segunda-feira, 29 de agosto de 2016

O Brasil e a rotina do impeachment.




Eis que chega o derradeiro dia. Saberemos hoje se Dilma Rousseff será ou não afastada definitivamente da presidência da República. Tudo indica que sim. Mas com toda a sinceridade, como brasileiro, não vejo razões para comemorar. Mas encontro razão suficiente para lamentar. Por ver pela segunda vez, após a redemocratização do país, um presidente eleito por milhões de pessoas ser destituído do cargo pela mais torpe das motivações: suspeita de envolvimento com a corrupção.

Ok. Eu sei que este não é o foco da acusação do julgamento político a que Dilma está sendo submetida. Mas não tem como separar os indissociáveis componentes técnicos (pedaladas fiscais) e políticos (Operação Lava Jato). O dinheiro indevidamente utilizado nas pedaladas e desviado pelo Petrolão é o mesmo. Ou seja, público. E recurso público existe para promover melhorias na qualidade de vida da população e não para patrocinar campanhas eleitorais (caixa 2) e muito menos utilizado para benefício próprio.

Particularmente eu deveria me sentir isento de culpa, pois não votei nem em Collor, nem em Dilma. Mas isso não serve para atenuar minha, digamos, tristeza. Por constatar que o eleitor brasileiro ainda não amadureceu o suficiente para fazer boas escolhas. Que continua votando sem a necessária conscientização das consequências advindas da sua escolha na urna. E enquanto os brasileiros votarem por fisiologismo ou por ignorância, continuaremos ameaçados de ver repetitivos afastamentos de presidentes.

E vejam, não estou pondo a culpa no eleitor, embora ele tenha sim a sua parcela de culpa, pelo menos a maioria, que acaba por eleger o representante de todos, mas no sistema político que passa a falsa impressão de que é uma fábrica que produz “salvadores da pátria”.  O que o país e nosso povo estão precisando é de políticos e governantes patriotas.

Como identificar o candidato que tenha essa característica? Simples, interessando-se pela política. Diariamente e não apenas no dia da eleição. Se não sabe como fazer deixo uma dica: assista pela televisão o desempenho dos atuais parlamentares nas sessões plenárias. Se você ouvir as aberrações que estão sendo ditas, por exemplo, na ritualística do impeachment, não apenas não vote no parlamentar que as proferiu (e em candidatos com as mesmas características), mas propague aos quatro cantos a sua incapacidade de bem representar a classe política e, principalmente, os eleitores que representa.


Mas como sou otimista, acredito que depois da tempestade sempre vem a bonança. Haveremos de aprender com nossos insucessos. As grandes mobilizações populares estão a indicar a gestação de uma nova consciência política. Tenho esperança de que muito em breve poderemos cantar, com orgulho, o refrão da letra da música Desgarrados, do gaúcho Mário Barbará, que profetiza: “Mas o que foi, nunca mais será...”. Até lá, que Deus proteja o Brasil.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Pesquisa ZH projeta Luciana
 e Marchezan no 2º turno.





A pesquisa eleitoral publicada hoje na ZH sobre os candidatos à prefeitura de Porto Alegre nada mais é do que a fotografia da concentração da largada da campanha. E o resultado nada mais é do que a lembrança que os porto-alegrenses mantem dos candidatos e do envolvimentos dos seus partidos nos escândalos de corrupção, fartamente divulgados pela imprensa.

Apesar da precocidade de qualquer previsão sobre o resultado do primeiro turno, há que se considerar a tendência apontada pela pesquisa. Tudo indica que a vaga dedicada aos partidos de esquerda deva ficar com a candidata do PSol, Luciana Genro. Por dois importantes fatores: Por ter recentemente desfrutado dos holofotes da eleição para a presidência da República (2014) e pelo fato de seu partido não ter sido citado nas investigações da Operação Lava Jato. Entretanto, seu favoritismo dependerá muito do seu comportamento enquanto candidata, cuja desconfiança popular pode ser verificada no elevado percentual de rejeição (27%) apresentado pela pesquisa ZH. Ah, e também do seu pouquíssimo tempo de televisão.

