quarta-feira, 15 de agosto de 2012


A deseducação estatal


Para a presidente Dilma Rousseff uma grande nação deve ser medida por aquilo que faz para suas crianças e seus adolescentes. “Não é o Produto Interno Bruto. É a capacidade do país, do governo, e da sociedade de proteger o seu presente o seu futuro, que são suas crianças e seus adolescentes". Pois bem, nada é mais garantidor do futuro de uma criança e de um jovem do que a oferta de uma educação de qualidade. Educação em primeiro lugar não pode e não deve ser prioridade apenas no discurso. Deve ser prioridade de governo.

Sendo assim, a divulgação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica demonstra que o Rio Grande do Sul não está concatenado com o pensamento da presidente Dilma, pois aparece como o estado com um dos piores desempenhos do país no Ensino Fundamental e Médio. E não se trata, é preciso reconhecer, de uma situação pontual. Já vem de mais tempo. De outros governos. Mas a se considerar a declaração da presidente da República e o link Estado-União, apregoado pelo então candidato Tarso Genro (o famoso alinhamento das estrelas), o RS não está fazendo sua lição como devia.

Por isso o resultado do estudo do MEC não pode ser recebido com surpresa. Como esperar melhor desempenho de um estado que usa contêineres e CTGs como sala de aula? Que paga mal seus professores? Que investe pouco na capacitação dos profissionais de Educação e na implantação de laboratórios e bibliotecas? Foi-se o tempo em que os gaúchos podiam se orgulhar de dizer que detinham a melhor Educação do país. A meta agora deve ser a de não ter uma das piores Educação do país.

Diante desse quadro lamentável é de se questionar o esforço governamental de democratizar o acesso ao Ensino Superior através da ampliação da reserva de vagas nas universidades federais para alunos oriundos de escolas públicas. Independente dos aspectos ideológicos, o que forma um profissional qualificado é a sua capacidade, adquirida pela perfeita compreensão do conteúdo curricular. E o que temos observado é que um contingente expressivo de formandos tenta ingressar no mercado de trabalho sem as mínimas condições de atuação.

Tudo consequência de uma má formação na educação de base. Para dar um futuro a um jovem com formação superior é preciso que seu ingresso à universidade se dê por critérios de conteúdo e não por condição econômica ou racional. Aos olhos do futuro empregador interessa a competência do profissional e não a sua classe econômica de origem ou a cor da sua pele. E esse conteúdo só será competitivo (para ingresso e conclusão do curso escolhido) se a escola pública deixar de “vomitar” analfabetos funcionais.

Está mais do que na hora dos governantes mostrarem, na prática, que Educação é realmente prioridade. Senão por coerência ao discurso da campanha eleitoral, pela responsabilidade de gerirem o futuro desta e das próximas gerações. Se as pessoas são do tamanho dos seus sonhos, isto depende, e muito, da realidade que lhes é oferecida. Hoje o sonho, a julgar pelo estudo do IDEB, está mais parecido com um pesadelo.

Imagens: marciasglima.blogspot.com e grupojdo.com.br

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