sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Da esperança para o medo.



A declaração do presidente do STF, Joaquim Barbosa, caracterizada como um alerta à nação, expõe com respaldada transparência, aquilo que a população brasileira já percebe, mas de forma ainda superficial. É por isso que os protestos populares estão se debruçando apenas sobre questões administrativas, de má gestão governamental, sem um maior aprofundamento das questões ideológicas e institucionais. Mais saúde, educação, segurança e outras mais. 

E o aviso dado pelo ministro Barbosa, após ver os mensaleiros petistas serem absolvidos do crime de formação de quadrilha, foi no sentido de mostrar que existe um processo evidente de golpe no ar.  Ele não disse, mas eu digo: não só no STF, mas em todos os segmentos da chamada República brasileira. Prova disso é o desrespeito com que o Executivo, cada vez mais, trata os demais poderes, no caso o Judiciário e o Legislativo. E quem está por trás dessa contra revolução é o Partido dos Trabalhadores. Escondido sob um pseudo manto de justiça social e de democracia, o PT esconde um projeto contra revolucionário que visa implantar, a qualquer custo, o socialismo no país e uma eterna permanência no poder. Mesmo que para isso precise subjugar o povo aos seus interesses.  

Ouçamos, pois, o alerta de Joaquim Barbosa.

Motivado pela grave denúncia do presidente do STF, fui buscar no baú das minhas recordações um vídeo gravado em 2007, onde o apresentador do programa Sr. Brasil, Rolando Boldrin, declama um poema da escritora e poetiza Cleide Canton, que inclui no último verso um trecho do discurso de Rui Barbosa, e que demonstra toda a sua indignação pela forma inadequada pela qual o Brasil vem sendo governado. Por sua atualidade e clarividência, transcrevo o texto para reflexão daqueles que acessarem esse blog, na esperança de que o reproduzam.

Sinto vergonha de mim.

Sinto vergonha de mim. Por ter sido educador de parte desse povo. Por ter batalhado sempre pela justiça. Por pactuar com a honestidade. Por primar pela verdade. Por ver esse povo, chamado varonil, enveredar pelo caminho da desonra.

Sinto vergonha de mim. Por ter feito parte de uma era que lutou pela democracia. Pela liberdade de ser e ter. E entregar para os meus filhos, simples e abominavelmente, a derrota das virtudes pelos vícios. A ausência da sensatez e o julgamento da verdade. A negligência da família, célula mater da sociedade. A demasiada preocupação com o eu feliz a qualquer custo, buscando a tal felicidade em caminhos eivados de desrespeito para com o seu próximo.

Sinto vergonha de mim. Pela passividade de ouvir sem despejar meu verbo. Há tantas verdades ditadas pelo orgulho e pela vaidade para reconhecer o erro cometido. Há tantos floreios para justificar atos criminosos. Há tanta relutância para esquecer a antiga posição de sempre protestar, voltar atrás, mudar o futuro.

Sinto vergonha de mim. Pois faço parte de um povo que não reconheço. Que enveredou por caminhos que eu não quero percorrer. Eu tenho vergonha da minha impotência, da minha falta de garra, das minhas desilusões e do meu cansaço. Não tenho prá onde ir, pois amo esse meu chão. Vibro ao ouvir meu hino. E jamais usei a minha bandeira para enxugar meu suor ou enrolar meu corpo numa tal manifestação de nacionalidade.


Ao lado da vergonha de mim tenho tanta pena de ti povo brasileiro. De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto. 

Veja o vídeo pelo link:
http://www.voobys.com/video/video.php?id=5ahRnuQmZQs

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

A bomba relógio de Tarso.



Tal qual o grande e supostamente inafundável Titanic, o Rio Grande do Sul navega descontrolado rumo ao iceberg da bancarrota financeira. Numa comparação com o filme Titanic, essa é a situação do Rio Grande do Sul. Enquanto o governador (capitão) age como se tudo estivesse sob controle, quem segura o leme são pessoas (marinheiros) despreparadas para a tarefa de conduzir um estado (navio) em risco eminente de insolvência. Incompetência? Despreparo? Ou premeditação? Debrucemo-nos, pois, na análise dessas três hipóteses.

Incompetência? Os erros e equívocos gerenciais praticados no governo Tarso são muito semelhantes aos do governo Olívio Dutra, entre 1999 e 2003. Só não são iguais porque se agravaram. Olívio, apesar de ter o orçamento participativo como sua principal bandeira, deixou o governo sob forte rejeição popular. Tarso, segundo as pesquisas de opinião, tem sua administração muito mal avaliada. A diferença é que ao contrário de Olívio, ele não conseguiu imprimir nenhuma marca ao seu governo.

Despreparo? Na contramão da máxima que diz que um bom administrador é aquele que sabe escolher seus assessores, tanto Olívio quanto Tarso colocaram o interesse partidário como principal critério de seleção para a montagem da máquina pública. No caso de Olívio o foco era a instrumentalização partidária do governo. A estrela era o passaporte para a ocupação dos cargos, independente da qualificação profissional dos seus ocupantes. Tarso, por sua vez, seguindo a cartilha Lulista, priorizou a montagem de um governo de gestão pluripartidária (compartilhada, dizem), que mais se assemelha a um “Exército de Brancaleone”, cujo foco é o ganho político e não a gestão eficiente. Um Frankenstein manipulado por interesses difusos.

Premeditação? Num primeiro momento tal possibilidade pode parecer absurda. Como alguém vai planejar um governo para que ele não dê certo? A menos que traga consigo as marcas da incompetência e do despreparo. Pois é isso que explica o segundo momento, o da implosão dos futuros governos. Partido político existe para chagar ao poder, isso todo mundo sabe. Mas para o PT não basta chegar, tem que permanecer. Como se fosse dono dele. E quando isso está ameaçado “a morte é uma obrigação”. Tipo, se não é meu não será de mais ninguém. E a vítima no caso será o futuro do Rio Grande.

Particularmente, se tivesse que escolher entre as três opções, eu optaria por uma resposta múltipla. No caso as três opções estariam corretas. Mas pelo andar da carruagem, pelo mau desempenho nas pesquisas de opinião, e pelas medidas antiéticas (se não irresponsáveis) de Tarso, que corroem e comprometem a estrutura financeira do Estado em um futuro imediato, eu fico com a terceira hipótese. A premeditação. Só isso pode explicar os reajustes escalonados dados ao funcionalismo com vencimentos previstos para o próximo governo. Só isto pode explicar os saques de receitas alternativas, como os do caixa único, depósitos judiciais e outras mais, sem que haja qualquer horizonte previsível para as suas restituições.

