetivo? Bem, só me resta esperar o andar do julgamento. Quem sabe até lá eu consiga descobrir.