segunda-feira, 30 de junho de 2014

Uma eleição de futuro e não de passado.




Uma das máximas de qualquer campanha eleitoral é a aposta no esquecimento. Na falta de memória do eleitor. Não que isso não aconteça. Infelizmente sim. Mas os exemplos de que a nossa adolescente democracia e a nossa infantil redemocratização estão avançando são inquestionáveis. Não nos conformamos mais com a esmola governamental. Queremos mais. Cada vez mais. E cobramos isso. Nem que seja no grito das ruas. E tudo indica que será também nas urnas. Pelo menos é o que mostram as pesquisas e os protestos nas redes sociais.

Faço essa referência pelas notícias políticas dos jornais desta segunda-feira. Nelas leio, por exemplo, que o candidato do PMDB ao governo do Estado, José Ivo Sartori, é apresentado como terceira via para uma possível polarização entre Tarso e Ana Amélia. Sob que argumento? Por ter sido bem sucedido na prefeitura de Caxias e por possuir experiência parlamentar. Ora, se fosse por isso, o Fogaça deveria ter ganho a eleição passada. Quer mais currículo e experiência executiva do que ele? E não foi isso o que aconteceu. Da mesma forma a posição de neutralidade, de paz e amor modelo Rigotto, prometida por Sartori, não me parece coerente com o clamor das ruas, que pede comprometimento e atitude dos seus governantes.

O mesmo ocorre com as notícias advindas da convenção estadual do PT. Nelas, Tarso aposta suas fichas na ideologização e na comparação com os governos que o antecederam. Ora, buscar o debate ideológico num momento em que a população expulsa a militância partidária dos protestos das ruas é querer impor a sua suposta realidade a veracidade dos fatos. Mero argumento de marketing. Igualmente, querer se mostrar empreendedor em meio a piora dos serviços públicos, tais como a péssima manutenção das rodovias e aumento dos índices de criminalidade, é tripudiar sobre o contribuinte, que muito paga e pouco recebe. E o que falar então do crescente e preocupante déficit do erário estadual.


O grande erro do enfoque dos dois candidatos, ao meu ver, é a busca do convencimento do eleitor tendo como base o passado. Numa época em que o eleitor considera o Bolsa Família como uma conquista perene, de sua propriedade, buscar o convencimento pelo que foi feito e não pelo que vai fazer para melhorar a qualidade de vida das pessoas é chover no molhado. Os gaúchos clamam por mudança. Por avanços. Quem provar que pode fazer mais ganha a eleição. E não adianta mentir, fazendo promessas sedutoras, pois a memória recente do eleitor não vai permitir que ele caia novamente na mesma armadilha. 

Sem dúvida teremos uma das melhores e mais produtivas eleições dos últimos anos.

sexta-feira, 20 de junho de 2014



O PAC da mentira.




PT promete lançar no transcorrer da campanha eleitoral o chamado PAC Estadual da Infraestrutura. Os investimentos prometidos serão da ordem de R$ 2 bilhões. Ocorre que a origem dos recursos será a renegociação da dívida do Estado para com a União. Como assim? Mais uma promessa baseada na ilusão? O Governo Federal não cogita a possibilidade de tratar do assunto. Como alguém que não consegue sequer tapar buracos nas estradas pode achar que tem credibilidade para prometer fazer mais do que isto? As pesquisas mostram que os gaúchos não confiam mais no governo petista, mas será que os prefeitos irão cair novamente nesta cantilena enganadora de Tarso? Para refrescar a memória dos esquecidos lembro a declaração de Tarso no início do seu terceiro ano de governo: “o secretário que disser que não existe dinheiro para tocar seus projetos estará mentindo”. O anúncio do PAC mostra que o mentiroso era outro.  

terça-feira, 17 de junho de 2014

Torçam pelo Brasil e calem a boca.



Estou me lixando para os fanáticos por futebol que por estarem excitadíssimos com a realização da Copa do Mundo no Brasil não aceitam crítica a realização do caríssimo torneio. Entre seus comentários desabonadores aos críticos do evento, prefiro dar importância as manifestações dos profissionais que estiveram em outras Copas e que dizem, por exemplo, que a África do Sul realizou o evento com muito mais competência e aproveitamento. E aí querem que acreditamos no que Dilma diz, que está será a Copa das Copas, frase que nos ridiculariza internacionalmente. O Brasil é case de sucesso só para o PT.

