sábado, 29 de dezembro de 2012


FELIZ E PRÓSPERO ANO NOVO





Desejo a todos que prestigiam este blog um ano novo repleto de felicidade, saúde, paz, amor e progresso. E que em 2013 eu possa escrever menos sobre corrupção e mais sobre desenvolvimento. Que possa elogiar os bons exemplos de ética e espírito público em número cada vez maior.  Que os governos façam sua parte, cuidando mais e melhor da saúde, da educação e da segurança. Que as promessas de campanha comecem finalmente a serem cumpridas. Que o respeito ao próximo, seja ele quem for, seja  regra e não exceção.  Caso isto não ocorra, me ajudem a não deixar isso passar em branco. Escrevam (ou leiam) comigo as 365 páginas deste novo ano. É que antes de ser um cara que protesta, sou um otimista incurável. Forte abraço. 

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012


Apertem o cinto que a coerência sumiu!



E a política brasileira e a gaúcha seguem em queda livre para o fundo do poço. Coerência e ideologia passaram a ser meros integrantes de um verdadeiro “Vale Tudo” (MMA) político, onde a troca de “porradas” é cada vez mais intensa durante a campanha eleitoral, mas que, após a proclamação do resultado (por nocaute ou não), vencedor e vencidos se abraçam e trocam gentilezas incompreensíveis.  Ou não é exatamente isto que ocorre na montagem dos governos?

O exemplo mais recente acontece em Porto Alegre.  Para obter uma maioria expressiva na Câmara de Vereadores e amenizar críticas a sua administração, José Fortunati compôs uma base governista de nada menos que nove partidos. E para chutar de vez o “balde da coerência” o prefeito arrebanhou, na nova composição, o apoio de antigos desafetos de campanha: o PSB, que esteve ao lado de Manuela D’Ávilla, e o candidato do PSDB, Wambert Di Lorenzo, algoz maior da EPTC. É ou não é um "espetáculo"?

E o pior de tudo é que Fortunati não está inovando. Lula e Dilma já fazem isto há muito tempo. E o eleitor acha que ao votar está definindo quem será situação e quem será oposição. Pobre eleitor! Não sabe que é apenas um simples peão no complexo jogo de xadrez da política. Enquanto isto, os espertos de plantão seguem sua senda de vitórias, extirpando quase que completamente o importante papel da oposição, responsável pela fiscalização dos mandos e desmandos dos governos “legitimamente” eleitos.

Mas os descaminhos da política não se resumem apenas ao Poder Executivo. Também o Legislativo segue célere na contramão da ética e dos bons costumes. Querem ver? Como explicar a ambição de Renan Calheiros (dada como certa) para se tornar presidente da Câmara dos Deputados, em substituição a José Sarney, seis anos após ter renunciado ao mesmo cargo para evitar sua cassação por denúncias de corrupção?  Como explicar a ascensão de José Genuíno ao cargo de deputado titular da Câmara dos Deputados, gerada pela renúncia do deputado Carlinhos Almeida (PT-SP), após ter sido condenado pelo STF a quase sete anos de prisão, por formação de quadrilha e corrupção ativa no episódio do Mensalão?

E por falar em STF, como não se surpreender com as declarações do ministro Luiz Fux de que para buscar apoio à sua nomeação para a suprema corte brasileira utilizou do prestígio político de José Dirceu? Sim, o mesmo Zé Dirceu tido pelo procurador-geral da República (reiterado pelo STF) como chefe da quadrilha do Mensalão, e que Fux ajudou a condenar, para surpresa do secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, que imaginava que Fux iria retribuir a sua indicação para o cargo com um tratamento menos belicoso aos réus ligados ao PT.

Por tudo isso, há que se indagar o estaria pensando Clístenes, pai da democracia grega, se estivesse vivo? Certamente estaria se questionando sobre o que a Constituição brasileira estaria tentando dizer com a máxima “todo poder emana do povo e em seu nome é exercido”. Como não dá para parar o mundo e descer, o que certamente seria a vontade de muitos, a solução é mudar o mundo. Mudando a política e os políticos. Pense nisso. Tem eleição daqui a um ano e meio.

Imagem: universoracionalista.wordpress.com

sábado, 15 de dezembro de 2012


Afinal, o que pretende o PT?



A sabedoria popular há muito tempo já alerta que “não há mal que sempre dure, nem bem que nunca acabe”. E apesar de todos os acertos dessa máxima sempre aparece alguém disposto a colocá-la em prova. Tudo indica que esse é o caso do Partido dos Trabalhadores. Originado na cabeça de intelectuais da esquerda brasileira, tendo como público-alvo a classe trabalhadora, o PT, na medida  em que crescia e se fortalecida no cenário político brasileiro, tal qual caminhão com carga mal amarrada, foi perdendo ao longo do caminho sua identidade e seu patrimônio político.

