sexta-feira, 31 de agosto de 2012


Ibope mostra declínio de Serra em SP.



O Ibope divulgou, nesta sexta-feira (31), a terceira pesquisa de intenção de voto sobre a disputa pela Prefeitura de São Paulo após a definição dos candidatos. A pesquisa foi encomendada pela TV Globo e pelo jornal "O Estado de S.Paulo".

Em relação à pesquisa anterior, Russomanno passou de 26% para 31% e se isolou na liderança, Serra foi de 26% para 20%, e Haddad, de 9% para 16%; tucano e petista estão em empate técnico.

Veja os números do Ibope para a pesquisa estimulada:
Celso Russomanno (PRB) – 31% das intenções de voto
José Serra (PSDB) – 20%
Fernando Haddad (PT) – 16%
Gabriel Chalita (PMDB) – 5%
Soninha (PPS) – 4%
Paulinho da Força (PDT) – 1%
Ana Luiza (PSTU) – não pontuou
Carlos Giannazi (PSOL) – não pontuou
Eymael (PSDC) – não pontuou
Miguel (PPL) – não pontuou
Anaí Caproni (PCO) – não pontuou
Levy Fidelix (PRTB) – não foi citado
Em branco ou nulo – 12%
Não sabe – 9%

A pesquisa foi realizada entre os dias 28 e 30 de agosto. Foram entrevistadas 1.001 pessoas na cidade de São Paulo. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos.
A pesquisa está registrada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP), sob o número SP-00605/ 2012.

Pesquisas anteriores
A primeira pesquisa do Ibope foi divulgada em 3 de agosto e registrou os seguintes resultados: José Serra (26%); Celso Russomanno (25%); Soninha (7%); Fernando Haddad (6%); Gabriel Chalita (5%); Paulinho da Força (5%); Ana Luiza (1%); Carlos Giannazi (1%); Eymael (1%); Levy Fidelix, Miguel e Anaí Caproni não pontuaram.

A segunda pesquisa foi divulgada em 16 de agosto e registrou os seguintes resultados: Celso Russomanno e José Serra (26% cada um); Fernando Haddad (9%), Gabriel Chalita, Paulinho da Força e Soninha (5% cada um), Ana Luiza e Carlos Giannazi (1% cada um), Eymael e Levy Fidelix não pontuaram, Miguel e Anaí Caproni não foram citados.
Segundo turno
O Ibope simulou um possível cenário para o segundo turno em São Paulo. No caso de uma disputa entre Celso Russomanno e José Serra, o candidato do PRB teria 51% dos votos e Serra ficaria com 27%. Os votos brancos e nulos somam 14%, enquanto 7% dos entrevistados afirmaram não saber.

Rejeição
O Ibope também perguntou em qual candidato os entrevistados não votariam de jeito nenhum. José Serra tem o maior índice de rejeição, com 34%. Fernando Haddad e Soninha aparecem na sequência com 13% cada um, seguidos por Levy Fidelix (12%), Paulinho da Força (12%), Eymael (11%), Celso Russomanno (8%), Gabriel Chalita (8%), Ana Luiza (7%), Miguel (7%), Carlos Giannazi (5%). Entre os entrevistados, 8% disseram que poderiam votar em todos e 22% não souberam responder.
Espontânea
O Ibope também apontou quais as preferências do eleitor na pesquisa espontânea, quando não são apresentados os nomes dos candidatos. O candidato Russomanno foi citado por 24%, seguido por José Serra, com 16% e Fernando Haddad, com 12%. Na sequência aparecem Gabriel Chalita (4%), Soninha (2%) e Paulinho da Força (1%). Entre os entrevistados, 14% disseram que votariam em branco e 26% afirmaram que não s
abem.

