O Mensalão segundo Lewandowski
Por
mais aguardados que sejam os votos dos ministros Dias Toffoli, cuja participação
é questionada deste antes do início do julgamento dos 36 réus do Mensalão, e
Cezar Peluso, que se aposenta no dia 3 de setembro, nenhum deles se aproxima,
em termos de expectativa, do que o do ministro Ricardo Lewandowski. Revisor da
ação, Lewandowski é tido como o principal opositor do ministro-relator Joaquim
Barbosa, responsável pelo pedido de condenação de quatro dos cinco réus analisados
por ele até agora (a absolvição do ex-ministro da Secretaria de Comunicação do
governo Lula, Luis Gushiken, já havia sido pedida pelo Procurador-Geral da República,
Roberto Gurgel).
E
não é prá menos. Lewandowski sabe-se lá por que razão, tem se destacado por
suas posições divergentes da opinião da maioria do colegiado do STF. Não queria
o julgamento da ação durante o período eleitoral. Foi derrotado. Firmou posição
favorável ao desmembramento do processo, defendendo o encaminhamento dos réus
sem foro privilegiado para a Justiça comum. Foi derrotado. Mostrou-se contrário
a estratégia de fatiamento das denúncias proposta pelo relator, ministro
Joaquim Barbosa. Foi novamente derrotado pela vontade da maioria dos ministros.
Agora chegou a vez de se manifestar a respeito dos réus condenados por Barbosa.
É
sobre a manutenção ou não dá tendência (neste processo penal) de ter posição divergente
as decisões do colegiado e do ministro-relator que se deita a expectativa de
quem acompanha este que é o maior ruidoso e midiático processo já analisado
pela suprema corte brasileira. Não seria
nada demais não fosse a previsão de um resultado apertado, em termos de votação.
Ainda mais se considerarmos as situações já referidas, dos ministros Toffoli e
Peluso. Daí a importância do voto do ministro-revisor.
Particularmente,
fico torcendo para que o voto de Lewandowski seja eminentemente técnico e não
venha contaminado por ressentimentos pelas derrotas e embates pessoais surgidos
ao longo do processo. E nem por qualquer outro interesse, seja de ordem for. E
que acima de tudo seja justo. Pelo bem do STF e da Justiça brasileira.
Imagem: fotos.noticias.bol.uol.com.br

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