sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Qual é a realidade financeira da prefeitura de Porto Alegre?





A derrota de Sebastião Melo no pleito municipal, se confirmada a tendência mostrada pelas pesquisas eleitorais, terá um impacto negativo no PMDB muito maior do que o esperado. Não pela perda do poder alcançado havia 12 anos, mas pela perda do discurso de que o imobilismo e a fragilidade do governo Sartori está baseada na crise econômica herdada do governo Tarso. Em outras palavras, a subtração da credibilidade popular. E credibilidade, todos sabem, é a grande moeda de troca entre o político/partido e o eleitor.

E que os mais afoitos não concluam que estou dizendo que o governo petista não tem culpa pelo agravamento da crise financeira do Estado. Os números até agora levantados mostram que tem. Mas por que então estou dizendo isto? Porque são cada vez maiores os indícios de que a realidade financeira da Prefeitura de Porto Alegre está sendo camuflada pelo interesse eleitoral. Ou será eleitoreiro? E neste caso a estratégia do PT na campanha de 2014 estaria sendo copiada na atual eleição pelo PDT/PMDB. A prática da velha e desgastada teoria Ricuperiana (Rubens Ricupero) de que “o que é bom a gente mostra, o que é ruim a gente esconde”.

E não são poucos os indícios de que a precária situação financeira do erário municipal está sendo escondida na campanha eleitoral, apesar dos fortes sinais dessa realidade, que vão desde o atraso do pagamento dos prestadores de serviço até os boatos surgidos entre os próprios servidores de que o atraso dos seus pagamentos está cada vez maior próximo de acontecer. Recentemente dois sintomas confirmaram essa previsão.

O primeiro deles foi a distribuição antecipada para outubro (contrariando uma pratica dos anos anteriores) dos DOCs do IPTU. O segundo, divulgado hoje pela imprensa, diz respeito a decisão da Justiça de proibir que a prefeitura retenha o repasse obrigatório do duodécimo a que a Câmara de Vereadores de Porto Alegre faz jus. Ou seja, impedindo o descumprindo de uma obrigação constitucional.

Nesse universo de dúvidas e incertezas, cai muito bem o discurso da transparência apregoado pelo candidato Nelson Marchezan. Está na hora de dissipar essa ameaçadora dúvida da verdadeira realidade financeira da prefeitura da capital. Até porque isto é um direito dos contribuintes. E diria mais, está na hora de fazer cair as máscaras daqueles que fazem da política um instrumento de autobenefício, onde os fins justificam os meios. Para o bem de Porto Alegre e, principalmente, dos porto-alegrenses. 

quinta-feira, 27 de outubro de 2016


Uma foto desfocada da realidade.

 

Normal o apoio manifestado pelo PCdoB, com adesões pontuais do PSol e do PT, à candidatura de Sebastião Melo. Sempre que a intenção foi atacar e agredir a imagem de alguém ou desconstituir algo, os comunistas estiveram na linha de frente. Se é para destruir e avacalhar é com eles. Ainda mais quando o aliado, no caso Melo, atua na mesma frequência negativa. É um apelo irresistível. Um campo fértil para a prática da má política.

 

A desculpa de que a adesão foi em consequência da "agressão" do MBL à Juliana Brizola, é de fazer ruborizar até o capeta. É difícil, sei, reconhecer publicamente o instinto de escorpião, mas no caso em questão isso fica muito transparente.


A foto de Melo cercado por inimigos históricos do PMDB, cujos partidos lideram o "Fora Temer" e que apoiam integralmente o pedido de impeachment de Sartori impetrado pelo Cpers, é daquelas de esconder no fundo do baú das más lembranças. Representa uma fatura que certamente lhe será cobrada pelo resto da sua vida política.

 

Mas Melo já demonstrou nesta campanha que faz qualquer coisa para se manter no poder. Azar o dele que escolheu o momento errado para isso. O tempo e as urnas, senhores da razão, haverão de lhe oferecer esse aprendizado. Assim é a vida. Aqui se faz, aqui se paga.

