É tempo de indignação.
Após quatro meses de muita
expectativa finalmente sabemos o resultado do julgamento dos réus do Mensalão. Dos
37 réus, 25 foram considerados culpados e, juntos, foram condenados a 282 anos
de prisão e ao pagamento de multas que superam os 22 milhões de reais.
Independente do fato de que apenas alguns dos condenados irão cumprir a pena em
regime fechado (e por tempo reduzido), o que importa é a condenação imposta
pelo STF. Ela, além de atender um anseio popular, acaba com qualquer dúvida
sobre a postura ética da suprema corte do país. Embora as divergências técnicas
entre os ministros, o colegiado do STF demonstrou claramente que para a Justiça
não há diferença entre crimes do “colarinho branco” e ladrões de galinha. O que
existe são inocentes e culpados. Como tem que ser.
Trata-se, sem dúvida, de um sopro
de esperança, um forte indicativo, de que no Brasil a corrupção não será
tolerada. Era o que faltava, pois o Ministério Público e a imprensa já estavam
fazendo seu papel. O primeiro investigando. A segunda, denunciando. Mas ainda
há muito que fazer. As manchetes dos jornais, rádios e TVs, comprovam que,
infelizmente, ainda continuam ocorrendo apropriações indevidas do dinheiro da
população, por parte de detentores de cargos públicos (do maior ao menor
escalão), políticos e empresários. O que é inadmissível.
Daí que é preciso pegar a onda
gerada pela decisão do STF para criar um grande movimento cívico pela ética no
serviço público e pelo fim da corrupção. E isso precisa ser gerado dentro do "útero" da sociedade. Nascer e crescer a partir de ações de sua iniciativa.
Fizemos isto com os caras pintadas mas não demos continuidade. É preciso usar a
indignação como combustível para as mudanças necessárias. E isso não cu$ta nada. Basta escolher melhor o
candidato em que for votar (e a lei da ficha limpa está ai para ajudar) e,
depois de eleito, fiscalizar a sua atuação parlamentar. E se souber de algum
deslize do seu representante não se omita, denuncie. E nunca mais vote nele.
Da mesma forma, exija dos seus
governantes a aplicação de critérios morais e éticos na escolha dos seus assessores
diretos. E responsabilize-os pelas más escolhas. Não seja adepto da prática da “Lei
de Gerson” nas negociações com empresários inescrupulosos. Não existe “almoço
de graça”. Se você está levando vantagem é por que alguém está perdendo. E faça
o mesmo com as obras e serviços públicos. Ao ver uma falcatrua não silencie. Reclame.
E se não surtir efeito, denuncie. É preferível ser chamado de chato do que de omisso.
Em resumo: faça valer sua
condição de cidadão. Nunca antes nesse
país o terreno esteve tão fértil para o surgimento de uma nova mentalidade
ética e comportamental. Mas não basta apenas criticar o que está errado. É preciso valorizar e mostrar o que está dando certo. E aí a escola e os meios de
comunicação possuem papel importantíssimo. Não podemos nos deixar anestesiar
pela vulgaridade das práticas equivocadas. E o
começo dessa transformação começa pela indignação, desenvolve-se pela intolerância e se
consolida com ações práticas e objetivas.
E não esqueça. Faça a sua parte.
A mudança, para dar certo, tem que começar por você.
Imagem: capacitacao43.wordpress.com

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