quarta-feira, 27 de novembro de 2013

José Dirceu quer provar que o crime compensa.



Quem disse que o crime não compensa? Para o José Dirceu isso não acontece. Como não? Ele não foi condenado e preso? Foi. Mas até agora apenas no regime semiaberto. Muito pouco para quem, segundo o STF, chefiou a quadrilha que praticou o maior crime de corrupção do país. E mais, para quem denegriu a imagem do PT, da classe política e do Brasil, nacional e internacionalmente.  Além disso, faz do cárcere provisório uma extensão do seu escritório, dando inclusive entrevista à imprensa.

E de lá, da sua cela, reclama da pouca atenção que lhe é dada por Lula, esbraveja contra o STF, mobiliza a militância fanática e, acreditem, consegue arrumar emprego. E bem remunerado, como é o caso do Hotel Saint Peter, em Brasília, aonde irá “atuar” como diretor administrativo (vide foto da carteira do trabalho). E com um salário acima do mercado: vinte mil reais.

É ou não é um imenso privilégio para um presidiário? Quem, no imenso universo de prisioneiros, tem essa oportunidade? Mas como se trata do “poderoso” José Dirceu, tudo pode. E como ele já demonstrou ser fiel as suas convicções, não duvido que ele transforme o hotel no QG dos lobistas brasileiros. Expertise é que não lhe falta. Expertise. Ai está uma expressão que cabe como uma luva em Zé Dirceu.

Aliás, que coragem tem o dono desse hotel. Imaginem o trabalhão que ele vai ter para limpar a imagem do seu negócio, que ficará conhecido por todos como o hotel do José Dirceu. Se conseguir, vai virar case de marketing de sucesso, digno de prêmio.


Voltando ao todo poderoso José Dirceu, tudo pode acontecer. Esperemos, então, pelos próximos capítulos da sua novela particular.  O certo, porém, é que a cada avanço seu significa um retrocesso a mais na democracia tupiniquim. Não bastasse o mau exemplo agora temos que lidar com o escárnio do grande líder petista. Ninguém merece isso. Até quando? 

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Presídio a céu aberto.



O governo Tarso Genro inova ao criar no Rio Grande do Sul a modalidade de presídio a céu aberto.  Se é que se pode chamar de inovação a alternativa resultante da incapacidade de resolver, pelas vias normais, o inferno que se tornou o sistema prisional do estado. E não só o gaúcho, é bom frisar. Mas principalmente o gaúcho. Pelo menos é que dizem as estatísticas e as manchetes da imprensa. O Presídio Central de Porto Alegre, por exemplo, é tido como o pior do país. Com superlotação de presos e com instalações subumanas, o Central é hoje a vergonha nacional do desrespeito aos direitos humanos.

E o que faz o governo, e não só este, mas principalmente este? Amplia as instalações? Não. Recupera as existentes? Muito pouco. Transfere presos para outros presídios? Não, pois não existem presídios suficientes. E os que existem também estão abarrotados.  Constrói novos presídios? Pelo menos na prática não. Tem dificuldade inclusive de achar um município que aceite a implantação de uma casa prisional. E qual a alternativa, então? 

Para o governo Tarso é a adoção maciça do sistema semiaberto, através do uso de tornozeleiras eletrônicas. Cinco mil delas, segundo a secretária de Segurança, deverão estar circulando pelo Rio Grande até fevereiro de 2014. Mas o uso do regime semiaberto não é nenhuma novidade. Aliás, trata-se de um direito legal do preso. Mas sua eficácia, se levarmos em conta o número de crimes praticados por quem se utiliza dessa prerrogativa, é frequentemente contestada. O mesmo ocorre com o uso de tornozeleira eletrônica. Somente no Rio Grande do Sul existem 800 condenados que a usam. E muitos dos crimes esclarecidos foram praticados por detentos que usavam tornozeleiras. Inclusive, há pouco tempo, uma delas for encontrada rompida e abandonada numa parada de ônibus da capital.

