quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Vai ter surpresa na eleição de Porto Alegre?



Embora os quatro principais competidores à eleição para a prefeitura de Porto Alegre apareçam com percentuais muito próximos na pesquisa Methodus, publicada hoje no CP, observa-se uma tendência inédita em termos eleitorais, se considerarmos o período da redemocratização brasileira. Refiro-me a ausência de candidatos da esquerda no segundo turno.

A tendência, ainda não consolidada, tem como base a pesquisa Ibope realizada exatamente há um meses atrás. Em 22 de agosto, Luciana Genro aparecia em primeiro lugar com 23% e Raul Pont em segundo, com 18%. Em terceiro e quarto, respectivamente, vinham Marchezan, com 12%, e Sebastião Melo, com 10%.

Hoje, pela pesquisa Methodus/CP, essas posições se inverteram. Melo está em primeiro, com 21%estimulada e 18,2% na espontânea; Marchezan aparece em segundo com 13,7% e 9,7%, respectivamente; Pont está em terceiro, com 11,8% e 9,5%; e Luciana com 11,5% e 8,5%.

Numa rápida análise comparativa das duas pesquisas, percebe-se duas importantes razões: o tempo da propaganda de rádio e televisão e a crise política gerada a partir das ações da operação Lava Jato. No primeiro aspecto, a principal prejudicada, sem dúvida, foi Luciana Genro, que com seus 12 segundos está praticamente invisível na televisão. O interessante é que dos quatro partidos realmente na disputa o Psol, partido de Luciana, é o único que não foi afetado pela Lava Jato.

Os demais, embora em diferentes níveis, aparecem com destaque negativo na mídia. Pont, do PT, é sem dúvida o mais prejudicado. Por razões óbvias, principalmente pelos acontecimentos que envolveram Dilma e Lula, os principais líderes do partido. A tendência é de dificuldade de crescimento, em razão do noticiário sobre a transformação de Lula de suspeito em réu.

Marchezan, com seu PSDB ainda pouco afetado midiaticamente pelas denúncias de corrupção, apesar de ter o PP como companheiro de chapa, este sim frequentador das manchetes, tem a seu favor sua conduta pessoal, muitas vezes diferenciada da maioria dos seus correligionários, o que lhe dá uma aparência de independência, muito próxima do estereótipo comum do eleitor brasileiro, que é a de crítico do modus operandis da política e dos políticos do país. Tudo indica, pelo crescimento nas pesquisas, que essa identificação começa a dar frutos.

O mesmo pode ser dito para Sebastião Melo. Nesse caso com uma imunidade ainda mais surpreendente. Melo, apesar do PMDB estar no olho do furacão midiático da Lava Jato, com várias lideranças peemedebistas envolvidas, e de integrar o PMDB do governo Sartori, muito mal avaliado pelos gaúchos, está conseguindo se manter na faixa dos 20% nas recentes pesquisa realizadas.

A meu ver, de maneira ainda frágil, basicamente sustentada pelo tempo de televisão, duas vezes e meia maior do que o de Marchezan; três vezes mais do que o do Pont; e trinta e três vezes maior do que o da Luciana. Outro fator preponderante na sua condição de candidato melhor avaliado é, sem dúvida, o fato dele ser o representante da continuidade, com o atual prefeito e a máquina administrativa atuando como cabos eleitorais.


Neste cenário eletrizante, cada dia tem a sua importância multiplicada. Por isso as próximas pesquisas serão decisivas para a definição dos votos do expressivo número de leitores indecisos. Aliás, tem pesquisa Ibope/RBS neste final de semana, sabiam? 

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Na vida tudo muda, se aprimora, menos o PT.




O PT mente. Até aí nenhuma novidade. Mas mente tão completamente que mente até para si mesmo. Ou será que ninguém percebeu que o impeachment de Dilma Rousseff serviu de tábua de salvação para o futuro do Partido dos Trabalhadores? Para tentar desfazer a imagem de partido corrupto, vestindo a máscara de vítima.

 Daí a falta de uma reação mais contundente, ao estilo PT, durante todo o processo que acabou afastando o partido da presidência da República. Com exceção dos discursos destemperados, as vezes transloucados, de alguns deputados e de alguns senadores do PT, a declaração de Lula de que o partido não cairia sem lutar, ao fim e ao cabo, não passou de uma bravata. O Exército Vermelho do Stédile não apareceu e as manifestações populares pró-Dilma foram muito tímidas.

E aí é que se encontra, na verdade, o caminho traçado pelo PT para impedir que o partido caísse em desgraça no cenário político brasileiro. E, principalmente, que o Deus Lula fosse para a cadeia. Desacreditado e desmoralizado pelo envolvimento de suas principais lideranças nos escândalos do Mensalão e do Petrolão, várias delas aprisionadas, não restou outra alternativa ao partido a não ser oferecer a cabeça de Dilma em sacrifício. Até por que a saída dela havia se tornado uma realidade numérica, considerada a tendência dos votos a favor do impeachment, no Congresso Nacional.

A partir da constatação de que a perda do poder era inevitável, foi que o PT traçou sua estratégia de sobrevivência. Vão-se os anéis e ficam os dedos. Ou seja, sai Dilma mas fica o PT. E cá entre nós, decisão lógica. O habitat natural do PT sempre foi a oposição. Como governo, tal qual peixe fora d’água, o partido sempre teve grandes dificuldades. Daí a decisão de aproveitar a imolação de Dilma transformando-a numa espécie de Joana d’Arc do PT.

Papel aceito, Dilma desfez-se da imagem de estadista, própria de quem teve a oportunidade única de presidir um país, e trajou-se de vermelho, retornando ao estilo guerrilheira. E já anda por aí bradando vingança, defendendo uma oposição raivosa contra o novo presidente. E o pior é que está cativando adeptos. Nem reparou que mais uma vez está servindo como inocente útil aos interesses do PT. Digo inocente porque antes mesmo do que ela imagina, tão logo se torne dispensável, será mais uma vez abandona pelo seu partido. Mas aí a história é outra.

Tal qual a fábula do escorpião e o sapo, o PT, por mais que tente, não consegue resistir a sua natureza (índole). Mas se o PT não muda, o povo brasileiro começa a dar mostras de que está mudando. Está mais exigente com os seus governantes e intolerante com as atitudes dos seus representantes no Legislativo. Espero, sinceramente, que esteja também menos ingênuo. As eleições deste ano estão aí para testar essa tendência de mudança de mentalidade.