ESSA VOCÊ NÃO SABIA
PEDIDO PÚBLICO DE DEMISSÃO IMPEDIU QUE
EXTINÇÃO DA SECRETARIA
DE
OBRAS FOSSE INCLUÍDO NO PACOTE DE MALDADES DO SARTORI.
Para terem uma ideia da forma nada transparente como foi montado o pacote de maldades que foi recentemente
aprovado pela base aliada do governo Sartori na Assembleia Legislativa, um episódio envolvendo a secretaria estadual de Obras quase resultou na exoneração do titular da pasta, o pedetista Gerson
Burmann.
Elaborado em segredo pelo núcleo
duro do Palácio Piratini, um Petit Comité integrado por pessoas da extrema
confiança do governador, o pacote, composto por vários projetos de lei visando
o enxugamento da máquina pública, foi apresentado aos deputados da base aliada
e aos secretários estaduais apenas na véspera do encaminhamento dos mesmos
(PLs) ao Parlamento gaúcho.
A reunião do grande grupo teve
como local o Galpão Crioulo do Palácio Piratini. Algumas das medidas
apresentadas já haviam sido vazadas, estratégica e cirurgicamente, pela
imprensa. A curiosidade dos presentes, portanto, pairava sobre a confirmação
das mesmas e de mais algumas surpresas de última hora.
Antes mesmo do início exposição
técnica das medida e da manifestação das autoridades que integravam a mesa principal,
o secretário Gerson Burmann, que engrossava a plateia dos observadores, pediu a
palavra. Agradeceu a confiança do governador em ceder ao PDT a secretária de
Obras e concordar com a escolha do seu nome para dirigi-la, mas que tendo em
vista as notícias divulgadas pela imprensa de que a sua Pasta seria extinta,
não se sentia mais em condições de permanecer no recinto, haja visto que estava
em vias de ser exonerado do cargo.
Tal manifestação causou espanto
generalizado. “Como ninguém havia avisado o secretário de que sua pasta seria
extinta?”. Era o que todos se indagavam. Diante de tamanho constrangimento, o governador
pediu que Burmann reconsidera-se sua decisão e permanecesse no local. Mal estar
instalado, já com o secretário demissionário de pé, um dos integrantes da mesa
pediu a palavra é disse que, tendo em vista o episódio, a continuidade da cerimônia
estava condicionada a solução do impasse surgido.
E ai a grande surpresa, que
demonstra o modus operandi do governo Sartori. “O problema está resolvido, a
secretaria de Obras ficará de fora dos PLs a serem encaminhados à Assembleia”,
declarou o governador. E assim a reunião teve continuidade e a secretaria de
Obras, pelo menos momentaneamente, se safou de ser extinta.
Decisões claudicantes e de rasa
complexidade técnica e política como a citada, demonstram a forma como o Estado
vem sendo equivocadamente governado. Se não existe respeito da cúpula palaciana
nem para com os integrantes do próprio governo, como esperar que haja para com
os servidores públicos e para com o contribuinte?
Ao agir desta forma, o governo
Sartori perde confiabilidade, já que credibilidade as pesquisas mostraram que
ele já perdeu, o que impõem necessariamente a troca do slogan do governo de “Todos
pelo Rio Grande” para “O Rio Grande para poucos”.
E para encerrar, o episódio
relatado nos leva a concluir que o governo Sartori possui mais uma marca característica
da sua forma de atuar: a ingratidão. Isso explica as manifestações que já
começam a ser divulgadas pela imprensa de que a saída eminente do PDT da base
governista tem como motivação interesses político-eleitorais. Mesmo que fosse
verdade, não se trata de um direito que merece ser respeitado? Ou desrespeito
também é uma das marcas deste governo? Ao que parece, sim.
Diante de tudo isso, fica uma indagação: O que faz com que os demais partidos da base atuem com tanta lealdade e com tanto denodo na defesa das medidas recessivas e predatórias adotadas pelo Piratini? Pelo que se viu com o PDT o governo peemedebista é avesso a distribuição dos bônus, mas adora repartir os ônus.