Claro que existem casos de sucesso. Tanto do regime semiaberto como do uso de tornozeleiras. Mas a imensa maioria deles ocorre em países onde a fiscalização estatal é eficiente. O que não acontece no Brasil, no Rio Grande e em outros estados. E isso não envolve apenas o regime carcerário. É em todas as áreas. Por isso considero a incompetência fiscalizatória do Brasil como o câncer dos problemas administrativos do país e o principal incentivo à corrupção.

Mas se o problema é complexo, então toda iniciativa é bem-vinda? Não é bem assim! No caso da segurança pública, que cuida do bem mais precioso de uma pessoa, que é a sua vida, o risco não justifica o meio e muito menos o fim. Buscar soluções paliativas para a criminalidade é tratar a doença e não a causa. O problema todo está no sistema educacional inadequado do Brasil. Que começa a se manifestar do lado de fora dos altos muros dos presídios e tem continuidade do lado de dentro deles.


Reeducar um preso não é presentear-lhe com um adorno no tornozelo. Até porque isto lhe trará um constrangimento na sua circulação e atividade profissional, uma vez que se tornará alvo de discriminação por parte da população. É muito mais. É dar-lhe condições,  ao ser libertado, de reinserção na sociedade e no mercado de trabalho. Sem essas condições corremos o risco de aumentar o contingente de criminosos nas ruas. 

Governador, se for realmente adotar o semiaberto com controle via tornozeleira eletrônica, que pelo menos peça para que tomem o cuidado de checar as reais condições do preso beneficiado. É o mínimo que a sociedade espera.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

O contra-ataque do Falcão.



O Partido dos Trabalhadores cresceu à sombra da ditadura. E se consolidou também utilizando os erros provocados pelo regime de exceção. Com o passar do tempo e com a diminuição da lembrança do passado, empunhou a bandeira da cidadania e da ética. Isolado nessa tese e contando com a fraqueza e os equívocos dos partidos de centro e de direita, se desenvolveu no cenário político nacional. 

Inicialmente ocupando as Câmaras de Vereadores, depois os parlamentos estaduais, o Congresso Nacional, as prefeituras, os governos estaduais e, finalmente, a presidência da República. E, na falta de uma oposição qualificada e eficiente, chegou a fazer contraponto a si mesmo, através das suas múltiplas correntes partidárias. 

Mas como tudo que permanece por muito tempo e com muita gente, o PT passou a sofrer o desgaste natural do poder hegemônico. Muitas vezes por não conseguir provar ser um bom gestor. Outras, por cometer erros que antes denunciava e combatia. O maior e mais estrondoso deles foi o Mensalão. Ao invés de fazer o “mea culpa” e corrigir o rumo, preferiu manter a empáfia política e negar a realidade. 

O ápice dessa desfaçatez veio com as declarações do recém reeleito presidente nacional do partido, Rui Falcão, que criticou pública e ostensivamente a decisão do Supremo Tribunal Federal de mandar José Dirceu, José Genuino e Delúbio Soares para a cadeia. E não bastasse essa ousadia, disse em alto e bom som, que as prisões dos mensaleiros não trarão prejuízos ao PT nas eleições do ano que vem. Ou seja, não bastasse o esforço para desmoralizar a suprema corte brasileira, Rui Falcão também acha que pode comandar o voto dos brasileiros. 

Como assim? Com autorização de quem? Na marra, não! Até prova em contrário, o Brasil vive sob o regime democrático. Então fale em seu nome, senhor Falcão. Ou de seu partido. Mas não em nome do povo brasileiro. Falta-lhe procuração para tanto.

Será que este senhor pensa que ninguém, nem nada, conseguirá se opor as mazelas e excessos cometidos pelo PT? Só porque o país, momentaneamente, possui uma oposição pouco atuante? Ou porque pararam as manifestações populares de rua? Se for isso, é mais do que presunção, é falta de respeito para com o povo brasileiro. 