É preciso que os brasileiros aprendam a criticar e cobrar. Chega de contemplação e de inércia. É por conta desse imobilismo que vulgarizamos os alarmantes índices de mortalidade no trânsito e de latrocínios. E ao contrário do que pensam nos países desenvolvido, os brasileiros não são bobos. Sabem que o governo faz muito pouco pelo muito que arrecada em impostos. Por incompetência e por uso indevido dos recursos públicos. É por isso que até as obras da Copa não foram concluídas a tempo e as que foram apresentam problemas de acabamento e superfaturamento.

Mais do que estádios cheios de torcedores, prefiro ver as ruas lotadas de manifestantes clamando pela melhoria dos serviços públicos. Defender o lazer da Copa como recreio para o inferno do cotidiano é rir-se do próprio azar. A máxima do pão e circo, no caso futebol e bolsa-família, não vai resolver as graves carências das áreas da saúde, educação e segurança, setores de responsabilidade direta do Estado.


Pelo que se sabe, os ganhos com a Copa ainda estão aquém do esperado. Os hotéis não lotaram. O comércio e os serviços não tiveram o incremento financeiro desejado. O tal legado da Copa, portanto, se acontecer, ficará para depois da Copa. Então, o mínimo que os apaixonados por futebol devem fazer é calar-se diante das críticas dos mais lúcidos.  Que vão gritar seu gol sem abafar a voz dos críticos.  

terça-feira, 10 de junho de 2014

Quando o ataque não é a melhor defesa.



A tímida e constrangedora tentativa de Tarso Genro de contrapor-se a legítima indagação da senadora Ana Amélia Lemos, manifestada na propaganda política do PP, do por que o governo  não estar fazendo a sua parte, uma vez que o cidadão e a cidadã gaúcha estão fazendo a sua, comprova que o petista acusou o golpe. Mas ao invés de provar o contrário, Tarso tenta fazer cobrança similar, questionando o desempenho de Ana Amélia Lemos no Senado. Que o PT erre na gestão do Estado é compreensível, pois já é reincidente nisso (vide governo Olívio Dutra), agora errar na estratégia política é que surpreende. Não faz parte do histórico do PT cometer equívocos no ataque implacável aos seus adversários. Especialmente em ano eleitoral.

Vejamos. Tarso cobra de Ana Amélia sua atuação na defesa dos pequenos produtores rurais, tentando carimba-la como aliada dos grandes produtores. Como assim? Onde está o embasamento dessa premissa? No preconceito? Claro que não, Ana Amélia é de origem humilde, filha de pequenos produtores rurais, já tendo colocada a mão na terra para produzir o alimento que ia para a mesa da família. No interesse econômico? Fosse assim ela teria se dedicado a atividade primária e não a profissão de jornalista, onde obteve carreira bem sucedida.

Aliás, foi por causa dos seus comentários profissionais oportunos e pontuais que ela ganhou fama de especialista em agronegócio, segmento econômico responsável por expressiva parcela do PIB do Rio Grande do Sul. Ou alguém pode duvidar do significado do agronegócio para o desenvolvimento do estado? Até mesmo Tarso tem se valido das safras recordes para tirar proveito político. Então que balela é essa de tentar classificar Ana Amélia de representante do agronegócio? No máximo o que se pode dizer da sua atuação na área é de que ela representa, e muito bem, a defesa do setor primário gaúcho como um todo.

Ao invés de atacar a senadora, Tarso deveria explicar por que não cumpriu com as suas promessas de campanha, que de tão sedutoras, deu-lhe a inédita vitória em primeiro turno. Criticar a atuação de Ana Amélia enquanto senadora é chover no molhado. Sua atuação no Senado da República, na primeira parte do seu mandato, deu-lhe reconhecimento no mundo político e fora dele. Internamente foi escolhida como uma das parlamentares mais influentes do Congresso Nacional e diversas vezes indicada como destaque político nacional.

