Lula, por que não te calas?
A
história e os sábios já comprovaram que muitas vezes o silêncio vale ouro. Ou
como dizem outros ditados populares: “O silêncio é às
vezes mais eloquente que os discursos.” Ou, “O silêncio é a virtude do
ignorante.” Apesar disso, existem pessoas que, ou desconhecem, ou se contrapõem
a essas máximas. É o caso, por exemplo, do presidente da Venezuela, Hugo
Chaves, e mais recentemente do ex-presidente Lula.
No
caso de Lula, entretanto, as manifestações despropositadas, infelizmente ou
felizmente, não tem tido a repercussão que poderia ter. Infelizmente, porque é
inadmissível que alguém com a experiência e a popularidade dele se preste a
usar a mídia para amplificar frases de efeito que carregam consigo o interesse
pelo alcance de objetivos pessoais ou partidários. Felizmente, porque, na prática, as
conseqüências por tais despropósitos não estão trazendo, ainda, maiores
prejuízos ao país.
Mas
como tudo tem um limite, é hora de alguém (se é que alguém tem ascendência
sobre Lula) dizer para o ex-presidente brasileiro “baixar a bola”. Enquanto é
tempo. É inadmissível que como interessado direto no caso Mensalão ele, depois
de dizer que não acreditava na existência do mesmo (enquanto ocupava a
presidência da República), tenha tentado interferir na autonomia do STF. Ou não
foi isso que aconteceu na reunião de Lula com o ministro Gilmar Mendes, quando
ele disse que, no seu entendimento, não seria recomendável julgar o processo em
meio à campanha eleitoral?
Lula
pode ser pouco letrado, mas ingênuo, definitivamente ele não é. Pelo contrário,
é tido como “raposa” da política. Se falou é porque tinha algum interesse. Ou
representava algum interesse. O certo é que ele “mexeu num abelheiro”.
Indevidamente, pois existe uma presidente em pleno exercício do mandato que
mais do que respeitar o Poder Judiciário, não deu nenhuma declaração pública a
respeito do malfadado Mensalão.
Mas
não é apenas nesse episódio que Lula atropelou o bom censo. Fez isto em
diversas situações. Para me fixar nas mais recentes, cito duas. A primeira foi
a interferência na escolha do candidato do PT à prefeitura de São Paulo. Impôs
sua posição pessoal e as pesquisas eleitorais estão a mostrar que a escolha não
foi acertada. Teimoso, prefere acreditar que a pouca aceitação de Haddad pelo
eleitor paulistano possa ser revertida a partir da propaganda eleitoral no
rádio e na TV. Até ai tudo bem, quem sairá prejudicado, caso Lula esteja
enganado, será o PT.
Mas
no caso do segundo exemplo, ocorrido neste final de semana, por ocasião da
entrevista dada por Lula ao “The New York Times”, os danos atingem a imagem do
país. O que é inadmissível. Dizer que o Mensalão não existiu, em meio ao
julgamento do processo pelo STF, é de uma irresponsabilidade incalculável. Por que dizer isso agora? Com que interesse?
E por que justamente num jornal internacionalmente conhecido e respeitado? E
mais. Por que dizer, na mesma entrevista, que considera a Justiça brasileira é
lenta? Com que objetivo? Desacreditar a Justiça do Brasil?
Lamentável.
É o mínimo que se pode dizer das declarações inoportunas de Lula. Ao invés de
opinar sobre temas que não domina, Lula poderia se dedicar a desvendar sua
função como personagem da história política do Brasil. Afinal, como ele mesmo
reconheceu na entrevista, “não é fácil saber como deve agir um ex-presidente”.
Certamente um bom começo será pensar mais e falar menos. Antes que alguém se
atreva a dizer-lhe a celebre frase proferida
pelo Rei da Espanha, Juan Carlos: “Lula, por que não te calas”?

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