Imagem e texto: G1


Pesquisa Vox Populi confirma disputa acirrada entre Fortunati e Manuela


O jornal Metro Porto Alegre desta sexta-feira (31) apresenta pesquisa realizada pelo Instituto Vox Populi com os candidatos a prefeitura da capital. Pelo estudo, realizado no período de 25 e 27 de agosto, José Fortunati (PDT), com 34% e Manuela D'Ávila (PCdoB), com 32%, aparecem empatados tecnicamento na pesquisa de intenção de voto.Em terceiro lugar aparece Adão Villaverde (PT), com 9%, seguido por Roberto Robaina (PSol), com 1%. Os candidatos Wambert Di Lorenzo (PSDB), Jocelin Azambuja (PSL) e Érico Corrêa (PSTU) não foram citados pelos 800 eleitores consultados. 

Imagem: pt.wikipedia.org

quinta-feira, 30 de agosto de 2012


“Quem não se comunica se trumbica”.


A eleição para a prefeitura de Porto Alegre conta com sete candidatos. Cada um com a sua coligação. E cada coligação com a sua denominação. E cada uma com o seu slogan definido. Mas o que significa a expressão slogan? A palavra vem de slaugh-ghairm (se pronuncia slogorm), do gaélico escocês que designa a expressão "grito de guerra". Por isso, tem tudo a ver com campanha eleitoral. Mas não basta apenas ser bom de “grito”. Tem que ter argumentos que sejam do interesse do eleitor. Sendo assim, a mensagem, ou como alguns dizem, a bandeira, é o componente estratégico mais importante. O que um candidato e um partido dizem, com palavras ou sem elas, com argumento ou com imagem, é o coração da oferta política. É o que os eleitores tomam em conta no momento de definir o seu voto.  Daí a sua importância.

Vejamos então os slogans e as mensagens até agora divulgadas pelos candidatos a prefeito, com as minhas devidas considerações:

- José Fortunati:
Slogan: “Fazer mais, fazer melhor, fazer com todos”.
Mensagem: “Melhorou, vai melhorar”.

A indagação que fica da mensagem, a meu ver, é a seguinte: melhorou ou vai melhorar? Sim, pois é preciso que isso fique bem claro. Se for verdade que o eleitor vota no candidato que representa a esperança de atendimento de suas necessidades mais urgentes, esperar meses, e as vezes anos, para ser atendido num posto de saúde não representa nenhuma melhora. Por isso, mais do que dizer que já fez e que vai fazer mais, é preciso explicar porque não fez quando poderia ter feito. É a sina de quem é governo. Ou como se costuma dizer, “vidraça”. Sinto falta de explicações na propaganda eleitoral do atual prefeito. Mas não há como negar que ele tem a vantagem de mostrar suas realizações e, com elas, fortalecer a sua experiência enquanto administrador público. E isso pode ser comprovado com o elevado índice de aprovação de seu governo, segundo as pesquisas realizadas.

- Manuela D’Ávila:
Slogan: “Porto Alegre da inovação e da igualdade”.
Mensagem: “É hora de mudar”.

Tai uma mensagem adequada ao público alvo da candidata e, a meu ver, da eleição de Porto Alegre. Da candidata porque (e as pesquisas confirmam isto) inovação tem tudo a ver com o seu eleitorado em potencial: jovens. Ou inovação não representa, para eles, tecnologia? E tecnologia não significa Internet? E Internet não representa acesso às redes sociais? E utilizar a rede social não é o dia-a-dia dos jovens?  Da mesma forma a expressão igualdade tem tudo a ver com outro público-alvo de Manuela. As pessoas de menor poder aquisitivo, que são a maioria do eleitorado da capital. E se são a maioria do eleitorado, trata-se do segmento mais importante desta eleição. E qual o pobre que não quer melhorar de vida? Então a mensagem “é hora de mudar” soa como música para os seus ouvidos.  Por tudo isso não me surpreende o constante crescimento de Manuela nas pesquisas. Sua equipe acertou à mão. Falta ainda, em minha opinião, fortalecer a imagem de candidata preparada para o cargo. A oportunidade virá com a apresentação de propostas criativas e viáveis.

- Adão Villaverde:
Slogan: “Prefeito de verdade”
Mensagem: “Porto Alegre precisa entrar no compasso do que acontece com o Estado e o Brasil, com governos do PT”.

