Por que o 2º turno é necessário?
Porto Alegre é uma capital com cerca de dois
milhões de habitantes. E como toda cidade desse porte tem seus problemas.
Muitos problemas. Muitos deles resolvidos pelo próprio cidadão ou pelas
próprias famílias. Mas tem problemas que fogem da sua alçada. E que por isso
mesmo são de responsabilidade do poder público, no sentido mais amplo da
denominação. Segurança pública, saúde e educação, são os principais exemplos.
E, nestes casos, a obrigação maior recai sobre a União e os Estados. Mas isto
não tira do município sua responsabilidade social sobre estes e outros
problemas. No caso de Porto Alegre, por exemplo, existe a guarda municipal.
Existe o ensino público municipal. E postos de saúde. Tem até um hospital para
atendimento dos servidores públicos municipais.
Pois bem, a pergunta que fica é: os
porto-alegrenses estão bem servidos nestas áreas? Não, claro que não. E são
muitas as deficiências e carências. Isto sem falar no crescente e preocupante
problema da circulação viária, seja no trânsito de veículos, seja no transporte
de passageiros. E o problema da habitação, gerado pela carência de moradias
populares? Como falar em cidadania se o princípio básico de qualquer cidadão,
que é ter um endereço, não é atendido? Claro que todos os prefeitos da capital
fizeram algo para minimizar os problemas. Impossível ficar quatro anos à frente
da prefeitura sem nada realizar. Mas o que se questiona, neste momento de
eleição, é se fizeram o que poderiam ter feito? Este é o julgamento que o
eleitor deve fazer na hora de depositar seu voto na urna.
Sem querer imputar ao atual prefeito a pecha de culpado
por todas as mazelas existentes, é visível que Porto Alegre enfrenta um
histórico atraso no atendimento de suas necessidades. Que deveriam ter tido um
enfrentamento, seja ele direto ou indireto, mais contundente. É inadmissível,
por exemplo, que obras viárias importantes, como a construção de viadutos e
elevadas, demorem tanto para serem executadas. E os casos mais significativos
nesta área são a construção da segunda ponte sobre o Guaíba e a implantação do
metrô.
Vê-se agora – e tão somente agora – pela propaganda
eleitoral gratuita de rádio e TV que várias ações do executivo municipal foram
e estão sendo executadas. Mas por que só agora? É obrigação de todo administrador
responsável prestar contas de suas atividades, especialmente aquelas que
demandam o uso do dinheiro público. Transparência 24 horas. E não apenas
durante a campanha eleitoral. Aliás, existe verba orçamentária para esse tipo
de publicidade.
Pois bem, já que a prestação de contas está sendo
feita durante a eleição, nada mais justo do que fazê-la com adequada cautela. Sem
afogadilho. Afinal, como saber se tudo o que aparece na propaganda é verdade?
Além disso, eleição é planejamento do futuro. Daí que as propostas apresentadas
pelos respectivos planos de governo, de cada candidato, devam ser
exaustivamente apresentadas. Se não há tempo para isso, que pelo menos os dois
candidatos de maior preferência do eleitorado tenham um tempo adicional para
esmiuçarem suas propostas. E é para isto que existe o segundo turno das
eleições.
Resumindo na prática. Se Fortunati mostra uma
cidade modificada positivamente por sua administração (é bom não esquecer que
são oito anos – seis como vice e dois como prefeito) e promete fazer mais, é
preciso debater, pelo menos, a eficácia do ritmo empregado, já que os
principais problemas permanecem. Por outro lado, se existem projetos
diferentes, defendidos por outros candidatos, nada mais justo do que a
realização de um debate mais cauteloso sobre a viabilidade e oportunismo dos
mesmos. Daí a importância de que pelo menos um dos representantes da oposição
tenha tempo igualitário, no segundo turno, para a apresentação do seu plano de
governo. Coisa que não teve no primeiro turno.
Imagem: tse.jus.br
Nenhum comentário:
Postar um comentário