A sinuca de bico de Fortunati.
Mas báh tchê! Que sinuca de bico
a Câmara de Vereadores de Porto Alegre colocou o prefeito José Fortunati.
Os edis municipais aprovaram duas
polêmicas leis para o transporte coletivo urbano. A primeira, que Fortunati já
anunciou que irá vetar, determina que todos os ônibus tenham ar-condicionado. A
justificativa do veto? O bem estar que beneficiaria os milhares de usuários provocaria
um aumento de treze centavos no valor da tarifa, que hoje é de R$ 3,25. Ou
seja, mais vale o suor e o desconforto dos passageiros, que passam horas enfornados
(isso mesmo, de forno) em veículos abarrotados de gente, do que os R$ 0,13
gastos para o desfrute de um ônibus climatizado, prazer esse que a grande
maioria não tem condições de usufruir nas suas residências. Além disso, o
silencio da comunidade porto-alegrense sobre a aprovação da nova lei indica que
ela foi bem recebida. Mas então a negativa do prefeito pode ser classificada de
insensibilidade ou excesso de zelo? Já que inconstitucional ela não é?
A outra lei, aprovada ontem,
autoriza o transporte de gatos e cachorros de pequeno e médio porte,
acompanhados de seus responsáveis, em ônibus, táxis e lotações. As únicas exigências
são de os animais estejam devidamente limpos, vacinados e acondicionados em recipientes
apropriados. E agora? Será que Fortunati, que é adepto da causa animal e que
tem como esposa a deputada Maria Regina Becker, totalmente identificada com a
defesa dos direitos dos animais, irá manter a coerência, já que a transporte
dos animais irá reduzir a capacidade de passageiro, afetando diretamente o
custo do sistema, vetando essa nova lei? No caso de homologação, a dúvida será:
Para Fortunati, mais vale atender o interesse dos donos dos animais de
estimação do que o bem estar das pessoas que necessitam utilizar o transporte
coletivo?
O taco, digo, a responsabilidade,
está nas mãos do prefeito.

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