Acho duvidosa a eficácia do slogan. Se o principal desafio de Villa é se tornar conhecido do eleitorado porto-alegrense, como fazer isso convencendo a população de que ele sim será um prefeito de verdade. Como fazer o eleitor confiar nisso, votando num candidato que pouco conhece? Além disso, o slogan soa meio agressivo (e com indícios de arrogância), tipo “ninguém foi tão bom como eu serei”. E tal postura, já está configurada, não é bem vista pelo eleitorado gaúcho e, consequentemente, de Porto Alegre. Vai ter que provar nos dias de campanha que restam porque será um prefeito de verdade. Quanto à mensagem, a idéia de alinhamento com os governos federal e estadual (administrados pelo PT) repete a estratégia da campanha bem sucedida de Tarso Genro em 2010. A mensagem tem forte apelo partidário (mobilização da militância) e atualidade eleitoral (ainda está na lembrança do eleitor que votou em Tarso), só não sei se ainda está adequada a expectativa do eleitor de Porto Alegre, que já experimentou o PT por 16 anos. Vai depender muito do desempenho de Villa nas próximas pesquisas.

- Roberto Robaina:
Slogan: “Porto Alegre para o povo”.
Mensagem: “Falar a verdade que os outros não têm coragem”.

- Érico Corrêa:
Slogan: “Porto Alegre para os trabalhadores”.
Mensagem: “Denunciar as mazelas que prejudicam os trabalhadores”.

A linha escolhida pelos dois candidatos para o slogan e para a mensagem é muito coincidente. Explico. Primeiro porque são exclusivas (de exclusão). O que significa governar para o povo e governar para os trabalhadores? Classe média (que representa boa fatia do eleitorado) não está incluída na expressão “povo”? E no caso do candidato do PSTU só os trabalhadores é que irão receber atenção? Por outro lado, mensagens como “falar a verdade que os outros não têm coragem” e “denunciar as mazelas que prejudicam os trabalhadores”, caracterizam-se pelo tom ameaçador (e agressivo), que não é bem aceito pela imensa maioria do eleitorado. A adoção da linha ideológica nos pronunciamentos se confronta com a tendência da maioria do eleitorado de valorizar mais as qualidades do candidato do que o partido que ele representa.

- Wambert Di Lorenzo:
Slogan: “As pessoas em primeiro lugar”.
Mensagem: “Acabar com a possibilidade do PT retornar à prefeitura de Porto Alegre, representada pelas candidaturas de Adão Villaverde, Manuela D'Ávila e José Fortunati, cujos partidos integram os governos federal e estadual”.

Trata-se de um slogan politicamente correto, mas muito abrangente (sem público alvo definido). Por não ser conhecido pela imensa maioria dos eleitores soa como uma promessa duvidosa, uma espécie de cheque em branco: cuide de mim agora (elegendo-me) que eu cuido de você depois. E voto é esperança e não aventura. Já a mensagem tem o mesmo caráter exclusivo da escolhida pelos candidatos do PSol e PSTU. No caso os excluídos são os partidos que compõe a base do governo Tarso (PT, PDT e PCdoB) e que possuem candidatos concorrendo na eleição de Porto Alegre. Identificando-se como representante do PSDB de Serra, Aécio e Yeda, a mensagem de Wambert soa como um revanchismo (Serra perdeu para Dilma e Yeda para Tarso). Numa eleição o embate deve entre projetos e propostas e não uma disputa partidária. O eleitor gaúcho não é simpático a este tipo de confronto, especialmente em eleição municipal.

Jocelin Azambuja:
Slogan: “Educação é a solução”.
Mensagem: Federalização dos professores da rede municipal.