São inúmeros os projetos apresentados por Ana Amélia que tiveram grande repercussão social, especialmente os ligados à área da saúde, mais especificamente no tratamento do câncer. E foi graças ao seu trabalho e ao seu permanente interesse em solucionar problemas que há décadas causam prejuízos ao cidadão, que Ana Amélia conseguiu se destacar numa área tão desacreditada atualmente, como é o caso da política.

O conhecido estrategista militar chinês, Sun Tzu, em seu livro “A arte da guerra”, disse que uma das medidas para se vencer uma batalha está em não interromper o inimigo enquanto ele estiver cometendo um erro. É o que pode recomendar neste momento em que Tarso gasta energia tentando criar um estereótipo fantasioso da senadora Ana Amélia. Mas as pesquisas de opinião e os comentários ouvidos nas ruas indicam que o foco petista está equivocado na sua intenção. O eleitor, especialmente o gaúcho, já está vacinado contra as estratégias diversionistas do PT. Já sabe que não deve acreditar em tudo o que o PT fala. E mais, não quer saber de bate-boca eleitoral e muito menos de agressões pessoais. O que o eleitor quer mesmo é saber quais são as propostas reais dos candidatos para lhe proporcionar melhores serviços públicos e uma vida mais digna.


E é aí que a situação de Tarso, enquanto candidato a reeleição, se agrava. Falta-lhe credibilidade e imagem de gestor eficiente. Então realmente não lhe resta outra saída senão tentar desviar o foco, acusando os adversários dos defeitos que são seus. Ao contrário do que acontece no futebol, nem sempre o ataque é a melhor defesa. As urnas vão acabar comprovando que isto vale também para a política.  

segunda-feira, 9 de junho de 2014

O PT vai mal? A culpa é da imprensa.




Tem momentos na vida que o melhor é pensar uma, duas, dez, cem vezes antes de transformar um pensamento em palavras. Hoje é um desses. Acabo de ler no site Sul21 uma entrevista de Tarso Genro onde ele destila toda a sua arrogância e desfaçatez.  Disse, com todas as letras possíveis, que a campanha eleitoral vai permitir que os gaúchos fiquem sabendo da excelência do seu governo, até então ignorado pela mídia. Até parece (e é) coisa orquestrada. Há poucos dias Lula, de passagem pelo estado, disse que nunca um presidente da República foi tão maltratado pela imprensa como Dilma Rousseff está sendo.  Ou seja, o PT já tem montada a sua estratégia para explicar seus fracassos e desvios de conduta. A culpa é da imprensa.

Como assim, cara-pálida? Então foi a imprensa que inventou o Mensalão, que Lula e o PT dizem não ter existido? Foi a mídia que realizou a transação lesa-pátria que resultou num enorme prejuízo financeiro à Petrobrás e aos cofres da nação? Para ficar apenas nesses dois casos. E a nível regional? Foi a imprensa que prometeu implantar o piso salarial para o magistério? Foi a mídia gaúcha que transformou as estradas conservadas em vias esburacadas, usando como argumento  a mentira de que o pedágio público traria mais benefícios que o pedágio privado?  É a imprensa que está afundando o estado em dívidas cada vez maiores?

Então que história é essa de por a responsabilidade na imprensa pela ameaça do fim da era petista na imprensa? Eleição existe para que o eleitor faça um balanço do acerto e dos erros de seus representantes. Que culpa tem a imprensa se os erros foram maiores que os acertos. É natural que todos os governos se queixem da imprensa. Ainda mais o PT, que se acha mais realista que o rei. Mas em nenhuma época a imprensa foi apontada como culpada pelos fracassos governamentais.

A régua para medir um bom governo não é a centimetragem alcançada nos jornais. Muito menos o tempo de exposição nos telejornais e de radiojornalismo. O que mede a eficiência de um governo é o índice de  aceitação popular gerada pelos bons serviços públicos prestados. Ou o PT ainda considera que o eleitor é apenas um detalhe, matéria-prima de fácil manipulação? Os tempos mudaram. E nisso a imprensa tem realmente sua participação. O eleitor, graças a Deus, já está pensando no que lê, ouve e vê.  E, por isso, não acredita mais nos falsos messias e nem nas promessas milagrosas.  