 

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Fazer mais ou fazer diferente?





Minha experiência em eleições mostrou que nenhuma campanha prospera se sua mensagem não estiver afinada com o anseio popular do momento. No caso de Porto Alegre, a insatisfação generalizada com os cuidados básicos da cidade já era sentida antes mesmo do período eleitoral. Ou seja, havia um clima latente de insatisfação e, consequentemente, um apelo por mudança. Se não de nomes, de atitudes.

E foi ai que os dois disputantes do segundo turno da eleição mostraram suas diferenças. Melo, representando o governo vigente, e Marchezan, a nova alternativa. Ora, se o descontentamento se fazia visível até mesmo nas pesquisas de avaliação do desempenho do atual governo municipal, a mensagem ao eleitor só poderia ser a de melhoria do que ai está e não prometer mais do mesmo.

Por foi justamente isto que a mensagem de Melo fez. No jingle, por exemplo, isso fica explícito quando é feita a pergunta, "quem pode fazer mais, quem nunca fez ou quem sabe como faz?" Quem escuta isso imediatamente faz a seguinte associação: Se sabe, por que não fez? E ai fica difícil dissociar as manchetes negativas e diárias da imprensa, especialmente as ligadas à segurança pública, com a gestão municipal, pois é na cidade que as pessoas vivem.

Marchezan, ao contrário, mirou no desejo popular de viver um novo tempo. E focou sua mensagem na mudança. "Prá fazer diferente, agora vale a pena acreditar", diz o refrão do seu jingle. Isso soou como música aos ouvidos dos porto-alegrenses. Se vai fazer ou não passou a ser secundário perto do apelo causado pelo rótulo do novo. Da mudança.
Isso, aliado a outras questões repudiadas pelo eleitor contemporâneo, como não estar envolvido em suspeita de corrupção (ficha limpa), deram ao candidato tucano uma simpatia diferenciada que, pelo que as pesquisas estão indicando, está virando adesão.

Falta apenas seis dias para saber de fato qual das estratégias foi vitoriosa. Que a normalidade da campanha permita que a vontade da maioria prevaleça.


sábado, 22 de outubro de 2016

É preciso frear a barbárie eleitoral.




Confesso que uma das minhas expectativas para este eleição, a primeira após as grandes mobilizações iniciadas em junho de 2013, era como a classe política iria se portar. Se teimariam com a velha e desgastada prática da arrogância, da mentira e do autoritarismo político, ou se evoluiriam para uma campanha mais propositiva e identificada com a vontade popular. Tudo isso em meio ao tsunami provado pela Operação Lava Jato.

Outra curiosidade era se, finalmente, a Internet teria condições de interferir, efetivamente, na campanha eleitoral e, consequentemente, no resultado da eleição.

Pois para minha surpresa, a grande modificação em relação as eleições anteriores foi o protagonismo dado ao radicalismo e ao ódio. Pelos candidatos e, principalmente, pelos defensores de suas candidaturas. E ai vale tudo. Desde pichação, depredação e vidraças quebradas à tiros de comitês, até o bate boca agressivo e predatório da imagem pessoal dos candidatos.

Mas o maior campo de batalha está sendo mesmo as redes sociais, que se transformaram num verdadeiro UFC virtual. Recentemente vi um internauta comparar um dos candidatos à prefeitura de Porto Alegre a Adolf Hitler. E pensar que até pouco tempo radicalismo era visto como monopólio dos partidos de extrema esquerda.

Antes mesmo das urnas proclamarem sua decisão, concluo que o país está merecendo uma outra reforma, além das conhecidas tributária, fiscal, previdenciária e política. Trata-se da reforma eleitoral. Não dá para considerar como normal tudo o que estamos observando. Isso que estamos assistindo não pode ser considerado como liberdade de expressão. É preciso organizar e disciplinar esse novo momento, sob pena de vermos a anarquia e a barbárie se sobrepor a democracia.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

O super secretário de Sartori.