Identificado com os Círculos de Pais e Mestres, Jocelin, ao colocar a Educação como prioridade de seu governo, define como público alvo o segmento educacional (Pais, alunos e professores). Ocorre que, embora já tenha sido vereador, Jocelin ainda é desconhecido da maioria dos eleitores da capital. Assim como o seu partido, o PSL. Sendo assim, apesar da relevância do tema Educação, o pouco tempo de exposição no programa eleitoral de rádio e TV não lhe permitirá o aprofundamento de propostas e projetos. Mesmo assim, poderá abordar ações importantes, como a luta para que os governos federal e estadual façam os investimentos determinados na Constituição para as áreas da Educação e da Saúde.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Datafolha mostra crescimento das candidaturas de Manuela e Villaverde



                                      
O instituto de Pesquisas Datafolha divulgou hoje, através do programa RBS Notícias, a mais recente pesquisa para a prefeitura de Porto Alegre. Os trabalhos de campo, onde foram entrevistadas 827 pessoas, foram realizados nos dias 28 e 29 de agosto. A pesquisa, com margem de erro de 3% para mais ou para menos, foi encomendada pelo Grupo RBS e Folha da Manhã.

Veja abaixo os números e o comparativo com o resultado da pesquisa realizada pelo Instituto no dia 21 de agosto:

SIMULAÇÃO DE SEGUNDO TURNO
CANDIDATO
29/8 - %
21/8 - %
DIF %
Fortunati
36
38
- 2
Manuela
32
30
+ 2
Villaverde
7
3
+ 4
Robaina
2
2
0
Wambert
1
-
- 1
Érico
-
-
-
Jocelin
-
1
+ 1
Branco/Nulo
7
10
- 3
Não sabe
14
15
- 1

SEGUNDO TURNO
CANDIDATO
%
Fortunati
43
Manuela
43
Branco/Nulo
7
Não sabe
8


                                              

terça-feira, 28 de agosto de 2012


Qual o preço da democracia?


O Correio do Povo desta terça-feira publica uma matéria dando conta da dificuldade enfrentada pelos partidos que disputam a eleição de Porto Alegre (e do interior, acrescento) para arrecadar recursos para suas campanhas eleitorais. Não seria novidade não fosse o agravamento substancial do problema. É histórica a dificuldade, em época de eleição, a obtenção dos recursos necessários para a realização de uma campanha. Ainda mais quando a política e os políticos enfrentam uma crescente onda de descrédito popular (e não são poucos e nem desconhecidos os motivos para tanto). Somado a isso, a implantação de ferramentas tecnologicamente desenvolvidas ao marketing das campanhas eleitorais acabou por inflacionar, sobremodo, o custo das mesmas. Resumindo: as campanhas ficaram mais caras e o interesse dos doadores diminuiu.

A consequência disso tudo é a realização (nesta eleição mais do às outras) de campanhas acanhadas e de pouca visibilidade. Claro que as restrições adotadas pela Justiça Eleitoral também tem contribuído para isso. Acabaram-se os showmícios, os outdoors, as placas em locais públicos, etc. Tudo compreensível do ponto de vista do controle e da busca de uma campanha igualitária e justa. Mas que a cara da eleição enquanto festa cívica ficou menos visível, ficou.

Diante dessa nova realidade, toma corpo a ideia do financiamento público de campanha. E já aparecem opiniões favoráveis e contrárias. As que predominam negativamente referem-se, em sua maioria, a defesa do uso do dinheiro público para áreas sociais e de infraestrutura, e não para campanhas eleitorais. Já os que apoiam se apegam a moralização (controle da entrada, aplicação e prestação de contas) dos gastos das campanhas. Particularmente sou adepto da segunda. Mas não radicalizo, pois considero que enquanto o eleitor não se conscientizar de que precisa fazer a sua parte, acompanhando e fiscalizando a atuação parlamentar do seu indicado, é preciso que o Estado faça a sua, disponibilizando o maior número possível de informações sobre os candidatos, para que o eleitor faça a melhor escolha.

A indagação que fica é: quanto custa a democracia? Sim, pois é para isto que servem as eleições. Se o preço está elevado para o padrão brasileiro (e está) o que pode ser feito para barateá-lo, sem que se perca a qualidade de nossa democracia tupiniquim. A Justiça Eleitoral já demonstrou (com reconhecimento internacional), com a implantação da urna eletrônica, que isto é possível.

