terça-feira, 29 de dezembro de 2015

O exército de um homem só.


Não se constrói um Estado desenvolvido tendo como base a ruína dos seus servidores. Engana-se quem comemora o desmonte da máquina pública como a solução para o desenvolvimento do Rio Grande. Trata-se de uma legítima vitória de Pirro. Mal comparando com o futebol, o governo jogou para a torcida. E todos sabemos que estádio lotado não é garantia de vitória. O que gera conquistas é a qualidade do time que está em campo.
Como acreditar que os serviços públicos (educação, saúde e segurança) irão melhorar apenas por que irão receber mais investimentos? Sem servidores motivados a coisa não anda. Isso é básico. E o dia de ontem foi a pá de cal no pouco de dignidade que o funcionalismo ainda tinha.
O que esperar de retorno de uma categoria que foi chamada de vadia? Onde professores tem que se contentar com o descumprimento da lei que estabelece o piso da categoria? Onde servidores de baixos salários, como os da polícia, tem seus salários congelados? Onde conquistas históricas foram suprimidas sem que ao menos fossem consultados?
De nada adianta mudar a lei se não muda a mentalidade. Mais do que recursos o que o Rio Grande precisa é de uma nova mentalidade gerencial. De COMPETÊNCIA, criatividade, inovação e de dirigentes com capacidade de unir, aglutinar, desde o cidadão comum até o mais descrente.
Esse é o grande desafio. E deveria ser a grande meta. Quando tínhamos orgulho e confiança em nossa gente, quando acreditávamos na capacidade do nosso trabalhador, o Rio Grande só cresceu. À ponto de exportarmos nosso modelo de desenvolvimento para outros estados. Mas nos perdemos no mar da arrogância e da negatividade e acabamos perdendo o trem da história.
Como contagiar de esperança um povo que vê seu governador colocar a culpa de suas mazelas naqueles que são os seus colaboradores diretos? Como acreditar na sinceridade de um governador que age autoritariamente quando precisa decidir o destino de seus subordinados? Onde encontrar harmonia em meio a estratégia do conflito? Como crer que o alcance da felicidade passa obrigatoriamente pelo caos?
Sartori acreditada que tem uma missão. A de ser o Salvador do Pátria. Talvez sonhando em entrar para a história como o comandante de um exército de um homem só. Ele próprio. Um Hércules contemporâneo. Mas a realidade, mãe de todas as verdades, e o tempo, pai de todos os equívocos, vai ensinar-lhe a lição de que é impossível ser feliz sozinho.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

A verdadeira resposta de Sartori ao presidente do TJ








Na política vale mais o que não é dito às claras do que a propalada sinceridade, a contemporânea transparência e a imprescindível ética, que objetivam a sensação do “politicamente correto” ou quem sabe uma atitude “para inglês ver”. Vejamos pois as “entrelinhas” da nota divulgada pelo Palácio Piratini em resposta a manifestação do presidente do Tribunal de Justiça do Estado. Uma espécie do que deveria ter sido escrito caso houvesse sinceridade por parte do autor. A interpretação do texto está em caracteres itálicos e o comentário em negrito.

NOTA À IMPRENSA
Em relação à nota do Des. José Aquino Flôres de Camargo, presidente do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, o Governo do Estado:
- Recebe a manifestação dentro do espírito altivo que sempre pautou as relações entre os poderes, compreendendo a necessidade de o atual presidente posicionar-se politicamente perante os integrantes do poder que comanda;
Entendo a necessidade que o senhor tem de dar uma resposta às pressões internas que está sofrendo diante das medidas propostas pelo Governo do Estado, contrárias aos interesses dos servidores do Judiciário. Ou seja, chama a nota do presidente do TJ de demagógica.

- Reitera que continuará desempenhando sua função, delegada pela população, de defender o bem comum, com foco especialmente naqueles que mais precisam. Mudanças geram contrariedades, mas é inadiável a tarefa de recuperar a sustentabilidade do serviço público gaúcho;
Mas esse é um problema seu, o meu é usar o cargo de governador para fazer a população acreditar que as perdas do Judiciário significam ganho para a sociedade e que os privilégios dos servidores da Justiça gaúcha são uma das causas das dificuldades para o pagamento da folha do funcionalismo. Ou seja, não estou preocupado com o teu problema interno.

