quinta-feira, 29 de novembro de 2012



O mau (e perigoso) exemplo do PT.





“Pimenta nos olhos dos outros é colírio”. Nunca o ditado popular se adequou tanto a uma situação como a vivida atualmente pelo Partido dos Trabalhadores. Outrora algoz impiedoso dos erros alheios, o PT hoje padece e “esperneia” na condição de réu dos crimes que até então abominava. E o exemplo disso pode ser buscado, aos punhados, nas manchetes da imprensa. Mas se errar faz parte da vida e da condição humana, corrigir as distorções, mesmo que através da perda da liberdade, é consequência necessária e recomendável.

Deveria ser. Mas para o PT parece que não é. Existe dentro do partido uma dificuldade, uma enorme resistência em fazer o mea culpa, admitir erros e, consequentemente, corrigir equívocos. Tudo estaria bem se essa relutância se processasse e fosse digerida internamente. Só que não é isso o que está acontecendo. A divergência em relação às decisões judiciais contrárias aos interesses do PT e as atitudes tomadas publicamente pelo partido não se coadunam com o respeito necessário a soberania, a independência e a importância do Poder Judiciário.

Não bastassem as manifestações contrárias às decisões da Justiça, tendo no Mensalão o seu maior exemplo, o PT agora parte para as manifestações nas ruas. É o que está programado (dizem os jornais) para o próximo sábado, em Novo Hamburgo, quando o PT irá realizar nas ruas da cidade o que chama de “ato público em defesa da soberania popular”. O motivo: a decisão tomada pelo STE de anular a eleição de outubro por ter impugnado o registro da candidatura do atual prefeito, Tarcísio Zimmermann, vencedor do pleito, atingido pela lei da ficha limpa.

Ora, levar a população às ruas para protestar contra uma decisão judicial, ainda mais quando tomada pela corte mais alta da Justiça Eleitoral, é incitar a desobediência a Constituição. Com que objetivo? Incentivar a insubordinação popular as decisões da justiça brasileira? Desmoralizando-a? Tornando-a inconfiável? Péssimo exemplo. Imaginem se a moda pega.

Tal comportamento petista mostra que “há algo no ar além dos aviões de carreira”. Mostra uma ambição desmedida pelo poder absoluto. Não bastasse ter conquistado nacionalmente os poderes Executivo e Legislativo o PT quer ter também o domínio do Poder Judiciário. E vejam que o inconformismo acontece, no caso do STF, mesmo com a maioria dos ministros tendo sido indicados pelos dois últimos presidentes da República, ambos do PT.

De onde o PT tirou a ideia de que está acima de tudo e de todos. Isso tem uma denominação: ditadura. A mesma utilizada como desculpa para o surgimento do partido e para as vantagens eleitorais dela advindas. E todos sabemos que, em se tratando do mal provocado por um regime de exceção, não há diferença se a ditadura é de direita ou de esquerda.

Um país sem uma Justiça independente é uma nação sem rumo. Um caos social. Uma anarquia. Inaceitável sob todos os aspectos. E o pior, um perigo a democracia. Está mais do que na hora do PT começar a ter mais juízo.

Imagem: mazelasdojudiciario.blogspot.com

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