Eu tenho uma posição formada. Já que as regras estão postas, que o eleitor cobre dos seus indicados (na eleição de 2010 e na deste ano), além das medidas do cotidiano, uma posição favorável a favor da realização urgente de uma ampla reforma política nacional. É inadmissível que tenhamos tantas siglas partidárias. São dezenas. A maioria com doutrinas e programas muito parecidos. Algumas tão pequenas e insignificantes que fica difícil explicar a sua existência. 

Outra medida que se impõe é a adoção do voto distrital. Como me fazer representar por um parlamentar cujo contato pessoal só se dá em época de eleição? Claro que este não é o caso dos eleitos nos pleitos municipais. Em época que se fala tanto em cidadania, é no mínimo estranho a não implementação do voto distrital. E estas medidas (muitas outras poderiam ser acrescentadas) ainda teriam como reflexo o barateamento das campanhas eleitorais, tema desta nota.

Então, antes de criticarmos o custo e a qualidade das campanhas eleitorais e, depois, a atuação dos eleitos, é preciso fazer uma mea culpa sobre o que estamos fazendo para melhorar essa situação. Se as eleições são realmente uma festa cidadã é preciso ter em mente que não existe “almoço de graça”. Alguém está pagando por isso. E por enquanto somos nós, contribuintes.

Imagem: anapuemfoco.blogspot.com

segunda-feira, 27 de agosto de 2012


Lula, por que não te calas?


A história e os sábios já comprovaram que muitas vezes o silêncio vale ouro. Ou como dizem outros ditados populares: “O silêncio é às vezes mais eloquente que os discursos.” Ou, “O silêncio é a virtude do ignorante.” Apesar disso, existem pessoas que, ou desconhecem, ou se contrapõem a essas máximas. É o caso, por exemplo, do presidente da Venezuela, Hugo Chaves, e mais recentemente do ex-presidente Lula.

No caso de Lula, entretanto, as manifestações despropositadas, infelizmente ou felizmente, não tem tido a repercussão que poderia ter. Infelizmente, porque é inadmissível que alguém com a experiência e a popularidade dele se preste a usar a mídia para amplificar frases de efeito que carregam consigo o interesse pelo alcance de objetivos pessoais ou partidários.  Felizmente, porque, na prática, as conseqüências por tais despropósitos não estão trazendo, ainda, maiores prejuízos ao país.

Mas como tudo tem um limite, é hora de alguém (se é que alguém tem ascendência sobre Lula) dizer para o ex-presidente brasileiro “baixar a bola”. Enquanto é tempo. É inadmissível que como interessado direto no caso Mensalão ele, depois de dizer que não acreditava na existência do mesmo (enquanto ocupava a presidência da República), tenha tentado interferir na autonomia do STF. Ou não foi isso que aconteceu na reunião de Lula com o ministro Gilmar Mendes, quando ele disse que, no seu entendimento, não seria recomendável julgar o processo em meio à campanha eleitoral?

Lula pode ser pouco letrado, mas ingênuo, definitivamente ele não é. Pelo contrário, é tido como “raposa” da política. Se falou é porque tinha algum interesse. Ou representava algum interesse. O certo é que ele “mexeu num abelheiro”. Indevidamente, pois existe uma presidente em pleno exercício do mandato que mais do que respeitar o Poder Judiciário, não deu nenhuma declaração pública a respeito do malfadado Mensalão.

Mas não é apenas nesse episódio que Lula atropelou o bom censo. Fez isto em diversas situações. Para me fixar nas mais recentes, cito duas. A primeira foi a interferência na escolha do candidato do PT à prefeitura de São Paulo. Impôs sua posição pessoal e as pesquisas eleitorais estão a mostrar que a escolha não foi acertada. Teimoso, prefere acreditar que a pouca aceitação de Haddad pelo eleitor paulistano possa ser revertida a partir da propaganda eleitoral no rádio e na TV. Até ai tudo bem, quem sairá prejudicado, caso Lula esteja enganado, será o PT.