Cadeia é para quem pratica ilegalidades. E é por isso que seus companheiros estão lá. Para pagarem pelo que fizeram. Tudo com respaldo da lei e da população. E o maior exemplo é a imagem extremamente positiva - a ponto de ser lembrado para a presidência da República - de Joaquim Barbosa, presidente do STF. 

É por isso senhor Falcão, que sua momentânea bravura partidária faz lembrar um jargão gauchesco chamado “manotaço de afogado”. Ou seja, apego desesperado à algo, ou alguém, para tentar sobreviver. No caso, salvar a imagem do PT. Que a cada dia que passa se mostra mais parecido com a dos demais partidos. E é ai, caro presidente petista, que as urnas mostrarão sua independência e a sua força. Provando que a última palavra será sempre a do eleitor. Para o bem de todos e felicidade geral da nação.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

O  Rio Grande desalinhado.



Mais do que um balde de água fria na expectativa de crescimento e fortalecimento da economia gaúcha, o anúncio feito pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que não há pressa na alteração do indexador da dívida de estados e municípios, representa, na prática, a impossibilidade de tornar realidade os benefícios diferenciados que poderiam resultar do chamado alinhamento das estrelas, amplamente divulgado por Tarso Genro na campanha eleitoral. 

Como não há pressa? Para o Rio Grande do Sul, considerado o estado com maior nível de endividamento do país, a renegociação da dívida em patamares menos extorsivos adquire a importância de vida ou morte. Não há recursos para investimento público. Daí a indignação com a passividade do governador para tratar do assunto. Três anos já se passaram e o tal alinhamento Governo Federal – Governo Estadual não conseguiu resolver aquela que é a principal reivindicação do Rio Grande: a renegociação da dívida.

E não adianta dizer que vieram recursos federais para obras. Ou que o RS foi beneficiado pelos programas sociais da presidente Dilma. Todos os demais estados também foram contemplados. Independente do governador ser do PT ou não. No mais, foram só promessas. A maioria feita neste ano, véspera das eleições de 2014. 

Se os municípios não suportam mais ir à Brasília com o pires na mão, o Rio Grande do Sul também não pode se contentar com a “bolsa estado” oferecida pelo poder central. Os gaúchos sempre foram reconhecidos e admirados pela sua independência. Por construírem  seu futuro com as próprias mãos e com o suor do seu trabalho.

Por isso a renegociação da dívida não é nenhuma concessão. Nenhuma esmola. E muito menos um favor. É, acima de tudo, um direito que os gaúchos tem de verem seus tributos revertidos na melhoria da sua qualidade de vida. O que a União tem repassado é pouco. Muito pouco. Daí a importância da renegociação da dívida. 

Desconhece o PT que os gaúchos, ao lhe depositarem as esperanças nas urnas, não o fizeram para ficar admirando as estrelas, mas por acreditar no nascer de um novo dia. 

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

A casa caiu.



Não é neurose e nem fobia ao PT. Mas está na cara que está em franco desenvolvimento um processo de desconstrução da imagem do STF, pela condenação dos mensaleiros, e de desmoralização da grande imprensa, pela exposição independente que fez de todo o episódio. Tudo sob a orquestração do PT. 

Se os envolvidos no escândalo de corrupção não fossem do partido da estrela solitária, os petistas certamente estariam bombardeando os partidos dos condenados pela Justiça. Nos espaços públicos e na mídia. Como isso não é possível, tendo em vista que José Dirceu, José Genuíno e Delúbio Soares, são expoentes de destaque no Partido dos Trabalhadores, só resta ao PT o caminho da contestação. Da negação. Do resultado do julgamento e das prisões.

Tal qual uma pessoa no escuro, a reação do PT a tudo que está acontecendo é a de avançar passo a passo. Primeiro colocando meia dúzia de militantes protestando defronte as casas prisionais onde estão presas as suas lideranças. O intuito? Mobilizar mais gente. Depois, usando espaços midiáticos, buscam apresentar uma realidade fictícia, com embasamento puramente ideológico, para tentar  caracterizar as prisões como ato político.