- A Lei de Responsabilidade Fiscal Estadual (LRFE) é um marco nesse sentido, pois foca na sociedade e nas áreas essenciais da saúde, segurança e educação. Além disso, protege todos os servidores públicos, que não podem mais passar pelo constrangimento de salários atrasados e falta de perspectiva na carreira;
As medidas criticadas beneficiam as áreas prioritárias do meu governo (saúde, segurança e educação), de maior interesse popular e onde estão lotados o maior número de servidores estaduais. Ou seja, reduz a importância do trabalho do Judiciário e tenta mostrar que entre agradar um pequeno número de privilegiados funcionários do Judiciário prefere fazer crer que se preocupa com a sociedade como um todo e com a sustentabilidade financeira da grande massa do funcionalismo. Mesmo que a sociedade esteja insatisfeita com a qualidade dos serviços prestados pelo Estado e mesmo que a imensa maioria dos servidores estejam descontente com o tratamento que tem recebido, tanto à nível de valorização profissional como salarial.

- O Poder Executivo, ao apresentar novos projetos e convocar a Assembleia Legislativa, age absolutamente dentro de sua legitimidade constitucional e democrática. E assim fará sempre que julgar necessário. Alguns projetos tramitam há mais de seis meses. Caberá ao Parlamento, dentro de sua independência, deliberar a respeito;
Como governador faço uso do poder que as urnas me concederam da maneira que eu quiser. Tenho a fidelidade da base aliada na Assembleia e é isso o que importa. Ou seja, nossa relação harmoniosa e respeitável é apenas pró-forma, pois aqui quem manda sou eu.

- O protagonismo do Rio Grande do Sul é da sociedade, maior responsável pelo Estado produtivo e empreendedor que temos. E será por meio dela que iremos construir um novo ciclo de desenvolvimento econômico e social. O setor público deve ser um facilitador, e não um obstáculo nesse caminho;
Entre agradar a sociedade e o Judiciário ficarei sempre ao lado dos interesses da população, afinal são eles que pagam os impostos que sustentam a atuação do Estado. Ou seja, tratem de fazer o seu trabalho e parem de atrapalhar a minha gestão.

- A situação financeira do Estado está sendo tratada com verdade, de maneira transparente, aberta e dialogada. Para enfrentar esse desafio, é necessário um olhar abrangente e elevado, com a visão do todo, o que a sociedade gaúcha já está demonstrando.
Já disse e repito, se o Rio Grande ainda não conhece o caos agora vai conhecer. E a prática da terra arrasada, ampla e exaustivamente divulgada, é o caminho para fazer as pessoas crerem nisso. Aliás, já estão sendo sensíveis a essa situação. Ou seja, parem de olhar para os seus próprios umbigos e ingressem no imenso contingente de gaúchos que apoiam a gestão recessiva e a agenda antidesenvolvimentista de meu governo, mesmo que as pesquisas de satisfação popular mostrem o contrário.

- Precisamos cultivar a ética da unidade, da solidariedade e do espírito público para, assim, construir um novo futuro. Plantar hoje para colher amanhã. Todos pelo Rio Grande.
Ao invés de fazer manifestações públicas contrárias as medidas que estou adotando, faça como eu, finja que tudo está dentro da normalidade e que a superação das dificuldades é apenas uma questão de tempo.  Ou seja, pare de me arrumar problemas e desocupe a cadeira para que seu substituto possa ocupa-la.  

GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
José Ivo Sartori






segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Profeta do Apocalipse



Se o vice-presidente da República, Michel Temer, por sua semelhança física, é chamado pelos seus críticos de Conde Drácula, o secretário estadual da Fazenda, Giovani Feltes, por suas declarações funestas, desalentadoras e pessimistas, pode ser classificado de Profeta do Apocalipse. 

Depois da desastrada "Se o Rio Grande não conhece o caos, agora vai conhecer", a Zero Hora de hoje publica outra "pérola" dele: "Vendemos o futuro para pagar o passado". Para quem pretendia usar um político para explicar a crise financeira do Estado, Sartori errou feio na escolha. Feltes toda vez que fala troca as mãos pelos pés. Confunde a franqueza da realidade com a desesperança contagiosa. 

E o resultado é um desânimo desenvolvimentista, com potencial de afastar até o investidor mais desavisado; um desconforto generalizado na base aliada; e, principalmente, um descrédito e um desencanto junto aos gaúchos de que o atual governo saberá superar os graves problemas que estão fazendo do Rio Grande um estado difícil de se viver.

Está faltando alguém que diga: Feltes, por que não te calas?

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015



Roleta russa.


Impeachment é a bala de prata da oposição. Ou acerta no coração do PT (Dilma) ou consagra o adversário. Minha opinião? O revólver vai engasgar. Vão se dar conta de que puxaram o gatilho antes da hora (foram na vibe negativa do Eduardo Cunha). Competência vale para a situação e mais ainda para a oposição. E não é torcida. Pelo contrário, é pura constatação. Só uma ou várias imensas mobilizações populares podem fazer prosperar o impedimento. Ah, e desde que ao PT não contrarie uma das máximas do grande Sun Tzu de que não se deve atrapalhar o inimigo quando ele estiver errando.