sexta-feira, 18 de janeiro de 2013


A inflação ameaça. Viva! 
Então não enlouqueci.



Graças a Deus! Não enlouqueci. E nem emburreci. Muito menos me alienei. Cheguei a essa conclusão lendo os jornais desta sexta-feira. Na Zero Hora, editoria de Economia, é informado que a revista britânica The Economist chamou de “contabilidade criativa” a manobra feita pelo governo Dilma para alcançar a meta de superávit primário. Para a revista, se o governo não tivesse freado os preços da gasolina e do transporte público, a inflação de 2012 teria chegado “mais perto de 6,5%”, o teto da meta de inflação no Brasil.

Da mesma forma, no Correio do Povo, o economista e coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), Rafael Costa Lima, alerta que a inflação apresenta um cenário de altas que começa a ficar “delicado”. Segundo ele, o IPC em 12 meses, que em agosto foi de 4,1%, caminha agora para 5,4%. “Há muita pressão inflacionária no horizonte com pouca pressão deflacionária”, enfatiza Costa Lima.

Mas o que isso tem a ver com o meu alívio? Tudo. Há meses venho dizendo para mim mesmo que o aumento dos preços dos gêneros de primeira necessidade está ocorrendo com uma frequência cada vez maior. Basta circular pelos corredores dos supermercados para sentir isso. Ou pagar a prestação da escola privada. Ou pagar um estacionamento. Ou comprar um medicamento numa farmácia.

Enquanto isso, eu lia, ouvia e via, o governo falar em pibão, marolinha, e outras firulas mais, para “tranquilizar” a população de que a economia brasileira não só está sob controle, como o país está em franco desenvolvimento. Mas como, se os preços não param de subir? Essa dúvida estava me desestabilizando intelectualmente.

E para reforçar a ideia de que tudo vai bem com a economia, nossas autoridades públicas saudavam o fato de que cada vez mais pessoas estão ingressando na classe média, formando uma enorme legião de consumidores de artigos de luxo, como viagens aéreas, aquisição de imóveis, carros, eletrodomésticos, etc. O resultado: um crescimento assustador do número de inadimplentes. É o legítimo caso da realidade superando a ficção.

Pois é ai que reside a minha satisfação, por mais contraditório que possa parecer. As manifestações da The Economist e da FIPE não apenas demonstram que eu esta certo na minha sensação de que a inflação estava mostrando sua cara mas, principalmente, mostra aos brasileiros que é hora de parar com a euforia irresponsável, e encarar a alta dos preços como um sério problema.

Afinal, se o ufanismo e o saco de benesses do governo ainda seduzem muita gente, não pode haver ameaça pior para o cidadão do que a volta da inflação. E exigir medidas que impeçam seu retorno é uma obrigação de cada brasileiro. É o que pretendo fazer, depois de tirar da minha cara o sorriso de satisfação por confirmar que não estava louco e nem alienado das maquiagens políticas de nossos governantes.  

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013


A classe média do feijão com arroz.



O pobre sonha,
Mas o sonho do pobre é tão pobre!
Sonha com casa própria,
Sonha com um bom salário,
Sonha com boa comida,
Sonha subir na vida...
(Cícero Alvernaz, poeta).

O governo brasileiro tem dito, reiteradamente, do seu orgulho de estar contribuindo para que um número cada vez maior de cidadãos deixe a classe pobre e ingresse na classe média. E não por acaso. Até slogan produziram para isso: “País rico é país sem pobreza”. Bota sinceridade nisso!

Sob esta ótica enquadram-se os programas sociais que estão oportunizando que os menos favorecidos economicamente possam desfrutar de casa, comida e dinheiro no bolso. Ou seja, prontos para se sentirem classe média. E como tal, tiveram acesso, mediante queda ou congelamento de juros e tributos (mesmo que temporários), a compra do primeiro automóvel, viagem de avião, TV de 40 polegadas, computador, etc.

E tudo isso fez a roda da economia andar. E os cofres públicos se abarrotarem de recursos. E claro, como toda classe média que se preste, serviu para endividar o “novo rico”. Pode-se chamar literalmente isto de evolução (ou será revolução)? De melhora de vida? A julgar pela popularidade da presidenta e de seu governo, medida pelas pesquisas, sim. Mas o que de fato mudou para melhor na vida do cidadão? Na sua qualidade de vida? Os serviços básicos e gratuitos de saúde, educação e segurança melhoraram? A infraestrutura de transportes, energia e comunicações receberam as melhorias necessárias? Muito pouco. Aquém das necessidades e da urgência necessária.

O que se percebe é que quem conseguiu alçar um novo patamar de bem-estar o fez basicamente por conta própria. As suas custas. Utilizando planos de saúde, ensino particular e segurança privada, dentre outros. Mas é este o paraíso prometido? Se é, então não existe diferença entre socialismo e ou capitalismo, pois tudo acaba tendo o mesmo destino: o bolso do contribuinte.