Ou seja, para se defenderem, usam a mesma tática utilizada para acatar. Distorcendo fatos e manipulando opiniões. Esquecem que desta vez são vítimas e não algozes. “Não nos humilharão”, diz o bilhete enviado pelos mensaleiros do PT. O que significa dizer, não nos dobraremos. Querem o que? Provar que a lei não vale para eles. Ou que são maiores que a lei? Pois inocência, nem pensar.

Então que tirem o cavalo da chuva, pois desta vez não vai dar certo. Por um grande motivo. A população não aguenta mais a corrupção. Aliás, este foi dos motivos que levou multidões às ruas em junho. E a razão pela qual os manifestantes impediram a presença de militantes partidários em suas fileiras. 

Outra prova de que a situação é irreversível é o silêncio de Dilma. Prudentemente, como recomenda a cartilha de candidata, ela não quer ter nenhuma interface negativa, nenhum envolvimento pessoal, com os companheiros presos. Coube a Lula (novamente) a manifestação mais contundente sobre o caso. “Estamos juntos”, disse ele. Faltou complementar: vocês ai dentro e eu aqui fora. Em outras palavras: aguentem firme ai dentro que nós vamos ajudá-los aqui fora. 

Acho dificílimo. Mesmo com a tentativa de desmoralização de Joaquim Barbosa, ídolo da moralidade nacional. Que aguentem o repuxo, como se diz aqui no Sul. A população já sabe que o PT não é diferente dos demais partidos. E não adianta querer tapar o sol com a peneira. A casa caiu. Comemorem, enquanto podem, as pesquisas favoráveis à Dilma. E se preparem para dar explicações na campanha eleitoral de 2014. Os partidos seriamente avariados pela artilharia do PT sempre conseguiram, por que o PT não haveria de conseguir?  Agora, convencer é outra história.  

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Tarso não quer Lasier na vaga de senador




Os jornalistas acostumados com a cobertura política sabem que nem tudo o que é dito pelos políticos pode ser considerado real. Na maioria das vezes as declarações escondem interesses partidários ou pessoais não identificados. Pois bem, digo isto porque já há quem ache que o racha interno do PDT gaúcho tem como mote a disputa pelo poder estadual. Uma disputa entre os que defendem a candidatura própria e os que querem apoiar a reeleição de Tarso Genro. Cortina de fumaça. Não é isto que está em jogo.

Primeiro porque o PDT na condição de vice de Tarso na chapa, como parece ser a intenção do PT, apenas serviria para aumentar o espaço pedetista, atualmente usufruído. Sim, pois ser vice é estar em segundo plano. E um partido político existe para chegar ao poder e exercê-lo na sua plenitude. Se a aliança se efetivar e Tarso se reeleger, o governo será do PT.

Segundo, porque ninguém, nem mesmo o pedetista mais fanático, acredita na existência de um candidato do partido com real potencial para vencer o pleito. Otimistamente, a candidatura própria serviria para aumentar as bancadas estadual e federal. Então por que a briga interna?

Pela outra vaga da chapa majoritária. A de senador.

Claro! Uma aliança com o PDT resultaria na obrigatoriedade de priorizar a indicação de Lasier Martins para a vaga ao senado. Coisa que o PT não quer, pois possui candidatos para ela. Os ministros Pepe Vargas e Maria do Rosário, o deputado federal Henrique Fontana e outros.  Além disso, fica claro que o PT não cederia a vaga de vice e a de senado para o PDT.  E é ai que surgem os componentes não divulgados.

 É sabido que a relação entre Tarso e Lasier nunca foram boas. Por conta disso e da estratégia política é que Lasier teria condicionado sua pré-candidatura ao Senado à presença de um candidato próprio do PDT ao governo do Estado. É que desta forma estaria assegurada a separação dos desafetos.


