Salvem o DAER.
Houve uma época, não muito distante, que
ser servidor do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (DAER) era
garantia de prestígio junto à sociedade gaúcha. Casar ou ter como cliente um
funcionário do DAER era motivo de orgulho. Ser detentor de cargo de chefia,
então, era certeza de recebimento de tratamento de autoridade. Isso tudo não
apenas pelos salários diferenciados, mas principalmente pela posição
hierárquica do órgão na estrutura administrativa do Estado. Era a época do boom
do rodoviarismo.
Pois bem, os tempos mudaram é o DAER, 75
anos após ter sido criado, encontra-se na contramão da sua própria história. E
tudo começou com o enfraquecimento da estrutura interna da autarquia. Mais
precisamente com a redução das atividades das coordenadorias, atualmente
denominadas de superintendências regionais, que tiveram seus serviços de
construção e restauração de estradas transferidos para a iniciativa privada,
passando a ter quase que exclusivamente a função de gerenciadoras da execução
de projetos e programas. E não apenas na pavimentação e conservação de
rodovias, mas também na fiscalização das concessões rodoviárias, que passaram a
administrar a malha concedida sob jurisdição do DAER.
Foi terceirizar o que vinha dando certo
para começar a dar errado. Sem a realização de concursos públicos para
substituição do seu pessoal especializado, o que significa o desaparecimento do
know how da autarquia, e com o achatamento salarial dos seus servidores, o DAER
passou a ser massa de manobra fácil não só para os políticos como também para
os maus empresários. O resultado se pode ser visto nas frequentes notícias de
irregularidades divulgadas pela imprensa. E a coisa chegou a tal ponto que até
o regulamento da instituição foi desrespeitado: transformaram um arquiteto em
diretor-geral da autarquia, cargo que só engenheiro poderia ocupar.
Diante desse quadro de decepção os
servidores do DAER, outrora tão altaneiros e orgulhosos, hoje perambulam
envergados pelas ruas. Tem vergonha até de se dizerem servidores do DAER. Por
que fizeram isto com o DAER? Por que tanta malvadeza com um órgão que só fez o
bem para o Rio Grande? E não me venham com a tese da modernidade necessária.
Honestidade e competência são pré-requisitos indispensáveis em qualquer época e
em qualquer situação. Colocaram pessoas erradas no lugar de pessoas corretas e
qualificadas.
Ai é que está o câncer do problema. Não
nasce bolor em área asseada. Enquanto o DAER fez jus a palavra autônomo tudo
andou bem. Bastou afastar o critério técnico e incluir o político para que as
coisas desandassem.
Salvem o DAER. Tornar o DAER forte e
confiável novamente é desenvolver o Rio Grande.
Imagem: esculturagaucha.com.br

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