O PT, que pensa que o dinheiro compra tudo, esquece que consciência não tem preço. E que apesar de investir muito pouco em Educação tem gente que aprendeu a pensar. As pesquisas de opinião mostram claramente que a imprensa é uma das instituições de maior credibilidade, ao contrário da política e dos políticos. Nada contra estes dois segmentos. Pelo contrário, eles são imprescindíveis para a existência da democracia. Mas que políticos corruptos, mentirosos e com outros deméritos não merecem mais a confiança do eleitor, isso é inquestionável. Não precisa que imprensa faça campanha para isto.


O PT bateu no fundo do poço. Sem ter mais discurso para criticar o neoliberalismo, o FHC, o FMI, e outros chavões clássicos, escolheu como ultima bala na agulha a imprensa. Tudo indica que o tiro sairá pela culatra. Acabará virando manchete de jornal e abertura do noticiário de rádio e TV. Aí, na oposição, o PT irá perdoar todos os equívocos midiáticos e passará a ser a o melhor amigo da imprensa. Agora, se permanecer no poder, certamente irá derramar toda a sua ira sobre o atual maior rival. É ver para crer. 

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Lula, por ele mesmo.


Por solicitação, divulgo os principais trechos dos posts que publiquei no meu perfil do Facebook durante a palestra do ex-presidente Lula, realizada no dia 5 de junho, no Hotel Deville, por ocasião da comemoração dos 10 anos da Revista Voto. Está em aspas porque são transcrições fiéis as declarações de Lula.

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"Quando assumi a presidência a verba de publicidade era repartida para cerca de 300 veículos. Em 2009 isso foi ampliado para mais de 4.000 veículos. Isto significa democratização da informação oficial. "
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"A política resolve mais do que a economia"
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"Doze anos consecutivos de derrota ajudou-me a me preparar para governar este país".
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“No Bolsa-Família o dinheiro é dado na mão da mulher porque se der na mão do homem ele vai gastar com futebol e cerveja”.Parte superior do formulário
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"Foi no meu governo que criamos o crédito consignado".
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“A bolha financeira dos EUA é mentirosa. Por isso eu disse ao Obama que a dívida americana não foi construída por gente negra mas olhos verdes e azuis, vindos da Europa".
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"No Brasil de hoje pobre deixou de ser problema para ser solução".
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"Nem sempre a imprensa diz a verdade. Quando eu falo da imprensa dizem que é agressão, mas quando a imprensa me agride, dizem que é crítica".
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"Nós fizemos o Brasil virar uma nação. Antes quando um brasileiro ia ao exterior era visto como traficante ou contrabandista. Hoje o passaporte brasileiro é respeitado".
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"O último presidente a investir em infraestrutura no Brasil foi o Geisel e aí o pais se atolou numa dívida tal que deu a esse período o título de década perdida. Precisou que chegássemos ao governo para nos vermos livre do FMI. Hoje é eles que são nossos devedores."
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"Torcedor não quer saber se vai demorar para chegar ao estádio porque não tem metrô ou avenida asfaltada, ele quer saber se o seu lugar está garantido e se vai poder torcer para o seu time".
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"Nunca o empresário brasileiro ganhou tanto dinheiro".
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"Temos que acabar com esse complexo de vira-lata que a imprensa reforça todo o dia. Falta só um pouquinho de nada para passarmos da Inglaterra e da França e nos tornarmos a quinta economia do mundo".
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"Ainda vai chegar o dia em que veremos pobre andando de carro e rico andando de ônibus".
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 "Se a dona de casa usar o dinheiro do bolsa família para comprar maquiagem que bom. Deixa. Qual o homem que não gosta de ver a sua mulher bonita?".
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“Nunca um presidente brasileiro foi tão maltratado pela imprensa como a Dilma”.
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segunda-feira, 2 de junho de 2014

A verdadeira mudança começa pelo eleitor.