Um ex-secretário de Sartori, quando ele foi prefeito de Caxias do Sul, contou-me que o atual governador do Estado tem por hábito consultar o seu reduzido núcleo de confiança antes de tomar decisões importantes.  Formado por pessoas do seu círculo de amizades pessoais, estes assessores servem de bússola para o norteamento das convicções de Sartori.

Mas por que digo isso? Porque um desses consultores confiáveis está por se tornar um super secretário. Trata-se do secretário geral de Governo, Carlos Búrigo, que segundo os corredores palacianos irá absorver as atribuições de secretário do Planejamento. Caberá a ele, um técnico e não um político, coordenar o programa de extinção, venda e fusões de estatais.

Dentre suas atribuições estará o convencimento dos parlamentares para a aprovação das iniciativas encaminhadas à Assembleia Legislativa. Ocorre que estas iniciativas foram geradas com a sua participação direta, o que significa explícita aceitação e concordância do seu amigo e chefe Sartori. E é assim, na condição de fiel escudeiro do governador, que ele irá defender os projetos apresentados ao poder Legislativo.

E é aí que está o “furo da bala”. Como alguém que coloca o amizade com o governador acima das questões de Estado, sem expertise política e parlamentar, pode servir de interlocutor com os deputados e com servidores diretamente afetados pelos projetos de lei? 

Ah, mas para isso é que serve o líder do governo, dirão alguns. Ledo engano. O líder do governo nada mais é do que um intermediário, um vendedor de produtos acabados. O que realmente tem significado, valor e importância é a decisão política de propor e executar. E isso Búrigo tem de sobra. Arrisco dizer até que ele tem carta branca para decidir.


Foi assim em Caxias, me confidenciou o ex-secretário caxiense, e tudo indica será assim no governo do Estado. Resta saber qual será a reação do Parlamento gaúcho, dos servidores e da sociedade. Obediência fiel e irrestrita, à la Búrigo, ou posicionamento consciente e socialmente responsável? É ver para crer.
Onde foi parar a meia estação?




Sem dúvida 2016 está sendo um ano diferenciado. Não, não estou me referindo a crise política e econômica do país. Estou falando da situação climática. Os mais antigos, como eu, devem se lembrar dos anos em que as quatro estações se manifestavam de forma ordeira e disciplinada. Daí a condição privilegiada de observadores das mudanças climáticas e também das teses para explica-las. Efeito estufa, aquecimento global, La Ninha, El Ninho e outras mais.

Não me sai da memória a previsão de especialistas de que se não modificarmos nosso modo de interagir com a natureza, quer como indivíduo globalizado, quer como agentes produtores de modificações culturais, laborais e ambientais, seremos vítimas das consequências da elevação da temperatura do planeta.  Os tórridos meses de verão, prolongados em duração ano após ano, pareciam confirmar o prognóstico dos estudiosos do tempo.

Mas aí veio 2016 e com ele a contradição climática. Dos dez meses do ano, sete foram de temperaturas baixas. A tal ponto de termos baixas temperaturas em meio a chegada do horário de verão. Tal atipicidade me faz lembrar de duas histórias. A primeira refere-se a declaração de um técnico japonês do Banco Mundial, que ao sobrevoar Porto Alegre de helicóptero manifestou sua surpresa ao ver tantas piscinas. “Como uma cidade que tem temperatura moderada e fria na maior parte do ano pode ter tantas piscinas e tão pouco sistema de calefação”, disse ele.


A segunda, uma piada regional, que pode muito bem servir de resposta à curiosidade do técnico, é a de que no Rio Grande do Sul só existem duas estações, o inverno e o verão. E que nos caso das cidades serranas é adaptada para inverno e estação rodoviária. Singularidades a parte, 2016 parece confirmar a excepcionalidade climática. O fato é que cada vez mais estamos usando menos o termo “meia estação”, o que faz com que eu, aleatoriamente, me veja cantarolando a música de Noel Rosa que diz “com que roupa eu vou, ao samba que você me convidou...”.