Outrora crítico ferrenho no combate a corrupção e outras mazelas o PT, 32 anos após a sua criação, passa por uma crise de personalidade. Mais do que isso, foi inoculado com o mal que combatia. E tal qual uma doença de gravidade, atingiu órgãos importantes para a sua sobrevivência. No caso, suas lideranças nacionais. Mas não foram só os Josés (Dirceu e Genuíno) ou outros expoentes da órbita petista. Também o astro rei foi afetado. Refiro-me ao todo poderoso Luiz  Inácio Lula da Silva.

Portador de uma credibilidade impar no país, Lula, ex-operário, ex-presidente nacional do PT, ex-deputado e ex-presidente da República, tido como um novo “pai dos pobres”, está tendo seu nome envolvido em denuncias de malversação do poder para obter vantagens pessoais e de favorecimento indevido ao seu partido. Até tu Lula, dirão os  incrédulos e os ingênuos. Pois não é que é.

Mas tal qual doente terminal, a estrela maior do PT, cujo poder sobre a população é capaz, dizem, de eleger até um poste, limita sua defesa a poucas palavras e até mesmo ao silêncio, contradizendo sua tradicional verborragia, sempre repleta de frases de efeito e de citações futebolísticas. A pergunta que fica é: o que leva Lula a optar pelo comedimento ao invés da defesa coloquial? Será que ele se omite por confiar nas gorduras de credibilidade que ainda lhe restam? Ou será que vê no silêncio uma forma de espera (ou esperança) de que os assuntos caiam no esquecimento?

Enquanto as explicações não chegam, as dúvidas permanecem. E as tentativas de imunização também. E não apenas para o ex-presidente, pois o que acontece a Lula afeta também o PT. Talvez isso explique o levante nacional que o PT começa a por em prática. Com um planejamento para ficar pelo menos duas décadas no poder, o partido de Lula não mede conseqüências na defesa de suas lideranças e de seu domínio. E dê-lhe manifestações públicas e protestos contra o STF e a imprensa. E dê-lhe encontros partidários para bradar frases midiáticas do tipo “Lula é meu amigo, mexeu com ele, mexeu comigo”. Ou: “ Dirceu, guerreiro, do povo brasileiro”.

O que pretende o PT?  Mostrar que é maior que a Justiça? Ou será que acreditam na possibilidade de implantar uma ditadura de esquerda, onde a lei é subalterna aos interesses do partido? Ou será que confiam tanto no poder da “filantropia popular”, do tipo bolsa-família, que se imaginam acima de tudo e de todos?

Muitas são as perguntas e maiores ainda são as dúvidas. Que tipo de reinado o PT pretende fundar em bases tão frágeis? Não seria mais fácil apresentar explicações convincentes para as  denúncias? Ou será que isto é o mais difícil? Em política, nem sempre o silêncio é a melhor resposta.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012


O tsunami do desenvolvimento populista.



Por está o PT não esperava. A política de benesses às classes menos favorecidas, criada pelos governos Lula e Dilma Rousseff, baseada na implantação de programas populares, do tipo Bolsa Família, teve efeito bumerangue. Isso porque o aumento da classe média, fruto do crescimento e do fortalecimento da economia, não se refletiu apenas no aspecto consumista. Adentrou o segmento de serviços.

A nova classe média também quer um atendimento de saúde rápido eficiente. Quer segurança para o seu patrimônio recém-adquirido. E quer proporcionar uma educação qualificada para os seus filhos. Que lhes proporcione condições de disputar espaços privilegiados e bem remunerados no mercado de trabalho. Quer, enfim, tudo aquilo que a tradicional classe média, consciente do desequilíbrio do custo x benefício gerado pelo pagamento de impostos tanto tem clamado e reclamado.  Ou seja, caridade com o dinheiro alheio também gera dependência predatória.

E agora? Esses novos bem-sucedidos da economia brasileira vão poder comprar jornal e revista. Ver TV. Ouvir rádio. Vão, enfim, se informar e formar consciência. E ai vão ficar sabendo do Mensalão e outras mazelas dos seus “padrinhos benfeitores”. Vão tomar conhecimento do risco que o país corre de ter um apagão por falta de investimentos no setor elétrico. Vão tremer de medo de ter que procurar socorro hospitalar e não encontrar leitos disponíveis para si ou para sua família. Vão ter medo de sair à rua a noite e ser assaltado ou assassinado, por falta de policiamento. Vão saber que o diploma que orgulhosamente ornamenta a parede da sala não lhes garante o pleno exercício da profissão, por não ter tido uma educação superior de qualidade.