E é isso que está em jogo no partido trabalhista. Um grupo defende o acordo com Lasier, por ver a chance clara de eleger um senador, e o outro, por fisiologismo, defende os interesses de Tarso. O que vai acontecer na convenção do PDT no dia 7 de dezembro ninguém sabe.  O que se antevê é que o que está ruim tende a piorar. Infelizmente. Não só para o PDT, mas para a política. É ver para crer.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013


José Dirceu continua dando mau exemplo.



Não bastasse o prejuízo econômico provocado aos cofres públicos, o ex-todo poderoso José Dirceu quer agora posar de paladino da injustiça. Além das suas bravatas inconcebidas, do tipo “sou um preso político”, e da expressão facial debochada (seu advogado disse tê-lo encontrado na prisão lúcido e bem-humorado), o comportamento de José Dirceu acarreta um prejuízo moral à classe política (pelo menos para os parlamentares honestos) e aos brasileiros. 


Quer provar o quê o chefe da quadrilha, como José Dirceu ficou conhecido no julgamento do STF? Ou melhor, a quem ele pensa que engana com essa postura tragicômica? Deveria, isso sim, estar arrependido e envergonhado da sua situação. Mas vergonha e arrependimento são qualidades ainda desconhecidas na sua trajetória de homem público. Ao contrário da sua arrogância e prepotência. 



O mundo todo acompanha a prisão dos mensaleiros. E, ao contrário de uma insignificante parcela de militantes petistas, vêem como sinônimo de melhoria democrática a penalização dos corruptos brasileiros. 



Melhor seria que José Dirceu fizesse como o seu companheiro de partido e de cárcere, José Genuíno, que expõe publicamente  o seu sofrimento, apesar das suas declarações de inocência. Ou como faz Roberto Jefferson, delator do Mensalão, que serenamente aguarda, em casa, a sua prisão. 



José Dirceu que não se iluda. Os brasileiros – e não apenas as elites, como ele diz - estão torcendo para que sua prisão no regime semiaberto se transforme rapidamente em regime fechado. Ai, então, como prisioneiro de fato, sua existência irá se restringir tão somente ao noticiário policial e não mais o político. 



Que o exemplo da sua prisão sirva, como se diz aqui no Rio Grande do Sul, de exemplo à toda Terra. Ou pelo menos à todo o Brasil.



Tenha vergonha na cara (mesmo que não seja a original) , José Dirceu.


sábado, 16 de novembro de 2013

O punho e as palmas



Qual a semelhança do gesto praticado por José Dirceu e José Genuíno - que ao se apresentarem à Polícia Federal para cumprirem a pena de prisão imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF), ergueram o braço com o punho cerrado -, com o mesmo gesto realizado pelos Panteras Negras, na década de 60, e do ex-jogador de futebol Sócrates, na década de 80?  A não ser a rebeldia do gesto, não há nenhuma identificação.

No caso dos Panteras Negras a finalidade original do movimento era patrulhar guetos negros para proteger os residentes dos atos de brutalidade da polícia dos EUA.   Sócrates, por sua vez, que comemorava seus gols com o gesto que identifica os comunistas, tinha como meta defender a democratização do futebol brasileiro.

Mas se tanto os Panteras como Sócrates tinham objetivos definidos para seus gestos, o que pretende os Zés do PT? Difícil identificar.Protestar contra a injustiça das suas prisões? Pode ser, pois ambos declaram inocência (?) e se consideram prisioneiros políticos. Será que desconhecem que vivem num regime democrático e não mais autoritário, como o que gerou suas experiências anteriores de cárcere? Impossível. 
Penso que ambos superavaliam suas importâncias. Sim, pois se o sentimento de injustiça fosse algo enrraizado no militante petista, ou na sociedade como um todo, não seriam apenas meia dúzia de manifestantes que estariam protestando por suas prisões. Seriam milhares.

Particularmente vejo o gesto dos Josés como arrogância e prepotência. De quem se nega a aceitar a derrota. “Perdeu”, como disse o Capitão Nascimento no filme Tropa de Elite. Quem ganhou foi a Justiça e a sociedade. Foram os honestos e os éticos. Foi o trabalhador, que soa a camisa diariamente em troca der um salário mínimo que mal lhe permite a subsistência.

