terça-feira, 4 de setembro de 2012


Por que agora?

Antes que me acusem de não gostar de animais vou avisando que desde criança já tive tudo que foi tipo de animal de estimação. Desde peixe, passarinho, tartaruga, coelho, gato, até cachorro de todos os tamanhos. Ainda hoje tenho um poodle que está comigo havia 15 anos. É o Bidú. Cego e com sério problema cardíaco, recebe de mim, diariamente, cuidados especiais. Desde passear na rua até alimentação especial. 


Feita esta ressalva, me sinto a vontade para criticar o anúncio feito ontem (3) pelo prefeito José Fortunati, de que irá construir o primeiro hospital público para animais do Brasil. E deu até nome: Hospital Veterinário Vitória. Mesmo que a intenção seja meritória, não há como não questionar o anúncio. Por que fazê-lo agora, em meio à eleição? E por que o nome Vitória? Ingenuidade demais pensar que se trata de simples coincidência. Aliás, será casuísmo também a série de obras que estão sendo iniciadas em plena campanha eleitoral?

No caso do hospital veterinário, há que se indagar por que Fortunati não fez o anúncio um ano atrás, quando criou a Secretaria Especial dos Direitos Animais? Não vale a tradicional desculpa da falta de projeto. O mesmo pode ser dito em relação às obras viárias recém-iniciadas, como a duplicação da Voluntários da Pátria e o viaduto da Avenida Bento Gonçalves, dentre outras. Fortunati assumiu a prefeitura em 30 de março de 2010, ou seja, há dois anos, cinco meses e quatro dias. Por que só agora iniciou as obras?

Ao adotar está atitude (iniciar obras durante a campanha), Fortunati assume o ônus da desconfiança e da crítica. Normal. Quando as pesquisas demonstram que a principal reivindicação dos porto-alegrenses é a melhoria do atendimento à saúde, como explicar o anúncio da construção de um hospital municipal veterinário? Como não rotular o início das obras como uso da máquina pública em prol da tentativa de reeleição?

A meu ver, Fortunati coloca em prova a máxima de que o gaúcho é o povo mais politizado do país. E as pesquisas são uma ótima ferramenta para medir o impacto desses anúncios. Com maior tempo de propaganda eleitoral gratuita e ocupando a cadeira de prefeito, utilizando todas as prerrogativas do cargo, Fortunati deveria estar em primeiro lugar nas pesquisas, distanciado do segundo colocado. Não é o que se vê. Em todas as pesquisas, feitas por diversos institutos, ele aparece empatado tecnicamente com a candidata do PCdoB, Manuela D’Ávila.

É por isso que esta eleição deverá ficar na história. O que poderá acontecer nos 33 dias que faltam para o dia 7 de outubro? A meu ver, tudo!

Imagem: clicrbs

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