Uma
eleição de futuro e não de passado.
Uma das
máximas de qualquer campanha eleitoral é a aposta no esquecimento.
Na falta de memória do eleitor. Não que isso não aconteça.
Infelizmente sim. Mas os exemplos de que a nossa adolescente
democracia e a nossa infantil redemocratização estão avançando
são inquestionáveis. Não nos conformamos mais com a esmola
governamental. Queremos mais. Cada vez mais. E cobramos isso. Nem
que seja no grito das ruas. E tudo indica que será também nas
urnas. Pelo menos é o que mostram as pesquisas e os protestos nas
redes sociais.
Faço
essa referência pelas notícias políticas dos jornais desta
segunda-feira. Nelas leio, por exemplo, que o candidato do PMDB ao
governo do Estado, José Ivo Sartori, é apresentado como terceira
via para uma possível polarização entre Tarso e Ana Amélia. Sob
que argumento? Por ter sido bem sucedido na prefeitura de Caxias e
por possuir experiência parlamentar. Ora, se fosse por isso, o Fogaça
deveria ter ganho a eleição passada. Quer mais currículo e
experiência executiva do que ele? E não foi isso o que aconteceu.
Da mesma forma a posição de neutralidade, de paz e amor modelo
Rigotto, prometida por Sartori, não me parece coerente com o clamor das
ruas, que pede comprometimento e atitude dos seus governantes.
O mesmo
ocorre com as notícias advindas da convenção estadual do PT.
Nelas, Tarso aposta suas fichas na ideologização e na comparação
com os governos que o antecederam. Ora, buscar o debate ideológico
num momento em que a população expulsa a militância partidária
dos protestos das ruas é querer impor a sua suposta realidade a
veracidade dos fatos. Mero argumento de marketing. Igualmente, querer se mostrar empreendedor em
meio a piora dos serviços públicos, tais como a péssima manutenção das
rodovias e aumento dos índices de criminalidade, é tripudiar sobre o
contribuinte, que muito paga e pouco recebe. E o que falar então do crescente e preocupante déficit
do erário estadual.
O grande
erro do enfoque dos dois candidatos, ao meu ver, é a busca do
convencimento do eleitor tendo como base o passado. Numa época em que
o eleitor considera o Bolsa Família como uma conquista perene, de
sua propriedade, buscar o convencimento pelo que foi feito e não
pelo que vai fazer para melhorar a qualidade de vida das pessoas é
chover no molhado. Os gaúchos clamam por mudança. Por avanços.
Quem provar que pode fazer mais ganha a eleição. E não adianta
mentir, fazendo promessas sedutoras, pois a memória recente do
eleitor não vai permitir que ele caia novamente na mesma armadilha.
Sem dúvida teremos uma das melhores e mais produtivas eleições dos últimos anos.






