A TVCOM fez jus ontem ao seu conceito de canal da
comunidade. Realizou o melhor debate entre os candidatos a prefeitura de Porto
Alegre. Disparado. Com um formato que permitiu, predominantemente, a realização
de perguntas livres entre os seis candidatos (Érico Corrêa do PSTU não
participou por não ter se enquadra ao critério estabelecido pela emissora, que
exigia representação política no Congresso Nacional), o debate teve todos os
componentes necessários para que o eleitor tirasse suas próprias conclusões
sobe aquele que merecerá a sua confiança. Foi tenso, crítico, por vezes agressivo mas
sem baixar o nível, e bastante produtivo. Abordou os principais temas de
interesse dos porto-alegrenses. E isentamente coordenado pelo cada vez mais
experiente e competente André Machado. Claro que teria sido muito melhor se o
número de candidatos se resumisse a dois ou no máximo três candidatos. Mas
geraria muitas críticas por parte dos demais concorrentes. Quem sabe com o tempo um dia isto não possa
acontecer. Nossa jovem democracia, com a necessária maturação, há de nos
permitir isso.
Pois bem, como é hábito desse blog, farei uma rápida
apreciação sobre o desempenho de cada um dos seis participantes.
José Fortunati – Experiente, tentou mostrar que
fez o que pode e que pode fazer mais. Sabedor de que é “vidraça”, portanto alvo
principal dos demais candidatos se precaveu do tiroteio crítico chamando a
atenção do telespectador de que estava sendo alvo de ataque generalizado. Se
esta condição de vítima lhe rendeu rendimentos eleitorais não se sabe. Para o
meu gosto, Fortunati abusa demais do gerúndio. Estou fazendo. Estamos
melhorando. Estamos projetando. Estamos contratando. Estamos concluindo.
Estamos licitando. Etc. Mereceu o apelido de ANDO, dado por Manuela. É ANDO
demais prá quem representa uma gestão de oito anos. O esperado era de que se
ouvisse mais: fizemos, construímos, executamos... Além disso, esse sorriso
permanente de Fortunati não combina com os problemas da cidade, especialmente
na área da saúde, da segurança e da circulação viária. Será que representa a
confiança do “já ganhei”?
Roberto Robaina – Irritantemente polêmico.
Conseguiu manter a sua acidez crítica e ainda absorver o papel exercido por
aquele que tem sido seu companheiro de “mau humor” nos debates, o candidato do
PSTU, Érico Corrêa. Ou seja, foi “dose prá leão”. Conseguiu fazer com que Manuela D’Ávila,
sempre tão controlada e ponderada, saísse do sério é lhe desse respostas
diretas e contundentes. Merecidas, diga-se de passagem. A principal delas, a
meu ver, foi a acusação de que ele (Robaina) se considera a “única pessoa
honesta no mundo, que é dono da verdade”. Não apresentou propostas para Porto
Alegre, motivo maior de uma candidatura a prefeito. Ideologizou o debate.
Wambert Di Lorenzo – Surpreendeu pela desenvoltura e
desprendimento. Sem experiência em eleições (como candidato), Wambert tem sido
autor de várias frases de efeito com bom impacto televisivo. Uma delas foi: “O
PT era um partido de ex-presos políticos. Agora será um partido de ex-políticos
presos. Mas excetuando o brilhantismo da oratória, o candidato do PSDB continua
pecando na simplicidade das suas propostas, como a reformulação da EPTC,
considerada por ele ferramenta vital para a “indústria da multa”. Demonstra
ressentimento com o PT pelos ataques realizados durante o governo de sua maior
defensora, Yeda Crusius. Revanchismo. Talvez seja está à palavra correta para seu
comportamento. Independente das suas chances nesta eleição, Wambert mostra um
grande futuro político no âmbito do seu partido.
Manuela D'Ávila – Mostrou preparo. Está afiada. Única mulher na eleição majoritária consegue conciliar
simpatia e competência. Ao contrário de Robaina, que federalizou e estadualizou
o debate, Manuela se fixou exclusivamente nas questões da Capital. E centrou fogo no Fortunati, seu principal adversário segundo as
pesquisas. Nesse sentido, pegou pesado
quando cobrou a divergência entre a cidade da propagando do candidato do PDT e
a cidade real do dia-a-dia. Criticou o início de obras e a inauguração de
outras em pleno período eleitoral. Como exemplo citou a conclusão do auditório
Araujo Viana que, segundo ela, teve sete anos para ser reformado (período
Fogaça e Fortunati) mas que só foi concluído e inaugurado durante a campanha
eleitoral. Quando precisou reagir, reagiu com força e inteligência. Prá mim ela teve o melhor desempenho entre todos os candidatos.
Adão Villaverde – Alheio aos resultados das
pesquisas, o candidato do PT, esbanjou otimismo e confiança de que estará no
segundo turno da eleição. Representante do governo Dilma e Tarso na eleição foi
alvo de ataques dos candidatos do PSol e do PSDB. Nada mais natural. São adversários
contumazes. Manifestou confiança de que a militância aguerrida do PT fará a
diferença no final da campanha. De todos os candidatos é o único que pode
avalizar e garantir o apoio dos governos federal e estadual a sua administração.
E fez isto no debate. Apesar do poderio partidário, Villa ainda é um dos
candidatos com menor conhecimento popular. Precisa de um fato midiático para se
sobressair nestas pouco mais de duas semanas que antecedem a eleição. Não é
agressivo nas suas manifestações. Sabe ser contundente quando necessário. E é ético
sempre, mesmo em se tratando de Manuela D’Ávila, sua principal adversária para
disputar o segundo turno com Fortunati.
Jocelin Azambuja – Fez pouca diferença no debate.
Reforçou sua principal prioridade que é a Educação (federalização do salário do
magistério municipal) e manteve o foco nas suas poucas propostas de melhoria da
cidade, especialmente no que se refere ao transporte e circulação viária: nova
rodoviária para os ônibus metropolitanos e implantação de novas linhas para o
transporte hidroviário (catamarã) e para o aeromóvel.
Imagem: sisalnews.com.br
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