Epa! Mas e se essa tal de classe média acabar sendo a maioria dos eleitores? O que fazer com os programas populares? Bem, falta apenas dois anos para a eleição para presidente da República. Muito pouco para gerar uma maioria que possa ameaçar o atual domínio petista. Mas se não existe tempo suficiente para conscientizar a maioria do eleitorado de que as “bolsas petistas” são quase nada em se tratando das necessidades básicas da população, o mesmo vale para o conhecimento das denúncias que começam a cair sobre Lula, o todo poderoso do PT e tido como novo “pai dos pobres”.

Mas tem a campanha eleitoral e seus espaços democráticos de rádio e TV. É, mas para desmascarar a política populista do PT é preciso ter uma oposição de verdade. E sem “rabo”. Bem, ai é que o caldo engrossa. A maioria dos partidos já foi cooptado pelo PT e hoje desfruta de espaço no poder. Mas deve ter alguém que possa desempenhar o verdadeiro papel de estadista. Que coloque a educação como prioridade máxima de seu governo. Que saiba cercar-se de assessores sérios, honestos e capacitados. Que seja companheiro de todos os brasileiros e não apenas dos seus correligionários. Que saiba colocar o interesse público acima do interesse pessoal ou partidário.

Enquanto isso não acontece, a crescente classe média, tal qual um tsunami, aumenta não apenas seu tamanho, mas também seu nível de conscientização, ameaçando sobremodo o projeto petista de dominação do cenário político e de perpetuação no poder. 

terça-feira, 4 de dezembro de 2012



Curta metragem




Rosemary Noronha é o elo perdido do modo Lula de fazer política e a comprovação de que Barbosinha tinha razão: Lula pode ser tudo, menos ingênuo.

A expedição São Tomé.



Antes de embarcar no ônibus (uma espécie de Tarsomóvel) para iniciar o roteiro de visitar no interior do estado, batizado pelo Palácio Piratini de “Semana de Interiorização – Prestação de Contas 2012”, o governador Tarso Genro criticou a imprensa pelo modo como vem tratando seu governo. “Queremos que nosso projeto seja debatido, o que não está acontecendo”, disse ele.

Pois bem governador, sinto lhe informar que não será a incursão oficial que irá melhorar essa relação. Pelo contrário. Prepare-se para reclamar pelo pouco espaço midiático dado a ela (a incursão). E os motivos são os mesmo que geraram sua reclamação. A falta de uma agenda positiva. Como divulgar com destaque o que pouco tem para ser informado. E o próprio roteiro comprova isto. Poucas são as obras importantes que serão apresentadas a população.

Já a agenda negativa dos dois primeiros anos do governo petista é farta de notícias ruins. Daí o desequilíbrio da balança midiática. E querer negar isto é fechar os olhos para a realidade. Tentar tapar o sol com a peneira. E cá entre nós, Tarso não tem do que reclamar. Até agora a imprensa tem poupado seu governo da rotineira mesmice de sempre. Para quem se elegeu prometendo muito e realizado muito pouco, os 63% de avaliação positiva obtido nas pesquisas é um superávit político invejável. Pouco compreensível, mas admirável.

É por isso que a semana de incursão ao interior do estado pode ser chamada de “Expedição São Tomé”. Por ter tão pouco a mostrar (em termos de obras), a ponto de precisar ir “em loco” para fazer os outros crerem que algo foi ou está sendo feito. E olha que isso já é sair no lucro, pois se o Cpers fosse coerente com o seu passado já estaria realizando atos de protesto em todas as cidades visitadas.

Mas é preciso reconhecer a coragem do governador e o oportunismo da sua presença no interior. Estar perto da população é sempre uma atitude a ser louvada num governante. Mas não basta ouvir. Tem que se envolver e realizar. E muito precisa ser feito. Se o “alinhamento das estrelas” foi importante para eleger Tarso no primeiro turno, tem que ser fonte inspiradora também na condução do Estado ao desenvolvimento. Se o Brasil está se fortalecendo social e economicamente o mesmo tem que ocorrer no Rio Grande do Sul.

E para que isso ocorra o Estado não pode andar de ônibus. Tem que pegar um avião. Pode ser até o sucatão do governo do Estado. Então mãos à obra governador. Abdique da posição de São Tomé é passe a atuar como o imperador Júlio César, que foi, viu e venceu (“veni, vidi, vici”).  Só assim o Rio Grande vencerá a batalha contra o atraso e poderá produzir boas notícias.

Imagem: voznativacomunicacoes.blogspot.com