Mas o PT não é de jogar a toalha. Deve estar planejando alguma estratégia maquiavélica para tentar, mais uma vez, enganar o eleitor. E este know how, convenhamos, ninguém e nenhum outro partido tem igual. Mas os protestos de rua nos trazem ventos de esperança. Quem sabe os eleitores não irão se deixar iludir mais uma vez pelas promessas sedutoras e impraticáveis do PT. Afinal, de onde Tarso tiraria recursos para concretizá-las?  É por isso que aposto que esta eleição será a mais conflituosa dos últimos tempos. O PT, se sentir que está ameaçado de perder o poder, vai sair atirando e, se necessário for, dinamitando pontes, mesmo que isso signifique impedir que o Rio Grande consiga alcançar o seu tão necessário desenvolvimento.


Gostaria, sinceramente, de estar equivocado. De que tudo o que está acontecendo é resultado apenas da incompetência e do despreparo do PT. Mas oito anos (Olívio e Tarso) de maus resultados não me permitem mais ser ingênuo. 

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Onde está a coerência governador?



Nada como um dia após o outro. É verdade. Ainda mais quando a incoerência já se transformou numa marca. Refiro-me a declaração do governador Tarso Genro de que o incêndio das viaturas no pátio da Academia de Polícia da Brigada Militar foi criminoso. Para ser fiel a declaração dele, “um atentado contra a corporação”. No caso a Brigada Militar. Triste ironia. Quando se trata de usar a própria Brigada para impedir a depredação e a destruição do patrimônio privado, como os que ocorrem nos protestos de rua, Tarso prefere não interferir. Considera todos os excessos  naturais, resultantes de um ato democrático, de uma manifestação cidadã, que como tal precisa ser respeitada. Pois é! Então por que ele está tão indignado com o incêndio das viaturas? Só por que envolve a sua Brigada Militar? Que ele comanda de maneira política, fazendo com que a tropa tenha uma postura contemplativa e não combativa? Será que não lhe passa à cabeça que isso incentiva a violência e a criminalidade?


Claro que, como todo crime, o incêndio das viaturas precisa ser esclarecido e os responsáveis punidos. Mas por que não dar ao cidadão o mesmo direito. Onde estão os vândalos e irresponsáveis que picharam os edifícios do centro de Porto Alegre? Que incendiaram ônibus e contêineres de lixo? Que depredaram agencias bancárias? Por que, nesses casos, Tarso não demonstrou a mesma indignação e exigiu a mesma presteza na cobrança por resultados? gaúchos. Não se exaspere governador, o incêndio das viaturas da BM é apenas mais um capítulo do filme de terror que se transformou a segurança pública no Rio Grande do Sul. Ou se achar melhor, se exaspere muito, pois teremos eleição neste ano e os gaúchos estão loucos para protestar, democraticamente, do jeito que o senhor diz gostar. 

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Não subestimem a Brigada Militar.




Segurança pública é coisa séria. Lida com a vida das pessoas. Com o zelo do patrimônio de terceiros, construído com o suor do seu trabalho. Por isso essa atividade tem que contar com profissionais competentes, bem treinados e com uma conduta pessoal irretocável. É por isso que a Brigada Militar, ao longo dos seus 176 anos de existência, consolidou uma imagem positiva diante da sociedade gaúcha. Quem não se recorda dos antigos Pedro e Paulo, considerados os amigos da comunidade. As pessoas respeitavam, confiavam e admiravam o trabalho desenvolvido pelos brigadianos(as). Qual era o segredo disso tudo? Um treinamento militarizado baseado na disciplina, hierarquia e foco no interesse público. Uma fórmula de sucesso que não poderia ser contaminada, sob pena de corroer as entranhas da corporação.

Pois é isso que está acontecendo. Aliás, se repetindo. A primeira vez que houve uma tentativa de partidarizar a Brigada, introduzindo o ingrediente político como o principal elemento da atuação da instituição foi o governador Olívio Dutra. E deu no que deu. Oficiais à paisana jogando coquetéis molotov no relógio dos 500 anos do descobrimento do Brasil. Quebra da hierarquia, quando uma escrivã de polícia ligada ao MST passou a mandar mais que o secretário de segurança da época, José Paulo Bisol. E outros absurdos mais.

Uma década após a superação desse que foi considerado um momento trágico da exitosa biografia da Brigada Militar, novamente durante um governo do PT, a história se repete. Agravada. A ordem agora é não se intrometer nos protestos das ruas. “Temos que colocar a segurança física das pessoas acima da defesa do patrimônio”, determinou o governador Tarso Genro. Assim, a qualificada e bem treinada tropa de brigadianos passou a ter uma ação contemplativa e não mais preventiva ou combativa. E isso só fez aumentar a violência dos protestos e a sensação de insegurança da população. Ah, e a ousadia dos bandidos, que agora se encorajaram na execução de seus crimes, praticando assaltos a qualquer hora do dia e de forma cada vez mais agressiva, a ponto de usarem bananas de dinamite como “material de trabalho”.

O resultado dessa nova filosofia de segurança pública é a existência de uma tropa com baixa autoestima. Isso, aliado aos baixos salários da categoria e a adoção de critérios políticos para o crescimento na carreira, tem gerado um sentimento de insatisfação no mundo brigadiano. Como a disciplina ainda perdura, essa inconformidade ainda se mantém silenciosa. Mas tal qual um vulcão prestes a entrar em erupção, “a lava fermenta nas entranhas” da instituição. 

No que isso vai resultar não é difícil de prever. Na época de Olívio a corporação votou maciçamente contra o então candidato petista, Tarso Genro. A tendência é que isso se repita na eleição deste ano. O incêndio de dez viaturas ocorrido na última madrugada, dentro de um quartel da Brigada, é um forte indicativo de que a tendência tem tudo para se tornar realidade. Aliás, não foi a primeira vez que isso aconteceu no governo Tarso. No ano passado duas viaturas da BM foram incendiadas no pátio da secretaria estadual da Segurança.

Que o final dessa história seja feliz, com o bem se sobrepondo ao mal. Para a felicidade geral dos gaúchos e para o fortalecimento da briosa Brigada Militar.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

O Rio Grande precisa de um(a) estadista.