Mas no caso do segundo exemplo, ocorrido neste final de semana, por ocasião da entrevista dada por Lula ao “The New York Times”, os danos atingem a imagem do país. O que é inadmissível. Dizer que o Mensalão não existiu, em meio ao julgamento do processo pelo STF, é de uma irresponsabilidade incalculável.  Por que dizer isso agora? Com que interesse? E por que justamente num jornal internacionalmente conhecido e respeitado? E mais. Por que dizer, na mesma entrevista, que considera a Justiça brasileira é lenta? Com que objetivo? Desacreditar a Justiça do Brasil?  

Lamentável. É o mínimo que se pode dizer das declarações inoportunas de Lula. Ao invés de opinar sobre temas que não domina, Lula poderia se dedicar a desvendar sua função como personagem da história política do Brasil. Afinal, como ele mesmo reconheceu na entrevista, “não é fácil saber como deve agir um ex-presidente”. Certamente um bom começo será pensar mais e falar menos. Antes que alguém se atreva a dizer-lhe a celebre frase proferida pelo Rei da Espanha, Juan Carlos: “Lula, por que não te calas”?

sexta-feira, 24 de agosto de 2012


Olha o desenvolvimento aí gente!



Uau! Nunca antes neste estado se ouviu, leu ou viu tanto anúncio de obras importantes em tão pouco tempo. Em 10 dias, obras reivindicadas havia décadas, começaram a ser construídas ou foram oficializadas. São bilhões de reais muito bem-vindos. Parte deles do Governo Federal (a maioria), do Governo Estadual, da Prefeitura de Porto Alegre e da iniciativa privada. Dá prá dizer sem medo de errar que o Rio Grande do Sul, nos próximos três anos, estará transformado num imenso canteiro de obras. Graças a Deus, pois o tão almejado desenvolvimento brasileiro, considerando literalmente o termo República, só se tornará realidade se os Estados tão se desenvolverem. E cá entre nós: sem infra-estrutura de transportes, energia e telecomunicações, isto é impossível.

Por isso é que os anúncios precisam ser comemorados. E muito. Sei que alguns dirão que isso é estratégia de campanha. Que se não fosse ano eleitoral isso não aconteceria. Ora bolas! Se o preço para ter estes investimentos é a existência de eleições, que venham mais eleições. E daí! Eleição não é para escolher bons gestores? Que governem pensando e agindo naquilo que a população necessita? Pois quem está autorizando todas estas obras foi eleito pela maioria dos eleitores brasileiros, gaúchos e porto-alegrenses.

Outros dirão que a viabilização dos empreendimentos só se dará porque tem a parceria da iniciativa privada. Que ótimo! Já estava na hora de acabar com os preconceitos de que o público e o privado não se misturam. Quem disse? É só procurar que vão achar centenas de bons exemplos. No estado, no país e no exterior. Além disso, toda essa discussão ideológica só serviu para atrasar o desenvolvimento do Brasil e do Rio Grande do Sul.

Mais. É esperado que os prejudicados pela execução das obras, sejam eles quem for, desde pedestre, motorista ou comerciante, esbravejem e reclamem. Como diz o ditado popular: “não se come omelete sem quebrar os ovos”. É o preço que se paga para melhorar a cidade. No final, o acréscimo a qualidade de vida dos porto-alegrenses irá compensar todo e qualquer sacrifício.

Mas se o entusiasmo pelas obras proclamadas empolga e anima, é preciso que as autoridades responsáveis pelo controle das mesmas sejam rigorosas na fiscalização da aplicação dos recursos e do cumprimento dos prazos contratuais. E falo aqui de maneira ampla. Desde os fiscais dos órgãos federais, estaduais e municipais, passando pelo Ministério Público, Tribunal de Contas, até o cidadão comum. Afinal, não são poucos os exemplos de superfaturamento e desvios de verba em obras públicas. E as obras anunciadas não são caras apenas no seu valor, mas, principalmente, pelos benefícios que elas trarão a está e as próximas gerações.

