A verdadeira resposta
de Sartori ao presidente do TJ
Na política vale
mais o que não é dito às claras do que a propalada sinceridade, a contemporânea
transparência e a imprescindível ética, que objetivam a sensação do “politicamente
correto” ou quem sabe uma atitude “para inglês ver”. Vejamos pois as “entrelinhas”
da nota divulgada pelo Palácio Piratini em resposta a manifestação do
presidente do Tribunal de Justiça do Estado. Uma espécie do que deveria ter
sido escrito caso houvesse sinceridade por parte do autor. A interpretação do
texto está em caracteres itálicos e o comentário em negrito.
NOTA À IMPRENSA
Em relação à nota
do Des. José Aquino Flôres de Camargo, presidente do Tribunal de Justiça do Rio
Grande do Sul, o Governo do Estado:
- Recebe a
manifestação dentro do espírito altivo que sempre pautou as relações entre os
poderes, compreendendo a necessidade de o atual presidente posicionar-se
politicamente perante os integrantes do poder que comanda;
Entendo a necessidade que o senhor tem de dar uma
resposta às pressões internas que está sofrendo diante das medidas propostas
pelo Governo do Estado, contrárias aos interesses dos servidores do Judiciário.
Ou seja, chama a nota do presidente do TJ de
demagógica.
- Reitera que
continuará desempenhando sua função, delegada pela população, de defender o bem
comum, com foco especialmente naqueles que mais precisam. Mudanças geram
contrariedades, mas é inadiável a tarefa de recuperar a sustentabilidade do
serviço público gaúcho;
Mas esse é um problema seu, o meu é usar o cargo de
governador para fazer a população acreditar que as perdas do Judiciário significam
ganho para a sociedade e que os privilégios dos servidores da Justiça gaúcha são
uma das causas das dificuldades para o pagamento da folha do funcionalismo. Ou
seja, não estou preocupado com o teu problema interno.
- A Lei de
Responsabilidade Fiscal Estadual (LRFE) é um marco nesse sentido, pois foca na
sociedade e nas áreas essenciais da saúde, segurança e educação. Além disso,
protege todos os servidores públicos, que não podem mais passar pelo
constrangimento de salários atrasados e falta de perspectiva na carreira;
As medidas criticadas beneficiam as áreas
prioritárias do meu governo (saúde, segurança e educação), de maior interesse
popular e onde estão lotados o maior número de servidores estaduais. Ou seja, reduz a importância do trabalho do Judiciário e tenta mostrar
que entre agradar um pequeno número de privilegiados funcionários do Judiciário
prefere fazer crer que se preocupa com a sociedade como um todo e com a
sustentabilidade financeira da grande massa do funcionalismo. Mesmo que a sociedade esteja insatisfeita
com a qualidade dos serviços prestados pelo Estado e mesmo que a imensa maioria
dos servidores estejam descontente com o tratamento que tem recebido, tanto à
nível de valorização profissional como salarial.
- O Poder
Executivo, ao apresentar novos projetos e convocar a Assembleia Legislativa,
age absolutamente dentro de sua legitimidade constitucional e democrática. E
assim fará sempre que julgar necessário. Alguns projetos tramitam há mais de
seis meses. Caberá ao Parlamento, dentro de sua independência, deliberar a
respeito;
Como governador faço uso do poder que as urnas me
concederam da maneira que eu quiser. Tenho a fidelidade da base aliada na
Assembleia e é isso o que importa.
Ou seja, nossa relação harmoniosa e
respeitável é apenas pró-forma, pois aqui quem manda sou eu.
- O protagonismo do
Rio Grande do Sul é da sociedade, maior responsável pelo Estado produtivo e
empreendedor que temos. E será por meio dela que iremos construir um novo ciclo
de desenvolvimento econômico e social. O setor público deve ser um facilitador,
e não um obstáculo nesse caminho;
Entre agradar a sociedade e o Judiciário ficarei
sempre ao lado dos interesses da população, afinal são eles que pagam os impostos
que sustentam a atuação do Estado.
Ou seja, tratem de fazer o seu trabalho
e parem de atrapalhar a minha gestão.
- A situação
financeira do Estado está sendo tratada com verdade, de maneira transparente,
aberta e dialogada. Para enfrentar esse desafio, é necessário um olhar
abrangente e elevado, com a visão do todo, o que a sociedade gaúcha já está
demonstrando.
Já disse e repito, se o Rio Grande ainda não conhece
o caos agora vai conhecer. E a prática da terra arrasada, ampla e exaustivamente divulgada, é o caminho para fazer
as pessoas crerem nisso. Aliás, já estão sendo sensíveis a essa situação. Ou seja, parem de olhar para os seus próprios umbigos e ingressem no
imenso contingente de gaúchos que apoiam a gestão recessiva e a agenda antidesenvolvimentista
de meu governo, mesmo que as pesquisas de satisfação popular mostrem o
contrário.
- Precisamos
cultivar a ética da unidade, da solidariedade e do espírito público para,
assim, construir um novo futuro. Plantar hoje para colher amanhã. Todos pelo
Rio Grande.
Ao invés de fazer manifestações públicas contrárias
as medidas que estou adotando, faça como eu, finja que tudo está dentro da
normalidade e que a superação das dificuldades é apenas uma questão de tempo. Ou seja, pare de me arrumar problemas e desocupe
a cadeira para que seu substituto possa ocupa-la.
GOVERNO DO ESTADO
DO RIO GRANDE DO SUL
José Ivo Sartori