quarta-feira, 4 de setembro de 2013




Um parlamento refém do povo.


Comemoremos. A Câmara dos Deputados aprovou, em segundo turno e por UNANIMIDADE, a chamada PEC do fim do voto secreto. O primeiro foi sete anos atrás, em 2006. O projeto agora segue para o Senado que igualmente irá realizar o segundo turno da votação.

Mas se por um lado os parlamentares se mostram sensíveis ao desejo da população, que elege mas em algumas situações (especialmente quando se trata de cassações de mandatos) não fica sabendo do voto do seu escolhido, é preciso reconhecer de que suas atitudes, tal qual um parto difícil, “nasceu à fórceps”. Por pressão. No primeiro turno motivado pelo escândalo do Mensalão e agora pela tragicômica sessão que manteve o mandato do deputado Natan Donaton, preso na penitenciária da Papuda, no Distrito Federal.  

É isso precisa ficar bem claro para o eleitor. A repentina sensibilidade popular dos nossos ilustres edis não aconteceu por convencimento individual. Foi para salvar a pele. Afinal, tem eleição no ano que vem.  Mas o que importa é que finalmente falta muito pouco para acabar com esse instrumento antidemocrático que é o voto secreto. E não apenas no Congresso Nacional, mas também nas Assembleias Legislativas e Câmaras de Vereadores.

É preciso ressaltar, entretanto, as atitudes precursoras dessa medida. O Parlamento gaúcho, por exemplo, desde 2006 não possui mais votação secreta.

O que tirar como lição desse momento? Que as vozes das ruas foram ouvidas? Não. Seria simplificar demais. Até porque o fim do voto secreto não apareceu como pauta nos protestos. O que se mostra transparente nesse avanço democrático, a meu ver, é que os políticos “acusaram o golpe”. Mostraram ter medo do eleitor.  O mesmo que em época de eleição é visto pelos candidatos mal intencionados como ingênuo e despolitizado. 

O que mudou? O político ou o eleitor? Ainda não dá para saber.  O que importa é o sentimento de que os políticos passaram a temer o povo. E, como consequência, agir em conformidade com o interesse público. É apenas o começo do muito que precisa ser feito, mas é o bastante para fazer prosperar um clima de otimismo e de esperança. De termos representantes e dias melhores.


Ainda é cedo para bradar, com convicção, que o “gigante acordou”. Mas que ele dá sinais de vida dá. Aguardemos o tilintar do despertador do dia 5 de outubro de 2014. É nesse dia e nas urnas que saberemos se os brasileiros despertaram ou não para a sua força e importância. Até lá, porém, é bom reforçar a cara de bravo e descontente que tanto bem tem feito à democracia. Quem sabe o medo se transforme em respeito.