Passado três anos e dois meses o governo Tarso Genro ainda não conseguiu fixar uma marca. Pelo menos no que se refere à gestão, pois do ponto de vista do comportamento da pessoa do governador  já existe um estereótipo popular consolidado: a de que ele não cumpre com a palavra. E muitos são os motivos. Quando prefeito de Porto Alegre prometeu peremptoriamente que iria cumprir todo o mandato e não foi o que aconteceu. Prometeu, na campanha eleitoral, que iria pagar o piso salarial do magistério para os professores gaúchos e não cumpriu. E muitos foram os compromissos de campanha que até agora não foram atendidos. 

Fiel a sua estratégia de tergiversar sobre a palavra empenhada, Tarso começa a descumprir sua afirmação de que se o Governo Federal não aceitasse renegociar a dívida do Estado ele não seria candidato à reeleição. E disse mais, que se a presidente Dilma não priorizasse apenas o palanque petista no RS ele não seria candidato.  Pois Dilma tem vindo várias vezes ao estado, a mais recente neste final de semana na abertura da Festa da Uva, e os assuntos não entram na pauta dos interesses de Tarso. E olha que ele próprio já admitiu que sem a renegociação o próximo governador terá muito pouco a fazer, tal será a precaridade das finanças do Tesouro do Estado.

Então é de se perguntar: É esta a postura de um líder? De alguém que se elegeu para resolver problemas, especialmente os estruturais, que estão asfixiando o desenvolvimento do Rio Grande e impedindo a melhoria da qualidade de vida dos gaúchos.  Claro que não dá para fazer tudo o que precisa ser feito em apenas quatro anos, mas esse tempo é mais do que o suficiente para atacar de frente e decididamente os mais problemas mais graves. E Tarso não fez, não faz e tudo indica que não fará isto.

Mas afinal, para que ele lutou tanto para um dia ser governador? Abdicou da prefeitura de Porto Alegre; impediu que Olívio Dutra disputasse a reeleição; usou a máquina federal (Ministério da Educação e da Justiça) para preparar o terreno para vencer a eleição de 2010, pelo menos é o que diz o seu ex-secretário nacional da Justiça, Romeu Tuma Júnior, no livro “Assassinato de Reputações – Um Crime de Estado”, e muitas outras atitudes, para chegar ao Piratini é realizar essa administração prá lá de modesta. Dá para dizer que essa postura representa o perfil do estadista que o Rio Grande precisa? Respondo por mim: não.

O Rio Grande do Sul precisa sim de um(a) estadista. Mais do que nunca. Mas de alguém que seja um(a) líder de verdade. Que comece por honrar a palavra empenhada. Que cumpra com suas promessas e compromissos assumidos. Que tenha coragem, liderança e criatividade. Que saiba ser um gestor competente, definindo adequadamente o que é importante e o que não é. Que seja um tocador de obras. Que seja probo sem abdicar da ousadia. Que saiba escolher seus comandados. Que seja um democrata na acepção da palavra, priorizando o diálogo sem ser omisso nas suas responsabilidades. E que, fundamentalmente, coloque permanentemente os interesses do estado e dos gaúchos acima de qualquer outro.

E não digam que isso é querer demais. Uma espécie de “príncipe encantado”, na versão dos contos de fadas. É só olhar para a história do Rio Grande que encontraremos vários estadistas. E não pode ser diferente. Esse é o perfil do gaúcho. Lembram: “... povo que não tem virtude acaba por ser escravo”. Bate forte no coração de cada gaúcho e gaúcha, hoje e sempre, a figura do centauro dos pampas. Do guerreiro farroupilha. E essa deve ser a marca dos nossos governantes. E não é difícil de identificar o melhor para o Rio Grande. Basta comparar as biografias dos candidatos. Suas condutas no poder e fora dele. A forma como se comportam na sua vida pessoal e política.

Teremos eleições em outubro. Faça a sua parte. Vote com o cérebro, mas principalmente com o coração e com a alma do verdadeiro gaúcho. Não podemos mais errar na escolha. Já experimentamos todos os grandes partidos. Não podemos cair mais na balela de focarmos a discussão na estéril disputa entre estatização e privatização. Muito menos no debate ideológico improdutivo. E, principalmente, não podemos mais acreditar nas falsas e sedutoras promessas de campanha.

Queremos o Rio Grande do tamanho que ele sempre foi e com a importância que sempre teve. Indutor de ideias e de atitudes. Muitas vezes servindo de sinuelo para o país. E não o contrário, dependendo da ajuda da União para quase tudo. Se temos direitos – e temos – não podemos mendigar o que é nosso, mas reivindicar e se preciso for, exigir. É por isso que precisamos de um(a) estadista. Comece a pensar nisso. Não deixa para a última hora. Sua família e as futuras gerações precisam da sua ajuda. Eleja um(a) estadista.


sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

A cultura do atraso.

                                           Ishinomaki - Japão

E tudo começa em casa. Quando a criança dorme demais e acaba se atrasando para a escola. Depois, já adulto, mantém o habito e acaba perdendo o emprego por chegar frequentemente atrasado. “Mas o motivo foi o ônibus que não passou na hora determinada”, alega o mais novo desempregado. Ao botar a mão no salário desemprego resolve fazer um check up médico para ver como anda sua saúde. Procura um médico do SUS. Depois de quase um mês aguardando para ser atendido ele consegue, finalmente, chegar no horário marcado. Mas teve que esperar mais um pouco, pois as consultas estavam atrasadas. Prescrição dos exames na mão, lá vai ele novamente para a fila do SUS. Mais espera. Consegue fazer os exames. Nova espera para conseguir a reconsulta médica. Consegue e sai de lá portando a receita com os remédios que deve tomar. Nova fila, desta vez para pegar os medicamentos. Conseguiu a maioria, pois alguns estavam em falta. Teria que retornar noutra data.

Esse é um exemplo do que acontece diariamente com milhares de brasileiros. É o embrião da chamada cultura do atraso. Que começa em casa e se estende por toda a vida. Talvez seja esse o motivo da paciência que a maioria dos brasileiros tem para a execução de obras essenciais para as suas vidas. Já virou lugar comum a demora pela chegada da luz, do saneamento básico, do asfalto, do posto de saúde, do avião, do trem e muitas outras. Acostumamo-nos com a espera.

