O que pretende Lewandowski?
O que era uma tendência agora
virou desconfiança. Refiro-me a conduta do ministro do STF, Ricardo
Lewandowski. Inicialmente, antes do
início do julgamento do Mensalão, Lewandowski não demonstrou, digamos assim, interesse
pelo início do julgamento em meio ao processo eleitoral. Uma vez definido que o
julgamento iria acontecer, no primeiro dia do mesmo, mostrou-se favorável a
tese dos defensores dos réus que não possuíam fórum privilegiado, de que o
processo deveria ser divido. Ficaria no STF os réus com fórum privilegiado e os
demais seriam julgados pelo STJ. Colocado em votação a proposta do revisor,
perdeu para a vontade da maioria da corte. A seguir, divergiu da metodologia
adotada pelo relator, ministro Joaquim Barbosa, que estabeleceu como
sistemática o fatiamento da ação por segmentos distintos (econômico, político, etc.).
Ouvida a corte, Lewandowski teve nova derrota.
Bem, daí em diante nada mais lhe
restou senão cumprir o rito estabelecido. Ledo engano! Se não pode mexer no rito, se intrometeu no ritmo do julgamento. Deixando de lado o
papel de coadjuvante, que lhe reserva a função de revisor, passou a se
pronunciar de maneira demorada e acadêmica. Sem se importar pela impaciência
dos seus colegas de corte e sem dar a mínima para o fato de dois ministros
estarem com suas aposentadorias compulsórias marcadas, respectivamente, para
agosto (Cezar Peluso) e novembro (Ayres Britto). Pois bem, o tempo foi passando
é Cezar Peluso se aposentou e só conseguiu votar a primeira parte do processo.
Seu substituto, o recém-nomeado ministro Teori Zavascki, já está certo, não irá
participar do julgamento.
Alheio a tudo isto segue
Lewandowski no seu trote, impassível. Já há quem diga que o alongamento
previsto para o caso (por responsabilidade do revisor) não permitirá que Ayres
Britto possa participar até o seu final. Se isso ocorrer, a fase derradeira e
mais importante da ação criminal, que trata do núcleo político (José Dirceu,
Delúbio Soares, José Genuíno e outros mais), poderá ocorrer com apenas nove
ministros. Bem a gosto dos advogados de defesa, como já foi divulgado pela
mídia.
Mas de tudo isto, uma coisa me
causa desconforto. Lewandowski, que na primeira fase do julgamento, acompanhou
o voto do relator e da maioria dos demais ministros, já não está tendo a mesma
postura nesta segunda fase do julgamento. Hoje, por exemplo, absolveu vários
réus. Minha dúvida é se esta tendência à benevolência do revisor irá se manter
ou até mesmo aumentar, atingindo o seu clímax no julgamento dos réus do núcleo
político. É bom lembrar que o relatório apresentado pelo revisor deu a José
Dirceu o papel de “comandante” da fraude e atribuiu envolvimento criminoso a
todos os demais.
É essa a minha curiosidade final do julgamento.
Como se comportará Lewandowski? Na verdade a dúvida é sobre questões pouco
transparentes. Por exemplo. Por que ele se colocou na posição de ator principal
do julgamento? A troco de que? Com que objetivo? Bem, só me resta esperar o
andar do julgamento. Quem sabe até lá eu consiga descobrir.

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