Vai ter surpresa na eleição de Porto
Alegre?
Embora os quatro principais competidores à eleição para a prefeitura de
Porto Alegre apareçam com percentuais muito próximos na pesquisa Methodus,
publicada hoje no CP, observa-se uma tendência inédita em termos eleitorais, se
considerarmos o período da redemocratização brasileira. Refiro-me a ausência de
candidatos da esquerda no segundo turno.
A tendência, ainda não consolidada, tem como base a pesquisa Ibope
realizada exatamente há um meses atrás. Em 22 de agosto, Luciana Genro aparecia
em primeiro lugar com 23% e Raul Pont em segundo, com 18%. Em terceiro e
quarto, respectivamente, vinham Marchezan, com 12%, e Sebastião Melo, com 10%.
Hoje, pela pesquisa Methodus/CP, essas posições se inverteram. Melo está em primeiro, com 21%estimulada e 18,2% na espontânea; Marchezan aparece em segundo com 13,7% e 9,7%, respectivamente; Pont está em terceiro, com 11,8% e 9,5%; e Luciana com 11,5% e 8,5%.
Numa rápida análise comparativa das duas pesquisas, percebe-se duas importantes razões: o tempo da propaganda de rádio e televisão e a crise política gerada a partir das ações da operação Lava Jato. No primeiro aspecto, a principal prejudicada, sem dúvida, foi Luciana Genro, que com seus 12 segundos está praticamente invisível na televisão. O interessante é que dos quatro partidos realmente na disputa o Psol, partido de Luciana, é o único que não foi afetado pela Lava Jato.
Os demais, embora em diferentes níveis, aparecem com destaque negativo na mídia. Pont, do PT, é sem dúvida o mais prejudicado. Por razões óbvias, principalmente pelos acontecimentos que envolveram Dilma e Lula, os principais líderes do partido. A tendência é de dificuldade de crescimento, em razão do noticiário sobre a transformação de Lula de suspeito em réu.
Marchezan, com seu PSDB ainda pouco afetado midiaticamente pelas denúncias de corrupção, apesar de ter o PP como companheiro de chapa, este sim frequentador das manchetes, tem a seu favor sua conduta pessoal, muitas vezes diferenciada da maioria dos seus correligionários, o que lhe dá uma aparência de independência, muito próxima do estereótipo comum do eleitor brasileiro, que é a de crítico do modus operandis da política e dos políticos do país. Tudo indica, pelo crescimento nas pesquisas, que essa identificação começa a dar frutos.
O mesmo pode ser dito para Sebastião Melo. Nesse caso com uma imunidade ainda mais surpreendente. Melo, apesar do PMDB estar no olho do furacão midiático da Lava Jato, com várias lideranças peemedebistas envolvidas, e de integrar o PMDB do governo Sartori, muito mal avaliado pelos gaúchos, está conseguindo se manter na faixa dos 20% nas recentes pesquisa realizadas.
A meu ver, de maneira ainda frágil, basicamente sustentada pelo tempo de televisão, duas vezes e meia maior do que o de Marchezan; três vezes mais do que o do Pont; e trinta e três vezes maior do que o da Luciana. Outro fator preponderante na sua condição de candidato melhor avaliado é, sem dúvida, o fato dele ser o representante da continuidade, com o atual prefeito e a máquina administrativa atuando como cabos eleitorais.
Neste cenário eletrizante, cada dia tem a sua importância multiplicada. Por isso as próximas pesquisas serão decisivas para a definição dos votos do expressivo número de leitores indecisos. Aliás, tem pesquisa Ibope/RBS neste final de semana, sabiam?

