segunda-feira, 10 de dezembro de 2012


O tsunami do desenvolvimento populista.



Por está o PT não esperava. A política de benesses às classes menos favorecidas, criada pelos governos Lula e Dilma Rousseff, baseada na implantação de programas populares, do tipo Bolsa Família, teve efeito bumerangue. Isso porque o aumento da classe média, fruto do crescimento e do fortalecimento da economia, não se refletiu apenas no aspecto consumista. Adentrou o segmento de serviços.

A nova classe média também quer um atendimento de saúde rápido eficiente. Quer segurança para o seu patrimônio recém-adquirido. E quer proporcionar uma educação qualificada para os seus filhos. Que lhes proporcione condições de disputar espaços privilegiados e bem remunerados no mercado de trabalho. Quer, enfim, tudo aquilo que a tradicional classe média, consciente do desequilíbrio do custo x benefício gerado pelo pagamento de impostos tanto tem clamado e reclamado.  Ou seja, caridade com o dinheiro alheio também gera dependência predatória.

E agora? Esses novos bem-sucedidos da economia brasileira vão poder comprar jornal e revista. Ver TV. Ouvir rádio. Vão, enfim, se informar e formar consciência. E ai vão ficar sabendo do Mensalão e outras mazelas dos seus “padrinhos benfeitores”. Vão tomar conhecimento do risco que o país corre de ter um apagão por falta de investimentos no setor elétrico. Vão tremer de medo de ter que procurar socorro hospitalar e não encontrar leitos disponíveis para si ou para sua família. Vão ter medo de sair à rua a noite e ser assaltado ou assassinado, por falta de policiamento. Vão saber que o diploma que orgulhosamente ornamenta a parede da sala não lhes garante o pleno exercício da profissão, por não ter tido uma educação superior de qualidade.

Epa! Mas e se essa tal de classe média acabar sendo a maioria dos eleitores? O que fazer com os programas populares? Bem, falta apenas dois anos para a eleição para presidente da República. Muito pouco para gerar uma maioria que possa ameaçar o atual domínio petista. Mas se não existe tempo suficiente para conscientizar a maioria do eleitorado de que as “bolsas petistas” são quase nada em se tratando das necessidades básicas da população, o mesmo vale para o conhecimento das denúncias que começam a cair sobre Lula, o todo poderoso do PT e tido como novo “pai dos pobres”.

Mas tem a campanha eleitoral e seus espaços democráticos de rádio e TV. É, mas para desmascarar a política populista do PT é preciso ter uma oposição de verdade. E sem “rabo”. Bem, ai é que o caldo engrossa. A maioria dos partidos já foi cooptado pelo PT e hoje desfruta de espaço no poder. Mas deve ter alguém que possa desempenhar o verdadeiro papel de estadista. Que coloque a educação como prioridade máxima de seu governo. Que saiba cercar-se de assessores sérios, honestos e capacitados. Que seja companheiro de todos os brasileiros e não apenas dos seus correligionários. Que saiba colocar o interesse público acima do interesse pessoal ou partidário.

Enquanto isso não acontece, a crescente classe média, tal qual um tsunami, aumenta não apenas seu tamanho, mas também seu nível de conscientização, ameaçando sobremodo o projeto petista de dominação do cenário político e de perpetuação no poder. 

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