“Quem não se comunica se trumbica”.
A eleição para a prefeitura de Porto Alegre
conta com sete candidatos. Cada um com a sua coligação. E cada coligação com a
sua denominação. E cada uma com o seu slogan definido. Mas o que significa a
expressão slogan? A palavra vem de slaugh-ghairm (se
pronuncia slogorm), do gaélico escocês que designa a expressão
"grito de guerra". Por isso, tem tudo a ver com campanha eleitoral. Mas
não basta apenas ser bom de “grito”. Tem que ter argumentos que sejam do
interesse do eleitor. Sendo assim, a mensagem, ou como alguns dizem,
a bandeira, é o componente estratégico mais importante. O que um candidato e um
partido dizem, com palavras ou sem elas, com argumento ou com imagem, é o
coração da oferta política. É o que os eleitores tomam em conta no momento de definir
o seu voto. Daí a sua importância.
Vejamos
então os slogans e as mensagens até agora divulgadas pelos candidatos a
prefeito, com as minhas devidas considerações:
- José Fortunati:
Slogan:
“Fazer mais, fazer melhor, fazer com todos”.
Mensagem:
“Melhorou, vai melhorar”.
A
indagação que fica da mensagem, a meu ver, é a seguinte: melhorou ou vai
melhorar? Sim, pois é preciso que isso fique bem claro. Se for verdade que o
eleitor vota no candidato que representa a esperança de atendimento de suas necessidades
mais urgentes, esperar meses, e as vezes anos, para ser atendido num posto de
saúde não representa nenhuma melhora. Por isso, mais do que dizer que já fez e
que vai fazer mais, é preciso explicar porque não fez quando poderia ter feito.
É a sina de quem é governo. Ou como se costuma dizer, “vidraça”. Sinto falta de
explicações na propaganda eleitoral do atual prefeito. Mas não há como negar
que ele tem a vantagem de mostrar suas realizações e, com elas, fortalecer a
sua experiência enquanto administrador público. E isso pode ser comprovado com
o elevado índice de aprovação de seu governo, segundo as pesquisas realizadas.
- Manuela D’Ávila:
Slogan:
“Porto Alegre da inovação e da igualdade”.
Mensagem:
“É hora de mudar”.
Tai
uma mensagem adequada ao público alvo da candidata e, a meu ver, da eleição de
Porto Alegre. Da candidata porque (e as pesquisas confirmam isto) inovação tem
tudo a ver com o seu eleitorado em potencial: jovens. Ou inovação não
representa, para eles, tecnologia? E tecnologia não significa Internet? E
Internet não representa acesso às redes sociais? E utilizar a rede social não é
o dia-a-dia dos jovens? Da mesma forma a
expressão igualdade tem tudo a ver com outro público-alvo de Manuela. As
pessoas de menor poder aquisitivo, que são a maioria do eleitorado da capital.
E se são a maioria do eleitorado, trata-se do segmento mais importante desta
eleição. E qual o pobre que não quer melhorar de vida? Então a mensagem “é hora
de mudar” soa como música para os seus ouvidos.
Por tudo isso não me surpreende o constante crescimento de Manuela nas
pesquisas. Sua equipe acertou à mão. Falta ainda, em minha opinião, fortalecer
a imagem de candidata preparada para o cargo. A oportunidade virá com a
apresentação de propostas criativas e viáveis.
- Adão Villaverde:
Slogan:
“Prefeito de verdade”
Mensagem:
“Porto Alegre precisa entrar no compasso do que acontece com o Estado e o
Brasil, com governos do PT”.