Mas e o Raul Pont, do PT, partido que historicamente sempre disputou o segundo turno das eleições de Porto Alegre? Deverá ficar de fora pelas mesmas razões de Luciana, só que em sentido contrário. Não possuiu mandato, portanto ficou de fora do cenário midiático, e representa o partido que mais foi afetado pelas denúncias do chamado Petrolão. Imagem partidária que deverá ser agravada com o impeachment de Dilma Rousseff. Prova dessa tendência é o alto índice de rejeição apresentado na pesquisa (26%).

Na disputa pela outra vaga do segundo turno estão Sebastião Melo e Nelson Marchezan Jr. Minha aposta, apesar de Melo contar com a máquina municipal, recai sobre o candidato do PSDB. Explico:

Sebastião Melo representa o desgaste natural de um ciclo que já perdura por 12 anos no Paço Municipal e que é tido como lento na execução de obras e desleixado com a imagem da cidade, que apresenta feições visuais feias e degradadas. O calcanhar de Aquiles de Melo, enquanto representante do período Fogaça/Fortunati, é justamente a pouca capacidade inovadora da atual gestão para gerir a cidade. Entra ano, sai ano, e tudo parece o mesmo. Enquanto candidato, vai padecer do “desgaste dos metais”. E tem ainda a ameaça de mais desgaste se Temer, então presidente efetivo, colocar em prática seus projetos de reforma trabalhista e previdenciária. Ah, e também dos altos índices de rejeição do governo Sartori.

Já com Marchezan ocorre o oposto. Dentre os quatro candidatos com maior probabilidade de ir para o segundo turno, ele é representa a novidade. E mais, apesar do PSDB tem aparecido como um dos beneficiários do Petrolão e apoiar a interinidade de Michel Temer, os tucanos tem tido exposição pouco expressiva. E dentre os críticos dos malfeitores, dos maus governantes e dos maus políticos, Marchezan tem sido uma das vozes mais ativas. Precisa apenas saber dosar sua indignação e provar que sabe ser tolerante e associativo.

Precisa saber, sobretudo, lidar com as críticas terceirizadas, especialmente as que virão destinadas ao PP, seu parceiro de chapa, que a exemplo do PT e do PMDB tem representantes investigados pela Operação Lava Jato. Mas acima de tudo, o grande trunfo de Marchezan é a afinidade do seu discurso, da sua postura comportamental, com as vozes das ruas, manifestadas recentemente nas grandes mobilizações populares do Fora Dilma, Fora PT. Por isso, ao meu ver, ele será o representante do centro-direita nesta eleição. Sua posição na pesquisa ZH, onde aparece em terceiro lugar, é forte indicativo dessa tendência.

Os outros candidatos? A eles está reservado o papel de coadjuvante.

Como disse, está analise está baseada na foto inicial da corrida à prefeitura. Vamos ver como a campanha irá se desenvolver e como o álbum de fotografias irá se completar até o dia 2 de outubro.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Construindo o futuro à passos de tartaruga.




Oito meses (249 dias) depois do presidente da Argentina, Mauricio Macri, ter dito em seu discurso de posse que uma das suas metas de gestão seria aumentar o intercâmbio comercial com o Brasil, o governador José Ivo Sartori, finalmente, resolve visitar as autoridades do país vizinho.
Lembro bem que Sartori disse exaustivamente na campanha eleitoral que, se eleito fosse, iria governar olhando para frente e não para trás. Imaginei que estivesse se referindo ao futuro. Pois ele nada mais fez nos seus 20 meses de governo do que reclamar do passado e focar sua atenção no presente. Futuro? Muito pouco.
Aliás, será que congelar salários por tempo indeterminado é estar preocupado com o futuro? Só se for com o seu, pois os dos servidores públicos é que não é. Mas bem, o que importa é que ele saiu do comodismo e deixou o muro de lamentações para trás e resolveu se mexer. Antes tarde do que nunca.
Como todo pão duro deve estar se remoendo por ter que gastar algumas diárias. Tomara, pelo menos, que a viagem seja proveitosa. Para o bem do Rio Grande.