PT é o fiel da balança na
eleição de Porto Alegre
Quem poderia dizer
que numa eleição desde o início polarizada entre Fortunati e Manuela poderia
ser decidida pela participação de um terceiro candidato, praticamente
desconhecido pelo eleitorado de Porto Alegre. Pois é, campanha política se
presta para estas surpresas. Refiro-me a Adão Villaverde, candidato do PT. Mas vejam
bem, o candidato e não a candidatura. Sim, pois a presença do PT na disputa
pela prefeitura da capital é uma constante desde o final da ditadura.
Lançado em meio a
uma disputa com Raul Pont, presidente estadual do PT e um dos expoentes da DS,
até então a maior corrente petista, Villaverde foi alçado à condição de
candidato por uma articulação que uniu diversas correntes e se tornou
majoritária nas prévias petistas. Uma vez candidato, coube à coordenação de sua
campanha superar dois grandes obstáculos: unir e mobilizar o partido para a
campanha e tornar Villa, como ficou definido por seus marqueteiros, conhecido
do eleitorado de Porto Alegre.
A primeira missão,
aparentemente, parecia a mais simples. Afinal, a militância petista sempre se
destacou na busca do voto dos porto-alegrenses. Prova disto foi a vitória em
quatro eleições consecutivas (1988 – 2000). A segunda não. Participando pela
primeira vez de uma eleição majoritária, o deputado e ex-secretário estadual do
governo Olívio Dutra, Villa sabia que seu principal problema seria fazer-se
conhecido do eleitorado da capital. Como agravante disso, coube-lhe um reduzido
espaço na propaganda eleitoral de rádio e TV.
Tentou e está
tentando. Mas as pesquisas mostram que não está sendo fácil. Mais, que não está
conseguindo. Todas as pesquisas realizadas até agora não conseguiram detectar
uma intenção de voto que chegasse a dois dígitos. Esse mau desempenho tem lhe
tirado a possibilidade de se apresentar como terceira via da eleição. Como
resultado, consolidou-se a polarização da disputa entre Fortunati e Manuela,
que apresentam desempenho superior a 30%.
Sem demonstrar
desânimo, Adão Villaverde vem cumprindo a risca e com denodo o seu papel de
candidato. Só que isso, somado ao péssimo desempenho dos candidatos do PSol,
PSDB, PSL e PSTU, está colocando em risco a realização do segundo turno da
eleição. Por motivos que este blog já mostrou, o principal dele o crescimento
da candidatura de Fortunati e a estagnação da de Manuela.
Pois bem, ocorre que
embora Villaverde visualize longe o horizonte da vitória, está em suas mãos a
real possibilidade da realização do segundo turno desta eleição. A outra,
claro, é o crescimento de Manuela, coisa que até agora não aconteceu. Digo real
porque basta que o PT repita a tradicional mobilização, chamada em Porto Alegre
de “onda vermelha”, para que ele cresça supere a barreira dos dois dígitos. Se
isto acontecer, BINGO, teremos segundo turno. Com Fortunati e Manuela, claro.
Mas teremos. E no segundo turno a eleição se modifica completamente. E tudo
pode acontecer.
Mas para que a
candidatura de Villa ocupe está posição de “fiel da balança” não depende apenas
dele. Depende, fundamentalmente, do PT. Se o partido repetir a mobilização e a
garra das últimas eleições isto fica fácil de acontecer. O tamanho do PT, por
si só, é bem maior do que as pesquisas tem oferecido à Villaverde.
Mas tem que querer
para acontecer. Tempo tem. Ainda faltam 23 dias para a eleição. Uma enormidade
em se tratando do Exército Petista. Além disso, não dá prá esquecer que Porto
Alegre possui papel estratégico para a campanha eleitoral de 2014, onde
certamente Tarso Genro irá buscar sua reeleição. Ah! Esperem aí. Será este o
motivo para a aparente neutralidade petista? Para não descontentar PDT e PCdoB,
aliados de Tarso no Piratini? Pessoalmente não acredito. A menos que o PT tenha
mudado. E muito.
Imagem: jcsgarcia.blogspot.com

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