Por isso duvido muito que ambos, na solidão do cárcere, continuem mantendo a mesma postura. E mais, duvido que não estejam amedrontados pela sentença advinda da condenação pelo crime de formação de quadrilha, ora em julgamento pelo STF.

Não são prisioneiros políticos. São prisioneiros, isto sim. E, embora queiram demonstrar orgulho por está situação, mais orgulhosos estão os brasileiros. Afinal, não foram eles mesmos, enquanto militantes da esquerda reacionária, que diziam que no Brasil só ladrão de galinha é que ia para a prisão. Pois é, o Brasil avançou, agora político corrupto também vai.

Que fiquem com seus braços levantados e punhos cerrados, observando uma nação esperançosa com a Justiça e que bate palmas pelo trabalho sério e exemplar desenvolvido, não pela elite, como os hoje prisioneiros disseram, mas pelo STF.





sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Um tiro na corrupção.



Chegou a hora do ministro presidente do Supremo Tribunal de Justiça e relator do processo do Mensalão, Joaquim Barbosa, fazer prevalecer a Justiça. É a oportunidade do magistrado, que desfruta de imensa credibilidade popular, provar que a Justiça brasileira tarda, mas não falha. E olha que não foram poucos os obstáculos para que esse momento chegasse. Desde a intromissão política (quem não lembra da tentativa do ex-presidente Lula de tentar adiar o julgamento), passando pelas estratégias diversionistas dos advogados de defesa (renomados e bem pagos), e até mesmo dentro da própria corte, em ações que o próprio Barbosa classificou de “chicana”, ou seja, de retardo da sentença definitiva.

Não se trata do caso de vingança, inadmissível para um juiz do STF, mas não deixa de ter um sentido de vitória pessoal e de afinidade com a vontade popular, que demonstra claramente sua inconformidade com a impunidade daqueles que se valendo do cargo político ou função pública “subtraem a pátria em tenebrosas transações”.

Não é o fim, mas o começo de uma nova era. Pelo menos é o que o povo espera. Ainda incrédulo, impactado pela imagem de um José Dirceu, que no dia em que o STF decidia, finalmente, pela sua reclusão prisional, inicialmente no regime semiaberto, desfilava sorridente e bronzeado por uma paradisíaca praia da Bahia, como se não tivesse nenhum receio do que poderia lhe acontecer. Mas ele pode esperar que a sua hora vai chegar. A sua e a dos demais envolvidos naquele que o próprio STF considerou o maior escândalo de corrupção do país. E tudo indica que suas sentenças comecem a ser cumpridas no início da próxima semana. Pelo menos é o que o ministro Barbosa promete.

Mas é preciso alertar que o fim do processo do Mensalão é apenas o início de uma nova era do fim da impunidade dos poderosos. Uma espécie de primeiro passo de uma caminhada que promete ser árdua. Outros crimes lesa-pátria estão sendo cometidos nesse momento. E, se nada for feito, continuarão sugando os cofres públicos e  incentivando o surgimento de novos infratores.

E é ai que está o problema e a solução. Não podemos colocar as pessoas erradas no lugar errado. O brasileiro não pode mais dar uma de ingênuo. Até mesmo porque não é. Não pode mais se deixar levar pela cantilena fácil dos mal intencionados, sedutores na hora da eleição. Se o destino dos maus políticos e gestores públicos está na mão do STF, é na mão do eleitor que está a prevenção contra o surgimento de novos malfeitores. Como? Votando corretamente.

Como dizia o ex-governador Alceu Collares: o voto e tua única arma, põe teu voto na mão”.  

Em 2014 teremos eleição. Vá treinando sua pontaria


quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Afinal, para que serve um partido político?