Acho
duvidosa a eficácia do slogan. Se o principal desafio de Villa é se tornar
conhecido do eleitorado porto-alegrense, como fazer isso convencendo a
população de que ele sim será um prefeito de verdade. Como fazer o eleitor
confiar nisso, votando num candidato que pouco conhece? Além disso, o slogan
soa meio agressivo (e com indícios de arrogância), tipo “ninguém foi tão bom
como eu serei”. E tal postura, já está configurada, não é bem vista pelo
eleitorado gaúcho e, consequentemente, de Porto Alegre. Vai ter que provar nos
dias de campanha que restam porque será um prefeito de verdade. Quanto à
mensagem, a idéia de alinhamento com os governos federal e estadual (administrados
pelo PT) repete a estratégia da campanha bem sucedida de Tarso Genro em 2010. A mensagem tem forte
apelo partidário (mobilização da militância) e atualidade eleitoral (ainda está
na lembrança do eleitor que votou em Tarso), só não sei se ainda está adequada
a expectativa do eleitor de Porto Alegre, que já experimentou o PT por 16 anos.
Vai depender muito do desempenho de Villa nas próximas pesquisas.
- Roberto Robaina:
Slogan:
“Porto Alegre para o povo”.
Mensagem:
“Falar a verdade que os outros não têm coragem”.
- Érico Corrêa:
Slogan:
“Porto Alegre para os trabalhadores”.
Mensagem:
“Denunciar as mazelas que prejudicam os trabalhadores”.
A
linha escolhida pelos dois candidatos para o slogan e para a mensagem é muito
coincidente. Explico. Primeiro porque são exclusivas (de exclusão). O que
significa governar para o povo e governar para os trabalhadores? Classe média
(que representa boa fatia do eleitorado) não está incluída na expressão “povo”?
E no caso do candidato do PSTU só os trabalhadores é que irão receber atenção?
Por outro lado, mensagens como “falar a verdade que os outros não têm coragem”
e “denunciar as mazelas que prejudicam os trabalhadores”, caracterizam-se pelo
tom ameaçador (e agressivo), que não é bem aceito pela imensa maioria do
eleitorado. A adoção da linha ideológica nos pronunciamentos se confronta com a
tendência da maioria do eleitorado de valorizar mais as qualidades do candidato
do que o partido que ele representa.
- Wambert Di Lorenzo:
Slogan:
“As pessoas em primeiro lugar”.
Mensagem:
“Acabar com a possibilidade do PT retornar à prefeitura de Porto Alegre,
representada pelas candidaturas de Adão Villaverde, Manuela D'Ávila e José
Fortunati, cujos partidos integram os governos federal e estadual”.
Trata-se
de um slogan politicamente correto, mas muito abrangente (sem público alvo
definido). Por não ser conhecido pela imensa maioria dos eleitores soa como uma
promessa duvidosa, uma espécie de cheque em branco: cuide de mim agora
(elegendo-me) que eu cuido de você depois. E voto é esperança e não aventura. Já
a mensagem tem o mesmo caráter exclusivo da escolhida pelos candidatos do PSol
e PSTU. No caso os excluídos são os partidos que compõe a base do governo Tarso
(PT, PDT e PCdoB) e que possuem candidatos concorrendo na eleição de Porto
Alegre. Identificando-se como representante do PSDB de Serra, Aécio e Yeda, a
mensagem de Wambert soa como um revanchismo (Serra perdeu para Dilma e Yeda
para Tarso). Numa eleição o embate deve entre projetos e propostas e não uma
disputa partidária. O eleitor gaúcho não é simpático a este tipo de confronto,
especialmente em eleição municipal.
Jocelin Azambuja:
Slogan:
“Educação é a solução”.
Mensagem:
Federalização dos professores da rede municipal.
Identificado
com os Círculos de Pais e Mestres, Jocelin, ao colocar a Educação como
prioridade de seu governo, define como público alvo o segmento educacional
(Pais, alunos e professores). Ocorre que, embora já tenha sido vereador,
Jocelin ainda é desconhecido da maioria dos eleitores da capital. Assim como o
seu partido, o PSL. Sendo assim, apesar da relevância do tema Educação, o pouco
tempo de exposição no programa eleitoral de rádio e TV não lhe permitirá o
aprofundamento de propostas e projetos. Mesmo assim, poderá abordar ações
importantes, como a luta para que os governos federal e estadual façam os
investimentos determinados na Constituição para as áreas da Educação e da
Saúde.

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