Como assim? Não temos pressa para nos desenvolver? Para melhorarmos nossa qualidade de vida? Ouvimos nossas autoridades dizerem que o Brasil segue celeremente em direção ao primeiro mundo, mas a lentidão com as obras essenciais se arrastam mostram que não é bem assim.  Entre a decisão política de executar uma obra de grande porte até a sua inauguração demora anos, às vezes décadas. A ponto de torná-las, quando concluídas, obsoletas. Ser do primeiro mundo é ser como EUA e Japão, que reconstruíram cidades inteiras (New Orléans e Ishinomaki) em pouco mais de um ano, após terem sido praticamente destruídas por um furacão e um por tsunami.

E o mais incrível no Brasil é que nem mesmo as obras para a Copa do Mundo de Futebol, esporte considerado paixão nacional, serão completamente concluídas até o início da competição. No Rio Grande do Sul são inúmeras as obras vitais que não conseguem sair do papel. O metrô de Porto Alegre e a segunda ponte sobre o Guaíba são algumas delas. Isso sem falar nas obras importantíssimas que foram iniciadas mas que não se tem a menor ideia de quando serão concluídas, como por exemplo as duplicações das BRs 116, 290 e 386.


Por tudo isso é que devemos parar com essa euforia inadequada. Se não conseguimos fazer o dever de casa como convencer o mundo da nossa pujança? Se for verdade que o gigante realmente acordou, como dizem os cartazes dos protestos de rua, temos que fazê-lo se movimentar e ir à luta. Sem perder mais tempo. Enquanto isso quem sabe iniciamos a mudança fazendo com que nossos filhos acordem na hora certa?

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

E a história começa a se repetir:
Ascensão e queda do império do PT.




O que importa mais, aumentar a comercialização de veículos ou melhorar o sistema de circulação viária nas grandes cidades brasileiras? O que é mais necessário, importar médicos de outros países ou investir na ampliação e melhoria do sistema público de saúde? O que é mais importante, mudar o sistema de avaliação para o ingresso no ensino público superior, utilizando o sistema de cotas, ou aprimorar a qualidade do ensino básico, fundamental e médio das escolas públicas? O que vale mais, um cidadão livre e seguro ou uma política de direitos humanos que privilegia os direitos do infrator?  O que gera mais justiça social, ajudar os pobres a se qualificarem para o emprego ou transformá-los em dependentes da ajuda estatal?

Pois se você pensa que o óbvio é responder as questões acima optando pela a segunda opção, saiba que o PT não concorda. Pelo menos é o que se tem visto nas ações implementadas pelos seus governantes. Em todos os níveis, nacional, estadual e municipal. Mas se a maioria dos brasileiros pensa diferente do PT, por que então votam nos seus representantes? Simples, por que não apareceu ainda outro partido que convencesse a população de que é possível agir diferente, fazendo mais e melhor. E gente boa para isso é que não falta. Talvez faltem coragem e método de comunicação adequado. Coisa que, no último aspecto, o PT tem de sobra.

Se o PT não sabe não sabe ser um bom gestor, por outro lado, é especialista na arte de fazer política popular. Ou será que a escolha do metalúrgico José Inácio Lula da Silva - nascida na cabeça dos intelectuais de esquerda - para a presidência da República foi obra do acaso? Se fosse, ele não teria sido tantas vezes candidato pelo PT. É que a estratégia era mostrar aos eleitores que o PT era um partido do povão. Diferente dos demais, chamados por eles de representantes das elites, da burguesia, dos endinheirados. E essa estratégia, apoiada por marqueteiros de primeira linha, acabou vingando e permanece até hoje na imaginação da maioria dos brasileiros. Pelo menos é o que dizem as pesquisas.

 E o que o PT fez e está fazendo no poder? Tudo aquilo que anteriormente condenava. Às vezes até pior.  Ou tentar desmoralizar uma decisão da suprema corte brasileira, o STF, no caso do Mensalão, não é buscar o enfraquecimento de um dos poderes mais importantes da República? Mas afinal, o que deseja o PT? Poder, fundamentalmente. Para implantar a ditadura socialista e se perpetuar na condução, a seu bel prazer, da vida dos milhões de brasileiros.

Mas é ai que está o grande equívoco petista. Mas uma vez fazem da prioridade secundária a principal. Assim como não perguntaram à população sobre suas prioridades e/ou quando perguntaram não atenderam, quem disse que os brasileiros aceitarão pacificamente a eternização do PT no poder? Ou, quem garantiu que a tentativa de substituição da democracia pelo socialismo será tolerada pela população? A exemplo de outros governos socialistas, que sucumbiram graças a sua arrogância e prepotência, dentre outros defeitos, também o PT começa a ver corroído o seu império. As vozes das ruas, que os partidos de esquerda tentam mas não conseguem contaminar, é um dos sintomas desse declínio da estratégia petista.

Esquece, desconhece ou ignora o PT, que o mesmo cérebro que foi capaz de criar o império petista pode destruí-lo. Se eles próprios não acreditam na capacidade do povo brasileiro de gerir seus interesses, as urnas, nesta ou nas próximas eleições, com toda certeza irão provar o contrário. Se é que o povo brasileiro conseguirá esperar até lá.  

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

O PT finge que não discrimina,

 mas discrimina muito.







Não se combate preconceito com mais preconceito. Todo mundo sabe. Inclusive o PT. A diferença é que o PT faz de conta que isso não tem importância. A importância está em criticar e tirar proveito político do preconceito dos adversários. E usam essa incoerência com a maior desfaçatez, para não dizer cara de pau. É o que está acontecendo com a superexposição que os petistas estão dando às declarações do deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS), a ponto do presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, Jefferson Fernandes, marcar para o dia 20, na Esquina Democrática, em Porto Alegre, um ato de protesto, com direito a projeção de vídeo, em defesa dos índios, quilombolas e gays.

Mesmo que as declarações de Heinze tenham sido discriminatórias – ele disse publicamente que não foi essa a sua intenção – o protesto de Jefferson Fernandes é demasiado. Não há justificativa para tanto. Isso não foi sequer pensado quando o deputado Marco Feliciano (PSC-SP) assumiu a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Mas é ano eleitoral e o PT, nesses casos, não tem nenhum escrúpulo em chutar as canelas dos partidos rivais. Cada um faz política como deseja, mas até na política é preciso ter ética e, principalmente coerência. Sob pena de estar desprezando a memória e a capacidade intelectual do eleitor.

