sexta-feira, 28 de dezembro de 2012


Apertem o cinto que a coerência sumiu!



E a política brasileira e a gaúcha seguem em queda livre para o fundo do poço. Coerência e ideologia passaram a ser meros integrantes de um verdadeiro “Vale Tudo” (MMA) político, onde a troca de “porradas” é cada vez mais intensa durante a campanha eleitoral, mas que, após a proclamação do resultado (por nocaute ou não), vencedor e vencidos se abraçam e trocam gentilezas incompreensíveis.  Ou não é exatamente isto que ocorre na montagem dos governos?

O exemplo mais recente acontece em Porto Alegre.  Para obter uma maioria expressiva na Câmara de Vereadores e amenizar críticas a sua administração, José Fortunati compôs uma base governista de nada menos que nove partidos. E para chutar de vez o “balde da coerência” o prefeito arrebanhou, na nova composição, o apoio de antigos desafetos de campanha: o PSB, que esteve ao lado de Manuela D’Ávilla, e o candidato do PSDB, Wambert Di Lorenzo, algoz maior da EPTC. É ou não é um "espetáculo"?

E o pior de tudo é que Fortunati não está inovando. Lula e Dilma já fazem isto há muito tempo. E o eleitor acha que ao votar está definindo quem será situação e quem será oposição. Pobre eleitor! Não sabe que é apenas um simples peão no complexo jogo de xadrez da política. Enquanto isto, os espertos de plantão seguem sua senda de vitórias, extirpando quase que completamente o importante papel da oposição, responsável pela fiscalização dos mandos e desmandos dos governos “legitimamente” eleitos.

Mas os descaminhos da política não se resumem apenas ao Poder Executivo. Também o Legislativo segue célere na contramão da ética e dos bons costumes. Querem ver? Como explicar a ambição de Renan Calheiros (dada como certa) para se tornar presidente da Câmara dos Deputados, em substituição a José Sarney, seis anos após ter renunciado ao mesmo cargo para evitar sua cassação por denúncias de corrupção?  Como explicar a ascensão de José Genuíno ao cargo de deputado titular da Câmara dos Deputados, gerada pela renúncia do deputado Carlinhos Almeida (PT-SP), após ter sido condenado pelo STF a quase sete anos de prisão, por formação de quadrilha e corrupção ativa no episódio do Mensalão?

E por falar em STF, como não se surpreender com as declarações do ministro Luiz Fux de que para buscar apoio à sua nomeação para a suprema corte brasileira utilizou do prestígio político de José Dirceu? Sim, o mesmo Zé Dirceu tido pelo procurador-geral da República (reiterado pelo STF) como chefe da quadrilha do Mensalão, e que Fux ajudou a condenar, para surpresa do secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, que imaginava que Fux iria retribuir a sua indicação para o cargo com um tratamento menos belicoso aos réus ligados ao PT.

Por tudo isso, há que se indagar o estaria pensando Clístenes, pai da democracia grega, se estivesse vivo? Certamente estaria se questionando sobre o que a Constituição brasileira estaria tentando dizer com a máxima “todo poder emana do povo e em seu nome é exercido”. Como não dá para parar o mundo e descer, o que certamente seria a vontade de muitos, a solução é mudar o mundo. Mudando a política e os políticos. Pense nisso. Tem eleição daqui a um ano e meio.

Imagem: universoracionalista.wordpress.com

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