Outra atitude, recomendável aos interessados pela vinda de outras boas-novas,  é a cobrança pelas promessas ainda não cumpridas. Por exemplo: Da presidente Dilma (construção da segunda ponte sobre o Guaíba e o Metrô de Porto Alegre), das concessionárias da telefonia móvel (investimentos na melhoria do sistema), do governador Tarso (melhora dos índices da qualidade da Educação, da Saúde  e da Segurança Pública) e do prefeito de Porto Alegre, seja quem for o eleito (continuidade das obras de saneamento urbano e de revitalização da orla do Guaíba).

Veja abaixo o quadro com os investimentos proclamados nos últimos dez dias:

Obra
Responsabilidade
Custo (R$)
Prazo de Conclusão
Ampliação da Refap (Canoas) e constução de plataformas (Rio Grande).

Governo Federal

10 bilhões

5 anos
Melhoria da prestação de serviços de energia elétrica para a área rural.

Iniciativa Privada

1,025 bilhão

Até 2014
Construção de ferrovia  ligando São Paulo ao Porto de RG.

Governo Federal e Iniciativa Privada

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Prolongamento da linha hidroviária de passageiros, via Catamarã, até os bairros Cristal e Ipanema.


Prefeitura


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3 meses
Assinatura da Ordem de Serviço para início da duplicação da BR-116 entre Guaíba e Pelotas.

Governo Federal

1,3 bilhão

3 anos
Anúncio da implantação do Pólo Naval do Jacuí (instalação de estaleiros às margens do rio Jacuí)

Governo do Estado e Iniciativa Privada

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Início das obras do viaduto estaiado ligando as avenidas Salvador França e Aparício Borges, por sobre a Av. Bento Gonçalves.

Prefeitura

69,6 milhões

Maio de 2014
Início das obras do viaduto que interliga as avenidas Júlio de Castilho e Castelo Branco, no Centro de POA.

Prefeitura

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Novembro de 2013
Anúncio do início (semana que vem) da duplicação da rua Voluntários da Pátria e da construção do viaduto da Av. Pinheiro Borba (unindo as avenidas Beira-Rio e Padre Cacique).

Prefeitura

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Imagem: portoimagem.wordpress.com

quinta-feira, 23 de agosto de 2012


Fortunati: o prefeito e o candidato


Não há surpresa alguma na ação impetrada pelo setor jurídico da campanha de José Fortunati (PDT), acatada, por liminar, pela 112ª Zona Eleitoral de Porto Alegre, suspendendo os programas eleitorais que exibam mensagens de candidatos a vereador pedindo votos a Adão Villaverde (PT) e Manuela D’Ávila (PCdoB). Primeiro porque ela (a ação) encontra amparo na legislação eleitoral. Segundo, porque não é inédita. Ações desse tipo são comuns em campanhas eleitorais. Terceiro, porque o perfil político de Fortunati é propenso a esse tipo de medida.

Para entender essa última afirmação é preciso separar as coisas. O José Fortunati, sempre tão afável e sorridente, que circula tranquilamente de bicicleta e que recolhe animais abandonados nas ruas, é o prefeito e não o candidato. O candidato, ao contrário do prefeito, foi forjado nas lides do PT. Trás nas veias e no cérebro (no coração também?) os ensinamentos da prática petista de fazer campanha. Onde tudo vale para se sagrar vencedor nas urnas. Nada demais. Os partidos políticos existem para conquistar o poder. E a eleição é o caminho para isso.

Sabedor de que é o alvo preferencial dos seus adversários (todos eles), especialmente daqueles cujas pesquisas os colocam como concorrentes diretos, a ação judicial por ele impetrada, denota a adoção da máxima futebolística de que a melhor defesa é o ataque. Por isso largou na frente. Foi um alerta. Do tipo “pode vir quente que eu estou fervendo”. Experiente, sabe que haverá represália. Não sei se este será o tom da campanha. Se for, não sei se será o melhor tom. Pessoalmente prefiro o embate de idéias e propostas. Mas não há como negar que uma boa peleia tem o seu atrativo.

Para nós, interessados observadores, só resta aguardar os novos rounds, digo, programas eleitorais. Mas que ninguém se iluda: Esta eleição de Porto Alegre é briga de cachorro grande. E das acirradas.

Imagem: portal.abes-rs.org.br