Esse PT que chama Heinze e seus companheiros de partido de algozes dos pequenos produtores é o mesmo do governador Tarso Genro, o primeiro a subir nas colheitadeiras dos grandes produtores rurais nas solenidades que marcam o início da colheita da safra gaúcha de grãos. Se os pequenos produtores tem seu valor (e tem), pois são eles que abastecem a mesa dos gaúchos com produtos orgânicos, em sua maioria hortifrutigranjeiros, os produtores de maior porte também são imprescindíveis, pois são eles os responsáveis pela produção dos produtos agrícolas que mantém a economia gaúcha num patamar suportável. Enfim, ambos os segmentos são importantes.

Mas o PT, tal qual uma sanguessuga, nega a importância da vítima para a sua sobrevivência política. É o mundo do faz de conta petista. Quando são os seus que estão na mira da opinião pública, como no caso dos mensaleiros, se fazem de vítimas, negam os fatos e até mesmo organizam vaquinhas para arrecadar dinheiro para pagar a multa estabelecida pela justiça aos companheiros condenados e presos. Mas me digam: isso não é uma discriminação contra os brasileiros honestos? No caso anterior, quando defendem apenas o pequeno produtor não estão desdenhando (palavra que ameniza o termo discriminação) os outros produtores?

Mas que justiça petista é essa que só tem um lado? Que coerência é essa que só vale para si e para os seus? Agora mesmo, por ocasião do anúncio da criação da CPI da CEEE, criada pelo agravamento do fornecimento de energia elétrica no Rio Grande do Sul, cuja motivação se deu a partir dos fatos denunciados pela Operação Kilowatt, ocorridos durante o governo Tarso, o PT faz questão de apoiar a iniciativa sob o argumento de que nada tem a perder. Pode ser, mas tem muito a explicar. E como é de sua praxe, já trata de querer desviar o foco, trazendo o debate para os governos que o antecederam. “Temos que investigar desde a época do governo Britto”, dizem. Pois que investiguem, mas que não fujam das suas responsabilidades.

Até quando o PT acha que vai conseguir enganar os gaúchos e os brasileiros? Quanto tempo ainda irá demorar para que caia a máscara do PT e seja mostrado a sua verdadeira face? Mas estas são questões que certamente não serão mostradas no vídeo do deputado Jefferson Fernandes.  


segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

A ditadura dos rodoviários.




Os donos de Porto Alegre se reúnem nesta segunda-feira para decidir se irão paralisar novamente o transporte coletivo de passageiros, ou se aceitam a proposta de reajuste salarial oferecida pelos donos das empresas de ônibus. Soberanamente, como convém aos ditadores de ocasião, se desejarem, irão descer a guilhotina impetuosamente sobre a cabeça de inocentes trabalhadores e estudantes, os verdadeiros reféns dessa história. É a volta do tempo do pão e circo.

Os rodoviários descobriram sua “força”. Destrutiva por supuesto! E ao invés de se envergonharem de seu sentimento satânico - será por causa do tórrido calor que se abateu sobre a capital dos gaúchos? -, foram buscar apoio no inferno das más companhias dos Black blocks e dos militantes da esquerda radical. Estão se achando, como diz minha enteada.  Desobedecem a Justiça do Trabalho. Desdenham da polícia. Destratam os governantes. São os todos poderosos de Porto Alegre. Em véspera de Carnaval sugiro ao prefeito Fortunati que ao invés de entregar a chave da cidade para o Rei Momo que a entregue para o presidente do Sindicato dos Rodoviários.

Vejamos o que resultará a assembleia dos rodoviários, marcada para o final desta tarde. Num país realmente democrático seria de se esperar que a outra parte interessada, os passageiros, também participasse (nem que fosse do lado de fora do local do encontro sindical). Mas, a exemplo dos nossos governantes, o imobilismo da população grassa pelas ruas de Porto Alegre. Então só nos resta ficar como meros expectadores, como na epoca do pão e circo, esperando a posição do polegar do todo poderoso Sindicato dos Rodoviários. Se for virado para cima, acabou a greve. Se for virado para baixo, a greve será retomada. Como convém a um imperador impiedoso e implacável.


E assim retrocede a humanidade.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

O ovo da serpente petista.




A maneira agressiva, por vezes violenta, com que os parceiros de Dilma na América do Sul tratam seus opositores não encontra similaridade no jeito petista de lidar com os protestos no Brasil. Enquanto o socialismo à La Chaves de Nicolás Maduro bate, prende e persegue estudantes venezuelanos, a democracia de Dilma inibe a ação policialesca nos protestos de rua. Mas como? Onde está a identidade revolucionária com Cuba, Venezuela e Bolívia? Onde está o apoio a América Socialista? Engana-se quem pensa que o Brasil age com independência para ganhar a hegemonia do continente para por em prática a sua ideologia tupiniquim.

Ao contrário do socialismo bolivariano adotado por Venezuela e Bolívia, que radicaliza no combate aqueles que ousam se opor às suas ditaduras de esquerda, o PT disfarça, coerente com a sua estratégia de parecer democrata para alcançar seus objetivos egoístas e dominadores, e deixa a “chapa da indignação popular esquentar”. Omissão ou incompetência para impedir a violência crescente dos protestos? Nenhuma das duas. Tudo proposital. Quanto mais violentas as manifestações, quanto mais aterrorizada fica a população, mais fácil fica para a imposição da força oficial.

Explico. Quando o clamor popular for unânime no chamado pela intervenção estatal, o governo petista entra em cena esmagando os líderes oposicionistas (que o PT diz serem radicais de direita, fascistas) com sua pesada pata socialista. Esmagando os poderes Legislativo e Judiciário. Liberdade para José Dirceu, Genuíno e Delúbio, é o que se vai ouvir se vingar o plano petista. É a revolução chancelada. Com cheiro de vontade popular. “Te cuida, te cuida, te cuida imperialista, a América Latina vai ser toda socialista”, como bradaram os petistas que recepcionaram os médicos cubanos nos aeroportos brasileiros.

Tudo um engodo. Tudo uma farsa. Tudo premeditado. Sem que ninguém se oponha a este plano maquiavélico. Sem que ninguém tome uma eficaz medida preventiva ao fim do regime democrático.

Exagero? Fantasia? Não mesmo. Até essa percepção faz parte do plano socialista e revolucionário do PT. Não será possível combater tamanho mal com homeopatia. Com medidas paliativas e pouco profundas. Só com um processo cirúrgico inteligente e eficáz. Quem sabe até com um transplante. No caso a substituição de quem está no poder. Não utilizando da força, como fazem os socialistas, mas o voto, como fazem os democratas.