Ah! Mas tem o futebol e o carnaval, dirão alguns pouco exigentes, satisfeitos com o “Curinthians” campeão do mundo e com o fato da Copa de 2014 ser realizada no Brasil. Carnaval então nem se fala. Dura apenas uma semana, mas leva um ano se preparando para a folia. E isso demanda tempo e dedicação. E quem ousa pedir mais é taxado de exigente ou politicamente incorreto.

Ou seja, tudo está a indicar que o que importa mesmo é fazer com que o cidadão se sinta integrante da classe média, mesmo que desfrutando das “benesses” de um governo que, podendo fazer mais e melhor, só oferece o trivial feijão com arroz. 

Imagem: eleojamal.blogspot.com

terça-feira, 1 de janeiro de 2013


Pobre classe média.



Não adianta. Mal começa 2013 e eu já estou de mal com o governo. O federal.  Ao começar a juntar os comprovantes para o IRPF me deparei novamente com a realidade educacional do Brasil. Para oferecer um ensino superior de qualidade ao meu filho – que por culpa do DNA e da vontade dos pais de se tornarem cidadãos de primeira classe, que valorizam a educação e o trabalho, não se enquadra no perfil dos universitários cotistas das instituições públicas-, banco do meu bolso, anualmente, cerca de R$ 28 mil. O que o governo me dá em troca desse esforço? Um abatimento de R$ 3 mil no meu Imposto de Renda.

E nessa indignação por ter me empenhado em transformar-me numa classe média, começo a pensar em tudo aquilo que mereço penar por estar nesta situação econômica. Se quero comer, tenho que comprar o alimento. E o governo? Fica com os impostos.  Prá mim nada de bolsa família, e outros benefícios do gênero. Se consigo adquirir uma casa tenho que investir em segurança: muro, cerca elétrica, câmaras de vídeo, segurança privada, etc. E o governo? Investe na implantação dos “territórios da paz” nas áreas da periferia. Ora, mas todo mundo sabe que ladrão não rouba de pobre. Rouba de rico, eventualmente. E de classe média, a toda hora. E classe média se mata trabalhando para morar numa região provida de estrutura básica condizente para viver, mesmo que para isto tenha que pagar altos tributos. E aí vira alvo de bandido.

Se a classe média quer saúde digna, ágil e de qualidade, tem que pagar plano se saúde. E o governo, que deveria fornecer gratuitamente um sistema de saúde eficiente, o que faz? Monta equipes da Saúde da Família. Para atender que público alvo? O da periferia. E para tanto, médicos, enfermeiros, dentistas e agentes comunitários prestam atendimento diferenciado: atuam na residência no beneficiado. E de graça. De graça uma ova! À custa do contribuinte que paga se mata trabalhando e paga imposto. E nem assim o tal PSF funciona a contento.

E se a classe média quer se livrar do “apertamento” e da “lerdeza” do transporte público e compra um automóvel? Báh! Arruma sarna prá se coçar. Vai ter que pagar IPVA, seguro, pedágio e os cambau mais.  E o governo o que faz? Para a classe média? Quase nada. Coloca ele na fila dos congestionamentos, pois investimento em obras viárias ou demora muito ou não sai do papel. Enquanto isso, o governo faz beneficies populistas oferecendo gratuidade ou generosos descontos para os menos favorecidos economicamente. E dê-lhe a transformar esse povo em sardinha, estocadas em ônibus e metrôs, sempre em quantidade insuficiente.

Mas quem pensa que estou desprezando o trabalho social do governo está enganado. Critico é a "fabrica" que produz classes médias e depois joga-os a sua própria sorte. O universitário cotista de hoje, alimentado por bolsas famílias, morando em condomínios populares (Minha Casa, Minha Vida) na periferia, vai se transformar inevitavelmente numa classe média. É a ordem natural da vida. “Quem já tomou banho de água quente não quer mais se banhar em água fria”, me disse um sábio amigo. E é verdade! Assim como não dá prá negar que a história mostra que revolução social e política são geradas pelo descontentamento da classe média.

Por isso, Sr. Governo Federal (Lula/Dilma), muito cuidado com a “receita de bolo” que propiciou 12 anos de vitórias eleitorais. O “fermento” (pobreza) está crescendo e tomando forma de bolo. De classe média. E vai ter que pagar imposto. E vai cobrar serviços de qualidade do governo. E aí a coisa pode abatumar.  A classe média não quer ser a cereja do bolo, mas também não quer ser desprezada da festa. Se “país rico é país sem pobreza”, não dá prá esquecer da classe média. Ou será que a intenção é empobrecê-la?

Imagem: juarezcapaverde.blogspot.com