sexta-feira, 23 de novembro de 2012


Porque o PT afronta a Justiça?



Nada como um dia após o outro. Quando o Partido dos Trabalhadores ainda era um partido aspirante ao poder era comum ver suas lideranças clamando por justiça para punir seus adversários políticos, alvos preferências de denúncias efetuadas pelos próprios petistas. Bastou o PT ascender ao poder (seja em que esfera for) para que tudo mudasse. Agora o respeito às decisões judiciais (seja em que instância for)  só ocorre se o(s) réu(s) não forem petistas. Se forem, sai de baixo.

É o que se tem observado a nível nacional, regional e municipal. Dentre os casos mais recentes estão as declarações públicas da direção nacional do PT (em nota oficial)  sobre a decisão do STF no caso Mensalão e a manifestação dura do presidente do PT-RS, Raul Pont, que classificou de “absurda e inadequada” a decisão do STE de impugnar a vitória de Tarcísio Zimmermann na eleição de Novo Hamburgo. Até mesmo a nível estadual já se ouviu e continuamos ouvindo declarações de representantes do Executivo, contrários as decisões do TJ, onde o Estado foi derrotado após ter aprovado leis no plenário do Parlamento gaúcho.  E olha que o governador do Estado já foi ministro da Justiça.

Não fosse a divergência nas suas atitudes (antes e depois de chegar ao poder), o confronto do PT com as decisões da Justiça se contrapõe a dois conceitos basilares: o de que decisão judicial não se contesta (ainda mais as do STF) se cumpre e  o de que no regime republicano é imprescindível o respeito a independência e autonomia dos poderes.

O que houve afinal para que o PT colocasse, repentinamente, a Justiça brasileira na sua alça de mira? Ou melhor. O que mudou? O PT ou a Justiça? Não sei se o PT acha que o Brasil não consegue mais viver sem ele no poder, mas sei que a democracia não sobrevive sem o poder da Justiça. Já diziam os mais velhos: respeito é bom e preserva os dentes.  É por ai.

Imagem: nacionalpress.blogspot.com

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