Mas para tanto é preciso impedir a continuidade do processo de alienação forçada da sociedade, que se encontra em andamento. Já, sem mais delongas. Quem for democrata que se mobilize e saia da estagnação. A causa vale a pena. E as futuras gerações saberão lhe agradecer. 

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

O PT mente, manipula e discrimina.



A tentativa do presidente estadual do PT, Ary Vanazzi, de transformar as declarações pontuais e pessoais do deputado Luis Carlos Heinze em estratégia eleitoral, a ser utilizada pelos deputados e líderes dos partidos que apoiam o governo Tarso Genro, rotulando-as como “uma concepção do partido dele (Heinze) e dos conceitos que eles têm”, seria cômica, não fosse trágica e mentirosa. Aliás, nada de novo, pois se tem um conceito enraizado no eleitorado gaúcho é o de que o PT mente. No caso, “mente tão completamente a dor que deveras sente”, desnudando o temor, agora escancarado, de não conseguir êxito no projeto petista de se manter no poder, reelegendo o atual governador.

Apavorado com a má imagem de gestor ineficaz, por não conseguir cumprir com as promessas (ou será mentiras?) de campanha, o PT tenta reutilizar uma ferramenta idealizada pelo próprio Tarso Genro, quando ministro da Justiça, de bombardear com factoides a imagem dos concorrentes ao Palácio Piratini e a dos seus partidos. No caso o PP e sua possível candidata a governadora, a senadora Ana Amélia Lemos, que aparece pontuando nas pesquisas de opinião até agora realizadas. E a aparição do vídeo com as declarações de Luis Carlos Heinze e a declaração de Vanazzi, poucos dias depois do PP gaúcho ter oficializado seu interesse pela candidatura da senadora, comprova o retorno da velha tática. Óbvio, se o vídeo data de novembro de 2013, por só agora foi divulgado? Esse PT é ou não maquiavélico e oportunista?

Mas vamos aos fatos. O que Vanazzi critica? Que o PP se opõe as minorias? Que destrata representantes das classes econômicas menos favorecidas? Que discrimina índios, gays e quilombolas? Que faz distinção de raça e credo religioso? De onde foi que ele tirou essa convicção? Dos documentos oficiais do Partido Progressista é que não foi. Procurei detalhadamente em todos eles e não encontrei nada disso. Pelo contrário, na transcrição da sua Matriz Doutrinária está registrado o seguinte:

Em absoluta contradição com o que estamos habituados a presenciar, nossa dignidade e o decorrente respeito dessa dignidade pelos demais e pelas instituições da sociedade não pode provir do que nos diferencia (bens materiais, títulos, idade, raça, beleza, força física, etc.) mas deve basear-se no que temos em comum. E é na condição de pessoa humana que ela se firma, como reconhece o primeiro artigo da Constituição Federal ao incluir a "dignidade da pessoa humana" como um dos cinco fundamentos da existência da nação”. E mais, para reforçar sua imagem o PP-RS criou e utiliza o slogan “Primeiro as Pessoas”.

E mais ainda, a senadora Ana Amélia Lemos, reconhecida como a parlamentar mais influente do Congresso Nacional, nunca deu qualquer declaração discriminatória contra quem quer que seja. Pelo contrário, sempre foi defensora dos direitos das minorias, quer na condição de jornalista ou na de parlamentar. Como encontrar, portanto, lógica na manifestação do presidente estadual do PT?  O que se pode detectar, isso sim, é uma tentativa desesperada de encontrar algo que possa servir, mais uma vez, de massa de manobra eleitoral. Esquece, porém, o líder petista, que seu partido tem muito pouco crédito com os gaúchos. Principalmente por ser um notório mentiroso e por sua constante desfaçatez.

Exemplo do faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço, é que no mesmo dia em que os jornais gaúchos publicavam a infeliz declaração do deputado Heinze, o jornal carioca, O Globo, estampava a seguinte notícia:
                           Deputado do PT reage à médica cubana e ataca sua vida pessoal.
“Quero dizer que essa médica foi é tarde”, declarou o petista

BRASÍLIA - Incomodado com a atitude da médica Ramona Rodriguez em abandonar o programa Mais Médicos, o deputado Zé Geraldo (PT-PA) reagiu atacando a vida pessoal da cubana. Em discurso no plenário na tarde desta quinta-feira, o parlamentar citou uma nota assinada pelo presidente do Conselho Municipal de Saúde de Pacajá, Valdir Pereira da Silva, na qual Ramona é apontada como uma pessoa que ingere bebida alcoólica.

A nota diz que ela tentou levar um homem para seu quarto na casa onde morava na cidade paraense, mas foi impedida por suas colegas de moradia. O texto diz também que Ramona se indispôs com enfermeiros e funcionários do hospital onde trabalhava.
- Quero dizer que essa médica foi é tarde - disse Zé Geraldo em seu discurso.

Na carta, o presidente do conselho municipal de saúde faz acusações contra a médica:
“Ao chegar em Pacajá a Drª Ramona fez amizade com um comerciante local passando a frequentar a casa do mesmo, e por várias vezes ingeriu grande quantidade de bebida alcoólica ficando visivelmente embriagada. Recentemente ao retornar à noite para casa onde se hospeda, trouxe consigo um homem estranho, no intuito de levá-lo aos seus aposentos e foi impedida pelas colegas que não concordaram com a presença do estranho por ser essa uma conduta proibida pelas regras de convivência da casa. Tal fato arruinou de vez a convivência da Drª Ramona com suas colegas de trabalho chegado a se indispor com enfermeiros e demais funcionários do hospital onde trabalhava”, afirma.

Ramona Rodriguez pediu ajuda ao DEM para obter asilo político e trabalhar no Brasil como médica. Ela disse que foi "enganada" pelo governo cubano, que percebeu isso pela diferença salarial dos médicos estrangeiros e cubanos. Nesta quinta-feira, ela decidiu entrar com uma ação na Justiça do Trabalho do Pará cobrando do governo a diferença salarial que teria deixado de receber no programa Mais Médicos.

A médica cubana será contratada para trabalhar na Associação Médica Brasileira (AMB), uma das entidades que se posicionou contra o programa Mais Médicos.

Diante de tudo isso a pergunta que não quer calar é: quem é mesmo que discrimina as pessoas? Ou no caso do PT gaúcho, poderá haver discriminação maior, desrespeito maior, do que usar a mentira como arma contra os seus adversários, manipulando as pessoas?  


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Matadores de aluguel.




