A iminente vitória de
Golias sobre Davi.
As pesquisas eleitorais, há mais de 15 dias, indicam
a possibilidade de vitória de José Fortunati no primeiro turno da eleição de
Porto Alegre. Hoje foi a vez da Datafolha e da Vox Populi. Na primeira, na
pesquisa estimulada, Fortunati aparece com 47% das intenções de voto, Manuela
com 24%, Villaverde com 9%, Robaina com 2%, Wambert com 1% e Jocelin Azambuja e
Érico Ribeiro com menos do que 1%. Na segunda, Fortunati continua pontuando com
50%, Manuela tem 23%, Villaverde 8%, Robaina 2%, Wambert 1% e Jocelin Azambuja
e Érico Ribeiro com menos do que 1%.
Independente da diferença entre os resultados, o
certo é que as pesquisas coincidem num ponto: Fortunati está crescendo. Manuela
decrescendo. E Villaverde e os demais estagnados. Surpresa? Duas. A primeira
delas, a meu ver a principal responsável pela ameaça de não haver segundo
turno, é a dificuldade de Villaverde para atingir os dois dígitos,
contrapondo-se ao desempenho sempre satisfatório do PT nas eleições das ultimas
duas décadas. Respectivamente 48% em 1992 (Tarso), 53% em 1996 (Raul Pont), 48%
em 2000 (Tarso), 37% em 2004 (Raul Pont) e 22% em 2008 (Maria do Rosário). Isso ainda vai render uma análise mais acurada,
pois o desconhecimento de Villa perante o eleitorado porto-alegrense não me
parece o principal motivo do seu fraco desempenho. Se fosse, como explicar os
22% de Maria do Rosário em 2008?
A outra surpresa, por assim dizer, é o excelente desempenho
de Fortunati, superior ao de Fogaça no primeiro turno de 2008 (42,8%). Com
apenas dois anos como prefeito, não dá prá justificar seu favoritismo a sua
atuação como executivo. Tanto que muito das suas realizações só tiveram visibilidade
na sua propaganda eleitoral de rádio e TV. Aliás, o acerto da mão do seu
marketing, a meu ver, é um dos fatores do seu bom desempenho. Prova disso é o
seu crescimento nas pesquisas após o inicio da propaganda gratuita. Claro que
seu tempo de exposição, maior dentre todos os outros candidatos, auxiliou
bastante.
Outro fator tanto ou mais importante foi a montagem
das suas alianças partidárias. Fortunati conseguiu reunir o apoio dos
principais partidos sem candidatura própria. Com isso, passou a contar com uma
máquina eleitoral de grande porte, tanto na qualidade das lideranças, da
expressiva nominata de candidatos a vereador, e do invejável exército de
militantes. Associado a tudo isto, ser candidato sem se desvincular do cargo, é
uma vantagem única. Ainda mais quando se tem uma “poupança” de obras para
iniciar ou inaugurar.
E Manuela? Para mim o resultado das pesquisas não é
nenhuma surpresa. Lutando contra adversários muito mais bem estruturados e com
maior tempo de rádio e TV, seu desempenho pode ser considerado satisfatório. Prova
disso é que faltando dez dias para a eleição ela aparece, no cenário menos
favorável das pesquisas, com 23%. Superior ao obtido na campanha de 2008,
quando terminou o primeiro turno em terceiro lugar, com 15% dos votos úteis. Aliás, superior inclusive aos 22% que colocaram Maria do Rosário no segundo turno da eleição de 2008. Tivesse o apoio dos demais candidatos, mediante um melhor desempenho, Manuela certamente estaria
disputando o segundo turno com Fortunati.
A menos que consigo crescer individualmente, isto, a julgar pelos
resultados das pesquisas, provavelmente será difícil de acontecer. Mas é visível seu
amadurecimento político e pessoal. Está preparada para ocupar um cargo de
executivo.
Tal qual a lenda de Davi e Golias, a eleição deste
ano mostra que, em se tratando da conquista de votos, nem sempre a ficção
supera a realidade. No caso, Golias (Fortunati) está prestes a derrotar Davi
(Manuela). Mas a prudência recomenda que devemos esperar até o The End.
Imagem: wcarlos.wordpress.com

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