A relutância dos secretários do PDT que integram o governo do petista Tarso Genro, de acompanharem a decisão do seu partido e abandonarem seus cargos, caso o PDT opte pela candidatura própria na eleição de 2014, reforça a tese dos que consideram demasiado o número de partidos políticos no Brasil. Além disso, a prática da rebeldia partidária pelo apego aos cargos, que não é nova, trás consigo outro componente corrosivo: o fortalecimento do desencanto de parte expressiva da sociedade com a  política e com os políticos.

Natural, pois como alguém que desconhece os meandros pouco transparentes das costuras eleitorais pode considerar normal que um partido, no caso o PDT - que disputou  a eleição de 2010 contra o PT, defendendo um outro projeto de governo -, possa, passada a eleição, aderir fielmente a implantação do projeto adversário? E mais, se incorporando administrativamente ao governo recém instalado, sabendo que a intenção do convite  tem como motivação a montagem de uma base governista majoritária no Parlamento gaúcho.

Óbvio que não se trata de um fato inédito. Já houve vários precedentes envolvendo outras siglas.  O surpreendente é que antes quem criticava essa prática, hoje a exercita sem nenhum constrangimento. É quem perde com isso? A classe política, respondo eu. Claro! Para o eleitor a mensagem que passa é a de total falta de ética. No mínimo! Pois tal comportamento, se mal utilizado, pode ser o ponto de partida para aquele que se mostra ser um câncer no poder público: a corrupção. Sem falar no sentimento de traição às urnas, que elegeu o governo, mas que também elegeu a oposição. 

E o mais irônico na resistência dos secretários trabalhistas é que ela se dá em meio a discussão de uma possível reforma (mesmo que inexpressiva) política.  Ora, o que pode ser mais produtivo e inovador, sob o olhar do cidadão, do que acabar com o fisiologismo governista-partidário? Seja pela  cooptação através de cargos na administração pública, por  emendas orçamentárias, ou outra troca de favores qualquer. 

E é isso, sejamos sinceros, que vem ocorrendo em todas as esferas de poder. Á nível federal, estadual e municipal. Tanto nas eleições como depois delas. Acabou a coerência. Virou um Deus nos acuda. Um verdadeiro vale tudo.  Ideologia e afinidade programática se transformaram em critérios jurássicos para a formação de alianças e montagem de governo. Lamentavelmente.

Então, se é para se formar grupos de interesse em comum, que se reduza o número de partidos. Não apenas para que o eleitor tenha condições de saber quem é quem, mas principalmente por coerência. Sob pena de se apresentar como engodo eleitoral. 

Se tudo na vida passa pela política e se a política não sobrevive sem partidos, nada mais justo e necessário, para a sobrevivência e credibilidade de ambos, que seja praticada a boa política. A política do bem comum, onde os interesses da população esteja acima dos interesses partidários  (e sempre é bom lembrar que partido significa parte) e individuais. 

Ou os partidos e seus representantes mudam imediatamente suas posturas e comportamentos, ou sofrerão as consequências do desgaste  e da seleção natural de uma eleição. E o eleitor já mostrou que não se ilude mais com as aparências. Que sabe muito bem separar o joio do trigo.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013



Urna funerária ou eleitoral?



A redemocratização brasileira está por completar 33 anos. Então por que só agora esse repentino interesse pela descoberta da causa mortis do ex-presidente João Vicente Goulart? Por que não fizeram isto antes? E para que toda essa superprodução para a sua exumação? Não daria para ser algo mais científico e menos hollywoodiano? Tudo leva a crer que o interesse político se sobrepôs ao histórico. 

E quem ganha com tudo isso? Muita gente. A começar por Dilma, que busca a reeleição e tem preferência pelo que aconteceu na época em que militava na esquerda terrorista. Depois a ministra Maria do Rosário, que usa a pasta dos Direitos Humanos como trampolim para a conquista da vaga de pré-candidata a senadora, pelo PT gaúcho. No mesmo caminho vai a deputada estadual Juliana Brizola e outros mais. 

Tudo isso nos faz repensar no significado da expressão utilizada pelo líder positivista, Augusto Comte, de que “os vivos são sempre e cada vez mais governados pelos mortos”. 

Com a palavra o eleitor.