Quanto vale uma vida? Se considerarmos a manifestação de Caio de Souza, responsável pela morte do cinegrafista Santiago Andrade, ela vale R$ 150,00. É o que ele disse ter recebido para participar do protesto que tirou a vida do jornalista. Caio não disse a origem do dinheiro, mas seu advogado disse: “Sugiro a investigação de partidos políticos, deputados e vereadores que teriam participação no recrutamento dos manifestantes”. Segundo Jonas Tadeu Nunes, ônibus buscariam moradores de áreas pobres para participar dos atos. E para piorar a situação, Nunes diz que não é apenas dinheiro que é distribuído, mas também rojões e máscaras. “Eles tiveram a liberdade tomada por quem fomenta o terrorismo social”, diz o advogado, na tentativa de proteger seus clientes.

Se confirmadas as declarações de Caio e do seu advogado, trata-se de terrorismo subsidiado. Crime, portanto. E como as manifestações violentas se multiplicam pelo país, um crime que não está sendo devidamente combatido. Como nossos governantes podem, sob o argumento de que se trata de eventos cívicos, de manifestação cidadã, permitir o aliciamento intolerável de nossos jovens? Como permitem que se corrompa, por dinheiro e maus exemplos, a consciência de uma geração que sequer sabe o real valor de uma democracia? Essa omissão estatal é um crime mais horrendo e intolerável do que a morte de um trabalhador em pleno exercício da sua atividade profissional.

E a irresponsabilidade governamental é clara. Se não querem usar a força para reprimir a violência nos protestos, que pelo menos usem a inteligência policial para preveni-la. Como não identificar ônibus sendo utilizado para transportar militantes de aluguel? Como não descobrir a origem da livre distribuição de artefatos com poder destrutivo? Mas a responsabilização pela omissão governamental não pode recair apenas sobre o Executivo. Também o Judiciário, especialmente o Ministério Público, e o Legislativo, precisam fazer o mea culpa. Como podem ficar na condição de meros espectadores? É a democracia que está em jogo. Ou será que alguém pensa que os protestos violentos tem objetivos pontuais, como por exemplo, a redução da passagem dos ônibus?


É hora de mobilização. Não política, como a praticada nos protestos em questão, mas social. Se o poder realmente emana do povo e em seu nome é exercido, que a maioria pacífica e ordeira dos brasileiros, representada pelas instituições que formam a sociedade organizada, tome em suas mãos as rédeas do seu destino. O regime democrático, que permite o pluripartidarismo e a livre expressão, não pode ser usado como pano de fundo para o alcance de interesses revolucionários de minorias violentas e mal intencionadas. E essa reação não pode tardar, antes que rojões se transformem em armas e a paz em guerra civil. As milícias civis que começam a ser formadas para se contrapor ao terrorismo e ao avanço da criminalidade que o digam. 

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

O voo solitário dos tucanos.



Quando não se sabe para onde ir qualquer caminho é um destino. É o que parece estar acontecendo com o PSDB gaúcho. Engessado por uma decisão antecipada do diretório nacional do partido que lançou o nome de Aécio Neves à presidência da República, os tucanos do Rio Grande do Sul ficaram praticamente sem opções de alianças com outras siglas. É que os partidos pragmáticos (ou fisiológicos) que estão no governo Dilma irão apoiar a reeleição da petista e os que pregam a independência, mesmo estando na base de Dilma, tendem a apoiar a candidatura de Eduardo Campos.

Assim, diante deste cenário adverso, o PSDB gaúcho, valendo-se do seu privilegiado tempo de TV, voa de galho em galho na busca de um parceiro que ofereça palanque para Aécio Neves. Até agora sem sucesso. Nem mesmo aliados das últimas eleições, como o PP, se predispõe a discutir uma possível aliança. E para agravar a situação dos tucanos, a figura da ex-governadora Yeda Crusius, continua a assombrar a memória dos gaúchos e, consequentemente, inibindo a aproximação de possíveis aliados de campanha.

Mas não é por falta de esforço que o PSDB tende a lançar candidatura própria ao governo do Estado. A cantada mais recente dos tucanos foi encima do PDT de Vieira da Cunha, outro pré-candidato já definido. A iniciativa valeu-se da necessidade de Vieirinha de aumentar seu tempo de TV. Mas trata-se de um “namoro” difícil de acontecer. O PDT jamais irá apoiar a candidatura de Aécio Neves. Aliás, está claro que a estratégia dos pedetistas será aumentar o tempo de TV através da arregimentação do maior número possível de pequenos partidos. Já vem fazendo isto.


Como se percebe, a missão dos tucanos gaúchos é inglória. Sem aliados de peso, sem uma grande organização partidária em nível de estado (diretórios, prefeitos, vice-prefeitos e vereadores) e sem um nome de expressão para a vaga de governador, a tendência é e que o PSDB tenha um terreno pouco fértil, tanto para a eleição majoritária (nacional e estadual) como para a eleição proporcional. Sem saída, resta aos tucanos do RS apostarem todas as suas fichas (e orações) na candidatura de Aécio Neves. 

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Incompetência ou irracionalidade?



O título desse artigo não deixa dúvidas sobre a causa da decisão tomada pelo presidente da EPTC, Vanderlei Cappellari, de excluir do edital para o transporte coletivo de Porto Alegre a exigência de que todos os ônibus teriam que ter ar-condicionado. E a motivação para a ideia de jerico, tomada em meio ao verão mais escaldante dos últimos setenta anos, foi a de baratear a futura tarifa em dez centavos. Dez centavos para ter o conforto de andar, por vezes mais de uma hora, num veículo superlotado. É ou não é digno do prêmio besta do ano?

Ora, como alguém que deveria estimular o uso do transporte coletivo, numa cidade saturada de automóveis, pode restringir um conforto capaz de influenciar os porto-alegrenses a utilizá-lo? E por míseros dez centavos. E ele, com a fatiota de paladino da mesquinhez, ainda têm a ousadia de dizer chegou à conclusão de que a comunidade quer priorizar a tarifa mais baixa, daí a extinção do ar-condicionado. Como assim? A população foi consultada? Não me lembro? Por isso aposto no achismo e não na convicção.

Trata-se de piorar um serviço que já conta com 36% da frota (1,7 mil coletivos) com ar-condicionado instalado. Ou seja, quando um desses ônibus precisar de substituição ele será trocado por outro sem ar-condicionado. Maravilha, não? Isso é o que podemos chamar de ideia brilhante! E o sabe-tudo da EPTC complementa: “O ar-condicionado aumenta em 25% o gasto com óleo diesel e necessita de manutenção permanente”. Então tá. E para ele isso só deve ocorrer no Rio Grande do Sul. Tá certo, para ele o cidadão que anda de ônibus não quer ter conforto.