Toda eleição é a mesma coisa. Os candidatos, inclusive os da situação, abusam de expressões do tipo mudança, renovação e outras mais. É o que tudo indica estará acontecendo no Rio Grande do Sul nos meses que antecedem as eleições gerais de outubro. Pelo menos é o que se depreende das manifestações geradas pelos já declarados pré-candidatos ao governo do Estado. O interessante é que todos os partidos, com exceção do PSol, já governaram o Estado. Mesmo assim, pelo que se lê, ouve e vê, Psol e renovação não combinam muito bem. E o que mudou? Quais foram os graves problemas estruturais que tiveram solução, ou pelo menos encaminhamento de solução, no período em que estiveram no Palácio Piratini? Que eu me lembre nenhum. Pelo menos na esfera de responsabilidade do Estado, em áreas como a educação, saúde e segurança.

Pelo contrário, os estudos realizados nestas áreas demonstram uma regressão progressiva governo após governo. E olha que a rotatividade nos últimos trinta anos, desde o retorno das eleições diretas, foi intensa. No Rio Grande, o PP (então PDS) governou uma vez (1983 – 1987); o PMDB três vezes (1987 – 1990, 1995 – 1998 e 2003 – 2007); o PDT uma vez (1991 – 1994); e o PT duas vezes (1999 – 2002 e 2011 – 2014).

Mas houveram algumas propostas bem intencionadas que não germinaram graças a cultura do “não fui eu que fiz então não presta”, como o piso salarial de 2,5 salários mínimos para o magistério fixado pelo então governador Jair Soares (PP) e que foi derrubado na justiça pelo seu sucessor, Pedro Simon (PMDB). Da mesma forma, a implantação de uma política de atração de investimentos baseada na parceria estado-iniciativa privada, promovida no governo Britto (PMDB), foi desmantelada no governo seguinte, de Olívio Dutra (PT). E ficamos por aí.

Claro que houveram avanços pontuais, como a implantação do Polo Petroquímico, a montadora da GM, em Gravataí, e o Polo Naval de Rio Grande. Mas isso é muito pouco para um período que envolve três décadas. Mas não é isso que preocupa os gaúchos. E as manifestações das ruas mostram claramente. É a baixa oferta de serviços públicos de qualidade. Se a economia do Rio Grande não consegue aumentar, apesar das safras agrícolas recordes, pelo menos o dinheiro arrecadado poderia ter sido melhor utilizado nas áreas da saúde, saneamento, educação e segurança. Mas não foram.

Mas então quem está falando a verdade quando se refere a mudança para melhor? Bem, ai vai da consciência de cada um. Será o PMDB que nos últimos 30 anos governou 12 e pouco fez? Será o PT, especialista em campanha política mas comprovadamente deficiente em gestão governamental? Ou será que a sedução do eleitor se dará pelo nome do candidato e não pelo partido? Se for assim, a novidade, a mudança, será Ana Amélia (PP), que de todos foi a única que ainda não concorreu a nenhum cargo executivo, como governador e prefeito. Todos os demais já concorreram. Alguns diversas vezes, como é o caso de Roberto Robaina (PSol).

Mas não são estes os critérios que, ao meu ver, devam ser considerados pelo eleitor. Óbvio que o currículo pessoal e político dos candidatos deva ser considerado na hora da escolha. Prometeu e não cumpriu? Está eliminado. Teve oportunidade de fazer e não fez? Fora. Da mesma forma o histórico de cada sigla (na oposição e no governo) deve ser analisado na hora de votar. Mas se a expressão mudança para melhor for realmente a prioridade da eleição, o eleitor deve se ater aos planos de governo, as propostas viáveis de gestão e, principalmente, com a coerência do candidato na sua postura  cidadã, antes e depois de ingressar na política. Está mais do que provado de que ser um político profissional não significa ser um gestor eficiente e responsável. Pode até ser, nada impede, mas não é pré-requisito básico.

Por tudo isso é que recomendo cautela quando você ouvir a palavra mudança. Pode ser que a palavra mudança signifique apenas estratégia de campanha e não sinceridade. O eleitor brasileiro está demonstrando nas ruas que tem maturidade e sensibilidade suficiente para captar essa diferença. Pense nisso. Converse sobre isso. Pode ser o verdadeiro começo da mudança desejada.