Seria bom ele perguntar a opinião da Dilma, que não só oportuniza a compra da casa própria como financia, a juros baixos, a compra de móveis e eletrodomésticos, dentre eles o aparelho de ar-condicionado. Para a felicidade e satisfação da nova classe média. Na contramão, a tese de Cappellari para o transporte coletivo deveria gerar uma espécie de programa popular intitulado “Meu suor, Minha Vida”.


Talvez o presidente da EPTC não tenha pensado na possibilidade de usar a eficiência e a boa gestão para baratear as tarifas. Uma planilha de custos bem elaborada, com pitadas de justiça social, seria bem mais cidadã do que a retirada dos aparelhos de ar-condicionado. Mas isso seria pedir demais. Isto me leva a pensar em como serão os vagões do futuro metrô da Capital. Não terão ar-condicionado, com toda a certeza. Bem, mais isso é coisa prá muito depois. Ainda bem, pois assim temos a chance de não ter mais os especialistas de Fortunati na condução da circulação viária de Porto Alegre.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

A república da desfaçatez.




O PT não muda. Finge que muda, mas mente. Só não vê quem não quer. E são tantos os exemplos que não vale a pena citá-los todos. Fiquemos, pois, com o mais recente. O presidente nacional do PT, Rui Falcão, diz que Tarso Genro mudou de idéia. Que não condiciona mais a presença de Dilma apenas no seu palanque eleitoral. Que Tarso apenas não quer que a presidente divida sua atenção com candidatos de outros partidos. Ou seja, que se ela não pode priorizar os candidatos do PT nos estados onde existem outros candidatos de partidos da base aliada, que não formalize seu apoio a ninguém. Que fique neutra.

Nada de novo. Mudar de opinião é com Tarso. Ele já provou que vai da simples bravata, passando por promessas não cumpridas, até a desmoralização do termo peremptório. Mas como é do seu feitio, o governador gaúcho já trata de desmentir, através dos seus porta-vozes, a declaração de Falcão. Segundo eles, Tarso não mudou de idéia.

Por vias das dúvidas (e que são muitas), o presidente estadual do PT, Ary Vanazzi, já trata de achar uma alternativa para a possível “insubordinação” de Dilma. O plano B seria colocar o ex-presidente Lula no palanque exclusivo de Tarso. Essa sim se trata de uma idéia coerente. Dois mentirosos no mesmo palanque têm tudo para dar certo. Ou alguém não se lembra da maior de todas as mentiras de Lula? Aquela onde ele disse não saber da existência do Mensalão. É ou não é um perfeito alinhamento das estrelas?

Preparemo-nos agora para outra grande desfaçatez de Tarso: Ele vai minimizar a importância da renegociação da dívida do Estado para com a União. Outra exigência de Tarso para concorrer à reeleição. Tudo por causa do fracasso das suas negociações com a equipe econômica de Dilma. E assim, de mentira em mentira, o PT vai avançando e iludindo os eleitores. Mas até quando?

Isso tudo nos faz pensar sobre a coerência do ditado que diz que mentira tem perna curta? Aqui no Rio Grande do Sul parece que isso não acontece. Aqui a mentira tirou o bigode, anda de sunga e pula valetas.


sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

O lado bom da greve dos rodoviários.





Se você é daqueles que só veem coisas ruins na greve dos rodoviários, saiba que está equivocado. Eu era um deles. Mudei de ideia. Sabem por quê? Porque o evento desnudou as más intenções e fez cair a máscara daqueles que se escondiam por detrás do pseudo movimento sindical.

Agora, por exemplo, já se sabe que para ficar sem ônibus para nos deslocamos até o trabalho, ou qualquer outro lugar, é só chamar o Bloco de Luta pelo Transporte Público. Se a intenção é depredar, incendiar e enfrentar a polícia, peça ajuda aos Black Blocks. Se for para atacar a imprensa e os governantes de plantão ou planejar ações político-terroristas, convoquem o PSol, o PSTU, o PCO e a CUT.

Porém, se você não quer se meter em confusão alguma, só ficando observando a esculhambação, aí peça ajuda ao PT. Eles são especialistas em omissão.

Entretanto, se você não quer nada disso, esqueça que eles existem na hora de escolher os seus próximos representantes. E nem vai precisar esperar muito. Serão apenas oito meses.


 Simples não? 


quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Paciência tem limite. 
Irresponsabilidade também.



Se alguém tinha alguma dúvida se a greve dos rodoviários é mais política do que técnica, as declarações do secretário estadual da Segurança, Airton Michels, sobre as razões da Brigada Militar não interferir nas manifestações dos grevistas, muitas deles com o uso da força e da coação, foram por demais esclarecedoras. Disse ele: “A primeira questão é que o número de trabalhadores que se dispuseram a sair das garagens até agora é muito pequeno. Com uma quantidade pequena, não se justifica qualquer ação”. Vejam se isso é coisa que um secretário de segurança diga. Sendo assim, como fica a garantia das liberdades individuais? Mas ele vai além: “Também entendemos (nós governo) que temos que esperar o esgotamento das negociações na esfera trabalhista. Por hora, não faz sentido tentar resolver com força policial”. E o esgotamento da população. Se ele acha que pode esperar por uma solução que não se sabe quando virá, pois acordos judiciais não são cumpridos pelos grevistas, os usuários do transporte coletivo da capital pensam diferente.  Eles querem uma solução imediata. Urgente.


E olha que ainda não ouvi ninguém dizendo que as reivindicações dos rodoviários são injustas. Mas ouvi muita reclamação pela insensibilidade e radicalismo dos grevistas, que além de tudo permitiram a presença ativa de grupos ligados a partidos da extrema esquerda. Por que não manter uma frota, mínima que seja, circulando enquanto as negociações prosseguem. Todas as greves de serviços essenciais sempre fizeram isto. O estranho é que enquanto o movimento grevista radicaliza a BM, ao contrário do que sempre fez, flexibiliza ao máximo o combate aos excessos cometidos. Será que os governos municipal e estadual não estão vendo que a paciência da população está no limite? Ou será que o secretário da Segurança está torcendo para que a greve se torne um caso de polícia para finalmente agir? Não precisa ser nenhum profeta do apocalipse para prever que isso tudo ainda vai acabar muito mal.